20 Set, 2017

Arquivo de World Surf League - Fair Play

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Palex FerreiraAbril 20, 20178min0

Vasco Ribeiro, nome que nenhum surfista desconhece, é um talentoso surfista da linha de Cascais e local da Praia da Poça. Desde muito novo, que se notou que dali iria sair um bom surfista, devido a raça com que surfa sempre e em qualquer tipo de condições de ondas (pequenas e grandes).

Costuma ser visto pelas melhores ondas portuguesas com regularidade, Ericeira, Carcavelos, na “sua” Praia da Poça, Costa de Caparica e Peniche.

Em termos de currículo, já foi Campeão Nacional em vários escalões (títulos juniores e Open) e Campeão Mundial Júnior, na Ericeira em 2014.

O surf de Vasco Ribeiro. [Foto: Ricardo Bravo]
 

Vasco Ribeiro é dono de um surf poderoso, e power house como os aussies (australianos) dizem, mesmo na pequenas ondas que estavam no #CaparicaPrimaveraSurfFest2017, Onde destruiu as ondas com notas altas, perdendo apenas para o campeão do Caparica Pro 2017 (Goni Zubizarreta – Colega de equipa da Semente Surfboards).

Vasco foi Vice Campeão desta etapa portuguesa do Circuito de Qualificação Mundial (WQS) da World Surf League (WSL). Esperemos vê-lo brevemente junto com os melhores do mundial, no principal circuito de surf, o WCT da  World Surf League, ou Dream Tour.

As suas pranchas Semente Surfboards. [Foto: Ricardo Bravo]
 

De forma a aproveitar a presença do Vasco Ribeiro pela Costa de Caparica, para competir no Caparica Primavera Surf Fest, o Fair Play marcou presença no evento e o campeão mundial júnior, Vasco Ribeiro, disponibilizou-se para nos dar esta entrevista exclusiva.

fp. Idade de surf, já alguém fazia surf na tua família quando começaste?

VR: Já faço surf há 12 anos e já o meu pai fazia surf.

fp.Como e onde começaste?

VR: Comecei na Praia da Poça (Estoril), com o meu pai

fp. Como é ter um treinador como o Tiago Pires e o Zé Seabra do teu lado, para o longo caminho que são os WQS, rumo ao principal escalão do surf mundial?

 VR: Claro esse é o objectivo.

Nota: Para quem não conhece estes dois surfistas e atuais treinadores do Vasco Ribeiro. Tiago Pires, conhecido por “SACA”, foi o primeiro surfista português a integrar a elite mundial, durante 7 anos. Ainda é considerado por muitos, como o melhor surfista português. O José “Zé” Seabra surfista da geração mais oldschool, ficou conhecido por surfar ondas grandes, entre outras performances enquanto surfista, e devido a essas performances numa das ondas na Ilha da Madeira, a surfada dos anos 90 nas Bruxas, foi refrão de uma música do cantor Ithaka Darin Pappas “Seabra is Mad!” (confira a música Aqui). A nosso ver um belo trio com vista a colocar o Vasco na elite mundial.

fp.Quando competes em Portugal sentes mais pressão, ou mais ficas mais confortável?

VR: Fico mais relaxado quando compito em Portugal. Nós (Surfistas Profissionais) viajamos muito pelo mundo fora em competição e quando há WQS (World Qualifying Series) em Portugal é sempre muito bom.

Rail na água. [Foto: Ricardo Bravo]
fp.O que achas das Prestações do Frederico Morais neste início de temporada WSL?

VR: Tem sido boa, ele ainda não passou muitos heats (baterias), mas tem sido bom. Ainda se está a adaptar, mas está a correr bem.

fp.Quem viaja contigo para as prova internacionais? Do que mais sentes falta durante o período de treinos e competições longe de casa? (foste pai há pouco tempo, e as saudades interferem no teu trabalho enquanto surfista profissional)

VR: Quem Costuma viajar comigo é o Tiago Pires e o Zé Seabra. Em relação à família, quando vou competir, vou a trabalho e uma coisa não interfere na outra, faz parte da profissão. Quando estou nas viagens é para trabalhar e é isso que eu faço.

fp.Como são os teus dias normais em Portugal?

VR: Treino de manhã no ginásio, almoço e surfo, ao final do dia aproveito para relaxar e estar em família.

fp.Qual a bateria que te ficou na memória até hoje, como a melhor?

VR: Apenas me marcam as piores (risos).

fp.Quando te sagraste campeão júnior mundial na Ericeira. Como foi, a seguir a esse grande feito, com as marcas?

VR: Estava na altura sem um patrocínio e foi muito bom para a minha carreira.

Fim de mais uma sessão. [Foto: Ricardo Bravo]
fp.O que achas do Crowd português? Deixam-te surfar livremente, ou cada vez que te vêem na água começam a falar contigo de forma a não conseguires estar focado no surf?

VR: Não! O Crowd deixa-me surfar à vontade e é normal que falem.Estamos todos dentro de água mas ninguém me chateia.

fp. Como é o teu quíver (tipos de pranchas que um surfista tem), e que medidas de pranchas mais gostas?

VR: Desde há muito tempo que uso Semente, são as pranchas que mais gosto de usar. O Nick Urichio (shaper da Semente) é o melhor shaper português e sinto-me muito confortável com as Semente.

fp.Quem foram os surfistas que te inspiraram na tua evolução?

VR: É o meu Pai, sem dúvida.

Vasco Ribeiro [Foto: Ricardo Bravo]
 

fp.Uma mensagem aos jovens surfistas, que pretendem atingir um lugar ao sol no surf mundial.

VR: Os “putos” que se divirtam muito na água e aproveitem ao máximo quando estão a surfar, e que todos se divirtam na água.

Obrigado ao Vasco e à Isabel Corte-Real pela disponibilidade no “meu quintal” para esta conversa de surfista para surfista. E votos de bom trabalho,  para que o Vasco entre em 2018 na Elite Mundial, bem como desejar boa sorte a toda a comitiva portuguesa do WQS.

Para quem quiser acompanhar o WQS World Surf League, sigam o link da etapa de Zarautz (Espanha) onde, desde de dia 19 de Abril, se inicia mais uma etapa deste longo Circuito WQS. Boa Sorte!!!

