Mudança de Paradigma na AFA

Diogo AlvesJulho 25, 20175min0

Mudança de Paradigma na AFA

Diogo AlvesJulho 25, 20175min0

A nova direcção da Asociación del Fútbol Argentino (AFA) está a operar uma autêntica renovação e mudança de paradigma dentro da selecção Argentina. Mudança que começou com a nomeação de Jorge Sampaoli como técnico principal, e, já estendeu-se às camadas jovens. Desde os Sub-13 até aos Sub-20.

Chiqui Tapia, o novo presidente da Afa – eleito em Março – tem trabalhado de forma empenhada para melhorar todo o “edifício” do futebol argentino. Desde as selecções maiores até as selecções de base.

Começou por rescindir com Edgardo Bauza (treinador contratado pela administração anterior) por maus resultados e por também entender que a Argentina necessitava de outro perfil para treinador principal. A escolha recaiu em Jorge Sampaoli. Treinador que ao serviço do Chile venceu uma Copa América em 2015, curiosamente contra a Argentina de Messi.

Deslocou-se a Sevilla para convencer o rosarino aceitar a sua proposta e a convencer os directores do clube andaluz abdicar dele. Não foi preciso muito para convencer o treinador, uma vez que o seu sonho era o de ser eleito seleccionador nacional. Foi preciso alguma paciência com os directores do Sevilla, mas as negociações chegaram a bom porto. No final do dia todos saíram contentes. O Sevilla contratou “Toto” Berizzo para novo treinador (um treinador argentino de grande qualidade) e a Afa tinha assim o seu eleito preferencial.

O início da Era Sampaoli

Sampaoli trouxe consigo todos os adjuntos e analistas – onde se inclui o mediático Matías Manna –, mas teve de abdicar do seu “irmão” do futebol, Juanma Lillo, que seguiu para outras paragens. Nomeadamente para o Atlético Nacional da Colômbia. Para suprimir essa ausência, Jorge Sampaoli voltou a chamar o jovem e ambicioso Sebastián Beccacece que era o seu braço direito há longos anos, excepto na aventura em Sevilla, porque esteve a treinar o Universida do Chile e o Defensa Y Justicia (onde se manteve até final da época).

Jorge Sampaoli começou logo pelas mudanças mais técnicas e tácticas na selecção. Chamou jogadores de um perfil mais adequado às suas ideias, onde destaca-se a convocatória de Guido Rodriguez, Leandro Paredes, Joaquin Correa, Lanzini e “Papu” Gómez. Recuperou o ostracizado Mauro Icardi e o ausente “Toto” Salvio. Além dos habituais como Messi, Dybala, Aguero, Higuain, Dí Maria, entre outros. Agora, há uma aposta em jogadores de um cariz mais criativo e ofensivo.

Uma mudança também verificada nas vitórias diante do Brasil (1-0) e da Singapura (6-0) onde viu-se uma selecção com traços diferentes e mais à imagem de Sampaoli. Conceptualmente ainda há um longo trabalho a fazer, mas já há princípios sampaolistas nesta nova era.

[Foto: Scoopnest.com] O primeiro “onze” de Jorge Sampaoli. Em cima: Maidana, Mercado, Otamendi e Romero; Em baixo: Messi, Dí Maria, Dybala, Higuain, Jorge Luís Gomez, Biglia e Banega.

Novo ciclo

A chegada de Jorge Sampaoli abriu um novo ciclo em toda a estrutura desportiva da Afa. Desde a selecção A até aos Sub-13 houve mudanças no corpo técnico das selecções.

A era de Carlos Úbeda à frente da selecção de Sub-20 chegou ao fim depois do fracasso que foi o último Mundial da categoria. Com uma selecção com bons nomes próprios, a selecção das pampas não conseguiu passar o seu grupo e só venceu na última jornada (5-0) a frágil Guiné Conacri. Para suceder a Carlos Úbeda, o elegido – por Jorge Sampaoli, em concordância com Chiqui Tapia – foi o próprio adjunto de Sampaoli, o também argentino, Sebastián Becaccece. Assim as ligações entre selecção A e Sub-20 ficarão mais limpas e com uma maior e melhor interacção entre os seleccionadores. Jorge Sampaoli, inclusive, marcou presença no mini-estágio dos Sub-20 que realizaram há poucos dias na Cidade Desportiva de Ezeiza.

Com a batuta das selecções jovens ficou Hermes Desio. Também rosarino como Sampaoli, é um ex-jogador de futebol e alinhou em clubes como o Independiente na Argentina e em Espanha teve passagens pelo Celta de Vigo, Salamanca e Deportivo Alavés. Desio actualmente era o coordenador das camadas jovens do Estudiantes La Plata, terá agora o mesmo cargo mas ao serviço do seu país coordenando todas as categorias base das selecções argentinas.

Nos Sub-17 a escolha recaiu sobre “Payaso” Aimar, o ex-jogador de River Plate e Benfica, foi o escolhido para orientar os Sub-17 que é o último patamar antes de incorporarem o futebol sénior. O ex-jogador há alguns meses que andava a formar-se para ser treinador, pensou-se até que seria adjunto de Eduardo Coudet no Xolos Tijuana por ter estagiado com ele nos últimos tempos. Aimar tem como inspirações Marcelo Bielsa (um histórico na Argentina) e o flamejante e nosso conhecido Jorge Jesus. Como adjunto terá Carlos Desio e Enrique Cesana.

Na categoria de Sub-15 o novo timoneiro é o ex-jogador Diego Placente, enquanto os Sub-13 terão Alejandro Sagesse. A escolha foi sobretudo em ex-jogadores como Aimar e Placente para seleccionadores e ter um coordenador também ele com experiência de campo. As bases estão montadas e os alicerces parecem ser seguros e com bons valores, futebolísticos e humanos, o trabalho para melhorar o futebol argentino começa agora e os frutos a serem colhidos têm de ser ainda amadurecidos e permitir que haja tempo para chegar a bom porto.


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