22 Mai, 2018

Mercado – Antonio Rudiger e Romelu Lukaku

Gonçalo MeloJulho 20, 20174min0

Mercado – Antonio Rudiger e Romelu Lukaku

Gonçalo MeloJulho 20, 20174min0

No paradigma do futebol atual verificamos cada vez mais uma acesa e muitas vezes concorrência desleal pelos direitos televisivos. Neste mundo vivido fora das quatro linhas, os milhões movimentados são muitos, promovendo cada vez mais negócios estratosféricos e transferências por valores outrora considerados impeditivos e utópicos. Neste caso analisamos as transferências de Antonio Rudiger para o Chelsea e de Romelu Lukaku para o Manchester United.

Se no caso de Romelu Lukaku, o investimento é parcialmente justificável (Ibra e Rooney saíram, e atacar uma época apenas com Rashford e Martial era demasiado arriscado) no caso do alemão ex-Roma nem tanto. Apesar da qualidade inegável do central de 24 anos, faz sentido que um investimento de 35 milhões de euros num central seja efetuado devido a uma necessidade evidente ou uma lacuna no plantel, algo que não se verifica, o que comprova a loucura do atual mercado de transferências.

O Chelsea de Conte joga no sistema de três centrais, com David Luiz, Gary Cahill e Azpilicueta a formarem esse trio na maior parte das vezes, não sendo fácil para Rudiger entrar no onze. Ainda assim, apesar da saída do lendário John Terry, a equipa tinha ainda três soluções de grande qualidade e margem de progressão para aquela zona, para renderem o trio titular quando necessário.

O dinamarquês Anders Christensen, fortíssimo na saída de bola parece fazer parte das escolhas, mas Kourt Zouma, que envolveu um investimento semelhante ao de Rudiger, já foi emprestado ao Stoke City. Já fora do clube também, está o holandês Nathan Aké, vendido ao Bournemouth. São os 35 milhões pagos por Rudiger justificáveis? Um central que não esta num nível assim tão superior à maioria dos centrais vendidos ou emprestados pelo Chelsea? Só o tempo o dirá, tendo o jovem alemão formado no Estugarda, a velocidade, leitura tática, agressividade e saída de bola para vingar na Premier League, tendo no entanto o exemplo de Zouma para se reger, que apesar do elevado investimento não teve lugar no plantel esta temporada (a grave lesão sofrida há um ano para isso contribuiu).

Foto: espn.com

O caso do belga ex-Everton é inteiramente diferente. Mourinho precisava de uma referência no ataque, e Lukaku é um craque. Além disso está completamente identificado com o campeonato, e pode render muito mais golos se for bem municiado e tiver o apoio necessário (no Everton muitas vezes jogava muito sozinho na frente). O valor pode ser sempre colocado em causa, mas valores destes pagos por um homem que garante mais de 25 golos por época tem de ser pelo menos ligeiramente aceite.

O belga é muito diferente de Zlatan, mas até tem um estilo que se adequa melhor à forma de jogar de Mourinho, que privilegia os contra golpes e as transições rápidas. E Lukaku vai ser um complemento perfeito para as “motas” que Mourinho já tem no plantel (Mkytharyan, Lingard, Rashford, Martial, etc.)

À velocidade Lukaku alia uma enorme capacidade física e força, capaz de desgastar defesas e de aumentar os níveis de agressividade e pressão alta da equipa do United. Não é um primor técnico, mas revela capacidade de ir para cima do defesa e desequilibrar com o seu pé esquerdo e a sua velocidade.

Foto: football365

Antonio Rudiger e Romelu Lukaku têm nesta época os seus verdadeiros primeiros testes nas  carreiras clubísticas (a nivel de seleção já têm alguma experiência), pois apesar de serem grandes clubes, Roma e Everton não apresentam a exigência dos dois gigantes ingleses. Os dois craques vão ter de se agigantar e justificar os milhões investidos, o que em vésperas de campeonato do mundo vai tornar essa missão ainda mais interessante e exigente.


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