#Aloha

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Eduardo MenezesMarço 29, 20177min0

Vitória emocionante; rivalidades acirradas; rookie a despachar favoritos; tudo isso em apenas 1 etapa. O tour apenas começou, mas já demonstrou que não podemos perder nenhum minuto do surf da WSL. Agora, o que esperar no segundo evento? Muito mais…

O primeiro show, que deve continuar

Como prometido e previsto por nós, o ano da WSL começou em grande, já marcada pela emocionante conquista da primeira etapa pelo australiano Owen Wright. Após um ano de recuperação de uma grave lesão (concussão cerebral), que o impossibilitou de disputar o tour do ano passado, como também de simplesmente surfar.

Owen precisou “reaprender” a se por em pé numa prancha, dentro desse processo alguns duvidaram de sua volta, mas muitos fanáticos pela arte do surf e ouso dizer que 100% dos envolvidos no tour acreditavam e sabiam que o aussie voltaria a demonstrar seu talento ondas afora. Talvez uma vitória logo em sua volta, tenha sido inesperada, mas a emoção dessa vitória retratada pelo choro de Owen e de sua esposa ao abraçá-la juntamente com seu primogênito, é simplesmente impagável. Cenas que somente o desporto pode nos trazer.

A emoção que só o desporto proporciona [Foto: Corey Wilson]
 

A final em Gold Coast necessitava de um antagonista, este papel coube a Matt Wilkinson (AUS), que foi a surpresa do ano passado. Wilko iniciou 2017 de forma muito semelhante a 2016, com surf consistente em sua casa, vitórias a cada bateria e mais uma final. Promete novamente brigar pela coroa do surf e começar bem a perna australiana é fundamental.

Os australianos foram defrontados nas meias-finais, pelo atual campeão, John John Florence (HAW), e pelo sempre candidato ao bi campeonato, Gabriel Medina (BRA), – Wilkinson x Florence e Wright x Medina – . Demonstrando que os jovens campeões vieram, novamente, com sede de título e ser campeão pela 2ª vez é um objetivo, o qual podemos considerar plenamente atingível.

Se assim o podemos considerar, a velha guarda da elite foi representada por Kelly Slater (USA) e Joel Parkinson (AUS) nos quartos de final. Slater teve uma disputa épica, de novo, contra Medina decidindo a bateria na última onda, esperando a nota final e o vencedor do heat, já fora da água. O americano ainda questionou os juízes sobre uma possível interferência de Gabriel, o que não foi aceito pela comissão, mas essa atitude diz muito sobre o maior campeão de sempre, ele quer mais um título e vai brigar muito por isso. Já Parko foi parado pelo seu compatriota Matt Wilkinson numa bateria dominada pelo vice-campeão nas ondas de Snapper Rocks.

 

A juventude chegou e demonstrou para que veio. Connor O’Leary, rookie australiano, despachou ninguém menos que Julian Wilson (AUS) no round 3 e venceu o round 4, contra ninguém menos que Wright e Jordy Smith (ZAF), atual vice-campeão da WSL, indo diretamente para os quartos de final, onde encontrou novamente Wright que dessa vez não deu chances ao novato. (Nota: o round 4 não é eliminatório, o vencedor segue para os quartos de final, enquanto os outros 2 perdedores vão para uma repescagem – round 5).

Saiba quando e onde serão as 11 etapas do WCT 2017: Os 11 palcos do WCT 2017.

Frederico Morais, o representante português, iniciou muito bem seu primeiro ano de “prime time”, vencendo sua bateria na primeira ronda, desbancando Filipe Toledo (BRA) e Adrian Buchan (AUS), porém não conseguiu repetir seu feito e bater o mito Slater no round 3. Sendo eliminado, ficando em 13º colocado no evento e acumulando 1,750 pontos no ranking. Pode parecer ruim, mas avançar baterias, se acostumar com o tour e o nível de disputa é muito difícil, Kikas segue num bom rumo e ritmo para almejar melhores posições. A prestação do português é de se aplaudir, torcer e acreditar no seu power surf é um fato que os portugueses devem levar adiante.

#2 Drug Aware Margaret River Pro

Se emoção e altas disputas não faltaram na etapa de estréia, o segundo evento do ano promete seguir a mesma linha. Pois já se inicia com um heat alucinante, Kelly Slater x Mick Fanning (AUS) x Leonardo Fioravanti (ITA), com os primeiros 2 nomes somam-se 14 títulos mundiais, o que significa muito surf no pé, adicione a isso a participação do estreante Leo, italiano que em 2016 fez bonito em Margaret River, saindo de wildcard a 5º colocado.

Os principais nomes em Gold Coast devem avançar rounds e acirrar a disputa pelo t-shirt amarela. Owen já demonstrou que está totalmente recuperado, logo voltar a tirar 10 perfeitos aliados a vitórias em baterias e etapas não será tão difícil assim 2017, talento não falta a esse aussie que deseja ser igualmente campeão do mundo, como sua irmã Tyler Wright, detentora do título do WCT feminino.

 

Já seu compatriota, Matt Wilkinson repete seu bom início de ano, calando muitos que disseram que o ano passado seria uma doce exceção na carreira do irreverente surfista australiano. Briga novamente pelo título dessa etapa e pela liderança do ranking.

Conheça todos os rostos que disputarão o título de melhor surfista do mundo, na nossa galeria: Os 34 candidatos ao título da WSL 2017.

Medina, expoente do Brazilian Storm, parece ter aprendido a lição do anos anteriores e se quer ser campeão novamente, teria que arrancar o ano em melhor forma, e assim o fez em Snapper. Apesar de uma pequena lesão, Medina tem tudo, surf e estratégia, para chegar longe novamente na segunda etapa da perna australiana.

Florence parece não ter ficado sem foco ou com menos gana, após seu primeiro título. Pelo contrários, o havaiano chegou em 2017 ainda mais calmo e confiante em seu surf. Se em 2016 caiu no round 3, esse ano aparenta que vai chegar mais longe e quem sabe já começar a liderar o tour e ter de volta sua camisola (lycra) amarela.

A baixa do evento será o brasileiro Ítalo Ferreira, após se lesionar no free surf não poderá competir a segunda perna australiana. O rookie de 2015, iniciou muito bem 2017, mas essa lesão o tira de ação e esperamos que se recupere e volte logo.

