17 Ago, 2017

FC Porto 2016/2017 – Antevisão

Fair PlayAgosto 11, 20167min0

FC Porto 2016/2017 – Antevisão

Fair PlayAgosto 11, 20167min0

De partida para 2016/2017, o FC Porto sabe que não poderá ficar mais um ano sem nada vencer. Quem o assume é o próprio treinador, Nuno Espirito Santo, a verdadeira estrela do defeso portista. Percorrendo o universo do Dragão, tudo sobre as transferências, a pré-época, o perfil de jogo em construção, o jogador-chave, a promessa e, sobretudo, as expectativas. Afinal, quase tudo se resume a isso – é que o Dragão sabe que não pode voltar a falhar.

Transferências

Entradas: Alex Telles (Galatasaray), Felipe (Corinthians), Laurent Depoitre (Gent), João Teixeira (Liverpool), Diego Reyes (regresso de empréstimo – Real Sociedad), Otávio (regresso de empréstimo – Vitória de Guimarães) e Ádrian López (regresso de empréstimo – Villarreal)

Saídas: Suk (empréstimo – Trabzonspor), José Ángel (empréstimo – Villarreal), Moussa Marega (empréstimo – Vitória de Guimarães) e Hélton (sem clube)

Pré-época | Perfil

Numa pré-época feita de jogos frente a adversários de qualidade relevante, os Dragões acabaram por demonstrar, aqui e ali, pormenores interessantes. A primeira meia-hora diante do PSV (pese embora a derrota por 3-0 com vários erros defensivos), os minutos finais no confronto do Vitesse (vitória por 2-1) ou a 1ª parte frente ao Villarreal (triunfo por 1-0) surgiram como sorridentes bases para o futuro de uma equipa claramente em construção.

Equipa essa que, do ponto de vista táctico, deverá voltar a distribuir-se em 433 (ainda que na pré-época várias experimentações tenham sido levadas a cabo). Todavia, não será de estranhar que, contrariamente ao reinado de Lopetegui e de Peseiro, o FC Porto se torne uma equipa menos preocupada com a posse de bola, preferindo resguardar-se, com um bloco menos exposto, para, no momento certo, fazer uso de velozes e agressivas transições ofensivas. De certo modo, tornando-se num FC Porto mais próximo daquele que Jesualdo Ferreira moldou, e que lhe valeu um tricampeonato entre 2006 e 2010. Esta perspectiva poderá, até, catapultar jogadores como Herrera, Corona ou o próprio André Silva, capazes de actuar em velocidade e progressão, de potenciar o espaço, e menos aptos para situações em que há maior complexidade. Por outro lado, o FC Porto dispõe de um plantel heterogéneo, com vários futebolistas habilitados a um futebol mais rendilhado, enleado e interligado – Rúben Neves, Evandro, João Teixeira, Bueno ou Otávio são exemplos claros disso, e tiveram oportunidade de o demonstrar, a espaços, durante a pré-temporada. Numa altura em que a equipa dá os primeiros passos na construção da sua própria identidade, será interessante perceber que caminho Nuno optará por percorrer, tornando-o preferencial.

Essa inevitável opção-construção é, no entanto, abalada pelo contexto actual do FC Porto, tamanhos os casos de indefinição, como aferem os nomes de Indi, Herrera, Brahimi ou Aboubakar (entre outros mais). A própria contratação do belga Depoitre, de um perfil diferente dos outros avançados do Dragão, oferece a NES a possibilidade de utilização de um #9 mais fixo, pesado e a servir de referência. Resta saber se essa solução será apenas vista como um recurso em partidas diante de equipas com sistemas defensivos mais densos e fechados. Tudo somado, o actual FC Porto continua a levantar hipóteses várias de especulação, algo que só o aproximar do dia 31 de Agosto poderá diminuir e só os primeiros passos de competição a sério poderão dissipar.

fcp
(Foto: record.xl.pt)

Jogador-Chave

Por ora, não há no Dragão uma clara figura de proa. Poderia ser Casillas, Layun, Danilo, Herrera ou Brahimi. Mas, por mais estranho que isso possa parecer, é André Silva que surge (talvez) como o jogador de quem se espera que assuma a batuta do Dragão. Um avançado que, fruto da sua qualidade, tem queimado etapas. Na pré-época, logrou uma média de 1 golo por jogo, justificando a titularidade e a confiança de NES. Forte na área, com uma qualidade técnica acima da média, resistente no contacto físico e com “fome” de golos, André Silva está na senda de outros avançados lendários formados no FC Porto como Fernando Gomes e Domingos Paciência. Acresce a isso, a ligação especial que tem com o público do Dragão, fruto da sua condição de portista, algo que promove uma união entre equipa e adeptos, aspecto que poderá ser fundamental para a época de provação que espera a equipa do FC Porto. Conseguirá André fazer diferença? Aos 20 anos, se a aposta do FC Porto se mantiver e se André continuar a corresponder, a possibilidade de estar aqui o avançado português da próxima década é real. A camisola com o nº 10 que lhe foi atribuída é um indicio do que poderá estar para vir.

Jovem Jogador a seguir

Chegado ao Dragão em 2014, proveniente do Internacional de Porto Alegre, Otávio andou pela equipa B e emprestado ao Vitória de Guimarães. Até agora. Até agora em que agarrou o público, colegas e treinador, com uma série de exibições estrondosas na pré-época, transformando-se, quiçá, no reforço mais improvável mas igualmente mais valioso. Um pequeno génio com a bola nos pés, Otávio gosta de fazer a equipa “girar” ao seu ritmo, no seu jeito ‘amolecado’ mas consciente do papel táctico e estratégico que lhe cabe. Já não é hoje apenas um jogador com um tremendo toque de bola; é um futebolista evoluído e que, aliado a uma elevada qualidade técnica, decide de forma e inteligente e em ritmos elevados. Assumiu-se como titular, na meia esquerda do ataque, destronando um Brahimi algo desligado (a que não será alheio a indefinição quanto ao seu futuro), e aparenta ser detentor de uma empatia especial com André Silva. Aos 21 anos, o seu potencial parece transformar-se cada vez mais em qualidade real e de presente, podendo o Dragão ter, em 2016/2017, um novo Maestro à espreita.

Expectativas

As expectativas só podem passar por voltar a ganhar. ‘A seco’ há três anos, o FC Porto viu a sua hegemonia interna transferir-se para o rival Benfica e depara-se, igualmente, com um Sporting muito mais preparado e competente. Com um plantel ainda com espaço para melhorias – sobretudo ao nível defensivo –, os dragões partem atrás em relação à corrida pelo título, o objectivo mais premente. Por outro lado, Agosto revela-se, desde já, um mês decisivo nas contas da época, com a pré-eliminatória da Champions diante da Roma e com deslocações complicadíssimas a Vila do Conde e a Alvalade no arranque da Liga. Um mau começo poderá, no extremo, inquinar a época do Dragão mas se este for capaz de ultrapassar com competência as batalhas iniciais, poderá dotar-se do élan necessário para voltar a ser uma equipa verdadeiramente competitiva. O título é o objectivo principal e a presença na fase de grupo da Champions um requisito fundamental em termos financeiros e até de possível recrutamento de elementos antes da janela de transferências fechar.

fcp 3
(Foto: cmjornal.xl.pt)


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter