23 Nov, 2017

Arquivo de Maria Heitor - Fair Play

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Francisco IsaacMaio 11, 201711min0

Mais uma semana, mais um volume pronto a “tocar” sobre o Figueira Beach Rugby Stories desta vez com uma das líderes do LMRCV, campeãs femininas em 2016 do FBR, Maria Heitor. O que esperar das Putain de Nanas nas areais da Figueira?

Nova entry passando directamente para as Rainhas de 2016, as Putain de Nanas, ou seja, a equipa feminina do LMRCV (vice-campeão do TOP8 em 2017), formação francesa da cidade de Lille.

Em 2016 as francesas marcaram os areais da Figueira com um rugby muito de apoio, rápido e físico, onde se via alguma diferença das nossas atletas nacionais para a preparação que as jogadores francesas possuem.

O Beach Rugby, para os que não sabem ou não estão por dentro, é uma variante que se joga de 5 para 5, com um tempo de jogo muito inferior ao de XV, quase equiparando-se aos 7’s. Extremamente físico, extremamente desgaste e extremamente emotivo. Uma falha de placagem abre caminho directo para o ensaio, o que força aos jogadores estarem no seu melhor em todos os momentos do jogo.

Nisso as Putain de Nanas (alcunha dada às jogadoras do LMRCV pelos técnicos da equipa francesa) são imparáveis, com uma capacidade de encaixe forte e acima da média, com uma boa qualidade de disputa de bola no ar.

O Fair Play foi falar com a sua máxima representante, Maria Heitor, atleta que representou o Lille durante as duas últimas temporadas tendo conquistado um “espaço” muito especial na memória e “coração” das gentes da cidade do norte de França.

fp. Maria, as Putain de Nanas estão de volta à Figueira… vão conquistar o título mais uma vez? O que é que as tuas colegas do LMRCV acharam do Melhor Torneio de Beach Rugby do Mundo?

MH. As putains de nanas estão de volta este ano mas com algumas caras novas. A primeira experiência foi excelente. E a equipa não podia não deixar de repetir. Acho que ficaram fãs. Não falaram de outra coisa a época toda. Fiquei contente de ser a embaixadora desta vinda no primeiro ano e de fazer a ponte entre o grupo e o melhor torneio de beach do mundo.

fp. O que há de tão especial com o LMRCV e as Putain de Nanas?

MH. Lmrcv e as Putains de nanas são mais que uma equipa. São uma verdadeira família que partilha em comum a paixão pelo rugby. Num desporto ainda amador e no norte de França onde o rugby não é conhecido, as Putain de Nanas encaram o rugby de forma profissional.

fp. Há alguma jogadora internacional na equipa que vem à Figueira? Ou só tu é que és internacional nas que vêm jogar nas “areias” da Figueira?

MH. Infelizmente, este ano vamos estar privadas das nossas jogadoras internacionais. As do XV estarão a preparar o campeonato do mundo e as dos VII terão estágio na semana seguinte ao torneio. Mas temos no grupo tres ex internacionais francesas.

fp. Qual é a opinião dos franceses sobre o Beach Rugby? É algo que eles gostam e praticam ou só agora estão a descobri-lo?

MH. O beach rugby em franca e jogado sem placagem, só touch. Logo a experiência da placagem na areia foi uma novidade para o grupo o ano passado. Além disso as diferenças brutais de temperaturas entre o norte de França e Portugal são mais uma das marcas deste torneio

fp. E conta-nos um pouco sobre a tua história na Figueira… já ganhaste várias vezes o torneio feminino correcto? É especial participares neste evento? E achas que é um dos grandes momentos do rugby Nacional?

MH. Sem dúvida que ter a sorte de subir ao palco para receber o 1º lugar é um enorme prazer. Já tive a sorte de o fazer duas vezes. E esperemos que este ano possamos revalidar o titulo. É sem dúvida que é um dos momentos altos do ano para mim e para as PDN. Tenho a certeza que serão presença assídua a partir de agora .

fp. Queres deixar uma mensagem especial para todos aqueles que estão a ler este artigo e que precisem de uma dose extra de motivação?

MH. Se tiverem a oportunidade de passar no fim de semana 2 e 3 de Julho na Figueira da Foz não se vão arrepender de ver o estilo duro do jogo francês contra as nossas equipas portuguesas. Se não tiverem essa oportunidade, esperemos chegar a final para que possam ver o jogo em directo no site do torneio.