Classificação 2017. [Imagem: WSL]
 

Se alguém precisa melhorar, leia-se ficar melhor colocado, para ganhar confiança e brigar pelo sonhado título, esse é Jordy Smith (ZAF), vice-campeão do WCT 2016, acumula 4,000 pontos, relativo ao 9º lugar em Gold Coast. E quem o conhece, tem a certeza que o gigante sul-africano chegará em Margaret River com muita gana para passar heats e subir na classificação.

Como sabemos, o surf sempre reserva o imprevisto a cada swell, os favoritos começaram bem e tem tudo para seguir assim. Mas nunca podemos declarar um vencedor por antecedência, por isso a única coisa de devemos fazer é não perder o segundo show do ano.

E que nesse espetáculo, tenhamos Kikas a demonstrar todo seu repertório da arte do surf. Para o português seria ideal avançar diretamente ao round 3, trazendo maior tranquilidade e confiança, dado que disputará uma vaga contra o atual rei da coroa do surf, John John Florence. Se ano passado, a vitória em cima do prodígio havaiano não veio, nem na última nota (faltou 0,01), que esse ano reserve uma melhor sorte a Frederico, pois surf, como já dissemos e gostamos de repetir, não lhe falta.

Não perca o CT #2 Drug Aware Margaret River Pro, com janela de disputas entre 29/03 e 09/04 e chamadas as 7:30 do horário local (00:30 de Portugal). Confira em direto no site da World Surf League ou pelo Facebook.

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Eduardo MenezesMarço 5, 20171min0

A World Surf League (WSL) tem início em Março e o FairPlay apresenta os 34 surfistas que disputarão a coroa de melhor do mundo.  John John Florence(HAW) defenderá seu título e Portugal está de volta a briga, com Frederico Morais.

Cada vez mais abrangente, o tour de 2017 contará com atletas de várias partes do globo. A Europa será bem representada por 4 atletas, enquanto o Brazillian Storm não perde sua força, com 9. Já os 3 Havaianos lutarão para manter o título em seu arquipélago; porém os 12 Aussies querem por novamente seu país no topo do pódio, do mesmo modo que Kelly Slater (USA), em sua possível última temporada, contará com a ajuda de 3 compatriotas e tentará levantar seu 12º para os Estados Unidos. Um Sul-africano e um nativo da Polinésia Francesa completam o mapa de candidatos ao título de 2017 da WSL.

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Palex FerreiraFevereiro 20, 20175min0

Do desporto marginal para a modalidade com alto poder de atração do público; de praias para “locais” ao conhecimento e reconhecimento mundial; do amadorismo às superestruturas e profissionalização. O surf português em destaque.

Dos primórdios à atualidade

Na década de 70 eram poucos os aventureiros que se lançavam às ondas em Portugal, provavelmente pouco mais que uma centena de surfistas, que deveriam ser a população de surf em Portugal, de então.

Hoje em contrapartida, milhares de surfistas, de todos os níveis, aproveitam essa modalidade em conjunto, desporto que tem vindo a ganhar notoriedade numa sociedade que se tornou fisicamente mais ativa.

Cresceram as escolas de surf, aumentou o número de atletas, praticantes e profissionais, podendo afirmar-se que o surf já é uma realidade em Portugal. Onde já existem estruturas que permitem um ensino desde tenras idades, pelas escolas de surf, que espalhadas pela costa portuguesa se dedicam umas melhores que outras, ao ensino do surf para todos que assim o pretendam.

Junto a isso temos a FPS (Federação Portuguesa de Surf), gerida pelo surfista da velha guarda, João Aranha, que tem vindo a desenvolver um excelente trabalho para que jovens se tornem os futuros surfistas da elite mundial, através dos centros de alto rendimento e de treinadores credenciados, com planos já bem definidos do ponto de vista técnico e físico, permitindo assim, uma rápida evolução.

O surf passou da marginalidade ao mainstream, em 2017 já é difícil encontrar alguém que não saiba o que é o surf, devido em grande parte ao mediatismo da onda da Nazaré, das performances em ondas mutantes dos bodyboarders, das linhas clássicas dos longboarders, entre muitas outras formas de se divertirem no mar, partilhadas pelas redes sociais.

De Portugal para a elite do mundo

Vasco Ribeiro, Tiago Saca Pires, Fredrerico Morais [Foto: José Sena Goulão]
 

Nos anos 2000, Portugal teve o caso de sucesso do percurso competitivo do surfista da Ericeira, Tiago Pires o “Prince of Portugal – como o comentador e ex-campeão mundial de 1989, Martin Potter o chamou – que com muita garra partiu rumo à entrada da elite mundial, o top 32 WSL (World Surf League), cuja presença se manteve por uns anos, com algumas críticas por parte de portugueses mais céticos face ao estilo do seu power surf.

Em 2017 Tiago Pires assume outro papel, o de ser mentor de um talento português, Vasco Ribeiro, surfista com inúmeros títulos nacionais e que irá atacar os circuitos de qualificação (WQS – World Qualifying Series) para tentar fazer companhia ao já seguro Frederico Morais, que em 2016 ganhou um lugar nos 32 melhores surfistas do mundo. Podemos concluir que para chegar à elite, deve ser considerado o power surf, domínio de tubos, e surf em ondas pesadas, que esta nova geração surfa sem receios. E falamos de surfistas, bodyboarders, e presumindo que brevemente longboarders se juntem à elite da categoria.

De desporto raiz à potencial de mercado

É o preço da evolução que estamos a atravessar. Os surfistas da década de 70 até com apenas um fato, que por vezes já estava roto de tanto uso e uma prancha para todas as condições conseguiam divertir-se o surf era mais puro, não havia a obrigação da competição e de obter resultados para o patrocinador. Hoje um groom (atleta novo) sub 12 já pode ter 3 ou 4 pranchas para cada tipo de ondas, fatos para inverno e verão entre outros artigos. Isto é mais um retrato da evolução de uma modalidade de nicho para abranger todos os seus simpatizantes, sendo agora mainstream de fácil acesso a todos.

O estado do surf é hoje um espaço de potencial enorme para marcas ganharem mais engagement (numa linguagem de puro marketing), de se aproximarem dos seus clientes numa versão mais cool, e claro que é muito mais rentável economicamente.

