23 Nov, 2017

Arquivo de Vasco Ribeiro - Fair Play

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Francisco IsaacMaio 21, 201713min0

2016. Portugal diz adeus à divisão “B” das Seis Nações europeias e ao Circuito Mundial de 7’s, após uma performance desastrosa em ambos os cenários. Situamos o leitor nesse ano nefasto para o rugby português, que deu a sua maior queda no século XXI em termos competitivos.

Portugal é um país com uma comunidade algo “fechada” e reduzida quando comparada com o andebol, hóquei e, sem comparação possível, futebol. A variedade imensa de clubes em Lisboa (incluindo Cascais, são mais de seis equipas no principal escalão nacional em dez formações ao todo), não tem sido acompanhada nas regiões quer do Algarve, Centro ou Norte, o que criou sempre alguns problemas tanto em termos de relacionamento como de exequibilidade da modalidade e dos planos estratégicos que falharam ano após ano.

Se o leitor nunca acompanhou ou não tem noção do número de atletas que compõem o panorama geral do rugby nacional, será um exagero dizer que existem cerca de 4000 jogadores envolvidos nos diferentes escalões, desde a formação mais básica até ao nível veterano. Há que somar a isto os treinadores, dirigentes, consultores técnicos e, mais importante de todos, os simpatizantes que tentam agraciar os seus clubes com a presença quer nas bancadas ou treinos.

Foto: Luís Cabelo Fotografia

O rugby é uma modalidade amadora em Portugal, com alguns atletas a gozarem de um estatuto semi-profissional ou profissional (normalmente atletas sul-africanos, australianos ou neozelandeses). Por isso, 99,5% são atletas portugueses que prescindem de seis horas de treino de campo mais 5-8 horas de ginásio por semana, sem contar com os dias de jogo.

Todavia, os números diminutos nunca impediram o rugby português de sonhar alto e tentar atingir patamares inesquecíveis como foi o apuramento para o Mundial de rugby em 2007, o único da nossa história.

Ninguém se esquece, de forma alguma, da forma como os Lobos (alcunha dada aos jogadores seniores da Selecção Nacional, a alcateia do rugby) cantaram e sentiram o hino em terras gaulesas… ainda hoje são imagens que subsistem quer no adepto familiarizado com a modalidade, quer no que pouco a conhece mas apanhou o pormenor no telejornal ou em outro espaço noticioso.

Esse momento foi há dez anos, muito aconteceu desde lá para cá, vários seleccionadores e dirigentes passaram pela Federação Portuguesa de Rugby, os clubes perderam capacidade financeira e manobra estratégica, os problemas agudizaram e o desinvestimento nas estruturas da modalidade foi “assustador”.

Foi a maior placagem que o rugby português levou, e ainda estamos para ver uma reacção total da comunidade a essa mossa física e psicológica.

Foto: Filipe Monte Fotografia

2017 marcou o ano de “ressurreição” do Rugby Nacional, com a selecção de XV a manter uma invencibilidade invejável (não perde desde Maio de 2016), tendo conseguido o GrandSlam na divisão “C” da Europa sob a batuta de Martim Aguiar. Muitos poderão dizer que foi o “mínimo exigível a uma selecção que já andou a lutar pelo título na divisão acima contra a Geórgia e Roménia”, esquecendo-se dos problemas financeiros e económicos que retiraram poder de “fogo” à federação e aos clubes. Para além disso, foi necessário reerguer o espírito e a moral dos jogadores que de todos foram os menos culpados pela descida de divisão em 2016, mas não deixaram de ser os que sofreram mais com essa situação.

Com pouco investimento, financiamento e sem grande possibilidade de convencer novos sponsors, o rugby nacional teve de ir ao seu âmago e reconstruir todo um projecto que permitisse a Portugal voltar a lutar pela subida de divisão e, mais importante, que apresentasse uma equipa competitiva.

Para quem desconhece por completo a realidade do rugby europeu, tem de saber que existe o nível máximo onde estão Inglaterra, País de Gales, Escócia, Irlanda, França e Itália (as tão famosas Seis Nações, um circuito fechado e que não aceita, para já, mudanças à sua estrutura), seguindo-se as várias outras Seis Nações mas secundárias, terciárias e consecutivamente. Geórgia, Roménia, Rússia e Espanha foram sempre os adversários de Portugal nos últimos 20 anos na luta pelo título das Seis Nações “B” (os Lobos conquistaram-no pela última vez em 2004 com Tomaz Morais ao leme) naquilo que é chamado de Tier2 do rugby mundial (exemplo dos AllBlacks serem Tier1).

Foto: Luís Cabelo Fotografia

Contudo, agora surgiram outras adversárias que poucos acreditavam que viriam a ter grande interesse pela modalidade: Alemanha, Bélgica ou Holanda. Os dois primeiros estão na divisão “B” e têm aumentado o investimento na modalidade ano após ano, com projectos estratégicos que vão tão longe como 2030, com ideias totais para transformar o rugby numa modalidade séria e atraente.

Pode ser algo estranho ou descabido avançar com esta frase, mas quando A Alemanha se mete em algo é porque sabe do potencial e rendimentos que pode retirar. O rugby é assim uma das novas bandeiras do desporto alemão, com o objectivo solene de chegar a um Mundial da especialidade, seja em 2019 ou 2023.

