18 Dez, 2017

Arquivo de SAD - Fair Play

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João BastosJulho 30, 20179min0

Os campeonatos nacionais de Juvenis e Absolutos – Open de Portugal decorreram no complexo olímpico do Jamor entre os dias 20 e 23 de Julho. O Fair Play traz-lhe o essencial sobre a última competição da época 2016/2017, em Portugal

Com várias competições a decorrer em paralelo, o Open de Portugal foi uma oportunidade para outros nadadores terem maior destaque na competição que fecha o calendário competitivo da natação pura em Portugal.

O Fair Play destaca 10 pontos sobre os campeonatos:

1. Os 200 estilos de Diogo Carvalho

O olímpico Diogo Carvalho estava convocado para os Mundiais de Natação em Budapeste mas pediu dispensa à FPN, podendo assim estar presente no Open de Portugal.

Ainda assim, só o vimos actuar no último dia, e na sua prova de eleição: os 200 metros estilos.

Para dissipar qualquer dúvida que pudesse subsistir sobre o seu momento de forma, ou se a recusa em estar presente no Mundial se prendia com um desejo de abrandar a preparação, Diogo Carvalho deixou tudo claro ao marcar 1:59.86, a sua melhor marca do ano, um tempo que lhe permitiria ir à meia final dos mundiais, conjuntamente com Alexis Santos.

Foto: FPN

2. Os 800 livres de Alexandra Frazão…

Um excelente tempo da juvenil-A logo a abrir os campeonatos, a baixar dos 9 minutos aos 800 metros. Os 8:59.54 deram à nadadora individual o título de campeã juvenil e vice-campeã do Open de Portugal.

Apesar de não ser record nacional do escalão (esse é de Tamila Holub com 8:50.68) é um excelente tempo que a tornam na terceira melhor portuguesa do ano, só atrás das mundialistas Tamila Holub e Diana Durães e já é mesmo a 10ª melhor portuguesa de sempre!

Este tempo dá-lhe mínimo A para os Jogos Olímpicos da Juventude que decorrerão no próximo ano em Buenos Aires e já está abaixo do tempo de participação exigido para participar nos Europeus de Juniores do próximo ano.

Foto: Luís Filipe Nunes

3. …e os 800 livres de José Lopes

Também no sector masculino a prova de 800 metros livres teve um destaque individual. O nadador do Sporting Clube de Braga, José Paulo Lopes, acabado de regressar dos Europeus de Juniores, onde também deu boa conta de si, melhorando em Netanya o seu melhor nesta prova.

No Jamor ainda melhorou mais e ao fazer 8:16.79 foi o terceiro classificado no Open de Portugal, mas melhor que isso, garantiu também o passaporte para Buenos Aires (que terá de ser ratificado, visto que a quota de participação imposta pelo COI é apertada).

Também não é record nacional júnior-B, que pertence a Gustavo Santa com 8:13.49, e curiosamente também é o 10º melhor tempo português de sempre, nesta prova que no sector masculino não é nadada há muito tempo, com regularidade, em Portugal.

Naturalmente também é uma marca abaixo do mínimo para os Europeus de Juniores do próximo ano, onde Lopes, certamente repetirá a presença deste ano. Vamos ver com que objectivos.

Foto: Luís Filipe Nunes

4. O record absoluto do Algés

O único record nacional absoluto estabelecido durante os quatro dias de competição foi o dos 4×200 metros livres pelo Sport Algés e Dafundo. O anterior tempo a bater era de 8:27.04 do Futebol Clube do Porto e as algesinas nadaram em 8:26.91.

Como nota dominante, regista-se o facto de no quarteto estarem duas juniores, o que indicia que esta equipa ainda tem potencial para voltar a melhorar este tempo, num futuro próximo.

As novas recordistas nacionais são: Madalena Azevedo (2:06.46), Raquel Pereira (2:08.81), Carolina Marcelino (2:08.02) e Rita Frischknecht (2:03.62).

Foto: Oeiras Digital

5. Os outros recordes

Para além do record nacional absoluto do Algés nos 4×200 metros livres femininos, foram estabelecidos mais três recordes de categoria.

O primeiro veio por Tiago Machado do Sporting Clube de Aveiro que estabeleceu um novo record nacional juvenil-B dos 50 metros livres masculinos. O tempo de 24.61 apaga da lista o máximo que Tiago Venâncio tinha estabelecido em 2002 de 24.68.

Também no escalão juvenil-B, Camila Rebelo realizou o tempo de 2:20.53, melhorando o seu próprio tempo de 2:22.24, que tinha sido estabelecido a 30 de Abril deste ano.

Finalmente, e também na categoria juvenil-B – a categoria que se revelou mais forte neste campeonato, já lhe explicamos a razão, no ponto 10 – a equipa do Sporting, constituída por Diogo Valente (1:02.69), Martim Malfeito (1:10.24), Ruy Domingos (59.50) e Vicente Gomes (56.15) realizou o tempo de 4:08.58 nos 4×100 metros estilos masculinos e quebrou o máximo que estava fixado em 4:09.78 pelo GDNVNFamalicão.

Foto: FPN

6. O penta de Francisca Mesquita

A nadadora Francisca Mesquita, do Colégio Monte Maior, foi a maior ganhadora no Campeonato Nacional de Juvenis.

Fazendo uso da sua polivalência, a nadadora de 15 anos impôs-se sem 5 provas.

Começou por vencer os 400 metros estilos, no tempo de 5:01.99, seguiram-se os 100 metros mariposa com o tempo de 1:04.15, depois vieram os 200 metros bruços com 2:41.48, seguindo-se os 200 metros mariposa com 2:20.95, finalizando o pleno de vitórias com os 200 metros estilos, no tempo de 2:23.72.

Só nos 400 estilos não melhorou o seu record pessoal que é de 5:01.32, nas restantes quatro provas, fez o seu melhor de sempre, comprovando que esteve em grande forma nestes campeonatos.

Foto: Luís Filipe Nunes

7. As vitórias de Ana Rodrigues

Tal como aconteceu nos nacionais de Coimbra, Ana Pinho Rodrigues esteve em evidência. Apesar de nos nacionais primaveris ter conseguido obter um record nacional e agora não, esteve igualmente bem nas provas rápidas.

Foi a maior vencedora do Open, ao levar três provas.

Venceu os 50 metros bruços com 32.07, os 50 metros livres com 25.99 e os 100 metros livres com 56.96. Ainda foi vice-campeã do Open nos 100 metros bruços com 1:10.89.

A nadadora da Associação Estamos Juntos realizou uma época de grande nível, mas vê agora o seu futuro indefinido. O seu treinador, Luís Ferreira, foi dispensado da AEJ e a nadadora já anunciou a intenção de continuar a ser orientada por ele.

Foto: FPN

8. O regresso de Ana Catarina Monteiro

Este é mais um regresso de quem nunca chegou a ir. O título mais acertado seria “o regresso de Ana Catarina Monteiro ao nível a que estamos habituados a vê-la”.

