17 Ago, 2017

La Liga Santander: as primeiras impressões

Bruno DiasOutubro 10, 201610min0

La Liga Santander: as primeiras impressões

Bruno DiasOutubro 10, 201610min0

Após 7 jornadas disputadas, a Liga Espanhola (La Liga) pauta-se por um equilíbrio surpreendente e inesperado, num campeonato habitualmente dominado pelos colossos mundiais Real Madrid e Barcelona. Entre o 1º e o 11º (Atlético Madrid e Leganés, respectivamente), há apenas 5 pontos de diferença, e já todos os principais candidatos “escorregaram” em mais do que uma ocasião.

Os “crónicos” candidatos

Ao contrário do que tem acontecido nos últimos anos, Real Madrid e Barcelona tiveram um início de campeonato de La Liga titubeante. O gigante de Madrid até começou bem, com 4 vitórias em outras tantas jornadas, mas um empate no Santiago Bernabéu contra um sólido Villarreal – uma das 3 equipas da competição (Real e Atlético Madrid são as restantes) que ainda não perdeu – quebrou esse ciclo, e os deslizes continuaram nas duas jornadas seguintes, com empates frente a Las Palmas e Eibar. Para tal, muito tem contribuído o baixo rendimento de Cristiano Ronaldo (1 golo em 4 jogos) e as lesões de jogadores como Casemiro, que vinha a ser uma peça de que Zidane não abdicava no seu 4x3x3 mais clássico, ou de Luka Modric, mais recentemente.

Também o Barcelona parecia estar a arrancar para um bom início de temporada. À entrada para a 5ª jornada somavam 3 vitórias e apenas uma surpreendente derrota, com o Alavés a derrotar a equipa catalã em Camp Nou por 2-1, contra todas as expectativas. O adversário dessa jornada foi o Atlético Madrid, naquele que foi o primeiro “choque de titãs” desta temporada. O Barcelona adiantou-se no encontro através de um cabeceamento certeiro de Ivan Rakitic, e parecia ter o jogo controlado. No entanto, os primeiros minutos da segunda parte trouxeram péssimas notícias para os “culés”: por lesão, primeiro Sergio Busquets e depois Lionel Messi foram forçados a abandonar a partida. A equipa tremeu, perdeu o controlo do jogo e acabou por ceder um empate a uma bola. E, se a lesão de Busquets não foi grave, a do astro argentino afastou-o dos jogos seguintes da equipa, e certamente contribuiu para mais um desaire dos catalães, duas jornadas depois, em Vigo, frente a um Celta muito bem orientado por Eduardo Berizzo.

Quem aproveitou estes deslizes para assumir a liderança da Liga foi mesmo o Atlético Madrid. A equipa comandada por Diego Simeone até começou mal o campeonato, com dois empates frente a Alavés e Leganés, mas esses resultados fizeram “soar os alarmes”, e nas 5 jornadas seguintes, o Atlético apenas perdeu pontos no empate em Camp Nou. De resto, 4 vitórias e 4 jogos em que não sofreram qualquer golo. Os “colchoneros” são a melhor defesa do campeonato, com apenas 2 golos sofridos, algo que reflecte perfeitamente a filosofia de jogo em que acreditam, baseada na solidez defensiva, na elevada intensidade que empregam no jogo quando não têm a bola e no pragmatismo com que atacam o adversário. No entanto, há que referir o facto de que, neste início de época, o Atlético parece estar a assumir uma postura ligeiramente mais ofensiva do que aquela a que habituou toda a gente nas últimas épocas. O número de passes por jogo e o número de golos marcados em jogadas de bola corrida aumentaram claramente, e pode-se até constatar que o Atlético ainda não marcou de bola parada na Liga Espanhola, um dado surpreendente se considerarmos que esse tem sido, consistentemente, um dos pontos mais fortes da equipa de Simeone.

Cristiano Ronaldo não começou a temporada em Espanha da melhor forma. [Foto: msntime_com]
Cristiano Ronaldo não começou a temporada em Espanha da melhor forma [Foto: msntime.com]
 

As surpresas

Se há surpresa positiva neste início de temporada em Espanha, essa é, sem dúvida, o Las Palmas. Comandados por Quique Setién, são actualmente o segundo melhor ataque da competição, juntamente com o Real Madrid (16 golos), e mostraram ao que vinham logo na primeira jornada, ao derrotarem o Valencia no Mestalla por 4-2. Para além disso, contam já também com um empate a duas bolas no Santiago Bernabéu. Uma equipa com um futebol muito atractivo e objectivo, que procura sempre jogar “olhos nos olhos” com o seu adversário. Normalmente organizados num 4x2x3x1, em que brilham sobretudo Roque Mesa, um médio-centro que confere consistência e fluidez à circulação de bola da equipa, e Tana, um pequeno desequilibrador que iniciou a época em grande forma, “Los Amarillos” têm demonstrado nestes primeiros jogos que serão uma equipa a ter em conta no que à qualificação para as competições europeias diz respeito.

Para além do Las Palmas, também o recém-promovido Leganés tem surpreendido pela positiva nestas primeiras jornadas. Com um plantel modesto e sem grandes referências individuais, e com um terrível início de campeonato no plano teórico (já receberam Atlético Madrid, Barcelona e Valencia, e visitaram o terreno do Celta de Vigo logo na primeira jornada), poderia-se pensar que estariam “enterrados” na tabela por esta altura. Puro engano. A equipa dirigida por Asier Garitano leva já 10 pontos, está a 5 pontos do primeiro classificado, e tem demonstrado uma surpreendente apetência para vencer longe do seu próprio reduto. 9 dos seus 10 pontos foram conquistados fora de portas, com vitórias frente a Celta, Deportivo e Granada. O único ponto conquistado em casa foi mesmo contra o actual líder, o Atlético Madrid, num empate sem golos, na segunda jornada. E na próxima jornada, há novo jogo de grande potencial no que ao espectáculo e bom futebol diz respeito: o Leganés recebe no seu estádio o Sevilha, actual terceiro classificado do campeonato.

