25 Mai, 2018

Primera División Argentina – Balanço

Diogo AlvesJulho 6, 201712min0

Primera División Argentina – Balanço

Diogo AlvesJulho 6, 201712min0

Boca Juniors campeão duas épocas depois, e mostra-se ser o rei dos campeonatos regulares com 30 equipas. O bipolar River Plate que ao longo da época mostrou duas facetas, e, volta a falhar o título que falta no palmarés de “Muñeco”. Um campeonato mais emocionante, com luta pela Libertadores até à última jornada. Contudo, algo manchado com a polémica e emblemática greve dos jogadores no mês de Março.

O trigésimo segundo do Boca Juniors

O Boca Juniors regressou aos títulos duas épocas depois, apenas uma época de interregno nas conquistas, os Xeneize regressaram assim em 2017 aos grandes títulos internos, e, além do 32º campeonato nacional, arrecadaram para o seu historial o 66º título da história do clube.

Orientados pela dupla Guilhermo e Gustavo Barros Schelotto – os gémeos – o Boca Juniors apresentou para esta época um dos melhores – se não o melhor – plantéis da Argentina. Carregados de talento os “azul e ouro” montaram um elenco a pensar na conquista do campeonato, já que, não havia Libertadores da América – face da péssima época passada – o conjunto de Buenos Aires capitalizou forças na prova doméstica.

Um inicio de época algo inconstante, com derrota na primeira jornada, e uma séria de empates consecutivos longe do (mítico) La Bombonera, o Boca nunca foi perdendo de vista o líder – à altura – Estudiantes de La Plata. A demonstração de força e que ajudou a “assaltar” e solidificar a liderança aconteceu já em meados de Dezembro, antes da paragem natalícia (que viria a prolongar-se por mais tempo).

Wilmar Barrios, o silencioso que foi muito importante na recta final (Foto: AS.com)

Quatro vitórias consecutivas (cinco se contarmos já com a vitória pós-pausa natalícia) onde destaca-se a conquista dos três pontos na casa do San Lorenzo e do eterno rival e vizinho River Plate na catedral dos “milionários”.

No regresso à competição, já em Março deste ano, o Boca regressou já sem a sua estrela maior Carlitos Tévez que partiu – depois do superclássico com o River Plate – para a China. Centurión, Gago e Bendetto – a espaços também Pavón – assumiram a batuta da equipa sem a estrela maior e trabalharam para fazer do Boca campeão.

Guillermo Barros Schelotto foi arguto na recta final do campeonato numa fase algo intermitente do Boca – onde perderam vários pontos, inclusive derrota na La Bombonera com o River Plate que chegou a encostar no líder e parecia relançar o campeonato. Adicionou Wilmar Barrios ao meio-campo – na função de médio-defensivo – e fez subir Gago para junto de Pablo Pérez. Esta mudança táctica foi importante (os próprios jogadores elogiaram a decisão do técnico) para estabilizar o centro nevrálgico do terreno e permitiu que Gago conecta-se mais com Centurión, Pavón e Benedetto com maior liberdade posicional, uma vez que, nas suas costas tinha Wilmar Barrios para o proteger.

A sagacidade e inteligência de Gago assumir a construção de jogo através de passes verticais a queimar linhas do adversário, a criação e irreverência de Centurión no último terço e o instinto matador de Bendetto (que não foi só pelos golos que destacou-se) na área adversária. Acrescenta-se ainda a recta final de Pavón, terminou a época num óptimo momento de forma com golos e assistências.

(Foto: Lanacion.com)

River de duas caras

Ainda não foi em 2017 que Marcelo Gallardo conseguiu somar o campeonato ao seu vasto palmarés como treinador principal. Já venceu tudo que havia para ganhar, excepto a Primera División.

Uma época que foi claramente de menos a mais e em que se pode dizer que foi um River de duas facetas. Embora fosse visível o crescimento de vários jogadores como Pity Martínez e Sebástian Driussi (um dos melhores jogadores actuar na Argentina), o colectivo não rendia o desejado, e os resultados não apareciam.