De facto, o Surf cresceu muito nos últimos anos, as empresas associadas ao surf multiplicaram-se – marcas de roupa, pranchas, fatos, lojas, e até tecnológicas (previsões de tempo, relógios com informação GPS, entre outras) – e usaram esse arranque da modalidade para se desenvolverem.

O progresso

A evolução foi lenta, demorou 30 anos ou mais, mas valeu a pena todo o esforço de todos os envolvidos (organizadores, surfistas, público, marcas etc), pois atualmente Portugal apresenta uma superestrutura que organiza vários eventos, nacionais, internacionais e uma etapa do circuito mundial em Peniche.

Portugal no centro das atenções do surf mundial. [Foto: Pedro Mestre]
 

Esse crescente número de provas internacionais, nacionais e regionais, junto com as características climatéricas que Portugal tem em relação à Europa, permitem concluir que este mercado pode representar um forte valor ao país, porque trabalha desporto, turismo, praia e uma modalidade da moda. Logo as previsões são bastante sorridentes, para todos os intervenientes.

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Eduardo MenezesFevereiro 17, 20171min0

Após 2016 cheio de emoções, com o retorno do título mundial ao Hawai, pelas mãos de John John Florence. A elite do surf mundial masculino prepara-se para mais um ano de grandes batalhas, reviravoltas, polémicas, emoções e altas ondas. As disputas iniciam-se no mês de Março, com a “perna” Australiana, passando por mais 7 países, inclusive Portugal, em 11 etapas que definirão o melhor surfista do mundo.

11 etapas, 8 países e apenas 1 sonho! Conheça os palcos do WCT 2017, da World Surf League – WSL:

 

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Eduardo MenezesDezembro 11, 20164min0

Chegou a hora da etapa mais esperada do ano, o Billabong Pipe Masters. Na mítica praia de Banzai Pipeline – Havaí, local onde costuma-se separar os grandes protagonistas da multidão do surf mundial.

A prova de Pipeline não perde sua importância no cenário do surf, mesmo com o campeão da World Surf League 2016 já definido. John John Florence (HAW) sagrou-se campeão mundial na etapa Portuguesa de Peniche, fazendo o título do WCT retornar ao Havaí, após 12 anos da vitória de Andy Irons em 2004.

Pipeline tem em seus tubos, tanto para direita como para esquerda, o poder de coroar apenas os grandes surfistas. Sendo assim, conquistar uma vitória nessas ondas Havaianas significa muito mais que 10,000 pontos no ranking, mas o respeito de dominar um dos maiores, mais perfeitos e temidos tubos do mundo.

Se, por um lado a briga pelo título 2016 está terminada, a guerra por uma das 22 vagas no WCT 2017 está mais que viva. Muitos surfistas, como Keanu Asing (HAW), Nat Young (USA), Wiggolly Dantas (BRA) e Miguel Pupo (BRA), por exemplo, entrarão para sua última batalha, sendo essa de vida ou morte. Estar até a 22º colocação significa ter o privilégio de surfar as 11 etapas de 2017, enquanto, estar para além dessa posição fará cada um desses atletas disputar o QS do ano que vem e tentar sua volta à elite.

Para além da emoção e importância na corrida por uma vaga do WCT 2017, o Billabong Pipe Master é o último evento do Vans Triple Crown, a Tríplice Coroa Havaiana. Competição composta por 3 etapas disputadas no Havaí, sendo elas dois eventos QS10,000, o Hawaiian Pro e o Vans World Cup.

Essa competição, paralela ao tour mundial, determinará o rei das ondas Havaianas, sendo o Português Frederico Morais o atual líder, com a soma de 16,000, após 2 segundas colocações nas etapas do QS. Kikas é seguido de perto por Florence e Jordy Smith (ZAF), vencedores do Hawaiian Pro e do Vans World Cup, respectivamente.

Confira a classificação da Tríplice Coroa Havaiana 2016.

Tendo em conta a importância da última etapa do tour, para a cena do surf mundial, além do que está em disputa. O Fairplay separou 11 fatos a saber sobre o Billabong Pipe Masters:

1 – Adriano de Souza (BRA) é o atual campeão de Pipe Masters, além de ser o campeão mundial de 2015;

2 – Andy Irons foi o último local a vencer essa etapa, no ano de 2006;

3 – Nenhum goofy footer ganhou em Pipeline nos últimos 15 anos, última vitória foi de Rob Machado (USA);

4 – São os possíveis nomes das meias-finais e favoritos ao título do Pipe Masters 2016 : John John Florence (HAW), Kelly Slater (USA), Jordy Smith (ZAF) e Gabriel Medina (BRA);

Backdoor e Pipeline [Imagem: WSL]
5 – A onda tubular que quebra para a direita chama-se Backdoor, enquanto a que vai para a esquerda é nomeada de Pipeline;

6 – É o número de nacionalidades que venceram em Pipeline, sendo vitórias do Havaí (16), da Austrália (16), Estados Unidos (10), África do Sul (1), França (1) e Brasil (1);

7 – Kelly Slater é o maior vencedor, sendo campeão 7x nos tubos Havaianos (1992, 1994, 1995, 1996, 1999, 2008 e 2013);

8 – Frederico Morais será o representante Português na etapa de 2016 e briga pelo título da Tríplice Coroa Havaiana;

9 – É a última prova do ano e definirá os 22 surfistas que terão acesso ao WCT 2017;

10 – Apesar de mágica, é a mais temida, sendo umas das mais mortíferas do mundo, senão há mais;

11 – É a 11ª do tour e tem janela de competição entre 08/12 e 20/12, com chamadas diárias as 7:30 do horário local, 17:30 no horário de Portugal.

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Eduardo MenezesNovembro 25, 20163min0

Após a 2º colocação no Hawaiian Pro 2016, penúltima etapa do WQS do ano, o surfista Português, Frederico Morais, está a uma etapa de ser o mais novo Português a desbravar a elite do surf Mundial.

A final do Hawaiian Pro 2016, para além de Frederico Morais, contou com a presença de John John Florence (HAW), Marc Lacomare (FRA) e Adrian Buchan (AUS), sendo que Frederico empatou com Florence, 15.66 no somatório, mas perdeu o título por não ter a maior nota da bateria, primeiro critério desempate. O título bateu na trave por mais de uma vez, pois o surfista de Cascais precisava de 7.34 para virar a bateria final, porém obteve a nota 7.33 em suas duas últimas ondas.

