17 Ago, 2017

FC Porto: entre o Optimismo e o Cataclismo

Francisco da SilvaOutubro 22, 201626min0

FC Porto: entre o Optimismo e o Cataclismo

Francisco da SilvaOutubro 22, 201626min0

3 épocas sem glórias, troféus ou, sequer, certezas lançaram o FC Porto e a atual direção num pântano de dúvidas, críticas e mudanças que têm abalado com alguma da confiança dos adeptos azuis-e-brancos. Numa discussão entre autores e adeptos, dois Mundos coexistem, convivem mas diferenciam-se… há futuro e optimismo no Dragão? Ou é o início de uma era de incertezas e cataclismos?

A seguinte discussão centra-se em pontos de vista amplamente diferentes e que demonstram os tons de preto e branco que se vivem no Dragão. Num reino mitológico claramente fragmentado de muitos milhões, reunimos uma amostra de 2 portistas por forma a testar 2 hipóteses estatísticas em análise. Por um lado o optimismo e a certeza que a atual situação termine em novo título nacional e reafirmação no palco europeu e, do outro, as críticas profundas e duras à gestão da administração que está a “condenar” esse regresso tão desejado pelas hostes dos azuis-e-brancos. O exercício que aqui faremos não será certamente significativo a nível estatístico devido ao tamanho da amostra, nesse sentido, queremos saber a opinião dos nossos leitores. Qual o seu ponto de vista? Embarca nos aplausos dos otimistas ou junta-se ao coro de assobios dos pessimistas? Há espaço para certezas e/ou críticas em 2016/2017 ao FC Porto e à sua estrutura? 

NOTA: As opiniões são dos autores deste texto que acompanham o FC Porto enquanto escritores e adeptos desde 2013, altura em que já forneciam o seu dedilhar à blogosfera nacional. Iniciaram o percurso em sites individuais, passando pelo recém-extinto Planeta Desportivo, fazendo agora parte do Universo do Fair Play. Qualquer crítica ou dúvida perante o discurso dos autores, podem contactá-los via a página “Quem Somos”.

1. Tem o FC Porto capacidade ou não para lutar pelo Campeonato Nacional?

Francisco “otimista” Silva: Sim. Por mais que o mercado de transferências não tenha permitido colmatar devidamente em termos quantitativos e qualitativos as carências do plantel, os valores individuais existentes continuam a ser mais do que suficientes para tentar vencer as provas nacionais. Não partimos na vanguarda como nas últimas temporadas, contudo, se há lição que podemos e devemos retirar das últimas 5 temporadas é que nem sempre a equipa com melhores valores individuais venceu, venceu sim aquela que melhor congregou a heterogeneidade de cada um dos seus jogadores. Neste âmbito, o fator-chave para o sucesso ou insucesso do clube estará no homem do leme, Nuno Espírito Santo. A equipa até pode ser praticamente a mesma, porém, o que faltou nos últimos anos não foi ter o melhor guardião, o melhor patrão, o maior criador ou o maior goleador, faltou sim alguém que no banco de suplentes potenciasse o talento emergente do plantel e que nos momentos decisivos desse estabilidade emocional aos jogadores. Acredito hoje no FC Porto mais do que acreditava com Paulo Fonseca ou Lopetegui, pois sei que ao leme está alguém que sente o clube, que sabe dar um murro na mesa e que não olha simplesmente para a sua performance com base na posse de bola. Eu não preciso que o FC Porto goleie os pequenos, domine os derbies ou seduza os jornais com um futebol carregado de perfume, velocidade e eficácia. Só quero é chegar ao final dos 90 minutos da jornada 34 no trono do Campeonato Nacional. Até lá o caminho vai ser longo mas o plantel permite sonhar. Na baliza, até posso recear as saídas do Casillas, no entanto, dentro dos postes continua a ser uma enorme mais-valia. Já José Sá dá plenas garantias de substituir o espanhol a qualquer momento. A defesa é o maior handicap pois nas laterais faltam alternativas e no centro faltam referências, porém, há pontos fortes a destacar: o contributo nas bolas paradas de Layún e Felipe, a propensão ofensiva de Layún, Maxi e Alex Telles, a maior solidez defensiva de Marcano e a altivez aérea de Boly e Felipe. A casa das máquinas portista será o cérebro e o coração da mentalidade plástica que Nuno Espírito Santo pretende imprimir, nesse sentido, a chegada cirúrgica de Óliver é uma pedrada no charco da dormência que afetava o meio campo do FC Porto. Assim, se Danilo, Herrera e Óliver oferecem respetivamente consistência defensiva, capacidade de pressão e inteligência, as restantes alternativas do banco de suplentes são soluções que adicionam profundidade. Há também aqui mais um desafio para NES, nomeadamente, para averiguar as capacidade do treinador portista de fazer crescer jovens como Rúben Neves, João Carlos Teixeira e Sérgio Oliveira tornando ainda mais válida a 2ª linha de opções. Nas alas, podia apontar a falta de experiência das novas adições do setor, Otávio e Diogo Jota, contudo, prefiro salutar a irreverência, o potencial e o compromisso com a equipa que existe com as extremidades entregues preferencialmente a Otávio, Jota e Corona. Apesar de estar psicologicamente morto, Brahimi é um trunfo que a capacidade de motivação de Nuno Espírito Santo pode ainda recuperar, tornando o argelino útil para o cumprimento dos objetivos do clube. Uma nota final para a estrela emergente André Silva que, apesar de ainda estar ao nível de Aboubakar, adiciona uma inteligência e uma dinâmica ao ataque que o camaronês não proporcionava. Em suma, por mais distante e difícil que seja o objetivo de terminar o campeonato em primeiro, temos os nossos próprios argumentos e temos, sobretudo, uma enorme vontade de vencer. São 11 contra 11 e no final espera-se um FC Porto campeão.

