26 Mai, 2018

Jack Farrer. “Existe uma cultura de rugby positiva e saudável em Portugal”

Francisco IsaacJulho 26, 201715min0

Jack Farrer. “Existe uma cultura de rugby positiva e saudável em Portugal”

Francisco IsaacJulho 26, 201715min0

Chegou, viu e venceu… Jack Farrer devolveu os títulos Nacionais ao CDUL e já garantiu um início de legado que poderá não ficar por aqui. O treinador principal dos Universitários jogou e treinou na Austrália e vive o maior desafio da sua carreira. Uma entrevista em exclusivo do Fair Play

Jack, é o primeiro ano cá e conquistas o título da Divisão de Honra. Como foi possível?

JF. O CDUL é um clube  muito orgulhoso e ambicioso. O clube, os adeptos e os jogadores têm orgulho na história do CDUL e ambição de ganhar campeonatos e troféus no futuro. Toda a equipa sénior este ano  demonstrou vontade de trabalhar duro para  ter sucesso. Passámos muitos desafios este ano e o grupo de trabalho, os treinadores e a administração do clube responderam às adversidades que se foram colocando com tenacidade e determinação. A equipa sénior foi apoiada sempre pelos juniores que iam constantemente aos jogos e por isso demonstravam o futuro do CDUL. Tanto os nossos jogadores séniores quanto os nossos jogadores de formação estiveram à altura na fase final da época, o que nos permitiu ter 9 vitórias seguidas. 

Quando cá chegaste a tua equipa estava numa boa forma mental e física? Acreditavas que chegariam ao topo em Portugal?

JF. Sim, a equipa do CDUL estava em óptima forma física e mental. O Damian Steele era treinador da equipa sénior há já algumas épocas e desenvolveu um programa de rugby forte. Era claro que a equipa sénior tinha padrões muito rígidos em relação compromisso com os treinos, uma disciplina impressionante dentro e fora do campo e tinha uma visão clara do estilo e estrutura de jogo. Carlos Bernardo e Damian Steele desenvolveram um programa forte em termos de força e condicionamento físico e  Cabe continuou a desenvolver esse modelo esta época. O CDUL estava numa boa condição mental e física antes da época começar. 

Que achaste da competição? Gostaste do teu primeiro ano cá?

JF. A competição tem uma história conhecida entre os adeptos de todas as idades e o tribalismo que existe entre os clubes é saudável e necessário para criar paixão entre tanto jogadores como adeptos. O tribalismo é de uma natureza positiva e saudável, sendo que os jogadores são extremamente físicos em campo, com pouca consideração pelos seus corpos, mas assim que há o apito final o respeito e amizade entre jogadores, adeptos e administração é evidente. 

Porquê Portugal? O que te fez deixar a Austrália?

JF. Portugal é semelhante à Austrália de muitas maneiras. óptimo tempo, grandes praias, gente simpática e uma forte história e cultura em relação ao rugby. Lisboa tinha sido sempre uma cidade de interesse e Portugal um país de interesse. Mais importante que tudo foi o diálogo com o presidente do CDUL Lourenço Thomaz, que foi claro, honesto e muito transparente. Senti-me em casa mesmo antes de chegar a Portugal.

Jogaste rugby na Austrália? Se sim como é que tudo começou para ti?

JF. Comecei por jogar rugby  nos Narrabri Blue Boars nos sub 10’s. Joguei futebol antes de jogar rugby e joguei futebol e rugby simultaneamente até aos 15 anos. Dos 16 para a frente foi sempre rugby. 

A tua família foi importante para começares a jogar com a bola oval? Tinhas algum jogador ídolo quando eras mais novo?

JF. Sim, a família foi muito importante. Como muitos dos jogadores do CDUL  e de outros clubes portugueses, muitos membros da minha família também tinham jogado rugby. O meu tio Murray Watson e um amigo da família Jim Meppem introduziram-me no rugby e eu adorei a bolo oval desde o primeiro toque. 

Porque escolheste o Rugby union? Experimentaste AFL, NRL ou outros desportos?

JF. Gostei do rugby desde o primeiro contacto. A natureza livre do rugby, ser possível correr, passar, chutar, disputar o ruck e a bola era bastante cativante para um jovem rapaz. Joguei um pouco de rugby league na escola com amigos e gostei de o fazer, mas o jogo tinha muitas paragens e recomeços. AFL não era uma opção na minha área regional. Era rugby no inverno e críquete no verão. O sonho de qualquer rapaz. 

Uma aposta ganha! (Foto: CDUL)

Gostaste do tempo passado na Sidney University? Achas que em Portugal falta uma forte ligação entre clubes e universidades?

