24 Ago, 2017

Tomás Appleton, o Lobo Inglês

Francisco IsaacAgosto 15, 201610min0

Tomás Appleton, o Lobo Inglês

Francisco IsaacAgosto 15, 201610min0

Tomás Appleton, um dos novos Lobos do rugby português já conquistou campeonatos, esteve em Inglaterra, marcou ensaios na World Series e, melhor que tudo, jogou com o irmão, Francisco. Um regresso ao CDUL, mas com outra visão.

fpTomás, desde logo, queremos dar-te parabéns pelo teu excelente ano a nível individual. Qual foi a sensação de seres Lobo pela 1ª vez na tua carreira?

TA. Antes de mais muito obrigado. Faz em Novembro dois anos que me estreei pela selecção naquele jogo contra a Namíbia que ganhámos por 29-20 no Estádio Universitário. Foi sem dúvida um dos pontos altos da minha vida poder representar Portugal a este nível e sentir na pele o orgulho que é.

fp. E a experiência dos Sevens? Que tal te sentiste no Circuito Mundial?

TA. Apesar de me ter estreado em 2012 nos 7s, este foi o meu ano mais a serio a jogar no circuito acabei por fazer 6 etapas entre o circuito Mundial e Europeu. Foi um ano difícil, a competição com as outras selecções é muito alta e este ano foi a prova disso. Se não estamos bem treinados para os 7’s é muito difícil acompanhar o ritmo.

fp. Como é que tu atingiste estas etapas? Que conselhos darias a jovens jogadores que estão nos sub-14, 16 ou 18? Houve algum tipo de sacrifico que tiveste de fazer?

TA. Gosto de pensar que as atingi pelo trabalho e sacrifício ao longo dos anos. Acho que devemos definir bem os nossos objectivos e estar focados neles em tudo o que fazemos. Sem dúvida alguma que houve sacrifícios que tive de fazer mas no final do dia valeu a pena e uma pessoa sente-se recompensada.

fp. Com 23 anos, quais foram as tuas melhores experiências até aqui? E as piores?

TA. Muito provavelmente os meus melhores momentos foi quando o CDUL foi campeão nacional em 2013/14 e quando me estreei na selecção em Novembro de 2014. Os piores foram quando fomos despromovidos a ENC2 e saímos do circuito mundial.

fp. Mowden Park, foi a tua equipa durante a época de 15/16. Qual é a tua análise da experiência em Inglaterra?

TA. Desde ter uma rotina de jogador profissional de rugby à competitividade da National 1 acho que trago uma experiência bastante positiva de Inglaterra. É normal haver um nível superior em Inglaterra na National 1 do que na divisão de honra em Portugal. Muitos jogadores profissionais que treinam 2 a 3 vezes por dia, muitos jogadores a vir da Premiership e Championship e melhores condições de treino e no clube em si são os factores que influenciam.

Mowden Park | Facebook do atleta
Mowden Park | Facebook do atleta

fp. Sentiste uma grande diferença entre uma equipa da National League 1(3ª divisão) e a Divisão de Honra?

TA. Temos uma boa capacidade de pensar o jogo e temos muita qualidade a nível técnico.

fp. Como atleta internacional português, quais são as qualidades que temos enquanto jogadores portugueses?

TA. Falta-nos qualidade no treino desde novos para desenvolver muitas vezes as nossas bases.

fp. Achas possível Portugal voltar a juntar-se às divisões cimeiras tanto do rugby de XV como o de 7’s?

TA. Se pensássemos doutra maneira nem valia a pena estarmos cá. É um caminho muito difícil sem dúvida. Mas com um bom projecto e uma boa base temos tudo para lá chegar e projectar Portugal a pouco e pouco para o topo.

fp. Agora num “universo” mais pessoal, como foi jogar com o teu irmão, enquanto seniores, pela 1ª vez? Há uma forte ligação entre ambos?

TA. O meu irmão Francisco foi o meu maior impulsionador no rugby. Desde que me lembro que ele foi a minha referência e eu queria sempre ser um bocado como ele. No último ano não jogamos juntos mas nos meus anos de seniores sempre joguei com ele a 1º e 2º centro e sempre nos ajudamos muito um ao outro.

fp. E és do tipo mais “relaxado” e “descontraído” ou tudo o que tem a ver com o rugby é mais da orla do “concentrado” e sério?