Por isso, poderão ver a Maria Heitor e as suas Putain de Nanas a espalharem “terror” pela Figueira, no seu caminho para conquistar uma prova que significa-lhes muito. É uma das melhores formas de “vender” o rugby feminino já que mostra toda a qualidade técnica, velocidade de jogo, impacto na placagem e, sobretudo, a paixão pelo rugby.

Foto: Facebook de Maria Heitor

DICA DA SEMANA: No Beach Rugby o portador da bola, no contacto, tem cerca de 2/3 segundos para conseguir soltar, passar ou cair no chão para dar sequência de jogo. Se o placador o travar no ar e o “abraçar” com “agressividade” (sempre abaixo dos ombros a placagem) poderão conquistar um turnover importante para a sua equipa. Uma boa placagem às pernas é sempre de valor, não há dúvida, mas se conseguirem suster o vosso adversário e impedir a saída de bola (dentro das regras) então têm uma falta para jogar rápido.

VERSÃO INGLESA | ENGLISH VERSION

New entry and now with the queens of 2016, the Putain de Nanas, officially called LMRCV (2nd place on the TOP8 in 2017). The LMRCV helds from Lille and is known for it’s rugby, artists and beautiful streets.

In 2016 the French team won the women’s division with a strong game-play, where support, agility and physicality draw the line between themselves and the rest of the competition.

For those who don’t know Beach Rugby or never played it, it’s a different type of game from the XV or 7’s. 10 minutes per game, 5 players in each side (with an extra 5 always ready to come that have to enter through the try line) and a skills challenge amongst the two teams. You have to tackle, failing it will surely lead the other team to the try, a setback if you want to win the game (each try counts as one point).

The Putain de Nanas were quite impressive in that area, showing a tremendous skill in defense, tackling with efficiency and going back to their feet quickly. It’s their trademark, so it will once again be present on Figueira… so watch out.

Fair Play interviewed one of the most charismatic players, Maria Heitor. The Portuguese flanker/prop played for two seasons in Lille, achieving the TOP8 crown in 2016 and once again will lead her teammates to another Figueira Beach Rugby Tournament.

fp. Maria the Putain de Nanas are back at Figueira… are you going to go for the 2nd title in a row? What did your teammates from LMRCV thought about the Best Beach World Tournament of the World?

MH. We are back and with some new faces! Last year was incredible and a total great experience. My teammates wouldn’t stop talking about it the following days, weeks and months so we had to come back. I was happy to be the one who brought them here, the Best Beach Rugby Tournament of the World.

fp. What is so special about LMRCV and the Putain de Nanas?

MH. The Putain de Nanas and LMRCV are way more than just a team. We are a family that shares the same passion for rugby. In the north of France, rugby (and specially women’s rugby) is still an amateur sport but we face it with the utmost professionalism possible.

fp. In your team will there be any French internationals (7’s or XV’s) in Figueira? Or are you the only one that played in a National team?

MH. Unfortunately we won’t have the French international players. Some will go to the French training camp (for the Women’s World Cup) and others are going to play for the 7’s squad. But don’t worry, three ex-international players are coming to Figueira… watch out!

fp. How do the French see Beach Rugby? Is something that they like or they are just discovering it?

MH. There’s a big difference between Portugal and France in Beach Rugby… the tackle. In France the women’s division is without tackle, only touch. Last year was a surprise for my team but we adapted quite quickly and lifted the title. Another surprise was the weather with higher temperatures here in Portugal when compared to France.  

fp. And tell us about yourself… you won Figueira Beach Rugby women’s tournament several times. How special it is to play there? It’s one of the biggest moments of the year for Portuguese rugby?

MH. Yeah, to go to the podium once is great but go for two times? That’s awesome. I hope I can complete the hat-trick in 2017. For Portuguese rugby this is one of the most special moments of the year, as for us the Putain de Nanas. 

fp. Leave a special message for our readers who never heard or don’t know really much about the Cayman Islands rugby team.

MH. You have to come to Figueira, it’s one of the most special events of the year for the rugby World. You cannot sit back at home and not come to the awesome show that beach rugby is. Follow us, the Putain de Nanas with our special harsh and strong French style! If you can’t come watch the finals from the stream channel, we will be there! (laughs)

So after this you will able to see Maria Heitor and her fellow Putain de Nanas in Figueira (1 and 2 of July) where they will try to conquer yet again the title. For women’s rugby this is an important event as they can show  their skills, speed and tackle game, but most important of all, their passion for the game.

