24 Mai, 2018

José Lima. “É sempre uma grande emoção jogar pelos Lobos”

Francisco IsaacJulho 7, 20178min0

José Lima. “É sempre uma grande emoção jogar pelos Lobos”

Francisco IsaacJulho 7, 20178min0

Formado no CR Évora e na AEIS Agronomia, internacional sub-18/20 e sénior por Portugal seja de XV ou 7’s, alinhou por alguns emblemas da 2ª divisão francesa (PROD2) e agora vai jogar no TOP14… falamos de José Lima, o centro dos Lobos, que aceitou conversar com o Fair Play numa entrevista exclusiva

fp. A temporada 2016/2017 mal acabou e já estás na rampa de lançamento para a nova época desportiva… expectante e excitado com o facto de poderes placar no TOP14 em 2017/2018?

JL. Parece-me pouco para qualificar o que estou a sentir com a possibilidade de me estrear no Top14. É algo que não dá para explicar.

fp. Foi um caminho árduo e complicado até aqui? Mudarias algum pormenor do caminho que percorreste ou tudo correu da forma como planeaste?

JL.Sim claro que foi, com altos e baixos, já lá vão uns bons anos de bastante trabalho e dedicação em busca deste objectivo. Talvez mudaria um erro que cometi quando saí do Narbonne.

fp. Placagem mais dura que fizeste na temporada passada? E qual foi o ensaio que te deu mais prazer marcar?

JL. Placagem mais dura talvez contra a Bélgica em Novembro. Ensaio, contra o Bourgoin no derby aqui da região.

fp. Estás totalmente adaptado à forma de viver francesa? Oyonnax é uma cidade acolhedora? E o rugby é importante na região?

JL. Sim completamente também as diferenças não são assim tantas comparativamente falando a Portugal. Sim bastante, o facto de ser uma cidade pequena também ajuda e por isso a loucura dos adeptos pela equipa é incrível.

José Limpa pelo Oyonnax (Foto: JRK)

fp. E em termos de selecção, foi uma época agridoce, que começou com boas vitórias ante a Bélgica e Brasil (amigáveis) e o Grand Slam no Trophy mas que não nos garantiu a subida de divisão. O que é que vão fazer para em 2018 estarmos na divisão “B” do Rugby europeu? Há possibilidades de sonhar mais alto?

JL. Agridoce? Não sei qual foi a parte doce. Acho que as pessoas não têm noção do quão grave é o que se está a passar com a seleção. Se continuarmos assim claramente que não.

fp. O que achas que podia mudar, em Portugal, em termos de espírito e comportamento perante o rugby? Sentes um crescimento exponencial das novas gerações?

JL. Seria mais fácil responder o que não seria preciso mudar. Sabes eu sou jogador e tentar dar sempre o meu melhor é essa a minha função por agora.

fp. Tu vais ser o 2º jogador português a pisar os relvados do TOP14, que tenha começado a carreira em Portugal. Achas que a seguir a ti vamos ter mais “Lobos” a jogar na primeira divisão francesa?

JL. Claro que sim, e espero muito sinceramente que aconteça pois seria muito importante para o rugby português.

fp. Vais continuar a representar a Selecção Nacional? As emoções e sentimento ainda é igual ao que foi na 1ª vez?

JL. Sempre que for possível, nunca deixei de vir jogar por Portugal não era agora nesta fase que ia deixar de acontecer. Para mim continuar a ser e é sempre uma grande emoção jogar pelos Lobos… sonhei com isso tantas vezes quando era miúdo.

fp. Exibição e jogo por Portugal que te recordes com mais orgulho? E trocavas a “Alcateia” para jogar pelos All Blacks?

JL. Talvez Portugal-Italia no mundial. Nem pelos All Blacks nem por outra selecção. Sou português não há nada que tenha mais orgulho que jogar por Portugal.

fp. E o que tens a dizer do CR Évora e a subida à Divisão de Honra? Gostavas de um dia voltar a usar a camisola do CRE?

JL. Acho que é sobretudo exemplo para a visibilidade do clube na cidade e no Alentejo. Claro que gostava, seria um momento de grande emoção.

1º título em França (Foto: Arquivo do Próprio)

fp. Achas que a Divisão de Honra é um campeonato interessante? Que jogadores (se há algum) podiam destacar-se na PROD2 ou em campeonato similares?

JL. Acho que o nível do campeonato reflete bem o estado do rugby português, está a nivelar-se por baixo, que é o pior que pode acontecer. Sim há jogadores com talento para isso mas não sei se há algum que esteja preparado física ou mentalmente para isso.

fp. Qual é a parte mais difícil em ser-se profissional de um desporto tão grande como o rugby? Achas que o tempo de descanso e férias é curto ou gostas de como estão montados os calendários?

JL. Acho que é a exigência a qual estamos sujeitos todos os dias e a competição que existe. Não me vou estar a queixar, faço o que mais gosto.

fp. Ainda sentes um carinho especial pela AIS Agronomia? Gostaste do (pouco) que viste esta época?

JL. Eu sou um apaixonado e o que sinto pela Agro é muito forte. Foram dois anos fantásticos, sem dúvida dos melhores da minha vida até hoje. Grande clube e grandes pessoas!

fp. O que esperas da temporada no Oyonnax a nível pessoal? E colectivo?

JL. Pessoal guardo para mim. Colectivo a manutenção no Top14 seria já algo extraordinário.

fp. Vai ser difícil permanecer no TOP14 ou vocês já têm os olhos postos em lugares mais cimeiros

JL. Somos mais que realistas: o objectivo é a manutenção.

fp. Qual é a impressão que os jogadores franceses têm dos portugueses?

JL. Respeitam a equipa de Sevens.

fp. Perguntas rápidas: falas melhor francês ou português?

JL. Português, se não a minha mãe matava-me.

fp. França, Inglaterra ou Escócia?

JL. Inglaterra.

fp. Camille Lopez ou François Trihn-Duc?

JL. Johny Wilkinson.

fp. Jogador português que melhor placa? E o que gostaste de mais ver jogar.

JL. Aguilar e Bifes.

fp. TOP14 ou Super Rugby?

JL. TOP14.

fp. Alentejo ou os Alpes?

JL. Alentejo.

fp. Uma placagem do Julian Bardy ou placar o Mike Tadjer?

JL. Placar o Mike claro

fp. All Blacks ou Wallabies?

JL. Wallabies.

fp. Se pudesses escolher uma equipa do Hemisfério Sul para jogar qual seria?

JL. Hurricanes para voltar a jogar com o Chris

fp. Com quem discutes mais rugby: o teu pai ou irmão?

JL. Não dá para discutir com eles.

fp. Um mensagem à comunidade portuguesa de rugby ,apoiantes e amigos?

JL. Aproveitem as férias e voltem cheios de vontade de voltar a meter o rugby português onde ele merece estar.

Por Portugal e pelos Lobos (Foto: Luís Cabelo Fotografia)


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