TA. Gosto de pensar em mim como um meio-termo mas acho que às vezes sou mais do tipo “concentrado e serio”.

fp. Melhor jogo de rugby que viste até hoje? Em Inglaterra chegaste a ir ver jogos do Aviva Premiership?

TA. Final do Top14 este ano em Camp Nou (Racing Metro – Toulon). Acabei por não ir ver nenhum jogo da Premiership. Tinha jogos todos os fins de semana e quando tinha um fim de semana livre aproveitava para vir a Portugal.

Em Camp Nou | Facebook do atleta
Em Camp Nou | Facebook do atleta

fp. Qual é o acompanhamento que os adeptos de uma equipa da 3ª divisão fazem? Sentiste uma curiosidade grande, por parte dos fãs, em saber como é um jogador português? Repetirias a experiência?

TA. É óptimo. Cada vez que tínhamos jogos fora havia camionetas de adeptos a irem para ver os jogos. Cheguei, até, em Hong Kong a encontrar dois adeptos com t-shirts do Mowden.

fp. Para 16/17 vais ficar por Portugal, no CDUL, ou vais tentar a “sorte” em outro clube estrangeiro?

TA. Esta época de 2016/2017 vou ficar no CDUL. Mas continua a hipótese de noutra época, um dia mais tarde ir jogar para fora outra vez.

fp. É possível conciliar os estudos com o rugby? Achas que a Universidade e os Estudos Superiores apoiam, da melhor forma, os jogadores internacionais ou sentes que podia existir uma “ponte” mais forte?

TA. É. Não é fácil, vem a propósito dos sacrifícios que falamos antes. Muitas vezes é preciso acordar cedo, ir ao ginásio, ir para a faculdade e sair directo para o treino da tarde. Acho que podia haver um apoio maior em arranjar determinadas facilidades aos jogadores.

fp. Em relação ao CDUL, porque é que o clube tem tanto sucesso nos escalões de formação? Quais são os segredos dos Universitários para estarem na rota dos títulos nos últimos anos?

TA. Está tudo a base do compromisso que os jogadores começaram a assumir com o clube desde cedo. Os mais novos começam a ver nos jogadores seniores referências que querem tomar para quando forem mais velhos.

CDUL | Luís Cabelo Fotografia Rugby Photo Store
CDUL | Luís Cabelo Fotografia Rugby Photo Store

fp. Estás a tirar uma licenciatura em Medicina Dentária, correcto? É para num futuro próximo tratares colegas teus com lesões a esse nível? Num aspecto mais sério, achas que há mais consciência perante as lesões (desde dentes a lesões musculares) por parte de jogadores e técnicos ou sentes algum “relaxamento” nesse ponto?

TA. Exactamente. Não existe propriamente relaxamento. Existe é uma vontade do jogador, e contra mim falo, de muitas vezes superar a dor e “passar por cima” da lesão que a longo prazo acaba por não ser benéfico.

fp. Uma questão “nuclear” a toda a tua carreira… porquê o rugby? O que te moveu para fazeres parte desta modalidade?

TA. Foi através do meu irmão. Comecei a vê-lo jogar desde que me lembro e quando cheguei aos 6 anos entrei.

fp. Quais são os teus sonhos, a nível pessoal, profissional e no rugby? Queres ser jogador profissional?

TA. Neste momento estou focado em continuar a representar o CDUL e a selecção da melhor maneira que conseguir e acabar o curso. Quando acabar o curso de vez, aí quero tentar outra vez uma experiência lá fora.

Lobo ao serviço | Seara Cardoso Fotografia
Lobo ao serviço | Seara Cardoso Fotografia

fp. Houve alguém que teve impacto no caminho que seguiste no rugby? Sentes que em Portugal há um “carinho” dos adeptos pelos jogadores?

TA. O meu irmão, os meus pais, o Gonçalo Foro, o Damian Steele. Acho que foram provavelmente as pessoas que mais influência tiveram em mim enquanto jogador. Acho que sim, é muito estimulante enquanto jogador ver que o nosso trabalho durante a semana é reconhecido pelas pessoas no fim-de-semana.


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