Foto: Facebook de Maria Heitor

TIP OF THE WEEK: In Beach Rugby the player carrying the ball have to let it go after it gets tackled by all means necessary. You have 2/3 seconds to either pass it, let it go or fall to the ground. Failing it will lead to a quick penalty for the defending team. The tackler have to be “aggressive” in hugging their opponents to conquer a penalty quick. We all want a strong tackle to the knees or legs, but in Beach Rugby try to go for the ball… it will give you advantage in the game.

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Francisco IsaacAbril 10, 20176min0

As Seis Nações femininas, a profissionalização do rugby, a preparação para a fase final do TOP8 foram alguns dos temas abordados por Maria Heitor, atleta do LMRCV. O Diário do Atleta de Maria Heitor no Fair Play

O torneio das 6 nações obrigou-nos a uma longa pausa no campeonato. Com a Inglaterra a dominar os dois torneios, especialmente o torneio feminino, onde não deixou dúvidas de ser a seleção favorita, a bater, e por muitos, todas as selecções, mostrando que uma aposta na profissionalização traz bons resultados. Deixem-me lembrar-vos que a seleção inglesa é a primeira seleção europeia a profissionalizar as suas jogadoras de rugby de XV.

Depois de uma grande aposta das principais potências do rugby feminino na vertente de 7s, chegou a hora de apostar no rugby de XV, com a aproximação do campeonato do mundo 2017, na Irlanda, a Inglaterra ofereceu 48 contratos profissionais às suas jogadoras.

A seleção francesa detentora do título de 2016, depois de se ver obrigada a mudar todo o seu staff no final de 2016, acabou por ter uma participação menos positiva nesta prova. A menos de 9 meses do campeonato do mundo, les Bleus vêm-se obrigadas a adaptar-se a novos métodos de trabalho, a criar novas rotinas, a testar novas posições, etc.

Apesar de já se ouvir falar duma profissionalização do XV, é ainda um sonho. Mas se a França quer continuar a fazer parte das melhores seleções do mundo tem de se despachar e apanhar o mesmo comboio que as outras potências. (só a seleção de 7s é profissional, as jogadoras de XV são completamente amadoras, apesar de terem um prémio diário em cada estágio e ou jogo/pré-jogo).

Bem… da seleção francesa até ao campeonato nacional, fomos ao longo destes 2 meses privadas das nossas 5 jogadoras internacionais. Mas a trabalhar duro para que, quando estas chegassem, a diferença de nível não se notasse, o que queria dizer que tínhamos que trabalhar o dobro, sem jogos, sem as nossas internacionais (que enfrentavam as grandes seleções europeias).

O nosso staff tratou de marcar jogos amigáveis, fazer oposições contra a equipa sénior masculina, oposições contra a nossa equipa reserva, enfim. Tudo o que estivesse ao seu alcance para que a seguir a esta interrupção entrássemos no campeonato «a abrir».

Com o nosso apuramento já garantido para a final a duas jornadas do final da fase regular, e com 3 lugares ainda em discussão entre 4 equipas (Saint Oraes, Montpellier, Stade Toulousain e Stade Rennais).

Foto: Arquivo de Maria Heitor

Temos pela frente dois jogos aparentemente calmos, enquanto as outras equipas vão-se enfrentar numa tentativa de garantir o seu lugar nas meias-finais. E entre o Caen e o Clermont-Romagnat lutam pela manutenção no top 8.

Antes de enfrentar o Romagnat, a equipa da Normandia (Caen) ia receber-nos em casa. O nosso objetivo era claro, apesar das deslocações à Normandia serem sempre complicadas queríamos ganhar fora e com ponto bónus ofensivo para continuarmos em 1º lugar do campeonato.

Do lado da equipa do Caen, se conseguissem a garantia do ponto bónus defensivo (perder por menos de 7 pontos), a manutenção estava garantida.

Com o efectivo completo tivemos apenas dois treinos para preparar o jogo. Na sexta feira ao final do dia, os treinadores anunciam a equipa e fico a saber que vou voltar a jogar na posição onde mais gosto, asa. No sábado encontramo-nos no clube e partimos em autocarro até à cidade de Caen.

