23 Nov, 2017

Arquivo de Segunda Liga - Fair Play

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Pedro CouñagoJunho 18, 201712min0

Explorar o Tondela é explorar uma história de sonho, que implica a ultrapassagem de diversos obstáculos e contém múltiplos acontecimentos emocionantes ao longo dos últimos anos. Nos últimos três anos, as emoções no clube têm estado num máximo histórico, com este artigo a contar tudo sobre o que tem sido uma viagem atribulada, mas bem-sucedida.

A subida

24/05/2015. Esta foi a data do acontecimento que mudou a vida do CD Tondela e da cidade de Tondela. Há muitos anos que não havia um clube na Primeira Liga proveniente da Beira Alta. O maior clube da região sempre foi o Académico de Viseu por estar sediado na capital de distrito, o que sempre lhe conferiu maior notoriedade. Contudo, o Tondela, desde 2005 até 2015, foi subindo de forma meteórica de divisão, desde as Distritais, até que, em abril de 2015, o sonho estava muito próximo.

Faltava um mês para o término da época e a equipa auriverde tinha a possibilidade de subir de divisão.  A verdade é que o Tondela acusou a pressão e ficou a sofrer até ao último jogo, sofrendo inclusivamente uma pesada derrota por 3-0 em casa com o Desportivo das Aves, algo que colocou em causa a subida. O duelo com o Freamunde, na última jornada da época, era decisivo. Três equipas disputavam os dois lugares de subida: Desportivo de Chaves, Tondela e União da Madeira.

Com a vitória do União da Madeira, ficava a subida do Tondela garantida, mas o União não subia, algo que se alterou radicalmente com um golo ao cair do pano, passados já quase 4 minutos dos 90 regulamentares, que não só garantiu a subida de União e Tondela, como ainda deu o título da Segunda Liga ao conjunto beirão. Aquele momento foi muito ansiado ao longo de largos anos, e ainda teve o condão de acabar com o sonho do Chaves em regressar à Primeira Liga (sonho concretizado no ano seguinte, e, curiosamente, mais um caso de sucesso ao longo dos últimos anos).

Cedo se anteciparam vários cenários e vários desafios. Era uma equipa desconhecida, que muitos consideravam não ter estofo para uma primeira divisão, devido a nunca ter passado pela experiência. E a verdade é que o fantasma da primeira época na Primeira Liga e o cenário de descida imediata pairou durante bastante tempo na equipa. 

O primeiro milagre

Os dois primeiros grandes desafios passaram pela construção de um plantel competitivo e pela renovação do estádio. Ambos se refletiram diretamente no desempenho dos beirões na primeira volta da temporada 2015/2016. Apenas na 13ª jornada pôde o Tondela jogar no seu estádio, já a meio de dezembro, e jogar tantos desafios longe do seu reduto traduziu-se em derrotas, muitas derrotas. A equipa apenas conquistou 5 pontos em 12 jornadas, resultando em duas chicotadas psicológicas: Vítor Paneira, à 5ª jornada, e Rui Bento, ao fim de mais sete.

O plantel era mediano para aquilo que eram as pretensões da equipa, comparado com as restantes equipas em luta direta. O onze tipo continha poucos elementos de real destaque, tirando Jhon Murillo (prodígio emprestado pelo Benfica), Nathan Júnior (melhor marcador da equipa com 13 golos, o autêntico salvador da equipa), Wagner (experiente extremo direito) e os capitães Pica e Kaká, dois centrais de rijos rins, mas de uma entrega inigualável no clube. A contratação de Zubikarai, ex-guardião da Real Sociedad, por exemplo, prometia alguma segurança à necessitada baliza tondelense, mas a verdade é que fracassou e teve de ser Cláudio Ramos, já há muitos anos na equipa, a defender as redes da equipa na segunda volta, e a verdade é que acabou por ser um dos grandes heróis. Podia ser-lhe feita uma estátua dada a monstruosidade das suas exibições, tanto em 2015/2016, como em 2016/2017. 

A grande transformação do Tondela passou pela entrada para o comando técnico de Petit. É inegável reconhecer este fator, já que o técnico conseguiu incutir na equipa uma raça e determinação na equipa que até aí não eram vistos. Após a viragem do ano, com a entrada de Petit, deu-se uma transformação quase milagrosa nos resultados do clube, que resultou na conquista de 22 pontos na segunda volta, e de uns incríveis 17 nas últimas 8 jornadas.

Tal como no ano da subida, o Tondela necessitava de um bom resultado no último jogo para alcançar os seus objetivos, e a verdade é que o conseguiu, vencendo um histórico do futebol português que acabou por descer de divisão, a Académica. Em conjunto com a derrota do União da Madeira, as estrelas alinharam-se e o milagre aconteceu: o Tondela havia sobrevivido a uma intensa batalha pela manutenção e estava na Primeira Liga para contar a história.

O primeiro salvador do Tondela (Foto: Lusa)

Uma época salva por Petit e com alguns resultados de destaque, como a vitória no Dragão por 1-0 ou o empate nos últimos minutos frente ao Sporting por 2-2, em pleno Estádio de Alvalade, que colocou muita pressão nos leões e, de certa forma, os arredou do título. Muito se especulou sobre se havia sido um golpe de sorte, se alguma vez o Tondela teria a mesma sorte no ano seguinte. O que acontece no ano seguinte é ainda mais incrível.

O milagre a dobrar!