Francisco “pessimista” Isaac: Respondendo directamente à questão, não. Sem entrar em comparações com os adversários (SL Benfica e Sporting CP), faço uma análise ao alcance e qualidade do atual plantel de Nuno Espírito Santo. Nas laterais as soluções transitam entre o satisfatório e o medíocre: Alex Telles foi um “achado” da direção do FC Porto, já que é um lateral esquerdo dentro da mesma lógica que era Alex Sandro, ou seja, rápido, tecnicista, com boa capacidade de centrar e que não se roga a partir para o ataque sem descurar cobrir o seu corredor. Como suposto suplente estaria Miguel Layún, que apesar de ser um autêntico assistente para golos, deixa várias reticências no que concerne a defender… sempre que defronta uma equipa que saiba explorar com 2 jogadores esse flanco, Layún vê-se em “trabalhos” e acaba por falhar seja na comunicação ou leitura dos movimentos; se formos ao “outro” lado, temos Maxi Pereira e Silvestre Varela. O primeiro consegue fazer meia temporada de bom nível, com a raça e vontade de mostrar serviço a notarem-se… todavia, fisicamente já deixa a desejar, com uma queda abrupta ao fim de uns ritmados 45 minutos. Depois o suplente seria Varela, que parece já não ter condições para jogar no FC Porto, seja pela falta de qualidade ou capacidade em ser um lateral minimamente interessante… o que diz tudo sobre a atual gestão da direção do FC Porto. Entre a falta de um centralão (continuo com dúvidas sobre Felipe) ou um avançado suplente decente (Depoitre não me parece ser uma aposta correta para o futebol que NES quer praticar no Dragão ou fora dele), o plantel tem outro problema, que poderá vir a ser uma virtude… a juventude. Olhemos para a frente de ataque do FC Porto no jogo frente ao Nacional da Madeira: Otávio (21), Óliver Torres (21), Diogo Jota (19) e André Silva (20). A juntar a estes temos Jésus Corona (23) ou João Carlos Teixeira (não consigo entender a não utilização do médio-ofensivo, já que tem uma série de apontamentos de relevo para o futebol do FC Porto). Brahimi parece não querer mesmo voltar ao 1º ano de dragão ao peito, naquela que foi a sua melhor época; André André é um comandante, mas aguenta 50 minutos e depois a sua capacidade física vai do bom ao abaixo de razoável: Hector Herrera não consegue ter uma forma exibicional consistente, denotando-se uma falta de primor no passe que aniquilou e aniquila com uma série de combinações ou jogadas de perigo (veja-se o jogo em Alvalade por exemplo). Um pouco mais de juventude no meio, pela “mão” de Rúben Neves (outro jogador pouco utilizado sem explicação, já que oferece algo mais em termos ofensivos e leitura de jogo do que o seu outro colega) e “agressividade”, pela força de Danilo Pereira (início de época pouco “elegante”). No cômputo geral, o FC Porto tem um bom plantel, mas não para ganhar o campeonato no imediato. Não me parece que Nuno Espírito Santo saiba que futebol quer aplicar no FC Porto, tendo em Leicester trocado de esquema  táctico por três vezes (surpreendente)… para além de que a mensagem “Somos Porto” não está a ser imposta como se pensava (em Alvalade a equipa pouco se uniu para dar volta aos acontecimentos). Talvez, para os dragões serem campeões é necessário ter um futebol “feio” mas altamente eficaz, que atordoe os adversários de forma a impedir que seja um “carrossel” de emoções ao longo de 90 minutos. Era necessário trazer 2 ou 3 jogadores de topo para dar outra dimensão à equipa… para já a juventude vai dando uma resposta muito interessante, só que até quando? E quando começarem a faltar as “pernas”, quando aparecerem algumas derrotas contra clubes, supostamente, inferiores? Quem vai agarrar a equipa? Hector Herrera, que de capitão tem pouco? Nuno Espírito Santo, um treinador que quando tem de mexer na equipa fica completamente petrificado (relembrar o episódio com Rúben Neves)?