Domingo de manhã, estava cheia de vontade de jogar! Mais do que era normal, acho que a excitação de voltar a jogar a asa era visível (nem consegui dormir bem)… além disso, há dois meses que não tínhamos um jogo oficial. Eu sentia-me bem fisicamente. Neste último mês tinha mudado os meus treinos de ginásio, adicionado alguns treinos de corrida e tinha perdido algum peso (depois do natal…. Enfim… as lutas de sempre).

Faltavam 5 jogos! 5 vitórias! Para esta aventura francesa acabar em beleza! Os dois jogos da fase regular, as duas meias finais e a final (dia 29 de Abril em Bordéus). Chegámos ao campo 1h40 antes do jogo, entre os preparativos de jogo, saímos para o aquecimento 40 minutos antes do jogo.

Um dia lindo para jogar rugby! Lembro-me que ao sair dos vestiários tive uma pequena sensação de estar a jogar em Portugal, com o céu limpo, uns 18 ou 19 graus… uma coisa rara nesta zona de França e em Lille para o mês de Março.

Um aquecimento bem duro para nos acordar! E uns 10 minutos de recuperação antes do jogo.

Nos primeiros minutos de jogo o Caen instalou-se no nosso campo. E ao longo de 10 minutos tivemos alguma dificuldade em sair de lá, sem perder a calma conseguimos progredir e instalar-nos no campo delas.

Uma primeira parte em que chegámos ao objetivo 3 vezes! Fomos para intervalo com o resultado em 17-00. Ao intervalo os treinadores pediram-nos para começarmos a introduzir as novas jogadas. Era o último jogo onde as podíamos testar.

O próximo jogo será transmitido em direto então não seria o melhor para as experimentar. Na segunda parte do jogo, a nossa equipa impôs-se fisicamente e mesmo a rodar a equipa toda conseguimos marcar 5 ensaios. Aos 45 minutos passei de asa para pilar e terminei o jogo a enfrentar a pilar da seleção francesa.

Apesar de tecnicamente ela me dar uma ratada, é nestes momentos que me sinto progredir nesta nova aventura. Neste jogo voltei a fazer os 80 minutos completos e voltei a marcar um ensaio o que me deixar super feliz porque eram os objetivos que tinha para esta época! Mais tempo de jogo, fazer um jogo completo e marcar ensaios!

Um resultado final de 44-00 que nos deu uma boa festa nas 5horas de autocarro de volta para casa. Esta semana preparamo-nos para enfrentar o Bobigny, o jogo será transmitido em direto pela Eurosport Francesa. É o último jogo da fase regular do campeonato. No próximo domingo os 4 jogos do nosso campeonato serão transmitidos em direto pela Eurosport.

Uma estreia para o rugby feminino:

LMRCV vs BOBIGNY

ASM Romagnat vs CAEN (decide a equipa que se mantem na divisão de honra do rugby feminino)

MONTPELLIER vs RENNES

BLAGNAC-ST-ORENS vs TOULOUSE

Foto: Arquivo de Maria Heitor

Para nós faltam 4 jogos! 4 vitórias!

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Francisco IsaacFevereiro 8, 20177min1

Abrir mais uma “página” do Diário com novos obstáculos, uma mudança de posição e a continuação de novos projectos. O último mês da “aventura” de Maria Heitor em terras gaulesas no Fair Play

O ano mudou, os objetivos mantiveram-se. Não perder mais nenhum jogo do campeonato e passo a passo ir buscar o tão desejado bi-campeonato.

Depois das férias de natal e de duas semanas em Portugal (aproveitar bem a família e a nossa culinária, que saudades! Mas, sem deixar de treinar!) era tempo de voltar ao trabalho de campo e preparar a ida a Rennes para enfrentar o Stade Rennais que vinha numa rampa de vitórias «inesperada».

Inesperada porque até ao ano passado lutavam até à última para se manterem na divisão de elite e este ano, resultado de um bom trabalho ao longo dos últimos anos, uma renovação da sua equipa técnica e duas contratações fijianas que rapidamente integraram o projeto de jogo, podem muito bem alcançar a fase final do campeonato.

Quanto a nós, depois de uma derrota, pesada, em frente aos nossos amigos, público, apoiantes, patrocinadores e da televisão francesa, precisávamos de encontrar a boa resposta para não perdermos o rumo.