A época 2016/2017, para o Tondela, pode ser descrita por uma palavra: destino. É verdade, teve de ser o destino a ditar um desfecho incrivelmente semelhante àquele da época anterior. A verdade é que os dois primeiros jogos (frente a Benfica, em casa, e Desportivo de Chaves, fora) pareciam indicar uma maior consistência de jogo, uma equipa mais predisposta a lutar pelo resultado e com mais possibilidades de lutar firmemente pelos seus objetivos. Mas depois tudo voltou ao panorama anterior, da primeira volta da época anterior, com apenas 2 vitórias nas primeiras 12 jornadas. Os resultados vinham a conta gotas, algo que, mais uma vez, se pensou não ser suficiente para uma equipa da dimensão do Tondela.

Mais uma vez também, o plantel era insuficiente. Convém notar que existiram algumas boas adições ao mesmo, pelo menos à primeira vista, como os laterais David Bruno e Jailson, os médios Claude Gonçalves e Pité (que desiludiu), e o atacante Miguel Cardoso, que, com a permanência de jogadores como Murillo e Wagner, permitiam alguma esperança. Mas a verdade é que o centro da defesa e o ataque ressentiam-se da construção desequilibrada do plantel, pois Kaká e Pica não chegavam para todas as batalhas e saiu Nathan Júnior, o principal abono de família na época anterior, sem que algum outro jogador o substituísse convenientemente. Apenas Murillo chegou à marca dos 5 golos durante toda a época.

Murillo, um dos elementos mais importantes nas últimas duas épocas (Foto: Maisfutebol)

Quem sofreu as consequências? Petit. A 9 de janeiro, 13 meses depois de chegar ao comando técnico da equipa, o treinador pediu a demissão devido ao mau momento da equipa, que permanecia no último lugar do campeonato. Pediu a demissão depois de uma derrota caseira por 2-1 com o Arouca, derrota irrelevante no final do campeonato, mas excelente do ponto de vista da necessidade de mudança. O mais curioso? O jogo com o mesmo Arouca, em casa deste, revelou-se capital na história da época do Tondela.

Não seria fácil para qualquer treinador assumir o cargo numa altura tão delicada. A direção apostou em Pepa, uma opção arriscada tendo em conta que o treinador havia sido anteriormente despedido do Moreirense devido a maus resultados. Petit, o anterior técnico do Tondela, foi, dois meses depois, treinar o Moreirense, algo que reflete a dança das cadeiras existente no futebol português no que a treinadores diz respeito.

A adaptação de Pepa não foi nada fácil. O técnico começou por fazer uma boa leitura e trazer alguns reforços necessitados, como o caso de Osorio (central), Pedro Nuno (médio atacante, emprestado pelo Benfica) e Heliardo (ponta de lança), que, entre eles, marcaram 7 golos importantíssimos na segunda volta. Mas a verdade é que o poderio das novas aquisições demorou a traduzir-se em pontos.

É reconhecido a Pepa um estilo de jogo positivo, com bastante apetência pela posse de bola, mas a verdade é que os erros individuais dos seus jogadores se sucediam, transformavam-se em derrotas e o Tondela parecia não conseguir reagir. A primeira vitória de Pepa surgiu a 28 de janeiro, frente ao Desportivo de Chaves, por 2-0, mas a segunda apenas surgiu a meio de abril, frente ao Rio Ave. Pelo meio, 9 jogos em que a equipa conquistou apenas 4 pontos, estando assim cada vez mais condenada à descida. A equipa chegava à 29ª jornada, ao jogo com o Rio Ave, com apenas 17 pontos, um registo claramente insuficiente para a salvação e o cenário da despromoção adensava-se.

O jogo com o Rio Ave mudou tudo. Essa vitória caseira, sofrida, por 2-1, pareceu dar o clique de que a equipa precisava para, pelo menos, continuar ligada às máquinas e sonhar com a permanência. E a verdade é que o Tondela conseguiu mais uma vitória, frente ao Nacional, mantendo a esperança viva. Depois, surgiu um percalço no Bessa, com uma derrota inglória, corrigida com uma vitória caseira frente ao Vitória de Setúbal. Do nada, 3 vitórias em 4 jogos davam alento e esperança ao grupo auriverde para a real final, que podia (e, na realidade, iria) decidir tudo: Arouca-Tondela.

O Arouca, se vencesse, garantia a manutenção e atirava o Tondela para a Segunda Liga. Se o Tondela ganhasse, adiava tudo para a última jornada. Este jogo pode-se considerar como um dos mais importantes e históricos do clube tondelense, e principalmente para Pedro Nuno, já que o jovem médio apontou dois excelentes golos que deram a volta ao jogo e garantiram a única vitória fora de portas da equipa, por 2-1. E que altura para vencer!

Chegava a última jornada, e 3 equipas estavam em disputa por dois lugares na Primeira Liga: Arouca, Moreirense e Tondela. Aquele que poderia parecer ter o jogo mais acessível, frente ao Estoril, perdeu, com as duas outras a vencerem Porto e Braga, respetivamente. Ou seja, o Tondela, mais uma vez, na derradeira jornada, conseguiu evitar a descida de divisão na última jornada, ganhando a uma das mais fortes equipas do campeonato por 2-0.

A massa adepta do Tondela a festejar com os seus heróis (Foto: Maisfutebol)

Esta recuperação teve um sabor ainda mais especial que a da época transata, com a conquista de 15 pontos nas últimas 6 jornadas. O destino sorriu ao Tondela dois anos seguidos, e acabou por atirar o Arouca (lembram-se da saída de Petit?) para a Segunda Liga, quinto classificado em 2015/2016 e que, durante a época, disputou uma eliminatória bastante renhida com o heptacampeão grego Olympiacos. Naturalmente, a festa foi rija na Beira Alta, e ninguém pode discutir que os jogadores auriverdes mereceram tudo aquilo que alcançaram.