E como é que o vão conseguir?

Investindo por um lado na formação de jogadores, criando academias, escolas e clubes que potenciem os jovens atletas alemães, assim como recrutando atletas cujos pais ou avós são alemães, garantindo assim já um acrescento potencializado para a sua selecção. A explicação que damos é um resumo de um resumo de uma introdução de projecto, mas o necessário para perceber que a Alemanha está num frenesim com o rugby e, por exemplo, o CEO da Capri Sun (refrigerantes e sumos) investiu 30M€ como sponsor não só da Alemanha mas como do Heidelberg, um dos clubes principais da germânia.

Por isso, num país com dez milhões de pessoas, em que só 0,05% da população é que efectivamente joga rugby, o que se pode fazer ou esperar? Numa palavra só: juntar.

Foto: Miguel Rodrigues Fotografia

Juntarem-se os clubes nacionais e formalizar um plano estratégico sério, completo, e que não só defenda os interesses de cada um mas de todos. Juntarem-se os parceiros mais leais à Federação Portuguesa de Rugby e reestruturarem o que necessita de ser reestruturado, apostar numa viragem para o futuro (até este momento só a comunicação da FPR e alguns treinadores nacionais, incluindo alguns dos escalões de formação das selecções, estão virados para tal) desligando-se dos padrões doentios que continuam a ser transversais a qualquer direcção federativa (não tirando os méritos dos últimos três presidentes, houve males inerentes a cada uma das suas administrações que são muito complicados de justificar). Juntarem-se os jogadores que compõem todos os clubes e perceberem que dependerá sempre da sua boa vontade e trabalho o crescimento e aumento de rendimento, quer dos campeonatos nacionais como das selecções nacionais.

Mais uma vez, para quem desconhece estes factores e soluções, e que poderá parecer algo tão transversal a qualquer modalidade, o rugby deveria ser um exemplo “líder” neste campo, uma vez que tem uma comunidade mais pequena mas mais “concentrada”, altamente interessada na modalidade.

Para já, os grandes passos dados têm sido nas formações nacionais, que nos últimos 5 anos têm conquistado bons lugares em diferentes torneios e competições, com destaque para a conquista do Campeonato da Europa de sub-20 (2017), o 3º lugar no Europeu de sub-18 (2016) e a vitória frente à Escócia (2015), entre outros pontos dignos de assinalar.

Existem definitivamente boas gerações a “explodir” ou a “crescer” no seio do rugby português, como é evidenciando pela constante domínio dos mais “novos” nas formações como AIS Agronomia, CDUL, CDUP, Académica de Coimbra, GDS Cascais, entre outros tantos. Se no futebol ficámos a conhecer atletas como José Gomes ou Diogo Dalot desde quase do berço, então fiquem a saber que no rugby também há atletas com potencial para conquistar as fronteiras fora de Portugal, casos de Vasco Ribeiro, David Wallis, Diogo Hasse Ferreira (o 1º jogador português a jogar na principal divisão de rugby inglesa, totalmente formado em Portugal, no GDS Cascais) ou Manuel Picão.

Portugal tem uma variedade de jogadores a prestar provas além-fronteiras, caso de José Lima (campeão da 2ª divisão de rugby francesa e promoção para uma das melhores ligas mundiais), Pedro Bettencourt, Francisco Vieira, Samuel Marques, Aurelien Beco ou João Lourenço (e muitos mais) que têm aguçado uma “fome” estrangeira pelo melhor que se faz por cá ou lá, já que alguns destes jogadores nasceram em França mas nunca renegaram o seu “amor” pela bandeira portuguesa.

Foto: Luís Cabelo Fotografia

No futebol houve um destes casos (de sucesso) muito recentemente… Raphael Guerreiro, um jogador de enorme calibre que facilmente se podia ter perdido para a selecção francesa, mas a tempo se “salvou” e vestiu a camisola de Portugal. O rugby português até começou primeiro com este tipo de “movimentos”, e em 2007 a inclusão de David Penalva ou André Silva (ambos nascidos ou criados em França) foi importante para a selecção atingir o Mundial na altura.

Por isso, conjugar estes elementos todos, recuperar a “amizade” e familiaridade que tínhamos com a comunidade luso-francesa (que ainda desconfia de Portugal após alguns incidentes nos últimos anos), dar lugar e explorar os novos “diamantes” portugueses (no sentido positivo), encontrar um ponto de convergência entre clubes e federação (algo nunca atingível muito por culpa de ambas as partes que só se interessaram nos seus próprios planos e em agradar aos lobbies que gerem as suas estruturas) e finalmente atacar com pés, troncos e cabeça os objectivos básicos, intermediários e avançados que se põem até 2030.

Se o leitor perguntasse aos mais dedicados e sérios técnicos/dirigentes do rugby Nacional “O que é preciso ser feito primeiro? Ou para onde temos de canalizar o investimento e possível reformulação?”, acreditamos que a resposta seria: “Para os escalões de formação, actividades de captação de jovens e construção de uma cultura de rugby sustentável.” Em suma, a primeira preocupação deverá ser estimular as escolas das regiões fora de Lisboa a se interessarem pelo rugby através do projecto Tag Rugby ou Get Into Rugby, aumentando assim o número de atletas quer das escolas (Portugal necessita de começar a rever competições intra-desportivas a nível nacional) quer dos clubes.