Muito também culpa da aposta na passagem aos oitavos-de-final da Libertadores da América e em vencer a Taça da Argentina. O torneio local foi muitas vezes colocado para segundo plano, inclusive houve jogos em que Gallardo apostou em equipas jovens e de jogadores da equipa de reservas para poupar jogadores como Maidana, Ponzio, Nacho Fernández e Lucas Alário.

Rotatividade essa que acabou por ter efeitos, uma vez que conseguiram garantir o passaporte para os oitavos-de-final da Libertadores e a vitória na Taça da Argentina. Já o campeonato parecia – à data – estar perdido e até em causa a garantia de chegar a postos que dessem entrada directa na Libertadores do próximo ano.

O título que escapa a Marcelo Gallardo por mais um ano (Foto: glbimg.com)

A pausa no campeonato permitiu refrescar o plantel e recarregar baterias para a segunda metade da temporada. Chegou Ariel Rojas (um histórico do clube) e partiu Andrés D’Alessandro.

O River Plate do terço final do campeonato foi o oposto da versão deixada em 2016. Uma equipa com ideias renovadas e atractivas, que privilegiavam bastante um futebol mais combinativo e onde surgiu a melhor versão de Driussi, Nacho Fernández, Pity Martínez e Alario. A entrada de Rojas foi significativa para o 4-4-2 de Gallardo ter a sua melhor versão e aquela que permitiu jogar bem, ter um processo de jogo e resultados.

Tiveram 6 meses sem conhecer o sabor da derrota (última derrota tinha sido a 11 de Dezembro) e passaram de um mísero 11º lugar para o 2º posto e chegaram a cheirar a liderança. A vitória na La Bombonera fez sonhar as tropas de Muñeco, mas, voltaram a ser assombrados pela inconstância na recta final da Primera División. Derrota na casa do San Lorenzo e com o Racing abriu novamente o fosso para Boca Juniors a somente 4 jornadas do fim e acabou por ser irremediável.

O plantel vai sofrer bastante agora com o mercado de transferências e muito provavelmente irão perder as duas maiores estrelas: Pity Martínez e Driussi. No entanto, já chegaram Germán Lux, Javier Pinola, Enzo Pérez e Ignacio Scocco. O River já começa a preparar o ataque ao campeonato da próxima época, mas é também a pensar na Libertadores que chegam estes quatro jogadores ao conjunto de Marcelo Gallardo que promete vencer a Copa dos Libertadores da América de 2017.

Sensação Banfield

Julio Falcioni, um dos treinadores mais carismáticos da Argentina, conseguiu fazer do Banfield um candidato ao título quando menos se esperava. Uma equipa sem grandes argumentos, e que raramente entra nas contas do título, acabou a época como o rival directo do Boca Juniors na luta pelo título.

A derrota na penúltima jornada no reduto do San Lorenzo – com golo do ex-portista Fernando Belluschi – acabou por roubar o sonho aos verdes e brancos e directamente deu o título ao Boca que jogava apenas no dia seguinte.

Não obstante, a época de El Taladro foi uma das melhores dos últimos, e, conseguiram ficar com a última vaga para a Copa dos Libertadores de 2018. Um feito muito grande para o pequeno clube que lançou James Rodriguez.

Julio Falcioni conduziu o Banfield a uma época acima da média (Foto: Lanacion.com)

O grupo perseguidor

Ao longo da época foram vários foram os clubes que andaram na perseguição ao líder Boca Juniors, que jornada após jornada aproveitava sempre os deslizes do grupo perseguidor. Estudiantes, Newell’s Old Boys, os supracitados Banfield e River Plate e ainda o San Lorenzo foram os conjuntos que andaram sempre pelos lugares cimeiros na expectativa de assumir a liderança.

O Estudiantes de Nélson Vivas foi o primeiro líder da época e até com boa vantagem sobre os demais perseguidores. O término da primeira metade da época acabou por ser crucial para a perda da liderança e da queda na tabela. Cinco jogos sem vencer, onde pode contar-se quatro derrotas, das quais três foram consecutivas. Nélson Vivas acabou mesmo por não acabar a época ao serviço do clube platense, contudo já tem clube para a próxima época: Defensa Y Justicia.