À terceira é de vez, a vez da consolidação ou “Não há duas sem três”?

Já se percebeu que o Tondela é uma equipa imprevisível, que nunca se pode nem deve descartar em qualquer ocasião. Tal faz com que não seja fácil prever como se comportará o Tondela versão 2017/2018.

Levantam-se três cenários: a possibilidade do ditado “À terceira é de vez” se concretizar e, depois de dois milagres, a equipa acabar por descer à Segunda Liga; a equipa se consolidar no panorama da Primeira Liga e conseguir realizar um campeonato tranquilo; ou, por fim, a equipa acabar por operar um terceiro milagre e fazer uma má primeira metade de campeonato, acabando-a de forma espetacular e a evitar a descida no último suspiro. As respostas ficam todas para a próxima edição da Liga NOS, sendo que, daqui, fica um desejo de que a equipa continue a fazer história em termos internos, de clube, e em termos regionais, já que a Beira Alta merece ter um clube na Primeira Liga.

Já começaram a ser dados alguns bons passos na consolidação, com a garantia da manutenção de David Bruno e Pité (de quem se espera mais) a nível definitivo, e as contratações de Joãozinho e Ricardo Costa, dois defesas bastante experientes e boas aquisições para a realidade do clube. Mais importante ainda, a renovação de Pepa, que sugere uma confiança da direção no seu trabalho e vem trazer um maior grau de segurança ao técnico e à sua equipa.

O segundo salvador do Tondela. Que fará ele a seguir? (Foto: Maisfutebol)

Por outro lado, nota-se também uma espécie de renovação de almas em Tondela, com as saídas de Pica e Kaká, que muito deram ao clube, mas que agora saem para rumar a outras paragens, deixando assim um espaço aberto ao que necessita de ser um reforço do centro da defesa, além de Ricardo Costa.

Existe muita curiosidade para ver o que faz o Tondela na sua terceira época consecutiva na Primeira Liga e espera-se que o clube continue a dar cartas no panorama nacional, de forma a honrar todo o esforço e dedicação que tem sido posto em campo nas últimas três temporadas.

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Ao constatar que o número de rondas da Ledman LigaPro equivale ao número de quilómetros de uma maratona, percebemos de imediato que estamos perante uma analogia perfeita. A meta foi cortada este fim-de-semana, e está na hora de contar o que aconteceu ao longo deste percurso espinhoso.

PORTIMONENSE E DESP. AVES: NÃO DEIXES PARA A SEGUNDA VOLTA O QUE PODES FAZER NA PRIMEIRA

A partir do momento em que Vítor Oliveira foi anunciado oficialmente em Portimão, a probabilidade de voltarmos a ter um emblema algarvio no escalão principal do futebol português aumentou drasticamente. Aqui inclusive, chegámos a escrever o prólogo desta bela narrativa. A possibilidade acabou por se confirmar, e Vítor Oliveira garantiu o título e a sua nona subida ao primeiro escalão. Em 2016/17, conseguiu a promoção mais folgada de sempre do currículo, com quatro partidas por disputar, batendo a anterior marca alcançada no Paços de Ferreira (três jornadas), em 1990/91.

Tudo começou a ficar bastante encaminhado por via de um outro recorde, o de mais pontos somados na primeira metade da competição (52 em 63 possíveis), feito que deixou os perseguidores a 17. Esta vantagem confortável foi importante para manter os adversários à distância no decurso de uma segunda volta menos extasiante. Lumor Agbenyenu e Amilton Silva, dois dos melhores jogadores da competição, mudaram-se para o 1860 Munich no Mercado de Inverno, ao mesmo tempo que as lesões se alastraram pelo plantel, sobretudo no quarteto defensivo. Os resultados da segunda volta espelharam um pouco estes obstáculos inesperados, enfatizados pela dureza do calendário, com oito derrotas em 21 encontros. Ainda assim mantiveram-se no topo até final, e puderam celebrar a conquista do campeonato. Entre os protagonistas da subida, é imperioso destacar Paulinho, médio criativo cujo talento surge cada vez mais como um dado adquirido, e Pires, o homem com mais golos da história da prova, que voltou a sagrar-se melhor marcador da época.

Também o Desp. Aves se esmerou na primeira metade, só que a quantidade de tropeções que seguiu, colocou os corações dos adeptos avenses em estado de sítio, e motivou a saída de Ivo Vieira do comando técnico, substituído por José Mota. Tudo parecia estar a correr pelo melhor, e o veterano guarda-redes Quim até bateu o seu recorde pessoal de minutos sem sofrer golos (568), mas o período entre a 24ª e a 31ª jornada ameaçou seriamente uma queda ao terceiro posto. Foram cinco derrotas em oito jogos, responsáveis por esbater a vantagem de 15 pontos para 4 num ápice. Felizmente para os avenses, José Mota revelou engenho suficiente para recuperar animicamente o grupo, e devolvê-lo à Primeira Liga, dez anos mais tarde.

UM PELOTÃO RECHEADO MAS DEMASIADO DISTANTE

Apesar das vicissitudes acima referidas que afectaram os conjuntos promovidos, tanto o Portimonense como o Desp. Aves acabaram por ser demasiado fortes para os restantes competidores. Os perseguidores formaram na tabela classificativa um pelotão bastante alargado que se estendeu ao décimo lugar, mas cuja distância pontual era impeditiva. O União da Madeira, que arrebatou discretamente o terceiro posto, fixou-se a 17 (!) pontos do Desp. Aves.