A nadadora do Fluvial Vilacondense, que no ano passado representou Portugal nos Europeus de Londres e esteve próxima do apuramento olímpico nos 200 mariposa, teve uma lesão no final da época passada, que a obrigou a uma paragem prolongada.

Já tinha regressado à competição nos nacionais de Coimbra e deu para ser campeã nacional absoluta dos 100 mariposa, mas naquela que é a sua prova de eleição (os 200 mariposa) foi superada por Victoria Kaminskaya, fazendo o tempo de 2:14.62.

Passados três meses, volta à sua posição de sempre, a de dominadora absoluta da prova, sendo a campeã Open com 2:11.91, um tempo mais consentâneo com a sua qualidade.

Ainda estabeleceu um novo record pessoal nos 200 livres com 2:05.59, correspondente ao segundo lugar no Open.

Foto: Luís Filipe Nunes

9. E o regresso de João Vital

Um regresso nas mesmas condições de Ana Monteiro. O nadador do Sporting começou a época a competir nos mundiais de piscina curta, mas não conseguiu terminar competindo nos mundiais de piscina longa.

Pelo meio, esteve todo o ano de 2017 sem competir, vindo a este Open um pouco “às cegas” em relação ao que poderia fazer, mas para um nadador sem ritmo competitivo, Vital mostrou uma excelente forma com a obtenção de recordes pessoais nas suas melhores provas.

Foi o campeão do Open nos 400 metros estilos com o RP de 4:21.42 e dos 200 metros costas com 2:03.63, a escassos 8 centésimos do seu melhor. Ainda foi terceiro nos 200 metros mariposa com novo record pessoal de 2:02.65.

Definitivamente João Vital está de volta e ao seu melhor nível…

Foto: Luís Filipe Nunes

10. As ausências

Como é característico em Campeonatos Nacionais realizados nesta altura do ano, há várias competições internacionais a decorrer em simultâneo. Os nadadores convocados para os mundiais não participaram nas provas (à excepção de Vânia Neves e Angélica André porque já tinham chegado de Budapeste), e os melhores nadadores juvenis também só participaram no primeiro dia (alguns), uma vez que na 6ª feira partiram também para a Hungria, mas para participar na Taça Comen.

Daí que os nadadores juvenis-B tivessem dado boa conta de si, sem a presença de alguns dos melhores nadadores um ano mais velhos.

Os nadadores juniores que estiveram presentes em Netanya, nos Europeus de Juniores, na sua generalidade conseguiram prolongar o pico de forma e até alcançaram melhores resultados no conforto do território nacional.

Foto: FPN

E assim decorreu o último nacional do ano. Para a maioria dos nadadores nacionais começa agora o período de férias. Em Outubro regressam as competições com o arranque da época 2017/2018. Veremos que novidades nos trará.

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João BastosJunho 25, 20173min0

Com a convocatória da selecção portuguesa para os campeonatos da Europa de Juniores, o Fair Play inicia uma série de 13 artigos para apresentar os 13 nadadores presentes em Netanya (Israel)

O Meeting Internacional do Porto constituiu a última oportunidade para os nadadores juniores portugueses fazerem marcas de acesso aos Europeus do escalão. Com a selecção definida, iniciaremos o desfile dos nadadores que representarão Portugal no certame. Fá-lo-emos diariamente até dia 28 de Junho (primeiro dia de competições em Netanya) e por ordem alfabética.

Roberto Gomes

Nome: Roberto Donald Gomes
Data de Nascimento: 02/02/2000
Clube: Sport Algés e Dafundo
Treinador: Miguel Frischknecht
Provas: 200, 400 e 800 metros livres ou 1500

Foto: Luís Filipe Nunes

Historial

Roberto tem o percurso mais invulgar de entre os 13 seleccionados para Netanya. Nasceu na África do Sul, onde viveu até 2016, altura em que se mudou para Portugal e para o Sport Algés e Dafundo.

Ainda está no seu primeiro ano de júnior, mas desde muito cedo é destaque no seu país de origem, em representação do Waterborn Swimming Club.

No campeonato nacional sul-africano do nível 3 (equivalente ao escalão de infantis) foi medalha de prata nos 1500 metros e bronze nos 400 metros livres, no grupo de idade dos 14 anos.

O desempenho nesses campeonatos valeu-lhe a convocatória para a selecção da África do Sul para representar o país nos Nacionais australianos de grupos de idade. Nadou novamente os 400 e 1500 metros livres classificando-se, respectivamente, no 8º e 7º lugares.

Na época seguinte, foi vice-campeão nacional júnior (em Portugal seria juvenil-B) dos 400 metros livres e 200 metros mariposa, às quais juntou as medalhas de bronze nos 1500 metros livres, 100 metros mariposa e 400 metros estilos.

No final da época passada (a sua época de juvenil-A) chegou a Portugal, ainda a tempo de participar nos Campeonatos nacionais de juvenis/Open de Portugal, onde foi tri-campeão do escalão. Venceu os 200, 400 e 1500 metros.

Já esta época, enquanto júnior, continuou com os resultados de relevo, mesmo nadando provas com um nível competitivo muito elevado. Basta ver que, para além dele, estão no Europeu mais quatro nadadores para nadar pelo menos uma das quatro provas que Roberto pode nadar.

Nos nacionais de piscina curta conseguiu uma prata (400 livres) e um bronze (1500 livres), mesmo antes de ser decisivo no título masculino do Algés da 2ª divisão.

Já nos nacionais de piscina longa foi vice-campeão nacional júnior dos 1500 metros livres, mas não foi aí que conseguiu o acesso aos Campeonatos da Europa. Esses vieram no Meeting Cidade de Coimbra, na prova dos 1500 metros livres com o excelente tempo de 15:52.30.

A sua progressão nas provas que nadará em Israel foi a seguinte:

Fonte: Swimrakings

Antevisão

Roberto Gomes é um nadador que nos escalões de formação teria batido vários recordes nacionais portugueses, caso tivesse competido cá e feito os mesmos tempos. Ainda está num período de adaptação a um novo país e a uma nova língua, pelo que ainda não expressou o seu melhor em solo nacional.

Mesmo assim, chegou para estar num Europeu de Juniores no seu primeiro ano no escalão. À semelhança de António Pinto e José Lopes, os 1500 metros livres é a prova onde tem melhores possibilidades de ficar melhor classificado (nos 16 primeiros).

A sua experiência internacional pode contribuir para que a participação em Netanya seja positiva. De qualquer forma, relembramos que é o seu primeiro ano de júnior, o que pode servir de ensaio para objectivos mais ambiciosos na próxima época.