JF. O Sidney University Football Club é o meu clube. Tirei uma licenciatura em Gestão e Comércio na Sidney University enquanto jogava pelos Colts (Sub20) e joguei uns anos de rugby de formação antes de me lesionar seriamente no joelho. Tive sorte em ter grandes treinadores tanto nos Colts como a nível de formação e em jogar com grandes jogadores. O Sidney University Football Club foi uma grande plataforma para mim como estudante, jogador e pessoa. Deram-me também a oportunidade de integrar a equipa como treinador. Pelo que percebo a maior parte dos clubes em Portugal tem uma boa ligação com as universidades. Acredito que os clubes de rugby deveriam desenvolver e providenciar oportunidades de educação para jovens jogadores e jogadoras de rugby.

Tens esperança de entrar no Super Rugby um dia? é possível chegar a uma das equipas?

JF. Não tenho isso como objectivo neste momento. A vida e o rugby no CDUL e em Portugal de momento são muito recompensadoras. 

O rugby australiano está em baixo de momento… é só um pequeno contratempo ou algo mais sério?

JF. Esse é um tema que todo o mundo tem uma opinião. Todos temos direito à nossa opinião e essa é uma das belezas do rugby. Diferenças de opinião. Mas eu não vou acrescentar mais uma opinião para esta área de discussão. 

O que achas que falta aos jogadores portugueses? Há alguma coisa que achas inspirador neles?

JF. Os jogadores portugueses têm uma paixão tremenda e um grande compromisso para com os colegas de equipa  clubes. Uma grande vontade de aprender e desenvolver é também evidente, o que é necessário para desfrutar do treino. É fantástico ver um número de jogadores portugueses a ganhar experiência em  nações de topo no rugby e a trazer essa experiência para cá de forma a acrescentar valor e conhecimento nos seus clubes de origem. 

Gostaste da equipa nacional de rugby? E os Sub20’s e Sub18’s?

JF. A equipa nacional de rugby , os  sub20’s e os sub18’s tiveram todos sucessos nesta época. Todas estas equipas jogam com o mesmo nível de compromisso e paixão pelas cores nacionais. Tem sido óptimo ver todas estas vertentes nacionais e observar a contribuição e o desenvolvimento dos jogadores em todos estes grupos etários. 

O 1º título de Jack Farrer (Foto: Luís Cabelo Fotografia)

O que esperas alcançar em termos de objectivos em Portugal? Tens algumas ideias para aplicar por cá?

JF. Gostaria de trabalhar bastante com os jogadores, treinadores e gestores do CDUL de forma a conseguir campeonatos consecutivos. Não conseguimos isso há 20 anos e sei que há determinação e compromisso a nível do clube para conseguir isso.

 Perguntas rápidas. O melhor Wallaby nos últimos 20 anos?

JF. Tautai Kefu.

Matt Giteau ou Sterling Mortlock? E porquê?

JF. Joguei a centro por isso é uma pergunta difícil. São jogadores muito diferentes com diferentes qualidades. O Matt Giteau tem tem skills e trabalho de pés que eu só poderia ter em sonhos e o Sterling Mortlock tem linhas de corrida e técnica  de defesa de uma locomotiva. Admirei os dois enquanto jovem jogador.

Os melhores rivais: All Blacks ou Springboks?

JF. Pergunta parva [risos]

Rebels, Reds, Waratahs, Force ou Brumbies?

JF. Waratahs.

AFL ou NRL?

JF. AFL.

Quem é mais carismático: Gonçalo Foro ou Sebastião Villax?

JF. Gonçalo Madalena quando dança com o Gonçalo Foro e o Sebastião Villax.

O treinador do ano para a FPR (Foto: Luís Cabelo Fotografia)

ENGLISH VERSION | VERSÃO INGLESA

Jack… first year and you deliver it by conquering the Divisão de Honra title? How was it possible?

JF. CDUL is a very proud and ambitious Club. Supporters and players alike are proud of CDUL’s history and ambitious for Championships and silverware into the future. The entire senior playing squad was very committed to work hard this season and driven to succeed. We had many challenges this season and the playing group, management team and CDUL Board responded to differing adversity with tenacity and resolve. The senior squad was supported strongly by our junior’s that attended games consistently and showed CDUL’s future. Both our senior players and developing younger players rose to the occasion during the  final stage of the season to win 9 games straight.

When you got here was your team in a good mental and physical place? Did you believe they could get to the top in Portugal?

JF. Yes the CDUL squad was in great mental and physical condition. Damian Steele had been the CDUL senior squad coach for a number of seasons previously and had developed a very strong rugby program. It was clear the senior squad had strong standards around commitment to training, impressive discipline on and off the field and had clear vision of playing style and structure. Carlos Bernardo and Damian Steele had developed a strong strength and conditioning program for the rugby program and Cabe performance continued to develop that model this season. CDUL was in strong mental and physical condition prior to the season commencing.

What did you think about the competition? Did you like your first year here?

JF. The Competition has a proud history amongst supporters of all ages and the tribalism which exists between Clubs is healthy and necessary to create the strong passion amongst players and supporters alike. The tribalism is of a positive and healthy nature whereby players are extremely physical on the field with minimal regard for their bodies, but once the full time whistle is blown the respect and friendships amongst players, supporters and Board members is evident.

