21 Ago, 2017

FP Scouting – Xeka

Ruben CardosoJaneiro 26, 20175min0

FP Scouting – Xeka

Ruben CardosoJaneiro 26, 20175min0

Miguel Ângelo da Silva Rocha. No mundo do futebol, Xeka. É, possivelmente, um dos nomes mais entusiasmantes a surgir nos últimos anos no campeonato português, principalmente devido ao seu quase súbito aparecimento no Sporting de Braga. O Fairplay traz-lhe a análise a um dos elementos mais promissores nos sectores intermédios da Liga NOS, com o apoio do Talent Spy.

Nos últimos anos, os escalões de formação portugueses têm sido especialmente frutíferos em criar jogadores para o meio-campo, com capacidade para chegar a um patamar competitivo médio-alto, principalmente olhando para a formação dos três grandes (com elementos como William, João Mário, Renato Sanches ou Rúben Neves), mas também para casos como Danilo Pereira e André Horta, que cresceram e ainda crescem num contexto competitivo mais elevado.

Xeka é apenas mais um dos exemplos do bom trabalho das academias nacionais, na hora de formar excelentes médios, com características únicas para brilhar no futebol. Fez o seu processo de formação entre o Paços de Ferreira e o Gondomar, sendo que em 2011 aceitou o desafio do Valencia para rumar a Espanha, reforçando os escalões de formação do emblema che. A aventura não correu da melhor forma, voltando no ano seguinte aos castores. Logo nessa época começou a jogar nos juniores do Paços, até que surgiu a proposta do Braga.

O percurso de Xeka. Fonte: Soccerway

Depois de um frutífero empréstimo ao Sporting da Covilhã, tendo efetuado 35 jogos na época transata, Xeka finalmente foi aposta na equipa principal dos bracarenses, pela mão de José Peseiro, tendo a sua estreia no dia 15 de Outubro, num encontro frente à Oliveirense, para a 3ª eliminatória da Taça de Portugal. Impressionou de tal forma que fez a sua estreia no campeonato apenas 9 dias depois, fazendo os 90 minutos frente ao Desportivo de Chaves. Desde esse jogo, Xeka não mais voltou à equipa B, assumindo-se como um jogador que começava a crescer num contexto mais competitivo.

O jovem médio do Braga é, acima de tudo, um jogador com características muito particulares, e raras num jogador que ocupa a sua posição. Apesar de ter uma compleição física interessante (1.86m e quase 80kg), as principais virtudes que sobressaem em Xeka são as suas qualidades com a bola nos pés, mais do que a sua capacidade defensiva ou o seu poderio físico. Revela um entendimento do jogo apuradíssimo que lhe permite encontrar soluções em quase todos os momentos, solicitando os colegas ou ele próprio queimando linhas através da progressão.

A forma como é capaz de distribuir jogo a partir de zonas recuadas facilita drasticamente toda a construção de jogo do Braga, principalmente depois da saída de um elemento com outra capacidade criativa em zona avançada como era Rafa. Não só através do passe Xeka é capaz de desequilibrar, mas também ele é capaz de tomar a iniciativa, progredindo com bola, e criando problemas na zona intermédia do adversário. É um jogador com alguma mobilidade, conseguindo estender-se pelo campo à medida que o resto da equipa se movimenta, seja pelos flancos ou pela zona central.

É um elemento ainda jovem, e fruto do seu futebol mais refinado e técnico, ainda tende a por vezes exagerar nas suas acções individuais, e não prima por colocar muita intensidade no seu jogo, pois por norma aparece sempre bem posicionado, sem necessidade de “correr atrás” para compensar um erro. Já engloba em si todas as características necessárias para brilhar ao mais alto nível, faltando agora um treinador que lhe possa passar os estímulos necessários para crescer nesse sentido. Se o fizer, poderá ser mais um nome a ter em conta para a lista de Fernando Santos na seleção nacional.

BOA OPÇÃO PARA…

Três Grandes – Qualquer uma das grandes equipas do campeonato português beneficiaria bastante com a adição de um elemento como Xeka, em particular Benfica e Sporting (visto que, com Danilo e Rúben Neves, o Porto já tenha a posição devidamente acautelada). Desde logo, poderia ser uma opção a ter em conta para substituir William CarvalhoFejsa, nos respectivos clubes. Encontraria um contexto mais competitivo ainda que o do Braga, e oportunidades para poder mostrar todo o seu futebol em equipas que lutam por títulos e participam com frequência nas competições europeias.

Sevilla – Com uma eventual saída de N’Zonzi no final da época, ou mesmo que o francês não abandone a Andaluzia, Xeka poderia ser uma opção interessante para Jorge Sampaoli trabalhar. É um jogador combativo q.b., e que dá à equipa atributos com bola que poderiam interessar bastante ao técnico argentino. Não só encontraria um contexto fantástico para crescer, um clube que está em clara evolução, um campeonato extremamente competitivo, e uma nova realidade que poderia catapultar o seu futebol para outro patamar. Poderá ser um passo demasiado grande? É uma afirmação subjectiva, no sentido em que os bons jogadores não terão dificuldades em adaptar-se a uma realidade mais exigente.


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