Durante a temporada, houve alguns elementos deste grupo que conseguiram colocar os agora primodivisionários em alerta. O Santa Clara (10º), por exemplo, protagonizou um excelente arranque, sendo posteriormente vítima da instabilidade no comando técnico que se verificou após a saída de Daniel Ramos. Já na segunda volta, Académica (6º) e Varzim (9º) pareciam capazes de aproveitar os deslizes inesperados do Desp. Aves, só que isso não passou de uma miragem. Penafiel (5º) e Sp. Covilhã (8º), as boas surpresas deste campeonato, completaram o grupo do pelotão, juntamente com algumas equipas B.

O CASO PREOCUPANTE DO OLHANENSE

Os rubro-negros afundaram-se rapidamente na classificação, enquanto direcção e SAD continuaram a trocar publicamente acusações de ingerência. Isidoro Sousa, presidente do clube, começou por escrever uma carta aberta aos sócios, onde denunciava a dimensão do passivo criado pela SAD em apenas 36 meses. Em resposta, o presidente da SAD Luigi Agnolin assumiu alguns dos erros ‘na escolha da estratégia desportiva’, sem deixar de atacar a direcção, acusando-a de populismo e de incitamento dos sócios contra a SAD. Anunciou também um investimento de 300 mil euros já para a próxima época, com o objectivo de regressar ao segundo escalão de imediato. Será o Olhanense capaz de o conseguir, tendo como pano de fundo esta guerra aberta entre clube e SAD?

AS JOVENS ESPERANÇAS DAS EQUIPAS ‘BÊS’

Pese embora alguns sustos passageiros, a generalidade das equipas B denotou qualidade no decurso da temporada, e várias individualidades estão prontas para dar o salto. Os casos mais evidentes são os de Dénis Duarte (V. Guimarães B), central possante com auspiciosa margem de progressão, e de Diogo Gonçalves (Benfica B), extremo que se encontra a representar a selecção nacional Sub-20 no Campeonato do Mundo. Outra figura do conjunto encarnado que também está presente na competição, e que deverá ficar às ordens de Rui Vitória é o centrocampista Pedro Rodrigues. Mais a Norte, o lateral belga Anthony D’Alberto (Sp. Braga B) liderou o campeonato das assistências (9), e merece igualmente um olhar atento. Ficam a faltar as reservas de Porto e Sporting, onde o eixo defensivo despertou curiosidade. O já conhecido Chidozie reclama por uma segunda oportunidade, ao passo que nos ‘leões’, o central Ivanildo Fernandes chama pela equipa principal.

Ac. Viseu e Leixões (15º e 16º) ainda não têm o seu destino decidido, e vão lutar pela permanência na Ledman LigaPro no Playoff, frente aos pretendentes do Campeonato Nacional, Merelinense e Praiense. Os encontros estão agendados para os próximos dias 27 de Maio (1ª Mão) e 3 de Junho (2ª Mão).

A EQUIPA IDEAL

CLASSIFICAÇÃO

Fonte: Soccerway

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Chegou ao fim mais uma temporada no segundo escalão, pelo que está na hora de homenagear os melhores futebolistas dos relvados da Ledman LigaPro. Em 2016/17 tivemos triângulos centrocampistas quase perfeitos, parcerias frutíferas nos corredores, e muita solidez defensiva, sem esquecer os fantasiosos. Eis os escolhidos do Fair Play.

Não concorda com o nosso XI do ano? Deixe a sua sugestão nos comentários!

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António Pereira RibeiroAbril 20, 20178min0

O actual treinador do Portimonense Sporting Clube caminha tranquilamente para a sua nona subida à Primeira Liga (décima, se quisermos incluir o seu trabalho meritório em 2013/14  pelo Moreirense Futebol Clube, em que foi substituído por Toni Conceição à 33ª jornada). Com cinco rondas por disputar, o emblema algarvio leva 15 pontos de vantagem sobre o perseguidor mais próximo, o Varzim Sport Club. Será esta a subida de divisão mais folgada de Vítor Oliveira? Para respondermos à questão, decidimos revisitar as anteriores oito promoções gizadas pelo ‘rei das subidas’.

1.PAÇOS DE FERREIRA (1990/91)

Jogo da Subida: P. Ferreira 0x1 Portimonense (Jornada 35 de 38, a 05/05/1991)

Foi na Capital do Móvel que Vítor Oliveira conheceu pela primeira vez o sabor de uma subida de divisão, ainda com 37 anos. A vitória valia apenas dois pontos em 1990/91, na única temporada em que o treinador confirmou a promoção com uma derrota, beneficiando de resultados em campos alheios. Não foi por esse percalço que a festa se deixou de fazer, com a escola de samba de Ovar a desfilar no relvado sempre que a bola não rolava. No plantel dos pacenses figuravam um jovem Adalberto, um tal de José Mota (esse mesmo), e a dupla de búlgaros composta por Yulian Spassov e pela estrela da companhia, Radoslav Zdravkov.

2.ACADÉMICA (1996/97)

Jogo da Subida: Académica 3×0 Estoril (Jornada 33 de 34, a 01/06/1997)

No primeiro dia de Junho de 1997, Vítor Oliveira ajudou a escrever uma das páginas mais bonitas da história da Associação Académica de Coimbra, perante mais de 20 mil adeptos. Dez anos depois da descida e do caso N’Dinga (imbróglio judicial que se prolongou nos tribunais até 2012, com a decisão a ser desfavorável para os estudantes), a Académica conseguia finalmente regressar aos principais palcos do futebol nacional. Até então, os estudantes apresentavam-se sempre como candidatos crónicos à subida de divisão, mas falhavam invariavelmente nas últimas jornadas. Na memória de quem viveu este episódio ficaram os contributos decisivos de Pedro Roma, Albertino, Pedro Miguel Rocha, Jorge Silva, Mickey, Dinda ou Miguel Bruno.