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João BastosJunho 24, 20175min0

Com a convocatória da selecção portuguesa para os campeonatos da Europa de Juniores, o Fair Play inicia uma série de 13 artigos para apresentar os 13 nadadores presentes em Netanya (Israel)

O Meeting Internacional do Porto constituiu a última oportunidade para os nadadores juniores portugueses fazerem marcas de acesso aos Europeus do escalão. Com a selecção definida, iniciaremos o desfile dos nadadores que representarão Portugal no certame. Fá-lo-emos diariamente até dia 28 de Junho (primeiro dia de competições em Netanya) e por ordem alfabética.

Raquel Pereira

Nome: Raquel Gomes Pereira
Data de Nascimento: 6 de Janeiro de 2000
Clube: Sport Algés e Dafundo
Treinador: Miguel Frischknecht
Provas: 100 e 200 metros bruços e 200 metros estilos

Foto: Luís Filipe Nunes

Historial

Raquel é nadadora do Algés desde sempre e vai a Netanya participar no seu segundo campeonato da Europa de Juniores com objectivos bem diferentes da participação do ano passado.

Raquel Pereira é hoje uma das melhores nadadoras portuguesas a nível absoluto e desde que começou a participar em competições é uma das melhores nadadores nos respectivos escalões.

Na categoria infantil-B foi campeã zonal dos 100 bruços, assinalando desde logo qual a sua técnica preferencial. Uns meses mais tarde veio o seu primeiro record nacional individual (o primeiro de 17, até agora!). Foi nos 200 metros bruços em piscina curta, no torneio organizado pelo seu clube, pouco tempo antes dos nacionais de infantis.

Nos nacionais foi campeã nacional infantil-B dos 100 e 200 bruços, em ambas com tempos recordes nacionais da categoria.

Em infantil-A a toada continuou no mesmo registo. Bi-campeã zonal da zona sul, vencendo os 100 e 200 bruços. Nos nacionais venceu as mesmas provas, tornando-se campeã nacional infantil-A. Durante a época de infantil-A (2012/2013) bateu três recordes nacionais em piscina curta: por duas vezes o dos 100 bruços e uma vez o dos 200.

Na categoria juvenil-B esteve mais discreta, sem estabelecer nenhum record nacional. Ainda assim, foi campeã zonal dos 200 metros bruços (desta vez perdeu os 100) e tri-campeã nacional da categoria, adicionando os 200 estilos à sua colecção de títulos nacionais. Foi também bi-campeã nacional do escalão, superiorizando-se às juvenis A.

Em juvenil-A revelou-se uma nadadora mais versátil nadando (e vencendo) outras provas para além de bruços. Foi penta-campeã zonal nos 100 livres, 100 e 200 bruços, 200 e 400 estilos. Inclusivamente nos 100 livres viria a estabelecer record nacional da categoria, mais uma vez no torneio do seu clube.

Em piscina longa bateu o record nacional dos 200 estilos nos nacionais de juvenis, juniores, seniores e absolutos, em Coimbra, onde conseguiu ser campeã nacional absoluta dos 200 metros bruços.

No final da época foi tri-campeã juvenil.

Já no escalão de júnior continuou a cimentar o seu lugar na natação nacional. Abriu a época sendo penta-campeã nacional júnior de piscina curta, levando para Algés o título dos 50, 100 e 200 bruços, 100 e 200 estilos, com o bónus do record nacional nos 200 bruços.

No Meeting do Porto veio o seu apuramento para os Europeus de Juniores, no seu primeiro ano no escalão. Na Hungria conseguiu atingir a meia-final dos 200 bruços.

A terminar a época foi duas vezes vice-campeã nacional absoluta no Open de Portugal.

Já este ano, Raquel está a atravessar a sua melhor época da carreira. Foi o grande destaque dos nacionais de piscina curta. Em todas as provas que nadou, não só venceu, como bateu novos recordes nacionais: foi nos 50, 100 e 200 bruços e 100 estilos. O record dos 200 estilos já tinha batido um mês antes.

A época de piscina longa está a ser ao nível da de piscina curta. Nos nacionais de Coimbra bateu três novos recordes nacionais juniores A e esteve muito perto de bater o seu primeiro record absoluto. Naturalmente, os mínimos para os Europeus estavam mais do que garantidos.

A sua progressão nas provas que nadará em Israel foi a seguinte:

Fonte: Swimrankings

Antevisão

Raquel é de todos os convocados a que está mais próxima do nível absoluto. Já tem uma grande experiência internacional, inclusivamente de participação nos Europeus de Juniores, onde alcançou uma meia-final, classificando-se no 16º lugar dos 200 metros bruços.

Este ano apresenta-se candidata a algo mais. E isso significa que as finais das suas provas estão no horizonte, mas nos 200 bruços é a 4ª melhor júnior europeia, o que deixa os preciosos metais do pódio ao seu alcance.

Raquel Pereira é, de facto, a maior esperança para alcançar um resultado de relevo para o nosso país e se continuar a manter o nível que tem demonstrado esta época, tudo é possível!

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Daniel FariaJunho 23, 20177min0

Onde existe dinheiro – em larga quantidade – todos sabemos que haverá sempre o “fantasma” da corrupção e da ilegalidade a pairar. Infelizmente, no futebol, esse espectro da “ilegalidade financeira”, se assim quisermos chamar, está cada vez mais presente, num desporto que se assume a olhos vistos como uma indústria ou uma máquina de fazer milhões.

Como todos sabemos, o futebol é actualmente um desporto milionário. Os clubes movimentam receitas astronómicas resultantes da venda de bilhetes, dos passes milionários dos jogadores, dos prémios atribuídos em competições, entre outros factores.

Os atletas, são vistos também como um mero instrumento financeiro, em que os clubes procuram ao máximo rentabilizar aquele activo, seja em transferências, ou contratos publicitários, que acabam por beneficiar e/ou promover o jogador e sobretudo o clube, que cada vez mais rico, está constantemente sedento por novo encaixe monetário.

Falamos claro dos maiores clubes a nível mundial, Manchester United, Real Madrid, Bayern Munique, entre outros, o leitor sabe a quem nos referimos. Deixe de fora o clube da sua terra, porque nesse meio futebolístico sim, ainda existe algum amor à camisola, descartando o lado industrial que está a “matar” o futebol e a sua verdadeira essência que é o jogo dentro das quatro linhas.

Muito dinheiro é movimentado no desporto rei. (Foto: apostas1x2)

Inflação desmedida

Hoje qualquer um vale 40, 50, 60, 70 milhões, fruto de uma inflação desmedida que desregula o valor real de cada jogador… Valor real esse que não existe na verdade, porque o que se pode fazer é uma avaliação de acordo com o que achamos que cada jogador vale, mas sinceramente, por vezes é difícil ver transferências astronómicas por “dá cá aquela palha”. Os clubes por vezes parecem “meninos mimados” que não sabem o que fazer ao dinheiro. Temos 100 milhões, ora pega 50 para este e mais 50 para aquele e pronto… E assim mostram que têm poder económico. Ridículo.

SAD’s, passes e salários

Noutra vertente, outra coisa que intriga, e que tem estado na ordem do dia é a relação do futebol com o fisco.