Plantel 2016/2017 [Foto: fcporto.pt]
Plantel 2016/2017 [Foto: fcporto.pt]

2. A direção de Pinto da Costa, apoiada em Antero Henrique e Alexandre Pinto da Costa, tem capacidade para liderar o clube?

Francisco “otimista” Silva: Não, de forma alguma. Por mais profundamente gratos que os portistas possam estar por tudo aquilo que foi alcançado nos vários mandatos de Pinto da Costa, hoje unanimemente os sócios e adeptos não acreditam na “estrutura” liderada pelo papa. A gratidão e a admiração deram nos últimos 3 anos lugar à desconfiança e à repulsa. A culpa não é só do insucesso desportivo mas sobretudo dos elevados sintomas de compadrio, presentes nos negócios envolvendo Alexandre Pinto da Costa, e da situação financeira do clube cada vez mais alarmante e fora de controlo. Não faltam negócios ruinosos, não faltam telenovelas mexicanas, não faltam imbróglios típico de negociantes amadores. Os adeptos e sócios não estavam nada habituados a isto e todos se questionam: Onde está a super estrutura? Onde está o líder autocrático? Obviamente que este cenário dantesco é percecionado pelos jogadores e equipa técnica, o que retira confiança e tranquilidade para que se possa trabalhar no Dragão. Pessoalmente, deixei de acreditar em quem comanda os destinos do meu clube. A apresentação do Relatório de Contas atingiu mesmo os pícaros da falta de vergonha e da incompetência pois, após apresentar-se um prejuízo colossal de mais de 58M€, não há qualquer tipo de responsabilização pela gestão profundamente danosa, havendo inclusive o descaramento de se dizer que “podíamos estar a falar de lucros se vendêssemos alguns jogadores”. Antero Henrique já foi, mas ainda há muita tropa por desmilitarizar. O FC Porto deve ser dos portistas, não dos agiotas. O que mais me incomoda é o silêncio, o vazio de ideias e a falta de alternativas. Não há um sócio distinto que conteste em eleições esta ditadura numa clara demonstração de impotência e esterilidade perante o sumo pontífice do FC Porto, Jorge Nuno Pinto da Costa.