Com um aumento significativo dos números de praticantes, os clubes passam a ter mais “vida”, mais “correria” e mais peso nas cidades/vilas onde estão assentes. O que pode forçar um investimento (ou pelo menos agilizar certos processos de cedência de campos e infra-estruturas para a modalidade, ou até na ajuda a candidaturas a investimento desportivo) nesses clubes e no solidificar dos números de atletas. A partir daqui a evolução e crescimento competitivo dos campeonatos nacionais de sub-14, 16, 18 serão ainda maiores, e fornecerão mais jogadores às selecções nacionais.

Um seleccionador nacional que só consiga ter um grupo de 20 jogadores de boa qualidade e os restantes dez de médio/baixo nível, nunca conseguirá ter uma forte equipa que resista às competições internacionais. Porém, se o mesmo técnico tiver 50 atletas em excelente forma, competentes tecnicamente, com um desenvolvimento mental mais avançado que o “comum” praticante, já a realidade poderá ser muito diferente e mais ambiciosa.

Foto: José Vergueiro Fotografia

E para os atletas que ficarem de fora das selecções de formação? Seria interessante que se adicionasse uma competição extra, conjugando com o Campeonato Nacional e Taça de Portugal, mas algo diferente das duas, algo como seleções regionais que misturem os atletas de diferentes clubes e imprimam uma forma de estar tão colectiva e de integração que “parta” com barreiras de “inimigos” e os ponha em patamar (o espírito do rugby nacional por vezes cai nos exageros das clubites agudas, perpetuadas pela nossa cultura futebolística, que dita a nossa forma de estar).

Este é um plano tão normal e redutor para qualquer modalidade que pode parecer a quem está a ler este artigo, que o rugby português está num “ano zero”. Não está, mas continua a ter pormenores e “costelas” ainda da sua fase embrionária que nunca foi realmente desenvolvida, ou que não se deixou desenvolver por interesses privados ou disputas territoriais.

Mas é aqui que mora a grande questão, uma vez que as maiores preocupações das últimas duas direcções federativas foram a “revolução” total dos campeonatos nacionais de seniores, preocupando-se mais com a “copa da árvore do que ir directamente à raiz”. Portugal não pode cair no elitismo desportivo, de seleccionar um par de equipas para lutarem pelo campeonato Nacional e deixar as outras entregues a uma luta de simples manutenção ou descida de divisão.

Ao contrário do que se passa no futebol, o rugby em Portugal sempre teve dificuldades em ser aceite por todas as comunidades, muito pelo seu excessivo elitismo (algo que existe na maioria das equipas nacionais) e pela forma de estar tão anárquica que acarreta profundos problemas de coexistência com a realidade actual. O futebol nisso soube sempre ser um desporto de massas, de aceitar qualquer um (possuindo mesmo assim problemas raciais e xenófobos que têm a ver mais com a cultura comum de cada nação do que com a modalidade) e de todos poderem “chutar uma bola de futebol”.

Portugal jogará no dia 20 de Maio em Bruxelas frente à Bélgica, pela promoção à divisão “B” das Seis Nações europeias, um passo fundamental para o crescimento e renovação da imagem da selecção nacional. Não obstante a esta data, é fundamental que os clubes aproveitem as suas camadas de formação, para agora darem um salto qualitativo que ficou sempre muito aquém dos objectivos traçados pelas direcções, quer dessas mesmas instituições, quer da própria Federação.

O presente artigo foi realizado no âmbito da parceria que o Fair Play estabeleceu com o Sapo24, e a sua publicação original pode ser consultada aqui.

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Palex FerreiraAbril 20, 20178min0

Vasco Ribeiro, nome que nenhum surfista desconhece, é um talentoso surfista da linha de Cascais e local da Praia da Poça. Desde muito novo, que se notou que dali iria sair um bom surfista, devido a raça com que surfa sempre e em qualquer tipo de condições de ondas (pequenas e grandes).

Costuma ser visto pelas melhores ondas portuguesas com regularidade, Ericeira, Carcavelos, na “sua” Praia da Poça, Costa de Caparica e Peniche.

Em termos de currículo, já foi Campeão Nacional em vários escalões (títulos juniores e Open) e Campeão Mundial Júnior, na Ericeira em 2014.

O surf de Vasco Ribeiro. [Foto: Ricardo Bravo]
 

Vasco Ribeiro é dono de um surf poderoso, e power house como os aussies (australianos) dizem, mesmo na pequenas ondas que estavam no #CaparicaPrimaveraSurfFest2017, Onde destruiu as ondas com notas altas, perdendo apenas para o campeão do Caparica Pro 2017 (Goni Zubizarreta – Colega de equipa da Semente Surfboards).

Vasco foi Vice Campeão desta etapa portuguesa do Circuito de Qualificação Mundial (WQS) da World Surf League (WSL). Esperemos vê-lo brevemente junto com os melhores do mundial, no principal circuito de surf, o WCT da  World Surf League, ou Dream Tour.