No meio de todas estas enormes quantias de dinheiro em movimento, como é que funcionam os impostos? É inegável que as Sociedades Anónimas Desportivas, as conhecidas SAD [Sociedades Anónimas Desportivas], apresentam grandes resultados com as vendas de grande valor que os clubes protagonizam.

Existem duas realidades fundamentais sujeitas a impostos no que se refere a um jogador de futebol: a primeira é o passe do atleta, ou direitos desportivos e a segunda é naturalmente o seu salário.

O passe do atleta é comercializado no mercado, tendo um grande valor económico consoante a valia do jogador, podendo ser detido por várias partes.

Ederson, ex-Benfica, é um exemplo de um jogador com o passe detido por várias partes. (Foto: O Benfiquista)

Exemplo – retirado de um artigo do um jornal português, que reflete bem a situação:

Um jogador começa a valorizar-se com boas exibições e atrai a atenção de outro clube. Este clube entra em negociações com a SAD que detém o “passe” do jogador e oferece pelo mesmo vinte milhões de euros. A SAD tinha despendido com a aquisição deste jogador cinco milhões de euros. Com o acordo estabelecido, o clube interessado terá então de negociar com o jogador. Efectuada a transferência e encerrado o negócio, a SAD terá gerado uma mais-valia de quinze milhões de euros.

Esta mais-valia de 15 milhões de euros vai ser sujeita a IRC à taxa normal. Porém, se a SAD reinvestir no prazo de três anos os vinte milhões de euros resultantes da venda do jogador, na contratação de outros jogadores verá a taxa de IRC reduzida para metade.

Os jogadores, são, regra geral, tributados em sede de IRS como trabalhadores dependentes. Porém, como se trata de uma profissão de desgaste rápido, poderão deduzir integralmente ao IRS o despendido em seguros de doença, acidentes pessoais, de vida ou reforma por velhice.

Regime especial é possibilidade

Os jogadores de futebol podem optar por um regime especial para agentes desportivos, em que lhes é aplicada uma taxa de tributação inferior à taxa normal (correspondente a apenas 60 por cento desse montante).

Ao optar por este regime, perde o direito a quaisquer deduções ou abatimentos, ou seja, os rendimentos serão sujeitos a tributação pelo seu montante bruto.

Mas, apesar disso, os prémios que os atletas recebem por classificações relevantes obtidas em provas desportivas de elevado prestígio, estão isentos de IRS.

Depois destes “factos rápidos”, é importante perguntar: como é que se vê tanto jogador e clube a fugir aos impostos, se ainda gozam em alguns casos de benefícios fiscais e têm na sua posse elevadas quantias de dinheiro que podem facilmente fazer face aos seus encargos fiscais e estarem bem economicamente?

Muitos jogadores têm sido acusados de fugir ao fisco, vejamos o caso de Cristiano Ronaldo e Messi. Ainda há poucos dias saiu uma notícia que referia o facto de mais de 40 clubes com a sua situação ao fisco fora dos trâmites legais…

Cristiano Ronaldo está acusado pelo fisco espanhol de evasão aos impostos, tal como Messi. (Foto: Google)

Não somos economistas nem pretendemos sê-lo, nem queremos fazer campanha negativa ao futebol e aos seus agentes, mas há coisas que não se percebem na relação do futebol com o fisco. Vale tudo para ter na sua posse a maior quantidade de dinheiro possível, sem cumprir obrigações legais?

Fisco atento aos negócios

As operações de transferências de jogadores, pelos elevados montantes que atingem e também pela sua relevância como fonte de receita, são cada vez mais objecto de planeamento fiscal e os clubes e jogadores têm que ter consciência disso, porque esta realidade foi criada pelos mesmos, que correm a todo o custo lado a lado nesta “guerra financeira”, com os empresários a serem também um dos principais impulsionadores dos negócios megalómanos.

Cada país tem as suas leis fiscais, sendo que este artigo foi feito com base na lei portuguesa, mas de nação para nação acreditamos que a disparidade entre os princípios económicos referentes ao futebol não seja muito grande.

O futebol e o desporto em geral têm cada vez maior importância na vida económica dos países. Por outro lado, e ao contrário da generalidade da actividade económica, neste campo estão envolvidas muitas paixões e multidões, o que faz com que o processo e notícias de evasões fiscais seja cada vez mais ampliado e alvo de dissecação.

Fisco espanhol tem estado particularmente activo nos últimos dias. (Foto: JN)

No meio de um desporto que se rege cada vez mais pelo dinheiro, o que acaba por infelizmente ser natural, pede-se aos clubes, atletas e sobretudo aos empresários, rigor na gestão do seu elevado património, contribuindo para limpar a imagem do futebol, que por vezes é “poluída” sem necessidade nenhuma.

Por isso e para concluir: investigue-se de maneira eficaz possíveis delitos na arte de usurpar impostos, não só no futebol, como em toda a actividade desportiva. Em todos os meios há quem pague impostos e quem faça de tudo para escapar aos mesmos, mas quando falamos em rendimentos de 20 ou 30 milhões anuais, parece-nos que a evasão fiscal não tem qualquer fundamento.

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João BastosJunho 23, 20174min0

Com a convocatória da selecção portuguesa para os campeonatos da Europa de Juniores, o Fair Play inicia uma série de 13 artigos para apresentar os 13 nadadores presentes em Netanya (Israel)

O Meeting Internacional do Porto constituiu a última oportunidade para os nadadores juniores portugueses fazerem marcas de acesso aos Europeus do escalão. Com a selecção definida, iniciaremos o desfile dos nadadores que representarão Portugal no certame. Fá-lo-emos diariamente até dia 28 de Junho (primeiro dia de competições em Netanya) e por ordem alfabética.

Rafaela Azevedo

Nome: Rafaela Gomes Azevedo
Data de Nascimento: 21 de Janeiro de 2002
Clube: Sport Algés e Dafundo
Treinador: André Ribeiro
Provas: 50, 100 e 200 metros costas

Foto: Luís Filipe Nunes

Historial

Dos 13 artigos sobre os convocados para os Campeonatos da Europa de Juniores, o de Rafaela Azevedo será o mais curto. Isto porque a nadadora algesina ainda é juvenil!

A mais nova de uma linhagem de campeãs, Rafaela sempre representou o Algés e chega a estes campeonatos antes do tempo porque é, de facto, um dos maiores talentos produzidos em Portugal.

A história remonta apenas à época 2013/2014, a sua primeira época em competição. Começou por ser bi-campeã zonal infantil-B da zona sul, nos 800 livres e 200 costas, ficando no 2º lugar nos 100 costas e nos 200 livres.

Nos nacionais de infantis, já se impôs como a melhor costista da sua idade, vencendo as provas de 100 e 200 costas na categoria infantil-B. Na prova mais longa ficou a centésimos do record nacional.