Francisco “pessimista” Isaac: Outra vez de forma curta, não. Jorge Nuno Pinto da Costa foi o grande “obreiro” de três décadas de domínio do futebol português… o FC Porto conseguiu atingir um tamanho colossal na Europa e no Mundo (podemos discutir o que são adeptos verdadeiros, se os “likes” de facebook devem contar assim como o alcance de notícias relacionadas com o FC Porto, etc), somou títulos europeus, praticamente “toldou” o juízo aos seus adversários diretos e causou rebuliço suficiente para virar todos os olhos em sua direção. Mas isto foi até há 3 anos atrás, altura em que a equipa começou a perder “fogo”, os adversários portugueses começaram a encontrar jogadores de igual ou melhor qualidade, especialmente o SL Benfica ou Sporting CP na temporada que está a decorrer (Bas Dost encaixaria que nem uma luva ao lado de André Silva) e parece existir uma falta de “respeito” total dos clubes mais pequenos (no Dragão o atrevimento é fenomenal e meritório) que não se coíbem de tentar a sua sorte frente ao FC Porto (mais do que contra o SL Benfica ou Sporting CP). A imagem da atual direção tem sido, no melhor dos seus dias, um cinzento… escuro. Quando ganham jogos, Pinto da Costa e a sua entourage fazem questão de vir para os jornais, tv ou redes sociais dizer tudo e mais alguma coisa, desde promessas (o FC Porto vai ser campeão por exemplo) a ataques verbais a quem se opõe à equipa… quando perde, esfumam-se. Veja-se o episódio no ano passado da derrota frente ao Chelsea, em Londres… Pinto da Costa entrou no autocarro da equipa lá, mas cá não surgiu junto da equipa, do treinador ou do diretor para o futebol, que na altura ainda era Antero Henrique. Num momento totalmente decisivo, em que os dragões falharam os oitavos de final da Liga dos Campeões, teria sido fundamental para os destinos da equipa, que Pinto da Costa surgisse ao lado da equipa e desse o “corpo às balas”. Optou por se esconder… com a restante direção. O descontrolo que se viveu (e se vive) nos últimos três anos, em termos de transferências abortadas (Alex, felizmente, foi uma delas), jogadores que não encaixaram na equipa (Adrián Lopez, Evandro, Aboubakar, Marega, Martins Indi, Alberto Bueno, Hernâni, Diego Reyes, José Campaña, Cristian Tello), dossiers mal resolvidos (a saída de Hélton é, no mínimo, ridícula ou o assunto Josué), fraca presença junto aos adeptos, uma Assembleia Geral que foi espalhafatosa (com ameaças dos Super Dragões aos adeptos que criticaram publicamente a direção atual) entre outras imagens menos boas. Definitivamente é o momento do FC Porto mudar de rumo, encontrar uma nova direção competente e transparente (os negócios de Alexandre Pinto da Costa e as “brincadeiras” de Antero Henrique minaram a equipa) que queira realmente lutar pelos títulos e não por comissões e % de passes.