As suas pranchas Semente Surfboards. [Foto: Ricardo Bravo]
 

De forma a aproveitar a presença do Vasco Ribeiro pela Costa de Caparica, para competir no Caparica Primavera Surf Fest, o Fair Play marcou presença no evento e o campeão mundial júnior, Vasco Ribeiro, disponibilizou-se para nos dar esta entrevista exclusiva.

fp. Idade de surf, já alguém fazia surf na tua família quando começaste?

VR: Já faço surf há 12 anos e já o meu pai fazia surf.

fp.Como e onde começaste?

VR: Comecei na Praia da Poça (Estoril), com o meu pai

fp. Como é ter um treinador como o Tiago Pires e o Zé Seabra do teu lado, para o longo caminho que são os WQS, rumo ao principal escalão do surf mundial?

 VR: Claro esse é o objectivo.

Nota: Para quem não conhece estes dois surfistas e atuais treinadores do Vasco Ribeiro. Tiago Pires, conhecido por “SACA”, foi o primeiro surfista português a integrar a elite mundial, durante 7 anos. Ainda é considerado por muitos, como o melhor surfista português. O José “Zé” Seabra surfista da geração mais oldschool, ficou conhecido por surfar ondas grandes, entre outras performances enquanto surfista, e devido a essas performances numa das ondas na Ilha da Madeira, a surfada dos anos 90 nas Bruxas, foi refrão de uma música do cantor Ithaka Darin Pappas “Seabra is Mad!” (confira a música Aqui). A nosso ver um belo trio com vista a colocar o Vasco na elite mundial.

fp.Quando competes em Portugal sentes mais pressão, ou mais ficas mais confortável?

VR: Fico mais relaxado quando compito em Portugal. Nós (Surfistas Profissionais) viajamos muito pelo mundo fora em competição e quando há WQS (World Qualifying Series) em Portugal é sempre muito bom.

Rail na água. [Foto: Ricardo Bravo]
fp.O que achas das Prestações do Frederico Morais neste início de temporada WSL?

VR: Tem sido boa, ele ainda não passou muitos heats (baterias), mas tem sido bom. Ainda se está a adaptar, mas está a correr bem.

fp.Quem viaja contigo para as prova internacionais? Do que mais sentes falta durante o período de treinos e competições longe de casa? (foste pai há pouco tempo, e as saudades interferem no teu trabalho enquanto surfista profissional)

VR: Quem Costuma viajar comigo é o Tiago Pires e o Zé Seabra. Em relação à família, quando vou competir, vou a trabalho e uma coisa não interfere na outra, faz parte da profissão. Quando estou nas viagens é para trabalhar e é isso que eu faço.

fp.Como são os teus dias normais em Portugal?

VR: Treino de manhã no ginásio, almoço e surfo, ao final do dia aproveito para relaxar e estar em família.

fp.Qual a bateria que te ficou na memória até hoje, como a melhor?

VR: Apenas me marcam as piores (risos).

fp.Quando te sagraste campeão júnior mundial na Ericeira. Como foi, a seguir a esse grande feito, com as marcas?

VR: Estava na altura sem um patrocínio e foi muito bom para a minha carreira.

Fim de mais uma sessão. [Foto: Ricardo Bravo]
fp.O que achas do Crowd português? Deixam-te surfar livremente, ou cada vez que te vêem na água começam a falar contigo de forma a não conseguires estar focado no surf?

VR: Não! O Crowd deixa-me surfar à vontade e é normal que falem.Estamos todos dentro de água mas ninguém me chateia.

fp. Como é o teu quíver (tipos de pranchas que um surfista tem), e que medidas de pranchas mais gostas?

VR: Desde há muito tempo que uso Semente, são as pranchas que mais gosto de usar. O Nick Urichio (shaper da Semente) é o melhor shaper português e sinto-me muito confortável com as Semente.

fp.Quem foram os surfistas que te inspiraram na tua evolução?

VR: É o meu Pai, sem dúvida.

Vasco Ribeiro [Foto: Ricardo Bravo]
 

fp.Uma mensagem aos jovens surfistas, que pretendem atingir um lugar ao sol no surf mundial.

VR: Os “putos” que se divirtam muito na água e aproveitem ao máximo quando estão a surfar, e que todos se divirtam na água.

Obrigado ao Vasco e à Isabel Corte-Real pela disponibilidade no “meu quintal” para esta conversa de surfista para surfista. E votos de bom trabalho,  para que o Vasco entre em 2018 na Elite Mundial, bem como desejar boa sorte a toda a comitiva portuguesa do WQS.

Para quem quiser acompanhar o WQS World Surf League, sigam o link da etapa de Zarautz (Espanha) onde, desde de dia 19 de Abril, se inicia mais uma etapa deste longo Circuito WQS. Boa Sorte!!!

#Aloha

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Francisco IsaacMarço 27, 20178min0

Esta é a bola rápida, rubrica dedicada ao acompanhamento das seleçcões de sub-20 e 18 de rugby de Portugal. Os Lobos sub-20 ultrapassaram a Holanda com categoria, apesar de alguns “sufocos” iniciais. Uma revisão ao jogo e comentário final do seleccionador Nacional, Luís Pissarra

Vitória por 42-05 de Portugal frente à Holanda, na estreia dos lusos no Campeonato da Europa Sub-20, em Bucareste (Roménia).

