24 Mai, 2018

Foram onze contra onze. No fim ganhou a amizade

Sávio AzambujaJulho 8, 20176min0

Foram onze contra onze. No fim ganhou a amizade

Sávio AzambujaJulho 8, 20176min0

O Fair Play esteve na Rússia a acompanhar a Taça das Confederações. Já com vencedor definido – uma “propositadamente desfalcada” Alemanha – e com a seleção das Quinas a trazer para casa a medalha de bronze, este é o relato da competição por terras soviéticas.

Logo após um sábado de grandes emoções com o torneio do Football For Friendship 2017 (cujo balanço pode consultar aqui), o Domingo em São Petersburgo não poderia ser diferente. O Fair Play esteve por lá, e conta tudo o que se passou fora das quatro linhas.

O dia começou com a grande festa de encerramento do evento promovido pela Gazprom. Realizado num centro de convenções de última geração, a celebração do F4F contou com a presença de diversos representantes da FIFA e ídolos do futebol, além de espectáculos de dança e música.

As estrelas dos relvados Ivan Zamorano, Júlio Baptista, Aleksandr Kerzhakov e Panagiotis Fyssas entregaram os prémios aos jovens destaques do torneio. Outro momento importante foram as palavras da secretaria geral da FIFA, Fatma Samoura, destacando a importância da união, amizade e respeito entre jovens de países tão diferentes.

Apesar do grande sucesso do evento, nenhum dos presentes conseguia esconder a enorme excitação com tudo o que ainda estava por vir. A final da Taça das Confederações reservava uma noite de emoção com o confronto entre Chile e Alemanha.

A caminho do estádio não havia como não perceber que a cidade estava em festa e respirando futebol. Quanto mais a grandiosa Zenit Arena se aproximava, maior era a movimentação dos adeptos nas ruas. Ao longe, já era possível observar as bandeiras a tremular e a imponência do estádio era algo que saltava aos olhos.

A Zenit Arena, também conhecida como Saint Petersburg Stadium, é simplesmente deslumbrante. O design do estádio foi elaborado pela empresa de arquitectura japonesa Kisho Kurosawa e lembra muito a forma de uma nave espacial. Além disso, o estádio é muito bem localizado, uma vez que se encontra muito próximo do Maritime Victory Park, na ponta da ilha de Krestovsky e é cercado por três lados pelo Mar Báltico.

Ao entrar nas imediações da arena, tudo se apresentava de forma prática e com uma organização impecável. Os fãs misturavam-se numa grande massa de cores e sentimentos e, por mais que os alemães estivessem presentes e vestidos a rigor, a agitação dos chilenos era contagiante.

Entre cânticos e exaltações à “La Roja”, era possível observar que eles haviam viajado de todas as partes do mundo para apoiar sua selecção.

“Fico muito feliz por ver tantos compatriotas. São famílias inteiras que vieram do Chile!” conta feliz Cláudio Ortega, um chileno que vive na Suécia há mais de dez anos.

Mas não eram só os chilenos que estavam a apoiar a sua selecção. Os russos também não conseguiam esconder o seu apoio.

Leonid Kostiuk e Danil Kostiuk, pai e filho respectivamente, vieram da cidade de Belgorod e, apesar de trazerem pintados no rosto a bandeira das duas selecções, foram directos ao declararem a sua preferência:

“Tenho mais simpatia pela selecção chilena, admiro a sua raça e vou torcer por eles. Porém acredito que a Alemanha vai vencer desta vez”, previu Leonid.

O caminho para as bancadas foi rápido e dinâmico. A belíssima vista da Zenit Arena tornava o percurso um verdadeiro espectáculo e a boa preparação dos funcionários não deixava espaço para dúvidas.

A festa de encerramento contou com 1.500 pessoas envolvidas e empolgou os adeptos com os concertos dos cantores russos Polina Gagarina e Egor Kreed após uma apresentação ensaiada pelo director Felix Mikhailov. O avançado brasileiro Hulk, que jogou durante quatro anos no Zenit, da Rússia, foi o escolhido para apresentar a taça do torneio a todos os presentes no estádio.

Minutos antes do jogo, o que era uma suspeita tornou-se uma certeza: a maioria esmagadora do estádio torcia pela selecção chilena.

O que se tornou uma tradição dos adeptos brasileiros durante o Mundial de 2014, repetiu-se quando a claque chilena continuou a cantar seu hino nacional mesmo após o fim da gravação oficial. Um espectáculo de arrepiar!

Apesar de estarem em menor número, os adeptos alemães não ficavam atrás. Logo após o apito inicial os gritos e incentivos não paravam e, depois do golo aos 20 minutos, tornou-se um verdadeiro frenesim.

Com o passar do tempo o jogo tomou ares mais pesados, com brigas e discussões por parte dos atletas, porém, a claque em uníssono reprovava cada discussão entre os jogadores. Todos queriam assistir a um jogo limpo.

O Fair Play na Rússia (fotogaleria)

O último apito do árbitro deu fim à apreensão dos adeptos. De um lado os alemães festejavam e do outro os chilenos apoiavam a sua equipa. No final, todos aplaudiram o espectáculo.

A saída do estádio foi tão tranquila quanto a entrada, a diferença ficou por conta do céu da cidade. O fenómeno das “noites brancas”, típico desta época do ano, proporcionou um belíssimo anoitecer às 23:30h e, no final da partida, o estádio já se encontrava completamente iluminado.

Uma noite mágica na Rússia. O fim de um capítulo onde a história só se irá encerrar em 2018, no Campeonato do Mundo. Um futuro estampado no rosto dos jovens do Football For Friendship que nunca se esquecerão deste longo dia em São Petersburgo.

O presente artigo foi realizado no âmbito da parceria que o Fair Play estabeleceu com o Sapo24, e a sua publicação original pode ser consultada aqui.


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