3. A Política de treinadores tem sido a correcta?

Francisco “otimista” Silva: A posteriori, é sempre fácil avaliar escolhas e decisões. Focando exclusivamente os últimos 3 anos, não restam dúvidas que Paulo Fonseca, Julien Lopetegui e José Peseiro foram fiascos completos, porém, há fatores isentáveis que devemos considerar sob o risco de cometermos injustiças. Em relação a Paulo Fonseca, os portistas até podem estar ainda hoje enojados com a obsessão pelo duplo pivot ou dormentes com a falta de dinâmica dos jogadores e da equipa técnica, no entanto, não nos podemos esquecer que a Junho de 2013, Paulo Fonseca era visto como the next big thing do futebol português que colocou o Paços de Ferreira na Liga dos Campeões e a jogar um futebol bastante atrativo. Perante o paupérrimo fio de jogo apresentado pelo FC Porto sob o comando de Vitor Pereira, a escolha de Paulo Fonseca não foi de toda descabida e recolheu a minha simpatia. Como se diz na gíria e para mal dos meus pecados, o atual mister do Shaktar deu claramente um passo maior do que a perna e não soube lidar com a pressão do Dragão, mesmo que também considere que PF não foi só vilão como também vítima pois apanhou um plantel limitadíssimo e com reforços low cost. Seguiu-se Lopetegui que desde logo, uma vez que não aprecio nada o Tiki-Taka, me gerou enorme desconforto. Aqui a escolha não só foi errada como o poder dado ao espanhol, que desde logo tentou hispanizar o clube, foi excessivo. Depois de um ano completamente para esquecer com Paulo Fonseca e Luís Castro, exigia-se um técnico mais experiente e que garantisse resultados imediatos capazes de saciar a massa adepta portista. A passagem de Lopetegui até tem os seus pontos positivos – Oliver, Rúben Neves, Danilo Pereira, campanha nas champions ou vendas milionários -, porém, o que ficará na memória é um treinador demasiado agarrado à sua filosofia, uma equipa completamente de posse de bola estéril e um enorme recrutamento de flopada espanhola. Neste caso, é impossível defender Lopetegui e a direção portista. Falta apenas mencionar o mais malogrado deste trio, José Peseiro, que chegou como enésima opção da SAD portista e após um longo período em que a equipa não teve treinador principal. A ideia que sempre tive do Peseiro era de um treinador voltado para o ataque, defensor de um futebol mais rápido e vertical e com bastante experiência na Primeira Liga, inclusive num grande de Portugal. Assim, vi com otimismo a chegada do homem de Coruche, até porque, o que o FC Porto precisava mesmo era de jogar rápido, em transição e sem rodriguinhos. Também aqui fui traído pelo meu otimismo e pela minha vontade de querer tirar os pés do chão à procura dos 2 grandes de Lisboa, mas a coisa não correu bem. Final de época fraco e uma derrota dececionante na final da Taça de Portugal aos pés de um Sporting de Braga que só teve que aproveitar as oferendas portistas. Analisando friamente os 3 técnicos, não há como negar que apenas 1 título foi conquistado após tantos milhões gastos, todavia, há que reconhecer que o insucesso dos resultados não é fruto exclusivamente dos treinadores, mas também de uma estrutura cada vez mais alheada dos interesses da equipa e do FC Porto. Hoje felizmente, uma vez que temos um portista ao leme com capacidade técnica e psicológica para encarar as adversidades e gritar “Somos Porto” no balneário, acredito que esta decisão/política não só vai ser correta como se vai traduzir em resultados desportivos.