So why Portugal? What made you move from Australia?

JF. Portugal is similar to Australia in many ways. Great weather, lovely beaches, friendly people and strong history and culture in rugby. Lisbon had always been a city of interest and Portugal a country of interest. Most importantly dialogue with CDUL President Lourenso Thomaz.prior to arriving at CDUL was very clear, honest and transparent. I felt at home before arriving which is important.

You played rugby back there? And if yes where did it start for you?

JF. I started playing rugby for Narrabri Blue Boars in sub10’s. I played football prior to rugby and played football and rugby at the same time until I was 15. It was rugby from the age of 16.

Uma aposta ganha! (Foto: CDUL)

Was your family important for you to start playing with the oval ball? Did you have any role model player when you were young?

JF. Yes family was very important. Like many CDUL and Portuguese players many of my family members had played rugby in previous generations. My uncle Murray Watson and family friend Jim Meppem introduced me to rugby and I loved the Oval ball from the first touch.

Why you picked and stayed in Rugby Union? Did you try AFL, NRL or other sports?

JF. I loved rugby from the first touch of the ball. The free flowing nature of rugby, being able to run, pass, kick, ruck and compete for the ball at every contest was captivating for a young boy. I played some games of rugby league for school with friends and enjoyed playing with mates but the game was to stop and start. AFL was not an option within regional area I lived. It was rugby in the winter and cricket in the summer. Every young boys dream.

Did you like your time in Sydney Uni? Do you think Portugal lacks a good link and cooperation between rugby clubs and the Universities?

JF. Sydney University Football Club is my Club. I studied a Commerce Degree at Sydney University while playing Colts (u20) and then played a few years of Grade rugby prior to serious knee injury. I was fortunate to be coached by some great people and coaches in both Colts and Grade and train and play with some very impressive people and players. Sydney University Football Club provided a great platform for my development as a student, player and person. I was then fortunate to be provided an opportunity to coach at Sydney University. I understand the majority of rugby Clubs in Portugal have a positive link to Universities. I believe all rugby Clubs should continually develop and provide education opportunities to young aspiring men and women rugby players.

Do you aspire to get into Super Rugby someday? It’s possible to enter in one of the teams?

JF. I don’t aspire for that currently. Life and rugby at CDUL and Portugal is very rewarding at the moment. Challenging but rewarding.

Australian Rugby on a down moment… it’s just a minor setback or it’s something that will stay in the next years?

JF. That is a topic everyone has an opinion on. Everyone is entitled to their opinion and that is one of the beauty’s of rugby. The differences in opinion’s. I’m not going to add another opinion to that discussion area.

What do you think it lacks on Portuguese rugby players? And there’s anything you find inspiring in them?

JF. Portuguese rugby players have tremendous passion and commitment to their team mates and Club. A strong appetite to learn and develop is also evident which is always necessary to enjoy coaching. It is great to see a number of Portuguese players obtain playing and living experiences in top tier rugby playing nations and bring those experiences back to add value and knowledge to players within their Clubs.

Can Portuguese rugby get bigger, stronger and more attractive? What would you be your advice for it?

JF. Yes of course Portugal rugby can get bigger and stronger. A commitment to short, mid and long term strategic plans which is occurring will provide the foundations for Clubs, players and coaches to develop their skill sets.

Did you like the Portuguese national team? And what about our U20’s and U’18,?

JF. The Portuguese national team, u20’s and u18’s have all experienced success this season in respective competitions. All of these teams play with same level of passion and commitment to the national jersey. It has been great to be able to watch many national fixtures this season and observe both the contribution and development of players across all age group national representation.

O 1º título de Jack Farrer (Foto: Luís Cabelo Fotografia)

What are you hoping to achieve here in Portugal? Do you have any ideas to put to work here?

JF. I would like to work extremely hard with CDUL players, coaches and management team to achieve back to back Championships. We have not achieved that for over 20 years and I know the resolve and commitment within CDUL to achieve that goal will be significant.

Quick questions: best wallaby in the last 20 years?

JF. Toutai Kefu

Matt Giteau or Sterling Mortlock? And why?

JF. I played centre so that is a very difficult question. They are very  different players with differing impressive skill sets. Matt Giteau possess skills and footwork I could only dream of and Sterling Mortlock possess running lines and defensive skills of a road train. I looked up to both of them as a younger player.

Biggest rivals: All Blacks or Springboks?

JF. Silly question

Rebels, Reds, Waratahs, Force or Brumbies?

JF. Waratahs

AFL or NRL?

JF. AFL

Who’s more charismatic: Gonçalo Foro or Sebastião Villax?

JF. Goncalo Madaleno when dancing with Goncalo Foro and Sebastiao Villax

O treinador do ano para a FPR (Foto: Luís Cabelo Fotografia)


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