Recordes esses que viriam na categoria seguinte. Como infantil-A, estabeleceu dois novos recordes nacionais da categoria, ambos nos 200 metros costas (um em piscina curta e um em piscina longa), ambos no mês de Junho. O primeiro em piscina curta, em casa, no Torneio do Centenário do Sport Algés e Dafundo, e depois em piscina longa no Memorial Morena.

No mês seguinte, nos nacionais de infantis, não melhorou as marcas mas chegou para ser novamente campeã nacional dos 100 e 200 costas.

Em juvenil-B, ou seja, no ano passado, iniciou a época sagrando-se tetra-campeã zonal. Venceu as suas provas clássicas (100 e 200 costas) e ainda os 100 e 800 livres. Nos nacionais de juvenis, sem surpresa, foi a campeã nacional juvenil-B dos 100 e 200 costas.

Nos campeonatos do escalão, no final da época passada, voltou a conseguir vencer as suas duas provas de eleição, mesmo nadando contra nadadoras um ano mais velhas.

Esta época, enquanto juvenil-A, voltou a repetir os títulos zonais dos 100 e 200 costas. Já nos nacionais, adicionou mais uma prova ao seu leque de títulos: 50 costas. Assim, foi campeã nacional nos 50, 100 e 200 costas. Nos 50 e 100 metros superiorizou-se inclusivamente às nadadoras seniores, sendo campeã absoluta.

Em resumo, Rafaela Azevedo é das poucas nadadoras portuguesas que, para já, pode dizer que foi sempre campeã nacional nas mesmas duas provas, em todos os campeonatos nacionais que nadou.

Foi com o tempo de 1:04.44 aos 100 metros que Rafaela conquistou o direito de estar em Israel.

A sua progressão nas provas que nadará em Israel foi a seguinte:

Fonte: Swimrankings

Antevisão

A benjamim da equipa, pela sua idade, só deve ter dois objectivos: aquisição de experiência internacional e desfrutar ao máximo de uma competição deste nível. Só depois virá a possibilidade de record nacional (o dos 100 metros está a 52 centésimos de distância; o record de juvenil-A é melhor que o de juniores) e só depois pensar em passar as eliminatórias.

Este último objectivo até pode ser inadvertidamente atingido, uma vez que nos 50 metros tem boas possibilidades de chegar à meia final. É uma prova onde centésimos significam lugares na tabela classificativa, mas na qual o seu tempo daria 18º lugar no ano passado.

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Francisco CabritaMarço 6, 201710min1

Patrick Morais de Carvalho fez três grandes promessas, quando assumiu o cargo de Presidente do Clube de Futebol “Os Belenenses”, em 2014: o regresso às Salésias, duplicação do número de sócios e um título nas modalidades. A esta acrescenta-se uma posterior: a recompra da SAD. E esse é o seu maior desafio.

Como tudo começou

Patrick Morais de Carvalho, advogado de profissão, anunciou a sua candidatura a presidente do Clube de Futebol “Os Belenenses” no dia 24 de Julho de 2014, na altura prometia, nas palavras do próprio, “entregar aos sócios um clube maior, mais vivido e mais participado”.

Em 2011, Patrick Morais de Carvalho já tinha pertencido à lista de João Barbosa como candidato para a mesa da assembleia geral.

Em Outubro de 2014, votaram 1.470 sócios do Belenenses, cujos votos deram a Patrick Morais de Carvalho uma vitória por 52,4% sobre o antigo presidente, António Soares.

Patrick Morais de Carvalho traçou, na altura, como três grandes objetivos fazer o Belenenses regressar às Salésias, duplicar o número de sócios e ganhar um título para o clube.

O caminho traçado para duplicar o número de sócios

Para realizar o objetivo de duplicar o número de sócios, a direção do Clube de Futebol “Os Belenenses” anunciou o novo cartão de sócio, que vem dentro de uma caixa – a bluebox.

A Bluebox começou a ser comercializada no dia 1 de Setembro de 2015 e inclui informação comercial dos parceiros do Clube com todas as vantagens protocoladas, cartão Repsol, o novo cartão de sócio e um Cachecol. Tem um custo de 10€ para sócios, de 20€ para antigos sócios que solicitem a sua readmissão (com duas quotas incluídas) e de 30€ para novos sócios (com três quotas incluídas). Nos dois últimos casos, aplica-se um desconto de 50% para estudantes e reformados. Todos os associados do clube poderão optar pelo pagamento através de débito direto.

Com o lançamento da bluebox, a Direção aproveitou a ocasião para proceder à renumeração de sócios , que não era feita há mais de 20 anos. Na altura, Patrick Morais de Carvalho disse , justificando a recontagem do número de sócios, que “em termos de marketing, um dos principais argumentos que faz com que os sócios não deixem de pagar as suas quotas é manter a sua antiguidade, vendo o seu número de sócio descer, pelo que se decidiu que pela oportunidade e pela estratégia de marketing que uma ação destas incorpora, era este o momento de atuar nesta área”.

A atual direção do Clube de Futebol “Os Belenenses” chegou ao Clube com 2700 sócios contribuintes, querendo aumentar, pelo menos para o dobro, até ao final do seu mandato.

Se irá conseguir, ou não, atingir esses valores, ninguém sabe. Ter-se-á de esperar até outubro de 2017, data de fim de mandato, mas, seguramente, ninguém pode tirar o mérito a esta direção de ter lançado um novo e revolucionário cartão de sócio, mais virado para o século XXI e o primeiro no Clube a utilizar tecnologia RFID – Identificação por Rádio Frequência.

Entre outras iniciativas para aproximar os adeptos do clube destaca-se a criação, a par da bluebox, do cartão das modalidades, uma espécie de passe de época para as quatro modalidades desportivas realizadas no pavilhão Acácio Rosa (andebol, basquetebol,voleibol e futsal). Este cartão veio contribuir muito para as bancadas bem compostas que se têm visto, este ano, no pavilhão.

Foto: Jornal “Abola”.

O regresso às Salésias

Para compreender a importância das Salésias para o Clube de Futebol “Os Belenenses” é importante recuar ao passado, a um dos capítulos mais tristes da história do clube.

O Campo das Salésias foi inaugurado no dia 29 de Janeiro de 1928. Ao longo de muitos anos reconhecido como o melhor estádio de Portugal, com uma lotação que ultrapassava as 20.000 pessoas. Foi o primeiro recinto desportivo português a dispor de bancada coberta e também, a partir de 1937, o primeiro a proporcionar um campo relvado. Era lá que a Seleção Nacional disputava os seus compromissos internacionais, que ali se mantiveram até à inauguração do Estádio Nacional em 1944, tendo o recinto recebido igualmente o 1º jogo internacional de Andebol realizado em Portugal.

Em 1956, o Clube de Futebol “Os Belenenses” foi forçado pelos poderes públicos a abandonar aquele espaço para o qual alegadamente existiam grandes projetos, tendo sido a partir daí votado ao mais profundo abandono.

