São Paulo segue cartilha passo a passo para rebaixamento no Brasileirão

Renato SalgadoOutubro 15, 20218min0

São Paulo segue cartilha passo a passo para rebaixamento no Brasileirão

Renato SalgadoOutubro 15, 20218min0
São Paulo mergulha na crise, lutando contra o Z4. Crespo é demitido. Rogério Ceni é a solução? Treinador queria trabalhar somente em 2022.

A pressão dos empresários de Benítez e Orejuela para que seus jogadores fossem escalados foram a gota d’água para Crespo no São Paulo. Apesar da nota oficial do clube, não houve ‘comum acordo’. Houve sim um enorme desgaste por conta de Crespo, pela falta de postura firme dos dirigentes quando os agentes de Benítez garantiram que ele não renovaria se seguisse como reserva. E o mesmo ocorreu junto ao estafe do colombiano Orejuela.
O lateral não foi sequer relacionado contra o Cuiabá e o técnico teve de improvisar porque não tinha jogador para a posição. Crespo não teve o apoio público que esperava!

Mas a diretoria não estava mais disposta a apoiá-lo. A campanha do São Paulo é absolutamente frustrante para o presidente Julio Casares. Ele e o diretor de futebol, Carlos Belmonte, garantiram que o argentino seguiria como treinador até o final de 2021. Tinha o respaldo por ter sido campeão paulista, rompido os nove anos de jejum, sem título. Só que houve enorme arrependimento dessa promessa. O São Paulo despencou de maneira absurda na Libertadores, na Copa do Brasil e no Brasileiro.

A sensação dos dirigentes e conselheiros próximos a Casares é que houve uma enorme acomodação de Crespo com o título paulista. Ele acreditou no que ouviu do presidente e de Belmonte, ao ser contratado no lugar de Fernando Diniz. “O Paulista será encarado como Copa do Mundo” pelo São Paulo. E quando ganhou o Estadual acreditou que 2021 estava ganho. Só que, com mais de R$ 600 milhões em dívidas, o São Paulo precisa estar desesperadamente na Libertadores de 2022. Para fazer caixa com transmissão, arrecadação, valorização dos jogadores. Daí a pressão crescer de forma enorme sobre Crespo.

Reprodução/Instagram

A primeira decisão que o técnico conseguiu evitar foi a demissão do preparador físico Alejandro Kohan. A direção acreditava que o time estava mal preparado e rendendo muito abaixo nos segundos tempos dos jogos. Crespo se colocou absolutamente contra a saída do preparador físico que é o seu ‘braço direito’, homem quem mais confia na sua Comissão Técnica. O desgaste foi enorme pela defesa de Kohan.

O São Paulo ocupa apenas a 13ª colocação no Brasileiro. Caiu nas quartas da Libertadores diante do Palmeiras. E foi eliminado da Copa do Brasil também nas quartas, contra o Fortaleza. A pressão crescia a cada dia contra o treinador. O futebol do time piorava. Contra o Cuiabá, por exemplo, se não fosse Volpi, o time teria sido goleado.
Crespo deixava claro que, ao contrário da diretoria, não confiava mais em Benítez, e também não se animava com Orejuela. A ponto de não o levar para o Mato Grosso e ter de improvisar o lateral direito.

E ontem, uma reunião que deveria acerta a situação do meia e do lateral, acabou deixando evidente o descontentamento de ambas as partes. A favor de Crespo, o pedido de reforços de alto nível, que ele esperava satisfeito, na janela do meio do ano. Mas como o clube deve mais de R$ 600 milhões, chegaram jogadores que ele não pediu. Como o próprío Calleri, obsessão de Julio Casares. A demissão de Crespo se tornou a única saída. Faltam apenas 13 partidas para o São Paulo jogar em 2021.

Rogério Ceni sempre foi o nome desejado por Casares. O dirigente queria tê-lo já como técnico em 2020. Só que o maior ídolo do São Paulo escolheu o Flamengo. Ceni só gostaria de trabalhar em 2022. Mas os dirigentes conseguiram convencer o técnico a começar os trabalhos imediatamente. O coordenador Muricy Ramalho já avisou que a sua saúde não permite que volte a ser técnico. Pelo menos, também, a princípio. O São Paulo enfrenta o Corinthians daqui três dias. Rogério Ceni acertou o seu retorno no final da tarde de ontem.

Reprodução/Twitter Julio Casares

Crespo mostra como no futebol tudo é imprevisível. Há dez dias, ele disse que esperava ficar dez anos no São Paulo. “Penso no presente, porque é fundamental, mas também penso que vou ficar dez anos no São Paulo.”

