26 Mai, 2018

O jogo do Verão: Brasil vs Portugal – Coluna de Opinião de Victor Ramalho

Francisco IsaacJunho 9, 20177min0

O jogo do Verão: Brasil vs Portugal – Coluna de Opinião de Victor Ramalho

Francisco IsaacJunho 9, 20177min0

Victor Ramalho, um dos editores do Portal do Rugby, fala sobre o que se passou nos últimos dois meses no Brasil e do pré-jogo entre Tupis e Lobos na sua coluna “Rugby no Brasil”. O 10 de Junho com significado especial

O rugby brasileiro vive uma sequência de eventos importantes e novos desafios. O mês de maio reservava ao rugby brasileiro grandes expectativas, por conta do Campeonato Sul-Americano, competição que valia também como apuração para o Mundial de 2019. Brasil, Uruguai, Chile e Paraguai se encontraram, com uruguaios e chilenos tendo a vantagem de enfrentarem em casa os brasileiros.

Quem acabasse em primeiro lugar o torneio avançaria à fase decisiva do Qualificatório, para duelar com o perdedor da partida entre Estados Unidos e Canadá, valendo a vaga “Américas 2” em 2019. A Argentina, já classificada ao Mundial, não participa mais do Sul-Americano.

O resultado foi que o sonho de ir a um Mundial acabou adiado.

O caminho começou tortuoso com derrota para o Chile, em Santiago, por 15-10, em partida apertada e aberta até o fim. Os Tupis depositavam grandes esperanças de que finalmente, pela primeira vez na história, derrotariam Los Cóndores em solo chileno, o que não ocorreu desta vez, com o Chile apresentando evolução desde o Americas Rugby Championship e contando com dois atletas do Bayonne, Huete e Ayarza, que tornaram o pack andino mais forte e capaz de neutralizar as jogadas de maior criatividade dos brasileiros.

Depois, em Montevidéu, Los Teros uruguaios se provaram ainda um degrau acima dos Tupis, vencendo por 41-27. O Brasil teve seus momentos e chegou a flertar com uma virada, mas não se consumou.

O último jogo da competição, no dia 26 de maio, opôs Brasil e Paraguai, com o Estádio do Pacaembu (o tradicional estádio municipal de futebol que desde a Copa do Mundo de 2014 não tem mais um clube de futebol mandante e que vem abraçando o rugby desde 2015), em São Paulo, recebendo pouco mais de 3 mil adeptos, em uma noite de sexta-feira.

Desde a estreia do Brasil no estádio, em 2015 contra a Alemanha, os Tupis não são derrotados nesse novo palco e a escrita se manteve. Já consideravelmente atrás de seus rivais sul-americanos, o Paraguai lutou bravamente no primeiro tempo, mantendo a disputa parelho, mas não aguentou fisicamente após o intervalo. O Brasil se impôs e conseguiu sua maior vitória na história sobre os Yakarés paraguaios, 57-06.

A partida foi emocionante pela despedida de Daniel “Nativo” Danielewicz, hooker da equipa, que se aposentou da seleção após mais de 60 internacionalizações.

O final de semana seguinte no Brasil foi de folga para os Tupis, mas de retorno no rugby de clubes, com decisões.

No Brasil, de março a junho os clubes disputam os campeonatos estaduais, enquanto de julho a outubro é disputado o Campeonato Brasileiro, com o mês de férias sendo dezembro. Os dois campeonatos estaduais mais fortes são o Paulista (São Paulo) e o Gaúcho (Rio Grande do Sul) e ambos viveram no dia 3 suas semifinais.

No Rio Grande do Sul, todos se perguntam quem será capaz de vencer o Farrapos, de Bento Gonçalves, que não perde uma partida na competição desde 2009 e aplicou agora 114-03 sobre o SC Rugby, de Caxias do Sul, na primeira semifinal. Do outro lado, Porto Alegre teve seu dérbi, com o San Diego derrotando o Charrua por 21-14. A final ocorrerá no dia 17 entre Farrapos e San Diego, as duas agremiações de camisolas verdes.

Já São Paulo vive o campeonato mais equilibrado dos últimos tempos. Na fase de apuração, a diferença entre o primeiro colocado, a Poli, e o quinto, o Band Saracens, foi de somente 7 pontos. Poli e Jacareí foram as sensações. No ano passado, a Poli (clube nascido da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo) havia acabado o Campeonato Paulista em 7º lugar, mas cresceu no segundo semestre e se sagrou vice campeã da Taça Tupi, a segunda divisão do Campeonato Brasileiro, sendo derrotada na final justamente pelo Jacareí, clube da cidade homônima, a 100 km da cidade de São Paulo.