Entre a (muita) chuva e o frio, o jogo de “quartos-de-final” (cada equipa tem três jogos, disputados em fase de eliminatória) foi “difícil” de jogar nos primeiros 20 minutos, muito pelo início a “frio” dos Lobos sub-20.

Numa análise rápida (ao jeito de uma bola rápida) vamos discutir os pontos positivos e negativos do jogo de estreia de Portugal.

Os pontos escolhidos são avaliados com uma pontuação de negativa (max. de -1) a um máximo (7 pontos = “ensaio com conversão”) que no final vai do 00 ao 20.

PLACAR E METER A ANDAR PARA TRÁS – 7 PONTOS

Um capítulo que, por vezes, “minou” alguns jogos a Portugal: a placagem. Seja nos séniores ou na formação, o pormenor de atacar o adversário com bola e impedir a sua progressão é algo que nos falta em certos momentos fulcrais do jogo.

Felizmente, no jogo com a Holanda tudo correu bem nesse aspecto, com os jovens portugueses a armar boas placagens (nem sempre baixas) que tinham um 2º apoio dinâmico.

Melhor que tudo era ver Vasco Ribeiro, Duarte Costa e Campos, Jorge Abecassis a dar às pernas (ou seja, não deixavam de trabalhar após de aplicarem o contacto no adversário) o pondo os seus adversários a andar para trás e, até, perderem a bola no contacto.

Houve um momento em que a defesa (comunicação excelente, destaque para Azevedo neste ponto) sofreu com maior pressão holandesa à passagem dos 18 minutos.

Todavia, comunicação, postura e técnica de contacto permitiram não só os holandeses ficarem fora dos últimos cinco metros como recuperarem a bola num avant.

Será fundamental que a postura, vontade e agressividade se mantenham assim para o jogo com a Roménia nas meias-finais.

Foto: FRR.RO

ARRISCAR E COMBINAR À MANEIRA LUSA- 5 PONTOS

O ensaio de José Luís Cabral (15′) resultou numa aposta de Jorge Abecassis em transmitir a bola no limiar da placagem ao centro do Direito que resultou num ensaio de bom recorte.

Normalmente, a aposta seria para meter a bola fora após a conquista de bola no alinhamento, já que se jogava dentro dos 40 metros defensivos… garantir a defesa primeiro, seria quase que uma ordem.

Só que quando há flexibilidade de ancas e rins rápidos, é permitido arriscar desta forma já que podem significar (e significou) em ensaio de Portugal.

Jorge Abecassis não esteve num dia totalmente feliz (já iremos a esse ponto) e as linhas atrasadas estiveram perras em certos momentos que obrigavam a terem velocidade de mãos e aceleração na corrida.

Todavia, o abertura em três ou quatro momentos “X” potenciou esse lado de termos criação de jogo e movimentação rápida, que será outro ponto fundamental (e já vamos em dois) para o jogo seguinte… lentidão e demasiado tempo para pensar vai resultar em estagnação e, possivelmente, perda de bolas no contacto ou no chão.

APOIAR EIS A QUESTÃO- 4 PONTOS

Não há dúvidas que sem um apoio efectivo, claro e rápido não há equipa que consiga manter a oval sob seu controle, podendo “estragar” a sua boa performance na linha de vantagem por uma perda no ruck.

Portugal só esteve bem neste capítulo a espaços, já que consentiu 7 turnovers no chão que foram resultado de um apoio ora lento ora longe do portador da bola.

Raramente vimos ligações do apoio com o jogador que carregava a bola (algo normal nas selecções de topo ou que lá querem chegar) o que pode tirar alguma expressão no conquistar de metros.

É bastante importante que Portugal não se deixe apanhar nos rucks, não sofra penalidades por prisão de bola ou que não veja um turnover ser transformado numa jogada rápida de ataque e de ensaio iminente.

A Holanda retirou bem a oval (aos 46′ por exemplo) do ruck mas depois tinha dificuldades em sair rápido a jogar ou querer mesmo fazer a oval girar.

Estes erros poderão ser pela falta de equilíbrio e ligação dos jogadores, (relembramos que não tiveram tantos treinos como o desejado) mas é provável que seja um acontecimento  de primeiro jogo e que será resolvido já para as meias-finais.

PORMENORES A RESOLVER- -1 PONTOS

Nem todas as boas exibições (e este jogo com a Holanda não passou dessa categoria) estão isentas de erros (como já demonstrámos no ponto anterior) ou de críticas em certos pontos.

Veja-se os pontapés directos para fora de Jorge Abecassis (três) que colocaram alguma pressão na defesa portuguesa, a passividade de Duarte Azevedo na saída do ruck (duas bolas largadas para trás resultado da bola estar molhada e falta de concentração) ou as falhas nos alinhamentos (má introdução por duas vezes e duas perdas quando montavam o maul.

Os pontapés podem custar metros, a passividade pode resultar em turnover por bola perdida (e gerar ocasiões de ensaio para o adversário) e as combinações deficitárias podem retirar oportunidades de marcar pontos.

Portugal tem rugby na “guelra”, gosta de jogar rugby (Vasco Ribeiro tem um erro de passe na 1ª parte quando transmite a bola sem olhar, imaginando que estaria alguém naquela zona: erro de passe, leitura ou de comunicação?) e pode causar danos nos seus adversários.