Há quem diga que o Clube de Futebol “Os Belenenses” nunca mais foi o mesmo.

A 26 de Maio de 2016 o Clube de Futebol “Os Belenenses” regressou às Salésias. Para o grande objetivo ser possível, o parceiro escolhido foi a EDP e, depois de um investimento ligeiramente acima dos 200 mil euros, o sonho transformou-se em realidade.

Possibilitar o regresso às Salésias a um adepto azul é como pagar uma viagem a Jerusalém a um católico praticante, é voltar a um lugar sagrado, onde as histórias contadas pelos mais velhos ganham vida.

Foto: C.M.L.

Dar um título ao Clube

Em termos desportivos, como é conhecimento público, a gestão do futebol profissional do clube azul está entregue à SAD, mas as camadas jovens são responsabilidade do Clube. 

No escalão visto como mais importante no futebol de formação, os Juniores A, o Clube de Futebol “Os Belenenses” encontra-se na fase de apuramento de campeão como segundo classificado em igualdade pontual com o primeiro classificado, o Sporting CP, contabilizando, ambas as equipas, 3 vitórias e 1 empate nesta fase da prova.

Em futsal feminino, o Clube de Futebol “Os Belenenses” segue imparável, contabilizando em 13 jogos… 13 vitórias. Tudo indica que a subida de divisão é um sonho tornado realidade.

Em futsal masculino, está-se a assistir ao ressurgimento do grande Clube de Futebol “Os Belenenses” de outrora, depois de campeonatos tremidos, onde a descida de divisão pairava, eis que a equipa segue em quarto lugar no campeonato, tendo assinado lugar na já disputada final da taça da liga.

Em voleibol feminino o clube segue em quinto lugar, em rugby em sexto.

No cômputo geral das principais modalidades, o panorama é bastante animador. Patrick Morais de Carvalho conseguiu, outra vez, incutir a mentalidade ganhadora dos rapazes da praia que abandonara o clube.

E não é loucura nenhuma afirmar que, no escalão de Juniores A de futebol, o título é uma realidade bem presente. 

Foto: Site Clube de Futebol “Os Belenenses”.

Um novo objetivo: A recompra da SAD

A direção do Belenenses anunciou publicamente, a 22 de Julho de 2016, ter apresentado um requerimento para a criação de um tribunal arbitral para ver restituído e reconhecido o direito do clube em exercer a recompra da SAD, que tem a gestão do futebol profissional.

“No dia 18 de junho de 2016, fizemos um requerimento no Tribunal do Comércio de Lisboa, para que seja constituído um tribunal arbitral, para ver restituída e reconhecida a opção de compra da SAD e a fixação do preço“, afirmou o presidente Patrick Morais de Carvalho, reforçando, desta forma, o que já tinha antecipado em abril de 2016.

O líder do clube do Restelo, criticou a resolução unilateral do acordo parassocial por parte da Codecity Sports Management, de Rui Pedro Soares, considerando que se tratou de um ato “ilegal, com o objetivo de impedir o clube de acionar a opção de compra“.

“A opção de compra era condição essencial para assinar o contrato de compra e venda entre clube e Codecity [em 2012]. Não temos dúvidas de que a razão está do nosso lado. O próximo campeonato será o último em que este acionista estará à frente do nosso futebol profissional“, referiu.

À data, Patrick Morais de Carvalho referiu ainda que a SAD devia 45 meses de pagamento de eletricidade, água e gás ao Clube.

Recuperar a gestão do Futebol profissional do Clube de Futebol “Os Belenenses” é o grande desafio de Patrick Morais de Carvalho, que prometeu fazê-lo entre outubro de 2017 e Janeiro de 2018.

Recuperar a SAD mais do que uma imposição feita por grande parte dos sócios é , sem dúvida , recuperar o próprio clube, dando um grande sinal de vitalidade.

Foto: Jornal “A Bola”

Patrick Morais de Carvalho prometeu o regresso às Salésias: cumpriu; prometeu um kit de sócio mais virado para o século XXI: cumpriu; prometeu um título nas modalidades, mais cedo ou mais tarde, acabará por cumprir a promessa; quanto à recompra da SAD? Temos de esperar por outubro de 2017, mas o compromisso de Patrick Morais de Carvalho com a promessa cumprida faz-nos antever um desfecho bonito para o clube.

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João BastosJaneiro 28, 201718min0

O Fair Play foi falar com o treinador principal do Sport Algés e Dafundo, o Professor Miguel Frischknecht. O título da 1ª divisão feminina e as críticas à política desportiva seguida pela Federação Portuguesa de Natação – consubstanciadas na carta aberta que enviou a toda a comunicação social – foram os temas abordados na entrevista exclusiva ao Fair Play

fp: O Algés é um dos clubes com maior palmarés da natação portuguesa, mas depois de vencer 14 títulos nacionais de clubes (12 em masculinos e 2 em femininos) em 14 anos consecutivos (entre 1992 e 2006), ficou em branco 10 anos, até conquistar a 1ª divisão feminina esta época. A que se deveu este hiato?

MF: Esse hiato deveu-se à interrupção que fomos forçados a fazer pela renovação das piscinas. Tivemos de reformular toda a Escola de Natação, Escalões de Formação, etc…estabelecemos que em oito anos poderíamos voltar a ter uma equipa competitiva, para fazer jus à História do clube.

Eu e as pessoas envolvidas no projecto tivemos de ter muita paciência. Não foi fácil, houve alturas que pensámos que não seria possível voltar ao nível de outros tempos, mas conseguimos e este trabalho paciente teve agora a recompensa com o título da 1ª divisão feminina.

Actualmente, penso que estamos entre as três melhores equipas portuguesas de natação.

Em suma, esse hiato deveu-se à perda de todas as classes de natação durante o ano em que não tivemos piscina.

fp: Quem observa a natação nacional via este título como algo que mais tarde ou cedo iria acontecer. Acredita que esta equipa vai marcar uma época na natação nacional e que este é apenas o 1º título colectivo de muitos que esta equipa irá conquistar?

MF: Nós vamos tentar! Não será fácil porque neste momento existe uma política nos grandes clubes que não assenta na formação. Falo concretamente do Sporting, Benfica e FC Porto, cuja estratégia assenta na contratação de nadadores formados e com um nível elevadíssimo, mas nós acreditamos que a nossa política é que está correcta e na próxima época lá estaremos a defender o título.

Pensamos que esta geração poderá estar nos próximos 10 anos sempre nos primeiros três lugares dos nacionais de clubes.

Equipa do SAD vencedora da 1ª divisão feminina | Foto: FPN

fp: Esta equipa ainda é muito jovem mas já tem excelentes perspectivas de renovação…

MF: Sim. Temos várias atletas com nível de vir a integrar a equipa já no próximo campeonato. Este ano estavam inscritas mas não chegaram a nadar efectivamente, mas no próximo ano já contaremos com um ou dois reforços internos, vindos da formação.

fp: E em relação à equipa masculina. Campeões nacionais da 2ª divisão masculina, o que podemos esperar desta equipa já na próxima época?