Chegada de Portugal com umas temperaturas entre os 10-16, caio no frio do norte de França com duas semanas particularmente geladas… entre os -2 e os -9, alguma neve, os campos do nosso clube que gelam e com os treinos de movimentação coletiva antes do jogo em modo lento porque o campo mais parecia um ringue de patinagem no gelo.

Na semana antes do jogo fomos confrontados com um problema complicado, a falta de 1ªs linhas.

Depois de uma lesão da nossa talonadora principal numa queda de melle que a obriga a para entre 2 a 3 meses, uma pilar a ver-se impedida de jogar por causa de um traumatismo do cóccix e uma gastroenterite a apanhar-nos mais uma pilar.

Isto forçou os treinadores  a ir recrutar à nossa equipa reserva uma pilar e a sua treinadora (antiga da selecção francesa que fez o mundial de rugby de 2014 mas que já tinha arrumado as botas há uns tempos).

Nº2 na Formação ordenada (Foto: Eric Photos)

Sexta-feira antes do treino na pista de gelo, os treinadores anunciam a equipa, ia jogar a pilar nº1 ao lado do mítico pilar do clube e pilar da selecção francesa Helene Ezanno. Uma lenda pelo que dizem mas que nunca tinha tido o prazer de a conhecer dentro de campo.

Mesmo apesar de ter estado uns anos parada, quem sabe nunca esquece e foi uma honra ter a oportunidade de jogar a seu lado.

Sábado, encontrámos-nos na estação de comboios e partimos para uma viagem mais curta do que o habitual (4h30). Ao chegarmos tivemos algum tempo para ir passear um pouco pela cidade antes da reunião de equipa.

Uma reunião curta que serviu para rever o modo como íamos enfrentar este jogo. Seguimos então para o jantar e a equipa parecia calma e bem preparada para ir para a «guerra». Após as sessões habituais de rolo e fisioterapia, o merecido descanso.

8h de domingo a equipa reencontra-se toda na sala do pequeno-almoço. A equipa parece meia preocupada com a melle.

O Stade Rennais tinha «desfeito» o Stade de Toulousain e nós tínhamos pagado caro contra a equipa de Toulouse… e sem algumas jogadoras importantes da primeira linha, o 5 da frente tinha de se preparar para uma grande batalha.

E que batalha dura! O pack do Rennes vinha com tudo! E nas melles recuávamos… a primeira linha tentou encontrar soluções para conseguir parar a máquina Rennaise. E para piorar, o estado do tempo não ajudava.

0 graus, muita chuva e campo feito em lama. Entre a falha na melle e algumas falhas de placagem da nossa linha de ¾, a equipa da casa regalava-se. Fim do jogo. Uma derrota dura para nós!

Voltámos a casa num ambiente meio pesado, depois de duas derrotas duras precisávamos de voltar a encontrar as «putains de nanas» (o nome da equipa apesar de parecer um pouco ofensivo, não é. Um dia os treinadores emocionados e orgulhosos com uma vitória acabaram por dizer ao grupo Vous êtes des putains de nanas!).

Tínhamos uma semana dura e o grande jogo pela frente. O Saint-Orens, que tinha acabado de subir para o primeiro lugar do campeonato, vinha visitar-nos. Se ganhássemos este jogo éramos a primeira equipa a garantir a classificação para a fase final e voltávamos ao primeiro lugar do campeonato.

Uma entrega enorme de todas as jogadoras ao longo de toda a semana e um espírito renovado. Será que os treinadores tinham reencontrado as suas putains de nanas?

Como o nosso campo ainda estava gelado, tivemos de pedir ao clube de Dunquerque para nos ceder o seu campo sintético.

Como costume, sexta-feira os treinadores anunciam o grupo. Ia jogar a titular, talonadora. Estava nervosa porque há muito tempo que não treinava as touches. Aliás, treinava, mas a levantar ou a saltar, e não a pôr a bola…

Domingo de manhã encontramos-nos no clube para apanharmos o autocarro que nos ia levar até ao campo. A equipa estava confiante e com muita vontade de jogar.

Quando chegamos ao campo, o sintético estava congelado… será que o árbitro vai autorizar o jogo? Era a pergunta que mais se punha.

Duas horas mais tarde saímos para o aquecimento, cada uma tinha arranjado algumas estratégias para se aquecer, entre sacos de plásticos nas meias, leggins, licras e impermeáveis por baixo das camisolas de jogo, cremes de aquecimento no corpo todo…e o campo começava agora a descongelar.