São situações que aconteceram com a Holanda mas não podem surgir nos jogos seguinte se queremos chegar à final e lutar pelo lugar no World Trophy.

NOTA FINAL – 15 PONTOS

ASPECTOS POSITIVOS: Vitória fácil, capacidade de conquistar metros, boa luta no contacto do portador da bola, possibilidade de arriscar, formações ordenadas no ponto e defesa apurada com placagens e apoio de qualidade;

ASPECTOS NEGATIVOS: Alguma passividade ofensiva, falta de algum apoio no contacto, não limpeza rápida no ruck, falhas em algumas combinações de ataque;

PORTUGAL: 1 – João Melo; 2 – Nuno Mascarenhas; 3 – Afonso Carreira; 4 – Rebelo de Andrade; 5 – Manuel Picão; 6 – João Granate (5); 7 – David Wallis (5); 8 – Duarte Campos (5); 9 – Duarte Azevedo; 10 – Jorge Abecassis (5,3,3,3,2,2,2,2); 11 – António Vidinha; 12 – José Luís Cabral (5); 13 – Vasco Ribeiro; 14 – Castelo Branco; 15 – Cardoso Pinto
Suplentes: José Sarmento, Sousa Nardi, José Pimentel, Fezas Vital, Manuel Peleteiro, Martim Cardoso, Pedro Silva, Rodrigo Freudenthal, Francisco Campos, Gonçalo Santos e José Sarmento.

PRÓXIMO JOGO: Roménia – 29 de Fevereiro às 15:00 (Portugal)

RESCALDO DO JOGO POR LUÍS PISSARRA (SELECCIONADOR NACIONAL DE SUB-20)

Faltava este primeiro jogo para que a equipa se encontrasse? Satisfeito com os 42 pontos marcados e só 5 sofridos?

LP. A nossa equipa veio para este torneio sem nenhum teste de jogo real. Fizemos 2 treinos com os sub18, muito úteis e importantes, mas não trazem a mesma preparação que um jogo internacional (só para dar conhecimento a Holanda jogou com a Polónia e Alemanha nos últimos 2 meses). Como tal, este grupo ainda não tinha uma prova de fogo para saber o seu real valor! Mais importante que a diferença de pontos considero que a forma como aniquilamos o bem organizado ataque da Holanda, com a nossa estrutura e agressividade defensiva, é que tem relevo.

Como vamos pôr dificuldades na Roménia/Bélgica? É a formação ordenada um ponto importante nesse jogo da meia-final? A

LP. Roménia joga em casa, com algum estímulo externo, e tem um poder físico diferente da Holanda! A estrutura defensiva/ofensiva da Holanda é mais evoluída mas a capacidade física dos jogadores romenos é impressionante e é a sua maior arma juntamente com o jogo ao pé do número 10. A FO da nossa equipa foi dominadora tal como a da Roménia no confronto com a Bélgica, creio que vai ser um ponto a testar as 2 equipas e que pode trazer uma ligeira vantagem psicológica. Para nos o mais importante vai ser a nossa capacidade defensiva/espírito de sacrifício e evitar bolas da Roménia nos nossos 22m.

Foto: FRR.RO

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Francisco IsaacDezembro 15, 201611min0

No “reino” da Tapada, mora uma nova geração de jogadores de qualidade. Vasco Ribeiro, centro da Selecção Nacional, chegou aos Sevens World Series com apenas 17/18 anos. Como, quais foram os sacrifícios e qual é a sua vontade diária de trabalhar? Uma entrevista do Fair Play

fpVasco Ribeiro, um dos atletas mais jovens de sempre a marcar presença nos World Series… o que é sentiste na altura quando foste chamado aos treinos pela primeira vez?

VR: Antes de mais muito obrigado. A primeira vez que fui chamado para os treinos de sevens foi no fim de época de 2014/15, depois do Junior World Trophy. Foi uma grande alegria, pois iria ter hipótese de treinar com todos aqueles jogadores que, desde pequeno, admiro e vejo jogar na televisão contra os melhores do mundo.

fpComo foi o teu processo de crescimento até este ponto? Houve alguém importante na  tua aprendizagem?

VR: Comecei a jogar na Agronomia, nos sub-8, onde aprendi o que era o rugby e ganhei o gosto ao desporto. Com o passar do tempo, fui sendo integrado nas selecções regionais e depois nacionais.

Fui tendo hipótese de ser testado contra os melhores, a nível nacional e internacional, e não há dúvida que é contra os melhores que se aprende e a jogar num nível superior que se evolui.

Grande parte do meu desenvolvimento deve-se a todos os treinadores que tive na Agronomia e na Selecção, (felizmente foram muitos), cada um à sua maneira, tiveram um papel muito importante. Acho que todas as pessoas que conheci no rugby me ajudaram, de certo modo, e todas as amizades que criei foram importantíssimas.

Não posso deixar de referir que, muito devo aos meus pais que estão sempre a apoiar-me e não deixam que me falte nada. 

A irmandade Lusa (Foto: Luís Cabelo Fotografia)

fpFazes parte de uma geração que está a tentar “revolucionar” a AIS Agronomia. Como tem sido a nova temporada?