Melhores momentos do último dia de competição do Hawaiian Pro 2016.

A soma de 8,000 pontos, na classificação do WQS do Havai, fez com que Kikas assumisse o 10ª lugar na corrida de acesso ao WCT de 2016. Posição que lhe garante na elite em 2016 e o consagra como o segundo atleta lusitano a estar presente no tour mundial, após o desbravador Tiago Saca Pires.

Classificação do WQS 2016 [Imagem: WSL]
Classificação do WQS 2016 [Imagem: WSL]
 

Ranking completo do WQS.

Infelizmente ou felizmente ainda resta uma última etapa, o Vans World Cup WS 10,000, também pertencente a Tríplice Coroa Havaiana e ao circuito de acesso, evento que confere ao vencedor a pontuação máxima de 10 mil pontos.

Resta a Frederico desempenhar, novamente, um grande papel na ondas mágicas do Havaí e manter-se, no mínimo, em sua posição de número 10. Para tal, algumas previsões dizem que a soma de 2,000 pontos, 17º lugar ou um avanço até o round 4, seria o suficiente para Kikas subir de divisão.

Vasco Ribeiro (PRT) em ação no Hawaiian Pro 2016. Fechou sua participação na 17ª posição. [Imagem: Faceebok | Vasco Ribeiro)
Vasco Ribeiro (PRT) em ação no Hawaiian Pro 2016. Fechou sua participação na 17ª posição. [Imagem: Facebook | Vasco Ribeiro)
 

A diferença de 0.01 é de se lamentar, porém não há tempo para tal. A próxima etapa do WQS tem janela entre 25/11 e 06/12. A Vans World Cup definirá 10 surfistas que estarão no tour de elite em 2016 e Federico Morais apresenta chances reais de cravar um lugar onde, até hoje, somente Saca esteve.

No próximo evento, Kikas terá ao seu lado outro surfista Português, Vasco Ribeiro, que chegou ao round 4, 17ª colocação, na primeira era da Tríplice Coroa Havaiana. Uma ajuda de Vasco, com eliminações de concorrentes de Frederico, será com certeza uma ajuda muito bem vinda.

Entenda como funciona a classificação para a elite do WCT.

Vale lembrar que Frederico Morais já disputou uma final do Vans World Cup, no ano de 2013.

Agora é torcer pelos atletas portugueses! E que as ondas Havaianas os levem para mais uma descoberta: o tour do WCT 2017.

Fique esperto:

Principais concorrentes da elite, que ainda não garantiram sua vaga pelo WCT: Jadson Andre (BRA) e Jack Freestone (AUS).

Concorrentes do WQS: Thomas Hermes (BRA), Jesse Mendes (BRA), Evan Geiselman (USA) e Ezekiel Lau (HAW).

Acompanhe a competição em direto, no site da World Surf League.

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Eduardo MenezesNovembro 17, 201614min0

Por que determinados desportos pertencem ao programa olímpico e outros não? A resposta a esta questão acaba por ser muito mais complexa e com diversos pontos de vista, desde histórico passando pelo político, chegando ao lado comercial, este último que iremos explorar.

“Eu acho que o surf é uma forma de arte e expressão pessoal. A bandeira olímpica não se encaixa muito bem no nosso desporto”. Owen Wright, surfista professional para a Reuters.

Em destaque temos duas modalidades desportivas radicais, que para muitos é mais do que um desporto ou atividade física, e sim um estilo de vida, um modo de expressão, uma comunidade, algo muito além da prática desportiva. Por isso, o surf e skate oficializados, em agosto/2016, como integrantes do programa olímpico Tokyo 2020, causam expectativas e discussões sobre ser ou não ser olímpico.

“Skateboarding não é um “desporto” e nós não queremos que o skateboarding seja explorado e transformado para se enquadrar no programa Olímpico.” diz uma petição online endereçada a Thomas Bach, presidente do COI. A petição já alcançou 7 mil assinaturas, das 10 mil inicialmente previstas.

O que está em jogo

O Comitê Olímpico Internacional (COI), em seus estudos de mercado e audiência dos eventos olímpicos, constatou que os Jogos Olímpicos (JO) vem perdendo espaço junto ao público mais jovem.  Os levantamentos apontaram que os jovens não tem sido a maior audiência em provas nobres, como o atletismo. Além disso, a média de idade da audiência dos Jogos vem aumentando, de 46,9 anos de idade em Pequim (2008) para 48,2 em Londres (2012). Os números do Rio 2016 ainda não foram divulgados, mas dado a tendência, essa méda não irá se distanciar dos valores das duas últimas edições, podendo até aumentar.

Novo emblema de Tokyo 2020 simboliza unidade na diversidade
Novo emblema de Tokyo 2020 simboliza unidade na diversidade

A perda de apelo junto público jovem, ultrapassa a esfera de disseminação da prática desportiva ou do tão falado legado dos Jogos OlímpicosA ótica comercial deve ser analisada mais profundamente, sendo talvez, esta a razão da busca por um público mais jovem.

Perder público jovem, pode significar uma menor longevidade do sucesso dos JO e perda de patrocínios direta e indiretamente. Pois, de forma sucinta, a lógica do patrocínio é atingir seu público-alvo, aumentar sua notoriedade, disseminar sua mensagem e conseqüentemente elevar suas receitas e valor de marca.

Como uma marca posicionada para um público jovem terá interesse em patrocinar um evento exposto para uma faixa etária acima de 48 anos? Ela não atingirá seu target, logo não irá investir nesse canal e conseqüentemente os Jogos Olímpicos perdem sua força financeira ou seu potencial de venda, dado que restringe-se a um grupo de consumidores com idade mais avançada.

O mesmo se aplica aos direitos televisivos, a grande fatia de faturamento dos JO. Os valores surreais pagos para se ter o direito de transmissão são obtidos através de receitas com venda de publicidade durante o evento, em seus intervalos, pelas emissoras de TV. E novamente, se restringir ao cluster de espectadores, restringe-se as marcas que tencionariam pagar pelo espaço ou tempo de anúncio, ou seja, menos clientes, menos concorrência, preços mais baixos…chegando a desvalorização do produto “Jogos Olímpicos”.