3.U. LEIRIA (1997/98)

Jogo da Subida: Sp. Espinho 1×2 U. Leiria (Jornada 32 de 34, a 03/05/1998)

Logo a seguir ao sucesso em Coimbra, Vítor Oliveira rumou até Leiria, com o objectivo de replicar o feito. O arranque não foi famoso, tendo somado apenas um triunfo nos primeiros oito encontros. Contudo, uma segunda volta exemplar virou o jogo a favor da Equipa do Lis, que consumou a subida de divisão na antepenúltima jornada, numa partida sui generis em Espinho que durou somente 71 minutos. O árbitro Martins dos Santos decidiu expulsar dois jogadores do conjunto anfitrião aos minutos 38’ e 58’. Esta última acção disciplinar despoletou contestações furiosas da parte de outros dois futebolistas do Sp. Espinho, que viram igualmente o cartão vermelho. Reduzido a sete elementos com uma hora de jogo, o treinador da casa Edmundo Duarte reagiu aos acontecimentos com três substituições de uma assentada. Poucos minutos depois, verificou-se uma lesão impeditiva num atleta do Sp. Espinho, e o árbitro viu-se forçado a dar o jogo por terminado. Nota final para os Jorge Silva e Dinda, dois centrocampistas que já faziam parte do plantel de Vítor Oliveira na Académica, e em que o técnico decidiu confiar novamente a subida.

4.BELENENSES (1998/99)

Jogo da Subida: U. Madeira 0x1 Belenenses (Jornada 32 de 34, a 16/05/99)

Vítor Oliveira fechou a década de 1990 em beleza com a sua terceira subida de divisão consecutiva, desta vez no clube do Restelo. Começou a sua temporada já na Primeira Liga, ao serviço do Sp. Braga, só que duas vitórias em onze jogos ditaram a sua saída dos arsenalistas. Surgiu de imediato o convite do Belenenses, para substituir Manuel Cajuda, técnico que havia assumido o percurso inverso, rumo a Braga. Os azuis do Restelo situavam-se na quinta posição à 14ª jornada, e o ‘rei das subidas’ tratou de resolver o assunto, juntamente com figuras icónicas do clube tais como Tuck, Marco Aurélio, Paulo Cabral, Rui Gregório ou Filgueira. Garantiu matematicamente a promoção na Madeira, através de um triunfo que empurrou o União para a II Divisão B. A partida não foi fácil, mas a velocidade de João Paulo Brito, e a frieza de Brandão (reforço de Inverno determinante) ajudaram.

5.LEIXÕES (2006/07)

Jogo da Subida: Olivais e Moscavide 1×2 Leixões (Jornada 29 de 30, a 13/05/2007)

Porventura uma das subidas mais emocionais para Vítor Oliveira, ele que é natural de Matosinhos e fervoroso sócio do Leixões. Na penúltima ronda, três mil adeptos leixonenses marcaram presença no jogo decisivo, em Moscavide, celebrando uma conquista revestida uma importância suplementar, uma vez que coincidia com o ano de centenário do emblema matosinhense. A contenda acabaria resolvida naturalmente pelo avançado Roberto, melhor marcador da prova em 2006/07 com 17 golos. A lista de notáveis compreende também os nomes de Beto, Élvis, Hugo Morais, Nuno Amaro, Jorge Duarte e Jorge Gonçalves, entre outros. Curiosamente, o efeito Vítor Oliveira alastrou-se pelo concelho de Matosinhos, onde mais quatro emblemas subiram de escalão na mesma temporada, para além do Leixões (Lavrense, Padroense, Senhora da Hora e Leça).

6.AROUCA (2012/13)

Jogo da Subida: Arouca 3×0 U. Madeira (Jornada 41 de 42, a 12/05/2013)

Para o conjunto arouquense, tudo começou em 2006, aquando da conquista do título de campeão da Primeira Divisão da Associação de Futebol de Aveiro. Sete épocas e quatro subidas depois dos distritais, o Arouca confirmou o acesso à Primeira Liga pelas mãos de Vítor Oliveira, e até agora, não mais abdicou de competir no principal escalão. “A estrada para cá parece uma pista de karting, mas as pessoas são sérias”, revelava bem-humorado Joeano, melhor marcador da Segunda Liga em 2012/13, com 24 remates certeiros. A simpática vila de 3 mil habitantes, conhecida pelo pão-de-ló e pela vitela, entrou com uma goleada no mapa futebolístico nacional. Os golos de Joeano ajudaram, mas também Mika, Serginho, Miguel Oliveira, Joeano e Luís Pinto assumiram um papel determinante na caminhada.

7.U. MADEIRA (2014/15)

Jogo da Subida: Oriental 0x3 U. Madeira (Jornada 46 de 46, a 24/05/2015)

Depois de fazer a festa da subida em duas ocasiões diferentes diante do U. Madeira (Belenenses em 1998/99 e Arouca em 2012/13), as celebrações couberam mais tarde aos madeirenses, naquela que foi a promoção mais sofrida de Vítor Oliveira. À entrada para a derradeira jornada, cinco equipas lutavam pelos dois lugares da subida (Tondela, Sp. Covilhã, U.Madeira, Desp. Chaves e Feirense). Ganhar em Lisboa no último jogo, no campo do Oriental, podia não ser suficiente para cumprir o objectivo. Ao minuto 90’, venciam confortavelmente os orientalistas por 0-3, mas a combinação de resultados verificada nas outras partidas era desfavorável. Até que, nos últimos segundos do tempo de compensação, um golo do Tondela em Freamunde empurrou os madeirenses para a Primeira Liga. Uma subida festejada entusiasticamente por um plantel composto por vários jogadores da ilha, e também por Dolores Aveiro, mãe de Cristiano Ronaldo, e conhecida adepta do U. Madeira.