MF: A próxima época servirá para consolidação e para ganhar experiência. Nos rapazes é mais moroso atingir o topo porque o desenvolvimento físico é mais tardio. Só aos 18/19 anos conseguem competir em termos absolutos pelos primeiros lugares, enquanto as raparigas aos 14/15 podem conseguir classificações de relevo em termos absolutos.

Essa discrepância de idade atrasou um pouco o desenvolvimento da equipa masculina, face à feminina. No próximo ano o objectivo é a manutenção, ainda.

Equipa masculina do SAD, campeã nacional da 2ª divisão | Foto: FPN

fp: Mas nem só do CNC se escrevem os êxitos desta época do Algés. Nos Nacionais de Piscina Curta, foi o segundo clube com mais medalhas e com mais ouros, sendo que dominou o escalão de juniores, como já tinha feito o ano passado. O Algés está no “ponto rebuçado” para começar a dominar também nos seniores e absolutos?

MF: Eu penso que sim. E é esse o objectivo.

Como disse anteriormente, queremos estar entre as três melhores equipas nacionais, mas trabalhamos diariamente para sermos a melhor equipa nacional, quer no sector feminino, quer no sector masculino.

Porém, reforço o alerta que fiz na carta aberta que escrevi: sentimos que podemos não passar daqui, face a todas as situações que lá referi e que considero que limitam o desenvolvimento da natação. E não falo apenas do nosso clube, porque há outros clubes que se deparam com as mesmas dificuldades, com certeza.

fp: Há uma prova em Portugal que tem a assinatura do Algés que são os 200 costas femininos. Em piscina curta o recorde absoluto pertence a nadadoras do Algés há 31 anos e em piscina longa, nos últimos 29 anos, só entre Fevereiro de 2014 e Abril de 2015 o record não foi do Algés. Há algum segredo?

MF: Não, não há segredo. Nós, aqui na piscina, temos um quadro de recordes, que serve de motivação diária a todos os nossos nadadores e, como era o único record absoluto que nós ainda tínhamos, se calhar é esse o significado que tem.

Mas é um acaso, podia ser noutra prova qualquer.

Francisca Azevedo, recordista nacional dos 200 costas em piscina longa e Rita Frischknecht, recordista nacional dos 200 costas em piscina curta | Foto: FPN

fp: Quais são os objectivos para Tóquio2020?

MF: Os atletas que chegam à selecção nacional têm sempre a ambição de chegar a uns Jogos Olímpicos e eu, enquanto treinador, tenho a ambição de ter atletas em Jogos Olímpicos, sempre.

Nos últimos 20, 24 anos estes foram os primeiros Jogos Olímpicos em que o Algés não esteve representado. Coincidiu com um período que voltamos a ter atletas de topo, mas queremos ter atletas nos Jogos de 2020.

E eu, enquanto treinador, quero ter atletas a obter bons desempenhos nos Jogos. Primeiro estar lá e depois obter bons resultados, seguindo o exemplo do Alexis Santos.

fp: Na sua carta aberta enuncia a entrada da faculdade como o factor crítico no abandono da modalidade. Em Portugal já houve um debate sério entre os agentes desportivos, a tutela do Ensino Superior e as Associações Académicas e de Estudantes sobre esta problemática?

MF: Que eu tenha conhecimento, não.

Sei que pontualmente é feita essa discussão. Sempre de quatro em quatro anos, depois de uns Jogos Olímpicos. Mas não envolve as pessoas que devia envolver e depois acaba por ser abandonado o assunto durante três anos.

A questão da entrada na faculdade não é a falta de tempo para treinar. Se os atletas forem metódicos e organizados, conseguem ter tempo para treinar. A questão é a aposta na natação. É o facto dos nadadores sentirem que não vale a pena apostar na natação face às circunstâncias do desporto.

Em 90% dos casos optam por se dedicar em exclusivo à carreira académica.

fp: É essa falta de diálogo que faz com que – e concretamente na natação – tenhamos vários títulos no escalão de juniores, a nível europeu, mas em absolutos nem por isso?

MF: Exacto. Essa é uma das razões. Quando os atletas têm disponibilidade mental para trabalhar, conseguem ter resultados. A partir do momento em que têm de tomar uma opção, as coisas ficam mais difíceis.

fp: Também na sua carta, escreve que o problema do desporto nacional não é falta de financiamento estatal às federações mas a aplicação desse financiamento pelas mesmas, e particularmente sobre a FPN, afirma que “o dinheiro é gasto em tudo menos no que deve ser”. Na sua opinião, quais deveriam ser as prioridades de investimento da FPN?

MF: O foco da FPN deveria ser sempre os atletas e os clubes deveriam ser entendidos como os alicerces da carreira dos atletas e como os próprios alicerces da natação portuguesa, conforme ela está organizada.

Os clubes deveriam ser mais apoiados nesse sentido.

O alerta que deixo, e que já venho deixando há 4 anos, é que tem de se apostar em quem investe nos atletas, tem de se apostar na base da formação dos atletas, porque se vamos reduzindo o apoio à base de formação e se retiramos o valor dos clubes e dos treinadores no processo de formação, a natação esvazia-se.

O que defendo é que a Federação seja uma parceira dos clubes e vice-versa, para alcançar o objectivo comum que é termos uma natação forte em termos absolutos.

O que pretendo alertar na carta é isso mesmo. Que o apoio é cada vez menor e ameaça de extinção vários clubes. Isso terá consequências no topo da nossa natação e se as coisas continuarem assim, temo que daqui a quatro anos voltemos a ter a mesma conversa.

Miguel Frischknecht com as internacionais Raquel Pereira e Rita Frischknecht | Foto: Facebook Algés – Natação

fp: Mas não considera que o projecto do Centro de Alto Rendimento em Rio Maior é uma espécie de “tubo de ensaio” da FPN de forma a assumir directamente a alta competição, minorando o papel dos clubes que não têm os recursos necessários para assegurar essa vertente?

MF: Sim, eu julgo que sim. Os Centros de Alto Rendimento são fundamentais. Em todos os países onde a natação está mais desenvolvida há Centros de Alto Rendimento.

Agora, a questão é que a existência de Centros de Alto Rendimento não pode impedir que existam clubes em paralelo na formação. O que assistimos é a aposta total em Centros de Alto Rendimento, mas os atletas precisam de chegar lá e para isso é preciso que existam clubes que formem os nadadores. Se não existirem clubes, não existirão Centros de Alto Rendimento porque não há atletas a chegar lá.