Então, como solucionar esse problema, atingir, conseguir mais público e jovens, leia-se mais receitas diretas e indiretas, e como alargar os “grupos” de espectadores dos JO? Como fazer o produto Jogos Olímpicos mais atraente aos seus consumidores (sponsors e broadcasting), entregando a esses o produto (target de clientes) pretendido? E ao mesmo tempo, não mudar o posicionamento dos JO, de não ser apenas uma competição comercial, com objetivo de lucro acima do desporto. Enfim, não mudar a essência dos Jogos Olímpicos.

Skatista brasileiro, Luan Oliveira, em ação no Street League [Foto: Street League]
Skatista brasileiro, Luan Oliveira, em ação no Street League [Foto: Street League]
 

A inteligente resposta do COI está pautada em tendências de consumo do mercado e alteração de seu produto, os JO em si.

Com a aposta em canais digitais, pela primeira vez, o COI em 2016 investiu e investe mais na Internet do que na transmissão de TV. Redes como a NBC contrataram alguns dos “astros” da web, com seguidores acumulados de 120 milhões de pessoas, para comentar e transmitir os determinados desportos, por exemplo. Os Jogos Olímpicos atingem esses consumidores que estão sempre conectados, que buscam conteúdo e os escolhem. Visualizam quando podem e querem, saindo do formato: clientes buscam o produto onde estão a venda, para produtos buscam clientes onde esses costumam comprar.

Outra estratégia é uma aproximação a cultura do país sede, com inclusão de desportos populares a esta região, no caso de Tokyo 2020 serão Baseball e Karate.

E claro, apostam em desportos mais relacionados ao jovem, tanto em seu conceito, nos seus praticantes e/ou adeptos. Sendo o surf e o skate, os nomeados para esse desenvolvimento e aproximação do público jovem aos JO. Fortalecendo a marca JO junto a esse grupo de cliente e consumidores, consequentemente entregando um produto mais valioso as marcas e sponsors.

Numa lógica de empresa e mercado consumidor, os Jogos Olímpicos são uma enorme empresa com diversos produtos, sendo que o desporto é sua principal gama de produtos, onde cada desporto pertence a uma linha. Alguns mais rentáveis que outros, com targets e objetivos diferentes, dessa forma o departamento de novos produtos do COI desenvolve estratégias para conseguir atingir sua meta e obter sucesso.

O salão de automóveis do COI

Para elucidar, podemos fazer um parelelo com feiras e salões de automóveis.

O COI ou o organizador do salão de Frankfurt necessitam dos melhores expositores, que atraiam públicos diversos, que fortaleçam seu produto (evento) e este possa ser vendido para a media e mais variados sponsors, com um maior valor agregado.

O salão necessita de montadoras de veículos tradicionais e também inovadores, que “falam” com o público que ama carro desportivo, como também aquelas voltados a carros híbridos ou ecologicamente eficientes. Os JO precisam das lutas, do clássico atletismo, do radical BMX, do popular futebol, entre outros desportos com diferentes “tipos” de adeptos e simpatizantes.

Outro paralelo pode ser feito com o futebol, imagine a “empresa” FIFA perder seu principal produto, a disputa de um campeonato das melhores seleções do globo a cada 4 anos, para uma empresa concorrente. Qual “estrago” seria feito em sua receitas, no seu poder de negociação com os patrocinadores e países sedes, é difícil de mensurar porém fácil de perceber o enfraquecimento de seu produto.

Federações

As Federerações de um determinado desporto, ou um empresa e seu produto, apresentam interesse em divulgar, expandir, dar a conhecer àquelas que ainda não o consomem, “alimentar” os atuais consumidores e torná-los fiéis as suas marcas.

Ao analisar por essa perspectiva é muito fácil entender o porquê muitos desportos querem ser Olímpicos. A modalidade desportiva é um produto e os Jogos são a maior feira de exposição, o qual estará por cerca de 25 dias no noticiário mundial. Imagina que ao invés de desporto, estivessemos, novamente, falando sobre carros, todas as montadoras querem apresentar seu produto no salão de automóvel de Frankfurt – ALE, por exemplo.

E de forma cíclica, um evento fortalecido seja esse uma competição desportiva ou uma feira de negócios, atrai e retém os melhores expositores, pois esses sabem que ali estarão no centro do mundo.

As Federações e Organizações de atletas, nesse caso Surf e Skate, querem estar no maior evento desportivo do mundo, apresentar seu produto, expandir sua marca, atingir mais consumidores e praticantes. Estar no foco do mundo mediatico e desportivo, ao invés de ser esquecido durante o período dos JO, quando tudo e todos estão voltados para recordes olímpicos, disputas de finais das mais diversas modalidades olímpicas.

Além disso, sabem que para o evento, seu produto surf e skate é uma mais valia. Porque supre uma necessidade do organizador. Entregam  um público e marcas jovens, radicais e descontraídas. Uma lacuna que o COI gostaria de preencher rapidamente, podemos ver uma negociação em que os dois lados ganham.

Atletas

Ao atleta cabe se expor, vencer e colocar seu nome no ponto mais alto tanto do pódio, quanto nas mentes dos patrocinadores, media e adeptos. E isso faz, de novo, a roda do mercado girar, as marcas a apontar as lentes sobre esses atletas, os procurarem para investimentos e divulgação de suas marcas e produtos. Um evento fortalecido, com os melhores de cada modalidade, transforma uma vitória ainda maior e uma exposição diretamente proporcional ao feito desportivo.

Frederico Morais: possível esperança de medalha Olímpica. {Foto: Carlos Pinto]
Frederico Morais: possível esperança de medalha Olímpica. {Foto: Carlos Pinto]

Essa exposição dos atletas é muito mais válida para aqueles que ainda não contam com expressivas receitas de patrocinadores, que buscam um lugar ao sol. Assim, poderão ser conhecido por um público novo, fora da comunidade de seu desporto e quem sabe, viver daquilo que ama fazer.

