21 Jun, 2018

Sporting de coentrada

Ruben CardosoJulho 12, 20176min0

Sporting de coentrada

Ruben CardosoJulho 12, 20176min0

A contratação de Fábio Coentrão por parte do Sporting foi, provavelmente, a que mais celeuma e discussão criou no defeso nacional até ao momento. O Fairplay analisa aquela que é uma aquisição de alto risco por parte dos leões, mas que também pode significar o fim de um dos maiores problemas do Sporting nos últimos anos.

Fábio Alexandre Silva Coentrão. 28 anos. Lateral-esquerdo internacional português, natural de Vila do Conde. Na altura em que chegou ao Benfica, oriundo do clube vilacondense, Coentrão era um extremo puro de linha, que tinha no seu arsenal características como a velocidade e uma capacidade de cruzamento capazes de desequilibrar. No entanto, estas características, por si só, não seriam suficientes para vingar num contexto competitivo como é o do clube da Luz. A solução encontrada foram alguns empréstimos em Portugal e Espanha, sendo que o que teve mais sucesso acabou por ser no Nacional da Madeira, onde inclusive marcou dois golos no Estádio do Dragão.

No regresso aos encarnados, para a época 2009/2010, foi encontrada a melhor forma para retirar de Coentrão todo o seu potencial, para que pudesse ser um jogador para ter impacto imediato no Benfica: a sua adaptação ao lado esquerdo da defesa, para se tornar aquilo que chamamos hoje o “lateral moderno”, com muito mais peso a nível ofensivo do que defensivo. Uma alternativa encontrada por Jorge Jesus, que fez com que o homem das Caxinas fosse um elemento absolutamente preponderante na conquista do campeonato, acabando a época com 3 golos e 10 assistências. Apesar de na época seguinte o Benfica não ter conseguido revalidar o título, Coentrão voltou a protagonizar uma excelente época, que lhe valeu uma milionária transferência para o Real Madrid (30 milhões de euros), pela mão de José Mourinho, então treinador dos merengues.

Foi exactamente sob a orientação do técnico português que Coentrão teve a sua melhor época desde que abandonou a Luz. Apesar da presença de um jogador como Marcelo, o internacional português conseguiu afirmar-se nas duas primeiras épocas foi sempre muito utilizado – e muitas vezes como titular -, mas foi na época 2013/2014 que tudo se começou a complicar, e quando as primeiras lesões começaram a aparecer. O empréstimo ao Mónaco parecia uma forma de catapultar a carreira, e o início foi extremamente promissor, mas as lesões voltaram, e até à época passada, Coentrão viveu um autêntico calvário a nível físico. Agora, o desafio que se coloca perante Fábio é o grande rival do clube onde foi mais feliz: o Sporting. Uma hipótese de ouro para o internacional português catapultar os seus últimos anos ao mais alto nível.

Foto: UEFA.com

O Melhor Cenário

Mantendo-se saudável do ponto de vista físico, é completamente indiscutível a qualidade de Fábio Coentrão. É um jogador dinâmico, com grande capacidade ofensiva e de fazer todo o flanco, inteligência para explorar todas as zonas do campo, seja exterior ou interior, características que no contexto do futebol português têm uma influência tremenda naquilo que se pede a um emblema que luta para ser campeão. Coentrão pode encontrar finalmente, com Jorge Jesus, a forma de dar a volta às dificuldades encontradas nos últimos anos, trabalhando com o técnico que fez ele o jogador que é hoje, e um lateral que outrora foi dos melhores do mundo. Até porque há um campeonato do mundo para disputar em 2018, e todos os minutos contam se Fábio quiser ainda alcançar uma grande competição pela equipas das Quinas.

A sua chegada ao Sporting vem, acima de tudo, tentar apagar um problema há muito presente no clube, que é a ausência de soluções que sejam uma verdadeira mais valia no lado esquerdo da defesa. O último a passar com relativo sucesso foi Jefferson, mas desde a segunda metade da época de Marco Silva no comando dos leões que tem caído a pique em termos exibicionais, sendo inclusive este ano emprestado ao Sporting de Braga. Coentrão é, sem ponta de dúvida, o melhor lateral-esquerdo a figurar nas fileiras do Sporting nos últimos largos anos, e só por aí é automaticamente um grande acréscimo de qualidade ao plantel. Até porque há um elemento nos bastidores em Jonathan Silva, que poderá aprender muito com a experiência e o conhecimento do lateral português.

O Pior Cenário

Se Coentrão não conseguir manter índices físicos aceitáveis, e apesar de ser apenas uma contratação para o imediato – visto tratar-se de um empréstimo -, concluirá mais um ano em que o Sporting não consegue ter um elemento de qualidade numa zona importantíssima do terreno, e que tem sido uma das mais problemáticas do sector defensivo leonino. E aqui voltará a soar o alarme da questão dos empréstimos de jogadores que não conseguem tempo de jogo nos seus clubes de origem, e que acabam por ser apenas mais um problema, como foi o caso de Markovic na época passada. Também do ponto de vista desportivo, se Coentrão fizer uma boa época, e ajudar o Sporting a conquistar títulos, será difícilimo (para não dizer impossível) que continue a atuar de verde-e-branco, dado o seu elevado vencimento e o facto de o Real Madrid ainda poder fazer um encaixe financeiro com a sua venda. Deste ponto de vista, trata-se uma solução para o curto prazo, que nada resolve a médio/longo prazo um probema que tem sido recorrente.

Veredito

Não existem muitas dúvidas que o principal ponto de interrogação na contratação de Fábio Coentrão é somente o cepticismo perante a sua condição física. As suas principais características, apesar de algo limitadas não só pelas lesões mas também pela idade, continuam a estar presentes, e é um enorme acréscimo de qualidade e competitividade a um clube sedento de regressar às vitórias. Será talvez a derradeira oportunidade de Coentrão relançar a sua carreira a nível internacional, estando já perto dos 30 anos. Em Junho do próximo ano disputa-se o Campeonato do Mundo, e será certamente com olhos postos na competição que o homem das Caxinas encara o desafio em Alvalade.

Cabe também ao clube leonino fazer a melhor gestão possível de um activo valioso e que pode ser um elemento diferenciador num campeonato como o português, em que a presença de laterais de características claramente ofensivas é decisiva (nos últimos anos, Grimaldo, Alex Telles, Nélson Semedo, ou os próprios Alex Sandro e Danilo são os exemplos mais evidentes) para o sucesso a nível interno. A expectativa é grande no reino do leão, num ano em que é obrigatório voltar a ganhar.

Foto: Público


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