Tem de haver uma articulação entre os clubes e os CAR. Os treinadores que fornecem atletas à selecção deveriam ser ouvidos sobre a estratégia desportiva desenvolvida nos CAR. As posições unilaterais prejudicam a natação e nesta questão as posições da FPN são tomadas unilateralmente.

fp: Na sua entrevista à “A Bola” considerou que não é um conjunto de atletas que está a chegar ao topo, mas devia ser, mas o que é facto é que voltamos a uma meia-final olímpica, 28 anos depois de Alexandre Yokochi, voltamos a pódios europeus 11 anos depois de José Couto e voltamos a ter uma campeã da Europa de Juniores, 11 anos depois da Diana Gomes. Acha que estes resultados são isolados e não consequência da política desportiva da FPN?

MF: Não podemos dissociar os resultados da política da Federação. Aquilo que eu acho é que são excepções porque se olharmos para os restantes resultados e se olharmos para o nível médio da natação portuguesa, estamos a andar para trás.

Nós não podemos ter só um ou dois atletas a aparecer de 4 em 4 anos, se não a tendência será a mesma de sempre, um atleta de topo de 20 em 20 anos, e tem de haver mais.

Para isso, tem de haver apoio a quem forma os atletas.

Para além disso, nos Jogos Olímpicos o Alexis teve resultados excelentes, mas para os restantes atletas as coisas não correram assim tão bem. Nem sequer fizeram as melhores marcas da época.

Nem consegui ler nenhuma análise da FPN aos resultados dos Jogos. Normalmente há um relatório, nessa ocasião não o consegui encontrar em lado nenhum.

fp: Na sua carta, considera que há opacidade no modelo de apoio da FPN. O enquadramento desse apoio (presenças em competições) não está perfeitamente definido? Ou está dependente do orçamento disponível?

MF: Neste momento temos um leque de 19 atletas que poderão competir ou estagiar a nível internacional. São os únicos que poderão estagiar em altitude com equipas mais fortes, por exemplo.

Ao mesmo tempo reduz-se o apoio aos clubes para participação em competições internacionais.

Nós fomos um dos países organizadores do Multinations, quer juvenil, quer júnior e actualmente nem participamos nessa competição que foi uma competição chave no desenvolvimento da nossa natação. Foi onde despontaram nadadores como o José Couto, o Nuno Laurentino, etc…

Agora, ao reduzir o número de atletas que poderão competir a nível internacional, ainda vamos ter mais dificuldade em chegar a patamares de topo. Por isso, devíamos alargar a base de apoio para conseguirmos ter mais nadadores no topo.

fp: Em relação ao funcionamento dos clubes, estes estão a funcionar quase em exclusivo à base de mecenato (leia-se dos pais dos atletas)?

MF: Só!

Há o apoio da direcção, como é óbvio, mas o grande investimento é dos pais. Ainda agora fizemos um estágio em Rio Maior, entre o Natal e o Ano Novo e foram os pais que pagaram.

Por isso, é nessa base que funcionamos.

Eu treino campeões nacionais e recordistas absolutos, mas se lhes quiser dar experiência internacional, terão de ser os pais a apoiar.

fp: Sobre o Plano de Alto Rendimento 2017, referiu que o Director-Técnico Nacional constituiu uma comissão técnica para analisar a proposta da FPN, que na prática não funcionou. Por outro lado, a primeira versão do PAR foi alterada depois das reclamações apresentadas pelo Diogo Carvalho e pelo Alexis Santos. A comissão técnica apresentou alguma reclamação depois da publicação da primeira versão do PAR?

MF: Sim, apresentou. Alguns elementos dessa comissão enviaram por e-mail as suas observações ao DTN. Eu falei telefonicamente e também pessoalmente com o DTN e apresentei-lhe as minhas questões.

Pelos vistos, algumas coisas já foram mudadas também no que respeita aos apoios aos treinadores. Saiu uma circular há pouco tempo notificando que cada treinador que tivesse atletas seus nas competições mais importantes receberia um incentivo de 500€.

Estas alterações seriam todas evitáveis se a Comissão fosse ouvida antes de emanado o PAR. A primeira versão foi publicada há dois meses e já vamos na 2ª alteração…e não ficará por aqui.

fp: Quem acompanha os fóruns da natação nacional, percebe que há mais agentes desportivos que se revêm nas suas críticas à direcção da FPN, mas em Outubro houve eleições e para a direcção apenas concorreu a lista de continuidade, encabeçada pelo Professor António José Silva. Apesar das críticas, não há alternativas?

MF: Chegou a haver, mas por razões pessoais deixou de existir. Não há alternativa mas também não é isso que está em discussão. As eleições foram agora, mas nada impede que os assuntos não sejam colocados e discutidos de forma aberta, que foi o que tentei fazer, para que todos os envolvidos – Federação, Clubes, Dirigentes – possam discutir a natação e levá-la a um nível elevado.

Que fique claro que não encaro isto como guerra, nem questões pessoais. Quero apenas transmitir as minhas ideias nos locais onde as posso transmitir, já que pessoalmente não tenho muitas oportunidades de falar com o Presidente [da FPN] sobre estes assuntos.

Quero que trabalhemos todos juntos em prol da natação e que as minhas críticas não sejam entendidas como ataques pessoais, como muitas vezes é veiculado da parte da FPN.

fp: Diz não ter dúvidas que existirão represálias à sua entrevista à “A Bola”. O Professor ou o Algés já sofreram consequências da sua postura crítica em relação a esta direcção da FPN?

MF: Já. Foi-me instaurado um processo disciplinar que decorreu durante 6 meses. Creio que sou o único treinador de natação em Portugal que fui alvo de um processo disciplinar. Foi-me instaurado por causa de uma declaração crítica à política da Federação.

Tive conhecimento desse processo através de um comunicado. Nunca fui ouvido nesse processo.

Coincidiu com um período de competições internacionais – Jogos Europeus e Campeonatos da Europa de Juniores – no qual não pude acompanhar os atletas do Algés nessas competições.

Já tive essa represália que prejudicou sobretudo os atletas que se viram privados do acompanhamento do seu treinador.

Por isso é provável que agora volte a sofrer as mesmas consequências.

Notícia sobre os Jogos Europeus, que decorreram durante o processo disciplinar a Miguel Frischknecht | Foto: Arquivo Pessoal

fp: Há FairPlay na natação?

MF: Sem dúvida que há Fair Play na natação!

fp: Deixe uma mensagem aos leitores do FP, e nomeadamente aos mais jovens que estão a pensar começar a praticar natação (eventualmente até no Algés).

MF: A natação, como qualquer desporto, são importantíssimos na formação de qualquer pessoa. Não é só o alto rendimento. É lógico que quando alguém pratica um desporto e começa a ter resultados, o alto rendimento surge com naturalidade.

Mas a prática desportiva vai muito para além dos resultados desportivos e eu tento sempre transmitir isso aos meus atletas.

Eu sempre fiz natação e tudo o que tenho foi a natação que me deu, inclusive os amigos que conservo desde jovem. O desporto é um factor de desenvolvimento em todas as áreas da formação pessoal e por isso é importantíssimo praticá-lo e, na minha opinião, a natação é o melhor desporto que poderão praticar.


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


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