Marcas e patrocinadores

Devido a acordos, e muito dinheiro, a utilização e exposição das marcas que não são patrocinadoras dos JO é muito restrita e controlada pelo COI. As marcas e patrocinadores dos atletas, federações ou delegações desses desportos deverão fazer sua lição de casa, explorar a exposição dos JO sem cruzar a linha do ilegal ou transparecer uma forma aproveitadora.

As marcas de skate, surf e empresas apoiantes dessas modalidades ganharão com os Jogos, porém terão que trabalhar muito bem. Trabalhar as redes sociais, eventos próximos, entradas em novos mercados e muito ao entorno dos Jogos poderã ser estratégias de sucesso.  Ou associar-se, de forma sutil, as grandes marcas do desporto, para entrar no negócio JO e tirar um maior provento, sem quebrar as regras.

Desportos radicais e seu porém

Voltando ao Surf e ao Skate, essas modalidades se enquadram no exposto acima, numa lógica de mercado, produto e consumidores. Desportos que atraem um público jovem consumidor, aquilo que o COI busca para fortalecer seu evento. As marcas e sponsors recebem indiretamente um maior público-alvo ou para determinadas empresas o “seu” target de mercado, novamente uma mais valia para COI e sponsors. Já surfistas, skatistas e respectivas Federações ganham maior exposição de seu nome e desporto, tendo maior poder de negociação sobre seus patrocinadores, além de alargar seu público de fãs.

Porém, sim sempre há de existir um porém,  qual o custo de ser olímpico?

Skateboarding mais que um desporto
Skateboarding mais que um desporto

Os desportos radicais são um estilo de vida, que vai muito além da simples prática desportiva. Essa massificação tende para a perda dessa singularidade do surf e skate, nichos e comunidades se alargam e muito do posicionamento da marca (nesse caso o desporto) pode se enfraquecer e até se perder.

Nesse caso, a comunidade deverá se movimentar para zelar por esse estilo e posicionamento, como já o fazem. As marcas deverão criar linhas diferenciadas para os “raízes” e os “modinhas”, adaptar sua comunicação e não deixar que o posicionamento dessas modalidades seja perdido.

As competições deverão se “alinhar” ao padrão olímpico, e claro muito da essência desses desportos se perderão. Como roupas ousadas no skate, a falta de “regras”, o formato aberto das competições e com aspecto “não profissional”, a torcida pela manobra perfeita mais que pela vitória, entre outros detalhes. Mas nada que já não tenha ocorrido, em partes, tanto no surf nas competições organizadas pela World Surf League (WSL) ou no X-Games e Street League, no caso do skate.

A tarefa de manter ambiente desportivo, diferenciado nessas duas modalidades, será dos atletas. Os protagonistas do show, só estes podem mudar uma competição na sua totalidade, se se portarem a jogadores de futebol ou lutadores de boxe, o desporto mudará e a culpa não será dos Jogos Olímpicos.

A vida ou o mundo de negócios são feitos de trade-offs, nunca é possível ter algo, sem abrir mão de outro. Escolhas e decisões são tomadas, se escolhermos viajar a Tóquio em 2020 para assistir ao maior evento desportivo do mundo, não poderemos ao mesmo tempo estar em uma praia no Brasil. Skate e surf ao escolherem a popularização e expansão, não podem ser o nicho ou a comunidade que era anteriormente, se escolheram participar dos JO terão de se enquadrar as “leis” do COI. É outro conceito do mercado, novamente, a avançar sobre ser ou não Olímpico.

Uma evolução necessária

Haters, estilos conservadores e comunidades fechadas existem e sempre existirão, cabe a todos conviverem com a nova lógica de mercado e serem tolerantes aos “modinhas” ou entusiastas das modalidades. Surfistas e skatistas de raíz sabem e vivem seu desporto com muita paixão e com certeza não deixarão que a alma desses desportos seja perdida, sendo essas modalidades olímpicas ou não.

Os JO vêm a agregar ao desporto radical, colocam o surf e skate sob a lupa da indústria, das marcas e patrocinadores. Mais dinheiro, maior desenvolvimento em diversos âmbitos; mais popularidade, maior a chance de revelar novos talentos além do crescente número de eventos no mundo.

A evolução e crescimento de modalidades desportivas demoram tempo a ocorrer. A participação nos JO é um combustível  e acelerador dessa evolução, mesmo que ocorra danos ao “meio-ambiente”. Sendo de resposabilidade de todos COI, Federações, Atletas e comunidade controlar essa poluição, pois a evolução e expansão se faz necessária.

Apesar de parecer uma estratégia acertada do COI e das Federações, o risco é intrínseco ao mercado, e somente o tempo poderá nos mostrar se foi um produto bem sucedido ou não.

O mundo do surf e skate está dividido, com opiniões contra e a favor. Deixe aqui seu comentário e partilhe sua opinião com o Fair Play.

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Eduardo MenezesSetembro 23, 20167min0

Após muita polémica no Hurley Pro at Trestles 2016, etapa disputada pelo WCT masculino, o surf da World Surf League chega a ondas Europeias. Disputas em Portugal e França, pelo WCT Masculino e Feminino, além de um QS 10,000 acontecem entre setembro e outubro.

A WSL tem sua primeira escala em Portugal, na praia de Carcavelos, Cascais. A praia Portuguesa será palco das etapas Cascais Women’s Pro e do QS Billabong Pro Cascais, com janela de competições entre 24/09 a 02/10. E Portugal pode ser o palco de um título inédito no mundo do surf profissional.

Cascais Women’s Pro

Cascais Women's Pro 2016 [Imagem: WSL]
Cascais Women’s Pro 2016 [Imagem: WSL]
 

A prova feminina pertence ao tour das melhores surfistas do mundo, atualmente liderado pela Australiana Tyler Wright (53.450). Após ser campeã da última etapa em Trestles na Califórnia, o Swatch Women’s Pro, a Aussie, vencedora de 4 etapas em 2016 e a 5º colocada do tour 2015, tentará manter sua liderança e confirmar-se como principal indicada ao título de 2016.

Em sua perseguição está a Americana Courtney Conlongue (46.200), que defende seu título em águas lusas, e pode alcançar o primeiro posto do tour já nesta etapa e assim apimentar ainda mais a disputa.