San Lorenzo e Newell’s Old Boys – dois históricos – que acabaram em 7º e 9º lugar, respectivamente, foram a certa altura os dois emblemas que mais se bateram com o Boca e andaram sempre muito perto do clube de Buenos Aires. A inconstância de ambos acabou por sair-lhes cara nas contas finais e ambos ficam de fora de lugares com acesso à Copa dos Libertadores. Esta queda também deve-se em muito à competitividade que houve do 2º lugar para baixo, nunca houve grandes fossos entre os lugares cimeiros e o meio da tabela.

Por fim, salientar aproximação de Racing (4º na geral) e do Independiente já na recta final do campeonato. Um e outro acabaram por beneficiar bastante da troca de treinadores que fizeram em meados de Dezembro. O regresso de Darío Cocca a Avellaneda foi determinante para que o Racing garantisse o acesso à Libertadores e potencializa-se o plantel que tem à sua disposição.

O mesmo para o rival do outro lado da rua que apostou em Ariel Holan – um treinador super respeitado pela suas convicções e ideias de jogo – e conseguiu tirar máximo proveito da qualidade flamejante que possui La Roja nos seus quadros. Não deu ainda assim para terminar no top-4 que dá acesso à Copa dos Libertadores da América de 2018.

Os relegados

O sistema de despromoção na Argentina ainda é por médias de 3 épocas, e não o sistema mais usual na Europa, em que, os três últimos classificados (podem ser mais ou menos, depende do país) descem de divisão.

Atlético Rafaela foi um dos despromovidos que até ficou distante dos últimos lugares, contudo a média de pontos das últimas 3 épocas não dava para salvar La Crema da despromoção. Sarmiento ainda lutou até aos últimos jogos pela manutenção, mas, tal como o caso supracitado, também o sistema que está em voga na Argentina acabou por despromover o clube de Junín.

Quilmes e Aldosivi acabaram eles também despromovidos pela má época que realizaram e por uma série de resultados bastante maus nas últimas jornadas. Olimpo, Huracán e Temperley acabaram por salvar-se na última jornada.

As revoluções nos bancos

A Primera División começa a tornar-se terreno hostil para treinadores que não consigam resultados no imediato. Tempo e paciência não existem na Argentina. Em 30 equipas só 8(!) treinadores chegaram “vivos” desde a 1ª jornada até a 30ª jornada. Boca, River, San Lorenzo, Talleres, Banfiel, Atlético Rafaela e Patronato.

63(!) treinadores em 30 jornadas é um número muito grande para um campeonato de somente 30 jornadas. É uma pequena amostra de que o tempo dado a um treinador para mostrar a sua qualidade é pouco.

A greve

A AFA viveu tempos de grande agitação, não bastava as polémicas eleições em 2014 – onde pairou o clima de corrupção – com a contagem dos votos polémica, a terminar com um empate entre os dois candidatos à presidência do organismo que tutela o futebol argentino (38 votos para os dois).

Para piorar e manchar ainda mais o futebol argentino, os jogadores decidiram realizar uma greve no regresso aos trabalhos depois da paragem natalícia. As dívidas dos clubes para com os jogadores (ordenados e prémios em atraso) motivaram a greve. Não eram todos os clubes que deviam aos jogadores, mas por solidariedade todos os clubes juntaram-se ao movimento em forma de protesto pelo sucedido.

O imbróglio ficou resolvido com o pagamento de alguns salários com o dinheiro vindo dos direitos de transmissão, cerca de 21 milhões de euros.

Distinções

Jogador do Ano: Darío Benedetto (Boca Juniors)

Treinador do Ano: Guillermo Barros Schelotto (Boca Juniors)

Avançado do Ano: Darío Benedetto (Boca Juniors)

Médio do Ano: Pity Martínez (River Plate)

Defesa do Ano: Tagliafico (Independiente)

Guarda Redes do Ano: Esteban Andrada (Lanús)

Golo do Ano

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