24 Mai, 2018

Ideias de Crescimento Sustentado! – Coluna de Opinião de Luís Supico

Fair PlayJulho 14, 20175min0

Ideias de Crescimento Sustentado! – Coluna de Opinião de Luís Supico

Fair PlayJulho 14, 20175min0

O crescimento sustentado dos atletas do Rugby Nacional é o novo tema da coluna Total Rugby de Luís Supico. As questões perante o desenvolvimento metal e físico e as soluções para o presente e futuro 

Faz sensivelmente oito anos que a imagem de uma apresentação do então director técnico e treinador principal dos Séniores do Cascais, Philip Kellerman, mudou a minha maneira de pensar Rugby (e desporto, por inerência) – a relação da velocidade de Crescimento (Peak Height Velocity ou PHV) com o desenvolvimento individual dos jogadores:

Philip Kellerman (Foto: Philip Kellerman)

Aqui estava a base de tudo o que é desporto, uma explicação sucinta da relação dos crescimentos físicos dos miúdos com o foco individual do que se deve treinar ou, neste caso, optimizar e quando.

Por forma a poder provar se o que me parecia lógico funcionava, comecei por treinar o que era mais importante para o escalão onde me encontrava na altura (os sub10) e, seguindo esta ideia, por desenvolver a parte física e técnica dos jogadores em três vertentes – a velocidade em distâncias curtas, a flexibilidade e os skills individuais (neste caso atacantes mas com algum enfoque também na placagem). Com bons resultados. Tanto que, quando passei para os sub12 (e consequentemente sub14) fui seguindo esta imagem à risca, com a sorte de subir sempre com os mesmos miúdos, ou seja, sabendo já que o que estava para trás funcionava e o que faltava desenvolver para a frente. Sempre com os resultados esperados (e às vezes, melhores do que esperava…).

Com o passar dos anos e chegado aos sub16, cinco épocas de evolução e confirmação destas ideias, pareceu-me óbvio o próximo passo: adicionar a vertente psicológica ao treino.

E o que é a vertente psicológica?

Para se perceber o porquê e o que é, há que desconstruir um pouco as divisões dos escalões já que a Federação, os clubes, treinadores, dirigentes, todos pensamos em três grupos de desenvolvimento: Formação (dos sub8 aos sub14), Pré-Competição (sub16 e sub18) e Competição (Challenge e Séniores), o que é natural e acertado. Afinal de contas há que hierarquizar as coisas para as podermos trabalhar; mas esta divisão, às vezes, pode-nos enganar. Senão vejamos: sub8 e sub10 são importantes para o desenvolvimento das aptidões individuais e para se divertirem; sub12 já é um escalão importantíssimo no que toca a juntar individualismo com trabalho de equipa; sub14 é o primeiro escalão onde o trabalho táctico começa a sério (campo inteiro menos 5 metros, XIII em campo, etc.) e sub16 onde tudo se conjuga e se joga rugby de XV já quase como nos Séniores.

Considerando ainda outra divisão, podemos dizer que há três vertentes para os jogadores: a parte física, a parte técnica e a parte táctica, que os acompanha em todos os escalões.

Ou seja (e resumindo):

No treino físico e como comprovado pela imagem inicial da relação da velocidade de Crescimento (PHV), há um crescimento natural do corpo até sensivelmente aos 14 anos, com especial declive aquando do seu zénite o que nos diz que, a haver treino físico, deverá ser feito com o próprio peso do corpo até aos sub16 e, a partir daí, começar o treino técnico de levantamento de pesos, com consequente aumento de carga;

Na incidência geral individual, o plano técnico cinge-se ao desenvolvimento do indivíduo como jogador, seguido do plano táctico a partir dos sub14 (aumento de campo, jogadores, etc.);

Já a incidência prioritária diz-nos que a parte técnica individual deve ser a preferência nos primeiros escalões, com o desenvolvimento da área táctica nos sub14 e psicológica nos sub16.

Mas como nada é estanque e tudo tem de ser trabalhado, acredito que será sensivelmente nestes termos que se deverá desenvolver os jogadores:

Sendo assim e voltando ao início: o que é mesmo a vertente psicológica do treino?

Se aceitarmos o que foi dito atrás como certo podemos deduzir que os sub16 são, então, um ponto de confluências de tudo o que foi trabalhado para trás com um acrescento importante: nos sub18 já há jogadores com capacidade para jogar nos Séniores que, podendo, o irão fazer… Sem contar com as cartas de condução, namoradas, faculdades para entrar, saídas à noite (também merecem ter vida, como é óbvio!), viagens, estudos noutros sítios, muitos condicionantes que entram rapidamente na vida dos jogadores e podem, muito facilmente, destruir uma equipa com anos de trabalho. E aí é que entra a parte psicológica dos sub16: se tudo fôr bem feito, eles irão estar preparados para o que lhes aparece à frente.

A conciliação dos estudos, do rugby e da vida pessoal, a iniciação a regras específicas e punições subjacentes se quebradas, a iniciação ao trabalho de desenvolvimento individual da parte do jogador sobre si próprio (visionamento de vídeos, treinos específicos, etc.) e o aprimorar de posições específicas, o início de trabalho de ginásio bem como a iniciação à disciplina individual e pessoal fora de campo (alimentação, saídas à noite, etc.), aliado ao facto dos pais começarem a dar liberdades até à altura inexistentes ou mínimas aos jogadores, fazem deste escalão O escalão de preparação para os Séniores.

Foto: Pai Conde Fotografia

Numa altura em que tanto se fala de problemas e desânimo pelos resultados da Selecção Nacional Sénior, penso que é indo à base e trabalhando lá que se vão ver melhorias nos escalões de cima… Dentro de uns anos, sim, mas com consistência.


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