8.DESP. CHAVES (2015/16)

Jogo da Subida: Portimonense 1×1 Desp. Chaves (Jornada 45 de 46, a 07/05/2016)

Vítor Oliveira começou a sua carreira de treinador no Estádio Municipal de Portimão, em 1986/87, ao serviço do Portimonense, e foi nesse mesmo local que iria consumar a sua oitava subida à Primeira Liga, trinta anos mais tarde. Uma promoção ultimada no terreno de um dos principais competidores da prova, a 800 quilómetros de distância de Chaves. Braga, Nélson Lenho, Fábio Santos e António Filipe, são algumas das peças-chave desta conquista que ainda podemos ver no actual plantel flaviense, e que continuam a destacar-se, agora no primeiro escalão. “Cada vez gosto mais destes momentos. Habituámo-nos e a satisfação vai aumentando”, confessa Vítor Oliveira na ressaca do empate em Portimão, dando a entender que ainda não se cansou de ser o ‘rei das subidas’.

Em 2016/17, o título de campeão da Segunda Liga pode ainda ser incerto, com o Clube Desportivo das Aves relativamente próximo, mas a subida anunciada do Portimonense Sporting Clube é somente uma questão de tempo até se confirmar. Agora se será a mais folgada de sempre, digamos que é provável que assim seja. Caso aconteça na próxima ronda, em Viseu, estaremos perante um novo recorde de Vítor Oliveira, ao garantir novo lugar na Primeira Liga, com quatro partidas por disputar, batendo a anterior marca conseguida no P. Ferreira (três jornadas) em 1990/91.

O presente artigo foi realizado no âmbito da parceria que o Fair Play estabeleceu com o Sapo24, e a sua publicação original pode ser consultada aqui.

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António Pereira RibeiroFevereiro 15, 20179min0

O actual capitão do FC Penafiel aceitou o convite do FairPlay, e falou-nos sobre o seu percurso enquanto futebolista. Formado no FC Porto, emblema onde se sagraria inclusive campeão em 2003/04, Pedro Ribeiro é detentor de um currículo invejável nas selecções jovens de Portugal. Mas não se ficou por aí. Descobre como tem sido a caminhada vitoriosa deste experiente central, através da seguinte entrevista exclusiva.

fpQuais são as mais-valias que a formação do FC Porto oferece?

PR. Tirei sempre boas ilações daquele que é um dos grandes clubes de Portugal, a forma de trabalhar que é sempre diferente dos outros clubes. É claro que quando se fala do FC Porto, fala-se de uma das maiores escolas a nível nacional.

fpEntre 1995 e 2002, aprendeste a admirar os grandes centrais do clube?

PR. Nós quando somos mais novos tentamos sempre aprender com os mais velhos, são as nossas referências, até porque a nossa ideia é de estar um dia no lugar deles.

fp. Que recordações guardas do Campeonato Europeu conquistado por Portugal em 2000, pela selecção sub-16?

PR. Um título a nível europeu é sempre marcante para um miúdo de 16 anos como eu era na altura. Não só para mim mas também para os meus colegas. A nossa convivência era muito boa. Aquilo que fica na memória é a vitória no torneio. Um feito que ficará marcado para sempre na nossa carreira.

fpSagraste-te campeão nacional pelo FC Porto em 2003/04, devido a uma presença na equipa principal frente ao Rio Ave. Ainda te lembras desse jogo?

PR. Sim. Uma pessoa quando sabe que vai jogar fica sempre com aquele nervosismo, mas isso é só até ao apito, como em qualquer outro jogo. Foi bom estrear-me lá, não na minha posição habitual de central, foi como lateral-direito, mas fica para sempre marcado na nossa memória. Pessoalmente correu bem, em termos de resultado, perdemos. O mais importante foi a estreia na equipa principal, na altura com grande qualidade, que venceu títulos não só nacionais como internacionais. Estar no meio desse conjunto de jogadores de alto nível…não dá para explicar.

fpNa época seguinte, foste emprestado ao FC Marco, mas as coisas não correram bem…

PR. Tive pouca utilização devido a um problema no pulmão. Detectaram-me o problema no jogo para a Taça de Portugal contra o FC Porto. Entretanto em Dezembro voltei à equipa B do FC Porto para fazer a minha recuperação, e acabar lá a época.

fpAssim que se deu essa recuperação, decidiste deixar o FC Porto em definitivo, para assinar pelo Gil Vicente. Sentiste que estava na hora de arriscar? Sentiste alguma tristeza pela saída?

PR. Tristeza não, não vejo as coisas por aí. Quando somos jovens, chega a uma certa altura em que temos de tomar decisões. Achei melhor sair, e não estou arrependido por ter tomado essa opção. O Gil Vicente estava na Primeira Liga, antes de descer devido ao ‘Caso Mateus’.

fpAchas que a tua passagem pelo Gil Vicente simbolizou a tua afirmação como futebolista?

PR. Não diria afirmar porque na equipa B do FC Porto, embora estivesse numa divisão inferior (Segunda Divisão B), tinha vindo a jogar com regularidade. Foi apenas uma realidade diferente, fora de um clube dos ‘grandes’.

fpA que se deveu a tua mudança para o Trofense, em 2009/10?

