26 Mai, 2018

Em equipa que ganha… mexe-se!

Rui MesquitaJulho 15, 20175min0

Em equipa que ganha… mexe-se!

Rui MesquitaJulho 15, 20175min0

Depois da conquista do tetracampeonato, Rui Vitória prometeu mudanças. Mudanças táticas e na forma de jogar. O mister encarnado anunciou surpresas para atacar o Penta, mas o que podemos esperar do Benfica? Uma revolução total ou apenas alguns ajustes no que vimos na época transata?

Manobra defensiva

Na última época o clue da Luz foi a defesa menos batida da Liga NOS mas, apesar disso, na Champions o registo defensivo foi assustador. 14 golos sofridos em 8 jogos demonstraram algumas das fragilidades dos encarnados na hora de defender.

Com a saída de Lindelof, Rui Vitória será forçado a mexer na forma como a equipa defende. Perdendo o central mais móvel do plantel, o confronto com avançados rápidos será ainda mais complicado. Com uma dupla Luisão-Jardel espera-se uma linha mais recuada, não permitindo muitas bolas nas costas destes trintões. A saída de Ederson, capaz de defender impecavelmente a profundidade, aponta, também ela, para essa adaptação.

Lindelof foi um dos esteios da defesa encarnada (Foto: The Sun)

A pressão ofensiva do tetracampeão foi uma das armas da época passada. Nesta época, com Jimenez a ganhar mais minutos, esta pressão à saída da construção adversária será ainda mais acutilante. Essa abordagem não será, apesar dos seus bons resultados, usada contra adversários mais fortes. Aí, principalmente na Liga dos Campeões, Rui Vitória não deverá arriscar nesse sufoco ao oponente, mas sim num posicionamento de expetativa, evitando surpresas.

No que ao meio-campo diz respeito, a história complica-se. O sistema do Benfica sempre evidenciou deficiências contra equipas fortes neste setor. Apenas com dois médios, os encarnados perdem demasiados duelos na zona crítica do jogo. Para solucionar este problema, Vitória pode acrescentar um médio ou tornar um dos extremos num apoio defensivo no “miolo” do terreno. Não acreditamos, porém, que as mudanças cheguem tão longe. E, com isso, as limitações manter-se-ão.

A construção

A construção será outro dos momentos em que se sentirá a falta de Lindelof. O sueco era o central com melhor qualidade de passe, essencial para a saída a 3 de Rui Vitória.

O mister encarnado explorou, na época passada, sair com Pizzi no meio dos centrais mas acabou com mais problemas do que soluções. Baixar Pizzi deixa muito espaço entre essa linha e a linha da decisão. Por seu turno, abdicar de Fejsa para ganhar um médio mais criativo não será opção. E, por fim, encostar Pizzi na ala para ele construir com outro “número 8” também não (já que dos 8 reforços anunciados nenhum serve esse intuito).

Pizzi foi e será o motor dos encarnados (Foto: Jornal I)

A solução mais provável para Rui Vitória passa por Jonas. O brasileiro pode baixar para ser o terceiro médio que o treinador e Pizzi precisam. As “tabelas” entre Jonas e o transmontano podem, também elas, baixar para construir com critério e perigo. Quando faltar Jonas (na gestão de esforço que o próprio Rui Vitória já falou), Krovinovic parece encaixar perfeitamente neste modelo. O croata é um “número 10” talentoso, ideal para a construção encarnada, trabalhando com Pizzi.

O ataque

As diferenças no ataque serão, forçosamente, decorrentes das mudanças na construção. Porém, se Rui Vitória falou em alterações, também falou na diversidade do ataque encarnado. 72 golos na Liga NOS espelham a facilidade do clube da Luz em fazer golos.

As alterações que Rui Vitória pode introduzir são naturais com a maior presença dos habituais titulares. Mais Jonas a aparecer em todo o lado, mais Fesja para libertar Pizzi e os laterais, etc.

Nas laterais surgem, ainda assim, as maiores mudanças. A saída de Nelson Semedo, anunciada esta semana, mudará a forma de atacar do Benfica. O novo lateral do Barcelona foi uma arma importante no ataque à baliza adversária. Com cruzamentos, entendimentos com Pizzi ou Salvio e incursões pela área rival, Nelson Semedo jogou e fez jogar. A alternativa será André Almeida, menos aventureiro e menos capaz ofensivamente.

Porém, na outra lateral prevê-se o regresso de Grimaldo a todo o gás. O espanhol será mais uma solução, compensando a saída de Nelson Semedo. Grimaldo cruza bem e é um perigo no carrossel encarnado comandado por Pizzi.

Grimaldo será uma arma importante do ataque da Luz (Foto: Mundo Desportivo)

Por mais adições ao “livro” do ataque da Luz, a maior de todas elas não depende de Rui Vitória. Depende sim do departamento médico do Benfica: manter Jonas sem problemas físicos. Ter o brasileiro a tempo inteiro é a grande mudança ofensiva que o tetracampeão precisa.

O sistema

No que ao sistema base com que o Benfica irá atacar o Penta diz respeito, Rui Vitória não deve mexer muito. O mister não abdicará de ter Jonas perto do ponta-de-lança mesmo que com diferentes funções. Não faltarão dois extremos a abrir nos corredores nem a dupla de médios caraterísticas do sistema encarnado.

O 4-4-2 de Rui Vitória será a regra e um 4-3-3 mais conservador a exceção em jogos que o exijam.

Na mente de Rui Vitória não está uma revolução no futebol ganhador do Benfica. Mas com as saídas que já se verificam, deixar tudo na mesma é impossível. Por isso, ao Benfica e a Rui Vitória, aplica-se uma nova máxima do desporto-rei: em equipa que ganha… mexe-se!


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