Acabou ficando oito meses! Foi contratado em fevereiro. E mandado embora em outubro…

Menos de duas horas depois, um novo técnico estava contratado

O São Paulo anunciou nesta quarta-feira (13) o retorno de Rogério Ceni. Pouco menos de duas horas depois de divulgar o desligamento do treinador argentino Hernán Crespo em meio à crise vivida no Campeonato Brasileiro, a diretoria confirmou o acerto com o ex-goleiro, ídolo histórico do clube. Multicampeão como arqueiro tricolor, o profissional de 48 anos inicia agora sua segunda passagem como técnico no Morumbi. Em 2017, em sua primeira experiência como comandante, ele dirigiu a equipe por sete meses e foi demitido em julho. Na ocasião, como ocorre agora, a luta era contra o rebaixamento.

“Precisávamos tomar uma decisão rápida. Indo ao encontro da nossa linha de raciocínio e ao diagnóstico de todo o departamento de futebol, a opção correta era o Rogério Ceni”, afirmou o presidente Julio Casares, em nota.

“Já havia deixado claro que, em caso de vacância no cargo, ele seria a nossa primeira alternativa, se estivesse livre no mercado. Como bom são-paulino que é, não precisou de mais de 15 minutos para acertar essa volta para casa”, acrescentou.

Ceni busca resultados melhores do que os obtidos há quatro anos, quando não resistiu às quedas no Campeonato Paulista, na Copa do Brasil e na Copa Sul-Americana. Agora, chega porque Crespo não conseguiu dar sequência ao sucesso obtido no Estadual. Campeão paulista após nove anos sem qualquer título, o São Paulo acumulou fracassos na Copa Libertadores e na Copa do Brasil. No Brasileiro, após uma sequência de cinco empates, a distância para a zona de rebaixamento ficou em apenas três pontos.

Nesse cenário, a diretoria resolveu encerrar o trabalho do comandante argentino e oferecer um contrato a Rogério até dezembro de 2022. De acordo com Casares, o novo treinador estava disposto a estrear já ontem, (quinta-feira 14/10), contra o Ceará, às 19h, no Morumbi.

“Ele encarou esse convite como uma convocação. Afinal, a imagem do Rogério está diretamente ligada ao clube. Até por se sentir em casa, ele quis começar o trabalho imediatamente. Aproveito a oportunidade, também, para agradecer ao treinador Hernán Crespo e sua comissão técnica pelo serviço prestado, pela dedicação e pelo título do Paulista”, declarou o presidente tricolor.

O argentino de 46 anos deixa o São Paulo com 53 partidas disputadas: 24 vitórias, 19 empates e 10 derrotas, um aproveitamento de 57,23%. Seu substituto tem à frente do time do Morumbi 35 jogos, com 14 vitórias, 11 empates e 10 derrotas.

Depois de sair do clube, Ceni trabalhou no Fortaleza, no Cruzeiro e no Flamengo. Na formação tricolor cearense, conquistou a Série B (2018), a Copa do Nordeste (2019) e o Campeonato Cearense (2019 e 2020). No clube rubro-negro carioca, levou o Campeonato Brasileiro (2020), a Supercopa do Brasil (2021) e o Estadual do Rio de Janeiro (2021). Apesar dos troféus à frente do time vermelho e preto, Rogério sofreu críticas pelo desempenho apresentado e acabou sendo demitido em julho. Sua ideia era permanecer afastado do futebol até o final do ano, mas a proposta do São Paulo o fez antecipar o retorno.

Na volta, o ex-goleiro encontrará uma torcida que já não é unânime em seu apoio. Parte dos tricolores se irritou com suas declarações na passagem pelo Flamengo, como esta: “Eu trabalhei no São Paulo durante tantos anos, e é um clube de massa, mas aqui é uma atmosfera diferente”.

Antes mesmo do anúncio de sua volta, a organizada Independente publicou um texto recordando esses momentos. “Queremos declaração pública de ‘desculpa’, quando diminuiu nossa torcida diante dos cariocas. Não adiantou puxar o saco”, dizia a nota.

E em sua reestreia, Ceni não pode contar com Rigoni, atleta contratado a pedido de Crespo e um dos principais destaques do São Paulo na temporada. O meia-atacante sentiu dores na coxa esquerda no empate sem gols com o Cuiabá na segunda (11) e foi vetado pelo departamento médico.

 


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