VR: Tem sido muito boa! Começámos bem a ganhar logo uma taça ao campeão Direito. Temos uma equipa jovem mas, ao mesmo tempo, liderada por uma geração mais velha que dá muita maturidade à equipa. Estamos motivados, com bom espírito e todos queremos que, este, seja um ano especial!

fpO que é que te fez ir para o rugby?

VR: Quem me fez ir para o rugby foi o meu tio Caetano, que era treinador na Agronomia, e fez com que os meus pais me inscrevessem, para experimentar. Até porque o meu primo também já treinava lá. Depois nunca mais saí.

fpA Agronomia é a tua “segunda família”, correcto? Há algo de especial nos “ares” da Tapada?

VR: Sim, a Agronomia é o meu clube do coração. Desde os 7 anos que jogo lá e é onde me sinto bem! A tapada é, de facto, um espaço especial de que muito nos orgulhamos! É como uma segunda casa, onde criei grandes amizades e tenho pessoas de que gosto muito!

fpEstiveste envolvido em vários torneios da Associação Rugby do Sul, correcto? Achas importante o trabalho da ARS para o rugby português?

VR: Certo. Acho que é muito importante e falo por experiência própria. É o primeiro contacto com as selecções regionais, com jogadores de outros clubes e onde se começa a criar um compromisso com o rugby. É importante para desenvolver as bases desde novos.

fpDos torneios de sub-12/14 passaste para as selecções regionais e depois nacionais. Nas tuas diversas representações por Portugal, qual é a tua memória mais antiga?

VR: É o meu primeiro jogo oficial por Portugal, nos sub-18. Foi no campeonato de europa elite contra Inglaterra. Foi uma boa experiência, o meu primeiro contacto numa competição destas, com grandes Selecções. Deu para ver que eles estão noutra realidade, já altamente profissionais desde cedo e muitos deles agora a jogar nos principais clubes da Premiership.

fpEstiveste no Campeonato do Mundo “B” de sub-20 e marcaste presença em outros torneios. Sentiste uma grande diferença entre equipas como as Fiji ou Geórgia para Portugal?

VR: Não senti uma grande diferença. A maior diferença era a parte física. Acho que estávamos bem preparados e fizemos bons jogos. Penso que respeitámos demais essas selecções mas acabámos por perder esses jogos em pequenos erros, que se pagam caro a este nível. Não tenho dúvida que nos podemos bater com qualquer equipa do Campeonato do Mundo “B” sub-20.

fpNa tua estreia pela Selecção de XV conseguiste logo um ensaio… qual foi a tua reacção quando te apercebeste desse feito?

VR: É um grande orgulho! Desde sempre que sonho jogar por Portugal e se já é especial a estreia pela Selecção de XV, com um ensaio ainda mais fica.

fpTens o objectivo de sair para fora de Portugal? Para que país ou Hemisfério é que gostavas de tentar ir?

VR: Gostava muito. Neste momento, como já “perdi” um ano, a nível académico, ao estar no circuito mundial, agora estou concentrado em acabar o curso e ainda não pensei muito nesse assunto, para ser sincero. Mas, sem dúvida, gostava de experimentar ir para fora, Nova Zelândia seria o melhor.

O 1º título por Agronomia (Foto: Facebook do Próprio)

fpCostumas acompanhar rugby internacional? Há algum clube/jogador que capte a tua atenção?

VR: Gosto de ver rugby, gosto especialmente de ver os All Blacks jogar. Neste momento, o jogador que mais me capta a atenção é o Beauden Barrett (All Black).

fpComo centro és mais virado para a placagem e recuperação de bola ou és mais vocacionado para o ataque?

VR: Gosto de pensar em mim como um meio-termo, gosto tanto de atacar como de defender. Mas talvez seja mais virado para a placagem.

fpLembras-te de alguma placagem que tenhas feito? E sofrido?

VR: Uma pessoa nunca se esquece duma boa placagem que tenha feito. Lembro-me, no Paris Sevens, de ter feito uma boa placagem contra a Rússia. Já conhecia o jogador e consegui antever o que ia fazer.

fpO rugby português tem “pernas para andar” ou sentes alguma estagnação?

VR: Claro que tem! Temos muita qualidade a nível técnico e bons treinadores com grande capacidade de “pensar” o jogo. Temos tido bons resultados nas camadas jovens falta dar o salto para os seniores.

fpO que é que a comunidade do rugby português pode fazer mais e melhor em prol da modalidade?

VR: Pode continuar a investir na divulgação da modalidade, mostrar aos mais novos os valores do rugby para atrair cada vez mais jogadores.

fpEm termos de parcerias, achas que há uma ausência de ligação entre o Mundo Universitário, e dos estudos, com o rugby de alto rendimento?

VR: Acho que sim. Não é fácil conciliar o rugby com os estudos, é preciso fazer  muitos sacrifícios. Acho que podia haver um maior apoio em arranjar facilidades aos jogadores.

Uma boa placagem (Foto: João Peleteiro Fotografia)

fpFoi complicado conciliares o World Series, o Campeonato, treinos, Alto Rendimento e Estudos?