Carissa Moore (HAW) é outra candidata a ser melhor surfista de 2016. Com 42.500 pontos, a Hawaina 3º colocada no ranking, pode ficar muito próxima da Aussie caso some os 10.000 pontos da etapa em Cascais. Por fora, correm a outra Havaina Tatiana Weston-Webb (38.450), vencedora da etapa Americana, Vans US Open of Surfing 2016 e Stephanie Gilmore (AUS), 5º colocada (37.300) e vice-campeã da última etapa do WCT Feminino.

A Portuguesa Teresa Bonvalot está na bateria 3, do round 1.  A jovem surfista local, campeã Européia Júnior 2016 da WSL, enfrenta a atual líder do campeonato, Tyler Wright, e Bianca Buitendag (ZAF), 12º do ranking, por uma vaga no próximo round. Um heat muito difícil, mas com os adeptos Portugueses ao seu lado, uma ótima surpresa poderá acontecer.

Women's Championship Tour Jeep Leader 2016 [Imagem: WSL]
Women’s Championship Tour Jeep Leader 2016 [Imagem: WSL]
 

Tyler pode já sagrar-se campeã do tour 2016,caso vença a etapa de Cascais e Courtney Conlogue fique em 5º ou abaixo na classificação da etapa Portuguesa. Fique atento e não perca, quem sabe, a conquista do inédito título mundial para a Australiana.

Tanto a etapa feminina quanto o QS masculino, têm janela de competições entre 24/09 e 02/10 e serão realizados na Praia de Carcavelos, com chamadas às 7:30,  horário local. Dependendo das condições do mar, os eventos podem ser realizados na praia do Guincho, Cascais.

A importância do Billabong Pro Cascais by Allianz.

A elite do surf mundial masculina é composta por 34 atletas, sendo que 32 surfistas se classificam pelo ranking do WCT ou pelo Qualifying Series (QS). Os 22 primeiros do WCT garantem sua vaga para todas as etapas do ano seguinte, igualmente aos 10 primeiros da divisão de acesso. Sendo que fica a cargo da comissão da WSL escolher mais 2 surfistas para serem wildcards da época, que correrão todas as etapas do tour principal, mesmo que não tenham conseguido a classificação. Normalmente são surfistas do CT, que por motivo de lesões no ano, foram impedidos de competir e, consequentemente, se garantir no tour. Por fim, para completar cada etapa são escolhidos mais 2 wildcards, podendo ser através de convites, normalmente atletas locais, ou via trials.

Billabong Pro Cascais 2016 [Imagem: WSL]
Billabong Pro Cascais 2016 [Imagem: WSL]
 

Porém diferente de outros desportos, como o glorioso futebol, os atletas da, digamos, da 1º divisão podem participar de eventos da divisão de acesso, e assim, terem possibilidades de conquistar uma vaga pelo QS, caso não estejam entre os 22 do tour principal. Com a época chegando a sua reta final, muitos surfistas da elite precisam se garantir somando pontos pela divisão de acesso.

Para além disso, as etapas do Qualifying Series se diferem a nível de pontuação e premiação. O número a frente da sigla QS identifica o máximo de pontuação em jogo, o Billabong Pro Cascais é um QS 10,000, dando assim ao vencedor 10.000 pontos na corrida para o acesso a elite do surf. Aplica-se a mesma lógica para os QS 1,000, QS1,500, QS3,000 e QS6,000. A etapa Azores Airlines, um QS 6,000, realizada no mês de Setembro na ilha de São Miguel, rendeu 6 mil pontos ao Brasileiro Ian Gouveia.

Saiba como ficou o Azores Airlines 2016.

Logo, é possível ver o nível de importância das etapas Lusas para a definição do próximo ano, sobretudo o QS Cascais, uma vez que haverá somente mais dois QS 10,000, que ocorrem no Hawai, válidos pela Tríplice Coroa Hawaiana, juntamente com a etapa de Pipeline válida pelo WCT.

Um ótimo aquecimento para o tão esperado Ripcurl Pro Portugal,  de 18/10 a 29/10, na praia de Supertubos em Peniche.

Com tudo isso, pode-se esperar grandes disputas e atletas da elite em Cascais. Com 16 surfistas do WCT, além de muitos Portugueses, não faltará emoção na disputa para uma vaga no tour de 2017.

Atletas do WCT no Billabong Pro Cascais: Jadson Andre (BRA), Adam Melling (AUS), Alex Ribeiro (BRA), Alejo Muniz (BRA), Stuart Kenedy (AUS), Sebastian Zietz (HAW), Miguel Pupo (BRA), Keanu Asing (HAW), Italio Ferreira (BRA), Caio Ibelli (BRA), Dusty Payne (HAW), Matt Banting (AUS), Jack Fresstone (AUS), Davey Chatels (AUS), Jeremy Flores (FRA), Kanoa Igarashi (USA).

Surfistas locais: Nic von Rupp, Frederico Morais, Vasco Ribeiro, Tomas Fernandes, Pedro Henrique, José Ferreira e Marlon Lipke.

Menções honrosas a: Aritz Aranburu (ESP), Mason Ho (HAW) e Ricardo Christie (NZL) nomes conhecidos do tour principal da WSL; Leonardo Fioravanti (ITA) 5º lugar em Margaret River; Tanner Gudauskas (USA) e Brett Simpsom (USA) 3º e 5º colocados em Trestles, respectivamente.

Confira a classificação do QS masculino.

Confira a matéria, no site da WSL, sobre a corrida para a elite (Em inglês).

Em tempo:

WCT: Jordy Smith sagrou-se campeão da última etapa do Samsung Galaxy Championship Tour 2016, na Califórnia e entrou na briga pela disputa do título mundial, assumindo o 4º posto com 35.200 pontos a 3 etapas do fim. Classificação WCT.

Dedo do técnico: Glenn Hall, surfista reformado do tour em 2015, é técnico de Tyler Wright e Matt Wilkinson e pode ser campeão 2x esse ano. Wilko é terceiro colocado no WCT.

Talento em família: o apelido não é mera coincidência, Tyler é irmã de Owen Wright atleta do tour profissional masculino, 5º em 2015, afastado dessa época após uma grave queda em Pipeline, num free surf antes da etapa de dez/2015, onde lesionou-se, tendo uma concussão cerebral, após um traumatismo craniano, que limitou movimentos e equilíbrio. Owen voltou a surfar apenas 7 meses depois de muita luta e trabalho de recuperação.


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