23 Mai, 2018

Escócia x Portugal – 23 de Julho – Pontuar e Sonhar

Silvia BrunheiraJulho 24, 20177min0

Escócia x Portugal – 23 de Julho – Pontuar e Sonhar

Silvia BrunheiraJulho 24, 20177min0

Segunda Jornada para o Grupo D e oportunidade crucial para Portugal poder pontuar e continuar a sonhar. Desta vez, Francisco Neto apresentou a mesma equipa que jogou com a Espanha, apenas com 2 alterações: entrou Carolina Mendes para o lugar de Ana Leite na linha avançada e Amanda Da Costa para o lugar de Suzane Pires no meio-campo.

Depois da derrota com a Espanha, Portugal teria obrigatoriamente que pontuar, sendo ideal ganhar a partida contra a Escócia para manter as aspirações para a passagem à fase seguinte. Friamente, podemos dizer que se não ganhasse estaria fora da corrida para prosseguir no Europeu de Futebol Feminino 2017 e na quinta-feira (27/07) iria meramente cumprir calendário contra a Inglaterra. O empate serviria apenas para não terminar a competição em branco e salvar-se do último lugar no grupo. Ganhar seria, sem dúvida, um salto quantitativo na classificação, que iria alterar as contas do Grupo D e repor mais um candidato às duas posições que permitem seguir para os quartos-de-final. E continuar o sonho…

Face aos cenários supracitados, a equipa Lusa teria que se impor perante a Escócia, demonstrar coragem e grande personalidade para desarmar o jogo directo e extremamente físico das escocesas. Tendo bola e circulando-a rapidamente, as jogadoras de Francisco Neto seriam certamente superiores.

Portugal iniciou o jogo algo nervoso e, de forma precoce, Carole Costa leva cartão amarelo logo aos 2 minutos de jogo. Os primeiros 20 minutos faziam temer o pior: a Escócia parecia acreditar mais e ia crescendo e povoando o meio campo português. O domínio escocês assusta a comitiva lusa quando aos 17 minutos Lana Clelland atira ao poste esquerdo da guardiã Patrícia Morais depois de esta última realizar duas defesas seguidas de grande qualidade.

Quando menos esperavam, as escocesas são surpreendidas com uma arrancada da Diana Silva pelo lado esquerdo do ataque que, depois de levantar a cabeça, centra para a zona do coração da grande área da Escócia onde se encontra Carolina Mendes que, cheia de oportunidade, aproveita uma falha incrível da central escocesa que falha o corte na bola. A jogadora lusa não perdoa, rematando forte para o lado direito da guarda-redes adversária. 

Estava feito o primeiro golo de Portugal e escrevia-se história em Roterdão, ficando registado que Carolina Mendes foi a primeira marcadora de um golo num Europeu de Futebol Feminino, o que me deixa particularmente orgulhosa por ter sido companheira de equipa da Carolina no Clube 1º Dezembro, bem como na Seleção Nacional.

Este golo obviamente não se reduz a um registo individual. Faz sim, justiça ao empenho e trabalho de todas as jogadoras e de todo o grupo que está por trás – jogadoras suplentes, equipa técnica, equipa médica, staff – todos escrevem história nesta jornada única.

Este golo fez ainda potenciar a confiança da equipa que começou a “pegar” no jogo como que a demonstrar um “eu estou aqui”, à imagem do nosso Cristiano Ronaldo, fazendo-nos chegar a mensagem de que o sonho estava vivo e Portugal na luta para um objectivo comum.

Finda a 1ª parte, e sem alterações de cada lado, recomeça a partida e o jogo de Portugal completamente rejuvenescido: aumenta a sua capacidade de posse e troca de bola que fez com que as adversárias highlanders corressem atrás da bola, abrindo espaços e desequilibrando a sua estrutura organizativa.

Ressalvo o crescimento de algumas jogadoras nesta fase do jogo, tais como: Tatiana Pinto mais activa na recuperação da bola e na rápida transição para as jogadoras à sua frente, no pausar do jogo em situações de maior pressão e até aparecendo em zonas de finalização; Ana Borges e a sua companheira de flanco oposto, Dolores Silva, sempre muito lutadoras e dando alternativas de passe às colegas para dar maior largura e profundidade ao ataque de Portugal; Cláudia Neto que sobressai quando as jogadoras da sua retaguarda a acompanham com triangulações que lhe permite desmarcar as jogadoras avançadas e descobrir espaços (até então) inexistentes; Diana Silva e Carolina Mendes com um espírito de sacrifício incrível: a primeira com uma velocidade acima da média e inteligência na forma como também ajuda a servir as suas colegas para a melhor finalização; a segunda na forma com luta pela recuperação da bola e no oportunismo que já temos vindo a presenciar.

Perante este maior domínio de Portugal, a Treinadora da Escócia viu-se obrigada a fazer alterações, com duas substituições aos 54 e aos 67 minutos, acabando por dar frutos: aos 68 minutos, após grande insistência das escocesas beneficiadas com vários ressaltos e muita persistência, “furam” a armada lusa pelo lado esquerdo do seu ataque que deixa livre a recém entrada Erin Cuthbert que remata para o lado esquerdo da guarda-redes portuguesa, junto ao poste mais afastado do seu lado.

Portugal não baixou os braços, continuámos a assistir a um jogo muito personalizado, combativo e com objectividade. Acreditando que podíamos ganhar o jogo, o Treinador português responde à sua colega de profissão com uma substituição aos 70 minutos. Ana Leite que substitui a esgotada Carolina Mendes, é lançada em corrida dois minutos depois com um grande passe de Amanda Da Costa, rematando para o fundo da baliza, colocando Portugal novamente em vantagem no marcador. O sonho começava a ter contornos mais reais e as jogadoras sentiam isso.

Aos 76 minutos, nova substituição, saindo Vanessa Marques e entrando Suzane Pires. A Treinadora da Escócia, a sueca Anna Signeul responde pouco depois e faz nova substituição aos 82 minutos e aos 85 minutos nova bola ao poste da baliza portuguesa, desta vez do lado direito de Patrícia Morais. Esta era a fase de maior desespero da equipa escocesa para chegar, pelo menos ao empate. Para agravar esse desespero, Francisco Neto faz a última substituição aos 92 minutos para ganhar tempo, entrando Laura Luís para o lugar de Diana Silva, uma vez mais, exemplo de quem dá tudo o que tem em campo.

A árbitra apita para o final do jogo e Portugal faz desta forma uns merecidos 3 pontos, provando que, quando desinibida, esta equipa consegue superar-se a si mesma e culminar com uma excelente prestação.

Este segundo jogo foi crucial em vários aspectos: Portugal marcou o golo estreante da competição; deu a volta ao marcador, reagindo positivamente ao empate da Escócia; cumpriu o objectivo principal, alcançando a vitória; mantêm todas as esperanças na passagem aos quartos-de-final.

O segundo jogo do Grupo D terminou com a vitória da Inglaterra sobre a Espanha por 2-0, culminando na seguinte classificação:

Esta classificação deixa tudo em aberto, contudo permite-nos acreditar que, enquanto matematicamente houver possibilidade de ascender pelo menos ao 2º lugar, temos que dar tudo nesta meta final rumo aos Playoffs. Não tendo iniciado da melhor forma na primeira jornada, Portugal recuperou uma posição importante e agora há que disfrutar com orgulho o que já se alcançou, ambicionando mais marcas históricas, mais novas experiências e mais glórias. A equipa Portuguesa de Futebol Feminino está hoje de parabéns porque não só nos deu esta vitória como nos deixa ainda a sonhar.

Força Portugal!


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