VR: Foi, sem dúvida. Para além de termos treinos bi-diários ao longo da semana, estávamos muito tempo fora. Basicamente estávamos três semanas cá, duas fora e assim sucessivamente. Não indo às aulas torna difícil ter de estudar tudo sozinho.

fpAchas que Portugal vai voltar a estar num Mundial?

VR: Se não achasse não valia a pena estarmos todos a treinar. É difícil, sem dúvida, mas com umas boas bases temos tudo para projectar Portugal para o topo.

fpQuais é que são as nossas melhores qualidades e aonde podemos ganhar aos nossos adversários directos?

VR: Somos diferentes, conseguimos atingir níveis iguais com menos recursos mas com uma vontade e confiança enormes.

fpQuais são os teus objectivos para 2017?

VR: A nível de clube ganhar, ganhar mais um título por Agronomia. A nível de Selecção XV e 7´s agarrar todas as oportunidades que tiver e a subida de divisão e apuramento para o mundial, respectivamente.

fpDeixa uma mensagem para os apoiantes, colegas e amigos da Agronomia e do rugby português.

VR: Para os meus amigos de Agronomia apenas que é um orgulho e prazer enorme jogar com eles. Para comunidade do rugby em geral espero que continuem a apoiar e dar o vosso contributo, pois é muito importante.

Vasco Ribeiro é, aos 19 anos, titular na AIS Agronomia e na Selecção Nacional. Um centro com qualidade, o seu foco e força de vontade para trabalhar todos os dias demonstram que a sua geração é o tónico que Portugal precisa para dar o salto. 

Vasco Ribeiro “quebra” os Tupís (Foto: Luís Cabelo Fotografia)

Frederico-Morais-trofeu-foto-Ryan-Miller-3.jpg?fit=1024%2C683
Eduardo MenezesNovembro 25, 20163min0

Após a 2º colocação no Hawaiian Pro 2016, penúltima etapa do WQS do ano, o surfista Português, Frederico Morais, está a uma etapa de ser o mais novo Português a desbravar a elite do surf Mundial.

A final do Hawaiian Pro 2016, para além de Frederico Morais, contou com a presença de John John Florence (HAW), Marc Lacomare (FRA) e Adrian Buchan (AUS), sendo que Frederico empatou com Florence, 15.66 no somatório, mas perdeu o título por não ter a maior nota da bateria, primeiro critério desempate. O título bateu na trave por mais de uma vez, pois o surfista de Cascais precisava de 7.34 para virar a bateria final, porém obteve a nota 7.33 em suas duas últimas ondas.

Melhores momentos do último dia de competição do Hawaiian Pro 2016.

A soma de 8,000 pontos, na classificação do WQS do Havai, fez com que Kikas assumisse o 10ª lugar na corrida de acesso ao WCT de 2016. Posição que lhe garante na elite em 2016 e o consagra como o segundo atleta lusitano a estar presente no tour mundial, após o desbravador Tiago Saca Pires.

Classificação do WQS 2016 [Imagem: WSL]
Classificação do WQS 2016 [Imagem: WSL]
 

Ranking completo do WQS.

Infelizmente ou felizmente ainda resta uma última etapa, o Vans World Cup WS 10,000, também pertencente a Tríplice Coroa Havaiana e ao circuito de acesso, evento que confere ao vencedor a pontuação máxima de 10 mil pontos.

Resta a Frederico desempenhar, novamente, um grande papel na ondas mágicas do Havaí e manter-se, no mínimo, em sua posição de número 10. Para tal, algumas previsões dizem que a soma de 2,000 pontos, 17º lugar ou um avanço até o round 4, seria o suficiente para Kikas subir de divisão.

Vasco Ribeiro (PRT) em ação no Hawaiian Pro 2016. Fechou sua participação na 17ª posição. [Imagem: Faceebok | Vasco Ribeiro)
Vasco Ribeiro (PRT) em ação no Hawaiian Pro 2016. Fechou sua participação na 17ª posição. [Imagem: Facebook | Vasco Ribeiro)
 

A diferença de 0.01 é de se lamentar, porém não há tempo para tal. A próxima etapa do WQS tem janela entre 25/11 e 06/12. A Vans World Cup definirá 10 surfistas que estarão no tour de elite em 2016 e Federico Morais apresenta chances reais de cravar um lugar onde, até hoje, somente Saca esteve.

No próximo evento, Kikas terá ao seu lado outro surfista Português, Vasco Ribeiro, que chegou ao round 4, 17ª colocação, na primeira era da Tríplice Coroa Havaiana. Uma ajuda de Vasco, com eliminações de concorrentes de Frederico, será com certeza uma ajuda muito bem vinda.

Entenda como funciona a classificação para a elite do WCT.

Vale lembrar que Frederico Morais já disputou uma final do Vans World Cup, no ano de 2013.

Agora é torcer pelos atletas portugueses! E que as ondas Havaianas os levem para mais uma descoberta: o tour do WCT 2017.

Fique esperto:

Principais concorrentes da elite, que ainda não garantiram sua vaga pelo WCT: Jadson Andre (BRA) e Jack Freestone (AUS).

Concorrentes do WQS: Thomas Hermes (BRA), Jesse Mendes (BRA), Evan Geiselman (USA) e Ezekiel Lau (HAW).

Acompanhe a competição em direto, no site da World Surf League.


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É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


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