Francisco “pessimista” Isaac: Roubando as palavras de um colega nosso, que trata da NBA mas que não deixa de ser um amante de futebol, o FC Porto parece uma Boneca Russa/Matriosca com os treinadores de André Villas Boas. Gostem de AVB ou não, estejam ofendidos ou não pela saída abrupta (o FC Porto também pouco fez para o manter no Reino do Dragão), foi o melhor treinador do FCPorto dos últimos 7 anos. A seguir Vítor Pereira que não era um primor no ataque (até deixava os adeptos com os “cabelos em pé” pelo futebol deficitário na frente) mas a equipa sabia o que era defender, sabia o que era “comer a relva”, correr com a bola… fazia os adeptos sentir a camisola, mesmo com um futebol pouco atrativo. Seguiu-se a seguinte fase da “boneca” com Paulo Fonseca, que foi uma desilusão autêntica, não só pela forma como se apresentou taticamente no FC Porto (o duplo pivot nunca funcionou) mas também pelos reforços que recebeu deixando a equipa “coxa” durante um ano inteiro (desde Licá a Fabiano, passando por Ghilas até Carlos Eduardo) sem capacidade de resposta… a meio veio o “bombeiro” Luís Castro tentar salvar a situação mas pouco fez apesar de todo o coração evidenciado pelo treinador, naquele que foi o início dos três anos de terror do Dragão. Surpreendentemente, Pinto da Costa anunciou Julen Lopetegui (a época nem tinha acabado, ou seja, supostamente estariam a preparar o plantel para a próxima época), um treinador sem experiência em futebol sénior que acabou por ter todo o tipo de recursos à sua disposição (Casemiro, Óliver, Adrián, Brahimi, Martins Indi, Aboubakar, Campaña, Tello e Marcano) e acabou por falhar em dois anos qualquer objetivo no FC Porto (excetuando o apuramento para os quartos-de-final na Liga dos Campeões), tendo a equipa jogado um futebol esquizofrénico, isto é, entre exibições de gabarito e de alto nível (jogo frente ao Bayern de Munique ou Sporting CP em casa) a prestações de uma fraca e pálida imagem (jogo contra o Nacional e CF “Os Belenenses” fora). Ao fim de dois anos, rompeu-se com o treinador num momento em que a equipa já não estava tão unida em redor do treinador e saiu pela porta pequena. Veio o 2º “bombeiro”, chamado de Rui Barros que aguentou a equipa durante 3 semanas, até que chegasse alguém para ocupar a vaga… entre os treinadores que negaram o convite (e pelo tempo que demorou terão sido uns quantos) só um encontrou vontade para tentar dar à volta ao caos instalado: José Peseiro. Se o FC Porto já tinha problemas graves a defender, com Peseiro triplicou a dose e o FC Porto acabou mesmo por cair em 3º lugar, longe dos lugares de decisão, perdendo até a Taça de Portugal para o SC Braga. Dragão bateu no fundo, viu os 3 rivais da frente ganharem todos troféus no espaço de um ano (algo inédito nos últimos 40 anos) e sem rumo. Para esta época os adeptos do Porto foram brindados com Nuno Espírito Santo, um homem da casa que teve uma experiência agridoce no Valência e destacou-se no Rio Ave (Paulo Fonseca também se tinha destacado no Paços de Ferreira… ironicamente, Villas Boas não conseguiu fazer melhor que um 11º lugar com a Académica, antes de ter seguido para a Invicta). Isto tudo para dizer que, Jorge Nuno Pinto da Costa bateu um recorde pessoal… 5 treinadores em 3 anos, em que nos maus momentos nunca esteve ao lado de quem mais sofria com os assobios e críticas (maioria compreensíveis). A política de treinador foi a errada, o caminho foi “destruído” e agora há que refazer toda uma operação, ao mesmo tempo que SL Benfica e Sporting CP estão em alta rotação e no caminho da glória.

Treinadores da temporada 2015/2016: Julen Lopetegui | Rui Barros | José Peseiro
Treinadores da temporada 2015/2016: Julen Lopetegui | Rui Barros | José Peseiro (Foto: Google Images)

4. A pressão dos sócios e adeptos em relação à equipa aumentou de forma exagerada ou há razão nas críticas?

Francisco “otimista” Silva: Não é preciso nenhuma ciência social ou económica estabelecer que a pressão dos sócios/adeptos está proporcionalmente ligada à ausência de títulos, logo, per si o período estéril que se vive no Dragão coloca sob imensa e crescente pressão os jogadores, a equipa técnica e a direção. Nesse sentido, a pressão sob a equipa não é de todo exagerada, antes sim é uma pressão justificadamente nunca antes exercida, pois o FC Porto nunca tinha estado na sua história recente numa posição tão delicada em relação aos seus rivais. Também aqui, as críticas estão proporcionalmente ligadas mas ao desempenho da equipa dentro das 4 linhas. Todo e qualquer sócio/adepto deve manifestar-se via assobios quando há claros sintomas de displicência, desinteresse e desrespeito, até porque não é a existência ou intensidade do assobio que avalia o portismo de cada um. Depois das inarráveis exibições individuais e coletivas dos últimos 3 anos, se há algo que jogadores, equipas técnicas e direção mereceram foi que o cântico tivesse sido substituído pelo assobio. Porém, acredito que a entrada do Nuno Espírito Santo marca o início de um novo ciclo ao qual se exige tempo e paciência. Certamente que um dos pecados mortais dos portistas é a falta de paciência, contudo, deve-se dar tempo ao tempo e não criticar acerrimamente uma equipa ainda em fase de construção que demonstre vontade de aprender, honrar a camisola e lutar até ao último apito. Não me importo de esperar mais 12 meses para ter a certeza que tenho uma equipa portistamente vitoriosa, mas pelo contrário, não me peçam mais 1 mês para sofrer com uma equipa humilhantemente ociosa.