Ambos conquistaram promoção à primeira divisão nacional e a Poli investiu em sua preparação para o Paulista de 2017. Com os clubes favoritos – São José, SPAC, Pasteur – sofrendo no início de temporada com remodelações e perdendo atletas para os Tupis – a Poli cresceu e fez uma brilhante campanha, vencendo 6 jogos e perdendo somente 1, justamente para o Jacareí, um dos clubes com mais forte categoria juvenil no país.

Recheado de bons valores, o Jacareí acabou em segundo lugar, com apenas uma derrota também, para o SPAC, e um empate, diante do vizinho e rival São José.

Nas semifinais, o São José – que foi campeão paulista em 10 dos últimos 12 anos – caiu contra a sensação Poli por 21-13, ao passo que o Jacareí vingou sua derrota diante do SPAC vencendo desta vez por 37-06. Nesse sábado, dia 10, logo após Brasil contra Portugal, Poli e Jacareí jogarão pelo título de São Paulo, às 15h30 (horário local, 19h30, horário de Lisboa).

De volta a Tupis contra Lobos, o Brasil irá a campo contra Portugal nesse sábado esperando bom público e com força máxima.

O elenco que o técnico do Brasil, o argentino Rodolfo Ambrosio, convocou é basicamente o mesmo que disputou o Sul-Americano e para os Tupis é o Ranking do World Rugby que está em jogo, pois uma vitória sobre os Lobos poderá render ao Brasil subida até o 28º lugar no Ranking. Destaques para o veterano asa João Luiz “Ige” da Ros, o mais experiente do elenco, o hooker Yan Rosetti, radicado o rugby argentino e eleito o melhor do país em 2016, os irmãos Sancery, nascidos no Brasil, mas criados na França e ex jogadores do Albi, e para os irmãos Duque, Lucas “Tanque” e Moisés, que está prestes a se tornar o maior pontuador da história da seleção brasileira.

Brasil e Portugal terá transmissão ao vivo (aberta a Portugal) por https://ww2.brasilrugby.com.br/pages/ao-vivo

Poli e Jacareí também será exibido ao vivo, pelo Facebook da Federação Paulista de Rugby (também chamado da FPR): https://www.facebook.com/fprugby/

Test Match – Convocados

Dia 10 de junho – Brasil vs Portugal, em São Paulo – 13h00 (horário local), 17h00 (horário português);

Árbitro: Damian Schneider (Argentina)

Brasil: André Felipe Arruda “Buda” (Desterro), Arthur Bonfim Bergo (SPAC), Caique Silva Segura (São José), Cleber Dias da Silva Júnior “Gelado” (Poli), Daniel Henri Sancery (São José), Diego Lopez (Pasteur), Douglas Thiago Rauth (Curitiba), Endy Willian de Jesus Pinheiro (Curitiba), Felipe Henri Sancery (São José), Frederico Candido Costa (Jacareí), Gabriel Torres Paganini (Bandeirantes), Jacobus De Wet VanNiekerk (Poli), João Luiz da Ros “Ige” (Desterro), Johannes Andries Beukes Cremer (Poli), Jonatas Santos Paulo “Chabal” (Bandeirantes), Joshua Brian Reeves (Jacareí), Laurent Bourda-Couhet (Bandeirantes), Lucas Piero de Moraes “Bruxinho” (Desterro), Lucas Rainho Tranquez “Zé” (SPAC), Lucas Rodrigues Duque “Tanque” (São José), Matheus da Cruz Daniel “Matias” (Jacareí), Matheus Rodrigues Rocha “Blade” (Jacareí), Michel Gomes de Oliveira (São José), Moisés Rodrigues Duque (São José), Nicholas Malcolm Smith (SPAC), Pedro Luiz Menezes Bengalo (Desterro), Robert Tenorio (Pasteur), Stefano Giantorno (São José) e Yan Mota Rosetti (CUBA/ARG).

Portugal: Adérito Esteves (Tarbes, França/3ª divisão), Bruno Medeiros (CDUL), Caetano Castelo Branco (Nottingham Academy, Inglaterra/aspirantes), Duarte Diniz (Direito), Francisco Appleton (CDUL), Francisco Bruno (Direito), Francisco Pinto Magalhães (CDUL), Georgie Mcsullea (CDUL), Gonçalo Foro (CDUL), Gonçalo Uva (Direito), João Corte-Real (CDUP), João Granate (Direito), João Lino (CDUL), Jorge Abecasis (CDUL), José Conde (Cascais), José Luís Cabral (Direito), José Rebelo de Andrade (Agronomia), Manuel Cardoso Pinto (Agronomia), Manuel Queirós (Académica de Coimbra), Nuno Mascarenhas (Cascais), Nuno Penha e Costa (CDUL), Sebastião Villax (CDUL) e Tomás Appleton (CDUL);

Enquanto não há XV dos Tupis, há o de Portugal (Foot: FPR)


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