PR. Fizeram-me uma proposta melhor. Temos que olhar para a nossa vida, e tomar decisões. Tive a oportunidade de ir para o Trofense, onde fiz dois anos bons, na minha perspectiva.

fpContudo, na Trofa falhaste a subida de divisão por muito pouco, curiosamente a favor do Gil Vicente. Ficaste arrependido com a troca de clube?

PR. Não me costumo arrepender das decisões que tomo. Se as tomei, é porque me pareceram boas na altura. Não costumo pensar muito nisso.

fpPouco depois, rumaste a Sul…

PR. Estive no C.F. “Os Belenenses”, com o José Mota a treinador. Desconhecia a dimensão do clube, não tinha noção da sua grandeza, e fiquei surpreendido.

fpE depois ainda mais a Sul…até Angola, onde representaste o Recreativo Libolo.

PR. Sim, eu tinha terminado o contrato com o C.F. “Os Belenenses”, e as pessoas do clube falaram comigo para renovar. Entretanto, durante essas férias, surgiu o convite de Angola, e ponderei com a minha família. O lado económico pesou um bocadinho, e então fui experimentar uma aventura fora do país.

fpFala-nos um pouco sobre a tua experiência em Angola.

PR. Uma realidade completamente diferente da nossa. Coisas que nós por cá não damos tanto valor como a água potável, lá aprendemos a dar. A forma de trabalhar é diferente, embora no clube onde estava notavam-se menos diferenças, porque havia muitos portugueses. Treinador adjunto, director desportivo… Comparando com outros clubes angolanos, o Recreativo de Libolo trabalhava muito melhor nesse aspecto.

fpPorque é que decidiste voltar a Portugal? E logo para o Penafiel, onde subiste de divisão na primeira época.

PR. Tinha mais tempo de contrato em Angola, mas abdiquei de estar lá, porque tinha o meu filho com 4 anos. A distância pesou muito na decisão de voltar a jogar em Portugal, mas só voltaria a jogar se fosse perto de casa. Sou da zona de Penafiel, e o clube já tinha mostrado interesse, ainda antes de rumar a Angola. Voltámos a conversar e surgiu a oportunidade. Curiosamente, no meu primeiro ano em Penafiel, formámos um bom grupo, e com a ajuda do Miguel Leal, o principal responsável pela nossa subida, as coisas acabaram por acontecer, apesar de não termos esse objectivo no início.

fpE como explicas a descida na época imediatamente a seguir?

PR. Não posso apontar apenas uma causa. Foi pelo acumular de algumas situações que as coisas acabaram por correr mal. É sempre um bocado ingrato descer na época logo a seguir à subida de divisão, mas temos de olhar para a frente.

fpQual foi o parceiro do eixo defensivo com quem gostaste mais de jogar?

PR. Gostei de jogar com todos os parceiros que joguei até hoje. Geralmente, aquilo que os treinadores tentam é arranjar uma dupla de centrais com características complementares. No meu caso, nunca senti grandes problemas.

fpEsta tem sido uma temporada tranquila para o Penafiel, quase sempre no primeiro terço da tabela classificativa. Qual é o segredo?

PR. Acima de tudo, é o bom funcionamento do grupo. Em termos pontuais estamos um bocado distantes dos lugares da subida, mas o primeiro objectivo é a manutenção e continuamos a trabalhar para isso.

fpPensas em terminar a carreira no Penafiel?

PR. Não perspectivo nada, sou um bocado supersticioso. Quanto mais planeamos a nossa vida, mais as coisas acontecem ao contrário. Neste momento estou em Penafiel, quando acabar a época logo se vê. Em termos físicos, no momento em que achar que não me sentir em condições para jogar futebol, serei o primeiro a dizer ‘Basta!’.

Seguem imagens da final do Torneio de Toulon de 2003, conquistada pela selecção nacional da qual Pedro Ribeiro fazia parte.

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António Pereira RibeiroJaneiro 12, 20176min0

Concluída a primeira metade da verdadeira maratona que é a Ledman LigaPro, está na hora de fazer um breve ponto de situação sobre a competição. Entre campeões mais ou menos anunciados, emblemas históricos que lutam pelo regresso aos principais palcos, e uma zona de despromoção alargada temida por muitos, existe de tudo um pouco no segundo escalão do futebol nacional.

PORTIMONENSE E DESP. AVES NÃO FACILITAM

Ainda a bola não havia rolado oficialmente nos relvados da Ledman LigaPro, e já aqui comentávamos a subida anunciada do Portimonense à Primeira Liga. Verdade seja dita, tendo em conta o historial inigualável de Vítor Oliveira na prova, fazê-lo não constituiu um risco de maior. Com metade do caminho percorrido, os alvinegros ocupam a liderança e levam 17 pontos (!) de vantagem sobre o CD Santa Clara, terceiro classificado. A acontecer, esta será a quinta subida consecutiva de Vítor Oliveira, a décima da sua carreira, e muito provavelmente, a mais clara delas todas.

A primeira volta já foi a melhor de sempre da competição (52 pontos em 63 possíveis), superando o registo do CF ‘Os Belenenses’ obtido em 2012/13, mas o conjunto algarvio recusa-se a tirar o pé do acelerador. Sinal disso tem sido o movimentado mercado de Inverno, que trouxe de volta Fabrício, médio brasileiro talentosíssimo, coroado vice-campeão do Mundo de clubes, ao serviço do Kashima Antlers. O principal reforço do ano, Amilton Silva, foi uma aposta ganha, e Pires continua a picar o ponto sempre que pode.