Francisco “pessimista” Isaac: Fome de títulos e vontade de ver o Porto a jogar o futebol de ataque avassalador… é essa a razão pela subida de tom nas críticas e na pressão sobre toda a estrutura do FC Porto. Como é óbvio, há alguns exageros… mas ao mesmo tempo há também alguma passividade. Veja-se os Super Dragões, que nos momentos mais “estranhos” criticavam com fúria a direção e demonstravam o seu desagrado. Agora? Agora aplaudem tudo, puxam pela equipa q.b. e não têm qualquer postura negativa perante as “brincadeiras” da Administração. Restam os adeptos e sócios em geral que pouco têm feito para modificar a situação… votar da mesma forma na actual direção, prova que ainda existe um espírito de sebastianismo empregue no Reino do Dragão. Os adeptos ainda acreditam que Jorge Nuno Pinto da Costa e a sua entourage, vão acordar e meter a equipa na senda dos títulos. Quanto a mim, parece-me que não… a avaliar pelo que foi o mercado de transferências do Porto, que desde Abril estavam a preparar a época… o central que tanto precisávamos chegou no fim, encima da hora, na forma de Boly (para além da guerra que foi para trazer Felipe). Tem de existir uma pressão diferente, não tanto encima da equipa mas na direção, deixar cair a falácia de que como o Porto com Pinto da Costa foi campeão europeus 2 vezes mais uma série de conquistas e pensarmos que existe má gestão da atual administração, que se vê mais preocupada em ganhar comissões (já Alexandre Pinto da Costa foi apanhado num “esquema” de comissões muito complicado de explicar) e apostar em percentagens de passes de vários atletas. Enquanto acharem que quem critica é “mal-agradecido”, o FC Porto está destinado a ser um clube dictatorial e sem vontade de evoluir.

5. O FC Porto deixou de ser um clube de novas glórias para se preocupar com as honras do passado?

Francisco “otimista” Silva: Não. Nunca existiu até hoje no FC Porto um saudosismo bacoco que tentasse esconder os insucessos presentes, existe sim é uma enorme ambição de hegemonia e glória. Aliás, esta dinâmica vencedora é mesmo a principal responsável pelo investimento desmesurado dos últimos 2 anos. O clube não sabe viver com o insucesso nem com as glórias do passado, pelo menos enquanto não se tornar o clube com mais títulos em cada uma das competições nacionais. No epílogo de 3 anos sem ganhar rigorosamente nada, obviamente que é difícil ficar indiferente à falta de conteúdo mediático que o insucesso do futebol tem originado, nesse sentido, considero perfeitamente normal que os canais de comunicação do clube concedam preciosos minutos aos últimos triunfos nacionais e europeus. No dia em que o FC Porto se esquecer da forma leal e valente com que conquistou o Norte, o País, a Europa e o Mundo, perde completamente a identidade do clube.

Francisco “pessimista” Isaac: Completamente! E vemos isso pelo que a comunicação social do FC Porto, seja pelo Dragões Diário, Facebook, Canal Porto ou Twitter passam do Porto… é sempre a relembrar o que foi feito antes de 2013 e a “apagar” os traços das asneiras dos últimos anos. É uma política que o SL Benfica fez uso durante os seus piores anos, na qual ficou bem empregue na mentalidade das águias. Com o regressar dos títulos, essa vontade e necessidade (desnecessária) em fazer uso desse “escudo” do passado caiu. No FC Porto parece que se quer montar o mesmo esquema, para ocultar todo o processo negativo que a administração impôs ao clube da Invicta. Vejam a página do facebook do FC Porto que até aproveita para fazer um exercício à Bruno de Carvalho, com as imagens de lances mal apitados pelos juízes de jogo… por isso, o FC Porto está a pegar em todas as matérias negativas dos rivais e a “engoli-las” como se fosse remédio para o que se passa no Dragão.

O último êxito internacional do FC Porto
O último êxito internacional do FC Porto (Foto: Uefa.com)


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