E é precisamente o Sevilha a última das surpresas que pretendo destacar. Não pelos resultados que tem obtido, embora tenha tido um bom início de época, mas antes pela mudança drástica de paradigma que ocorreu na equipa, face à temporada passada. O Sevilha de Unai Emery destacava-se por ser uma equipa muito forte em termos defensivos, bem organizada, compacta e bastante eficaz quando atacava, normalmente apostando em transições defesa-ataque intensas e objectivas. Não era, de todo, uma equipa que entusiasmasse pela espectacularidade do seu futebol, mas ninguém duvidava da competência e da qualidade dos “rojiblancos”.

Mas esta época, Jorge Sampaoli chegou a Sevilha, e com ele chegou também a avalanche ofensiva que é já imagem de marca das suas equipas. O argentino não perdeu tempo, reformulou de forma significativa o plantel com o apoio de Monchi (o director-desportivo do clube, conhecido pela sua enorme competência no mercado de transferências) e logo na primeira jornada demonstrou porque razão é, actualmente, um dos melhores treinadores do mundo dentro dos estilos de jogo mais ofensivos: vitória por 6-4 frente ao Espanyol, num extraordinário espectáculo de futebol ofensivo que certamente agradou a todos os que assistiram ao jogo no Ramón Sánchez Pizjuan, casa dos sevilhanos. De resto, o Sevilha é a única equipa que conta por vitórias todos os jogos realizados em casa, e promete fazer do seu estádio uma “fortaleza”, que será dificílima de ultrapassar para qualquer adversário. Falta agora apresentar também resultados fora de casa, factor que influenciou muito negativamente a classificação da última temporada (o Sevilha não conseguiu vencer uma única vez, em 19 (!!) jogos fora de portas).

Jorge Sampaoli sucedeu a Unai Emery no comando técnico do Sevilha [Foto: sports.yahoo.com]
Jorge Sampaoli sucedeu a Unai Emery no comando técnico do Sevilha [Foto: sports.yahoo.com]
 

As desilusões

No que toca às equipas que têm defraudado expectativas neste início de época, há um nome que assume quase total protagonismo: o Valencia. Com um plantel mais do que suficiente para lutar pelos primeiros lugares e procurar regressar aos grandes palcos europeus, as primeiras 4 jornadas foram um autêntico filme de terror para os seus adeptos. 4 derrotas, uma delas com contornos de goleada (logo na primeira jornada, frente ao Las Palmas), e uma equipa completamente despedaçada, sem qualquer ligação comum ou fio de jogo. O despedimento de Pako Ayestarán foi uma consequência natural e já esperada face a estes acontecimentos, e o comando da equipa foi assumido de forma interina por Voro, adjunto da casa, que de resto já o havia feito noutras ocasiões, como em 2015, por exemplo, após o despedimento de Nuno Espírito Santo. Voro dirigiu a equipa nas duas únicas vitórias que conta até ao momento, e foi substituído no final de Setembro pelo italiano Cesare Prandelli, que se irá estrear no banco de suplentes na próxima jornada, e que terá certamente um trabalho muito complicado pela frente, pois o Valencia encontra-se neste momento na 19ª posição da tabela, com 6 pontos.

Atrás do Valencia, só mesmo o Osasuna e o Granada, as duas únicas equipas que ainda não venceram para o campeonato. Esta última apresenta-se como a outra grande desilusão do campeonato até agora. Obviamente que as expectativas não se equiparavam às que existiam em relação ao Valencia, mas ainda assim, esperava-se muito mais de um plantel que tem qualidade e que pode apresentar um bom rendimento. E sobretudo, esperava-se muito mais de Paco Jémez. O excêntrico treinador espanhol mudou-se para o clube da Andaluzia depois de 4 temporadas no Rayo Vallecano, e as suas ideias ofensivas de qualidade prometiam ser bem executadas por jogadores como Sergi Samper, Andreas Pereira ou Alberto Bueno. No entanto, Jémez demonstrou uma incapacidade gritante para evoluir em termos defensivos ao longo dos anos, e este começo de temporada foi um duro golpe para as suas ideias de jogo algo primitivas nesse capítulo. 2 empates e 5 derrotas em 7 jogos, o pior arranque do Granada em cerca de 70 anos, e o despedimento inevitável após a sexta jornada.

Cesare Prandelli, ex-seleccionador italiano,é o senhor que se segue no banco do Valencia.[Foto: spor.haber7.com]
Cesare Prandelli, ex-seleccionador italiano, é o novo técnico do Valencia [Foto: spor.haber7.com]
 

7 jornadas já estão decorridas, mas ainda teremos 31 outras para se jogar, e esta temporada promete ser uma das mais imprevisíveis dos últimos anos por terras espanholas. Emoção certamente não faltará durante a época, bem como grandes espectáculos de futebol, choques ideológicos fascinantes e duelos individuais com impacto global, com destaque claro para o eterno duelo Ronaldo x Messi. Com inúmeros focos de interesse e uma grande competitividade, acompanhar a LaLiga voltará a ser, com certeza, tempo bem empregue.


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