A única derrota do Portimonense esta época para o campeonato foi imposta pelo Desp. Aves, segundo classificado que se situa 13 pontos acima do perseguidor mais próximo. Uma vantagem igualmente confortável, portanto. Liderados por Quim, um dos melhores guarda-redes da Segunda Liga (mesmo aos 41 anos), os avenses não fazem cerimónias e desbravam caminho sem pedir licença. Perderam em finais de Agosto, contra o Benfica B, e seguem invencíveis desde então. O central João Pedro mantém as coisas estáveis no sector mais recuado, ao passo que o experiente Luis Barry faz aquilo que melhor sabe fazer: golos. Já soma nove.

SANTA CLARA E ACADÉMICA: PERSEGUIDORES À DISTÂNCIA

Apesar da distância pontual significativa, tanto Santa Clara como Académica alimentam aspirações legítimas de alcançar os lugares de subida. No caso dos açorianos, as coisas até começaram bastante bem. Protagonizaram o melhor arranque de sempre da história da prova, com oito triunfos e um empate na novena de encontros inaugural, mas a instabilidade no comando técnico revelou-se fatal para o plantel. Daniel Ramos foi o rosto de um início prometedor, tendo acabado por sair à oitava jornada para o Marítimo. Veio Quim Machado substituí-lo, para deixar o cargo novamente à disposição poucas semanas depois. Seguiu-se Rui Amorim, treinador contratado ao Salgueiros que não conseguiu chegar ao Natal em funções, devido aos maus resultados. É Carlos Pinto, técnico ex-P. Ferreira, quem tenta agora devolver a esperança ao Santa Clara na segunda volta que se avizinha.

“A Académica não é clube para estar muito tempo na Segunda Liga. Com o apoio dos adeptos e da cidade, será certamente mais fácil”. Palavras de Costinha, treinador dos estudantes que luta incansavelmente pelo regresso da Briosa à Primeira Liga. Os quinze pontos que separam actualmente a Académica dos lugares de subida podem afigurar-se como uma barreira difícil de ultrapassar, mas também é verdade que os ‘estudantes’ possuem argumentos de peso a seu favor. Principalmente a proteger a baliza das tropelias dos adversários. A Académica detém a segunda melhor defesa do campeonato, muito por via de um triângulo defensivo capaz de frustrar qualquer avançado. Falamos do guarda-redes Ricardo Ribeiro, cujas estiradas já chegaram aos ouvidos de alguns emblemas da Liga NOS, e da dupla de centrais João Real-Diogo Coelho, muito provavelmente a parelha mais eficaz e complementar dos relvados da Segunda Liga. Não se apressem a riscar o nome da Académica da briga pela promoção.

UM FENÓMENO CHAMADO COVA DA PIEDADE

Sem qualquer tipo de experiência nos campeonatos profissionais, o Cova da Piedade foi rapidamente apontado como um dos principais candidatos à descida. Ainda vamos a meio, mas a verdade é que os estreantes da Margem Sul ocupam a quinta posição na tabela classificativa, a 8 pontos e 12 adversários de distância das preocupações da linha vermelha. No comando encontramos Sérgio Boris, jovem treinador que lidera os piedenses desde 2012. No relvado brilham, entre outros, Evaldo, lateral ex-Sporting CP, e o entusiasmante centro-campista Robson. O quarentão Silas também faz questão de ‘dar uma perninha’.

AS FIGURAS EM DESTAQUE DAS ‘BÊS’

As equipas B do Benfica, Sp. Braga, V. Guimarães, FC Porto e Sporting posicionam-se comodamente entre o sexto e o décimo quinto lugar, separados por não mais do que seis pontos. Vale a pena elencar alguns dos futebolistas que se têm evidenciado na primeira volta, tentando chamar a atenção do plantel principal. De todos os ‘bês’, é o Benfica quem reúne o conjunto de jogadores mais apelativo, encabeçado desde logo pelo médio-defensivo Pedro Rodrigues, que esteve presente em praticamente todos os minutos de jogo. Nos encarnados, convém também referenciar o guarda-redes André Ferreira, o central Rúben Dias e o extremo Diogo Gonçalves, nomes em quem Rui Vitória poderá eventualmente confiar no futuro. O médio goleador Bruno Xadas (Sp. Braga B) e o já conhecido central nigeriano Chidozie (FC Porto B) são outros futebolistas das equipas B em destaque.

OLHANENSE NO FUNDO

A luta pela manutenção deverá ser longa e concorrida, pelo que apostar em qualquer candidato à descida a meio do campeonato pode ser prematuro. Porém, o Olhanense tem vindo a afastar-se perigosamente dos lugares da salvação, e estacionou no fundo da tabela, a nove pontos do acesso ao Playoff de manutenção. Matematicamente falando, não é dramático, mas o contexto financeiro do clube levanta sérias preocupações que devem condenar os algarvios à descida de divisão. Numa carta aberta aos sócios, a direcção do Olhanense aponta o dedo à má gestão do accionista maioritário da SAD. «Em 36 meses, a SAD criou um passivo idêntico ao valor que o Sporting Clube Olhanense tem em 104 anos de existência», pode-se ler no documento. Uma avaliação pragmática deste cenário permite afirmar que a permanência dos rubro-negros na Segunda Liga será uma missão quase impossível.

CONFIRA O MELHOR XI DA PRIMEIRA VOLTA DA LEDMAN LIGAPRO

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António Pereira RibeiroJaneiro 11, 20171min0

O longo desafio que é a Ledman LigaPro chegou a meio, e o Fair Play decidiu eleger os futebolistas que mais se destacaram durante a primeira volta. Portimonense e D. Aves podem seguir destacados na frente da tabela classificativa, mas o talento individual surge também noutros plantéis.

Consulte a nossa galeria de fotografias com o melhor onze da Segunda Liga até ao momento.

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