Exigência ao mais alto nível (Foto: Eric Photos)

Mas a verdade é que nunca tinha vivido assim tão dificilmente um início de jogo. As primeiras quedas e as primeiras placagens foram muito duras. Depois o corpo começou a habituar-se.

Aos 5 minutos de jogo, sofremos um ensaio e em vez de baixarmos a cabeça a equipa foi toda à luta e como resposta, dois minutos depois, um ensaio nosso.

Um jogo muito vivo, como mostra o resultado final 33-26. No final os treinadores estavam muito orgulhosos, tinham encontrado a equipa!

Temos agora pela frente dois meses de pausa no nosso campeonato por causa do torneio das 6 nações.

No fim-de-semana passado, como não tínhamos jogo, pedi aos treinadores por jogar pela equipa reserva. Depois de alguma insistência, lá me autorizaram a jogar.

A equipa B do nosso clube treina duas vezes por semana e disputa o campeonato federal XV 2 que é disputado numa primeira fase regional e depois as melhores equipas de cada região encontram-se para a disputa da fase final.

Este campeonato corresponde a uma quarta divisão. As grandes diferenças, durante o jogo face à divisão de elite são a nível de melle, que não pode andar mais de 1,5 metros; de limpeza de rucks, o jogador que limpa o ruck não pode «projectar» o adversário; e não há squeeze ball.

Sempre que os treinadores me autorizam, é um prazer jogar pela equipa B. É um momento em que aproveito para jogar pelo prazer do jogo e em que não há aquela pressão que existe na equipa principal, que é perfeitamente justificável pela diferença de interesses das duas equipas.

Se bem que temos a sorte da maior parte das jogadoras da equipa de reservas terem como objectivo a subida à equipa principal.

É uma formação muito jovem que já tem algumas jogadoras tecnicamente evoluídas e que este ano têm uma dupla de treinadores invejável que estão em contacto constante com os treinadores da equipa principal.

Para terminar bem o mês, uma boa vitória com as «putains de nanas à dévenir» de 38-5 contra a segunda classificada do grupo. Afirmando assim, o primeiro lugar do grupo com direito a ponto bónus e tudo!

Heitor na contenda (Foto: Eric Photos)

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Francisco IsaacDezembro 26, 20169min1

Entre ser “campeã de Inverno”, ao conseguir o primeiro ensaio, passando pelo dissabor da primeira derrota e o feliz retorno a Lisboa por uns dias, Maria Heitor deixa aqui mais uma página do seu diário de atleta. O episódio IV de Maria Heitor em Lille

O mês de novembro começou com uma pausa no nosso campeonato, por causa dos jogos teste, de preparação para o campeonato do mundo, da selecção francesa de XV.

Dia 13 de novembro a nossa equipa dirigiu-se aos arredores de Paris para enfrentar a equipa do Bobigny. Como é o clube mais perto de nós fazemos a viagem no próprio dia em autocarro. Encontramo-nos por volta das 8h no clube e seguimos até Paris. Por volta das 11h chegámos e fomos almoçar a um restaurante.

O jogo estava marcado para as 15h da tarde e para as nossas adversárias era o jogo do tudo ou nada. Ao perderem este jogo o Bobigny afastava a oportunidade de sonhar com o apuramento para a final four. Face a isto, encontrámos uma equipa extremamente “agressiva” que tinha como objetivo fazer cair as atuais campeãs nacionais. Na sexta feira antes do jogo, os treinadores anunciam a equipa que ia encarar as parisienses. Titular a pilar… tinha um objetivo pessoal a cumprir: As formações ordenadas… tinha de encontrar a solução para ganhá-las.

Tivemos uma grande reviravolta na primeira linha e os treinadores viram-se obrigados a formar jogadoras para essa posição. Natural que com esta renovação iríamos deparar-nos com alguns problemas nas formações ordenadas.

Maria Heitor pronta para o jogo (Foto: Maria Heitor)

Durante os primeiros 20 minutos dominámos as melles. Infelizmente, aos 20 minutos uma segunda jogadora do Bobigny da 1º linha sai de campo lesionada e as melles passam a ser simuladas (deixam de ter força). Na minha opinião, isto acabou por condicionar o jogo e equilibrar o nível das equipas… a equipa adversária apresentava um 5 de frente muito pesado e penso que se as melles tivessem continuado acabávamos por conseguir impor-nos fisicamente. O que não aconteceu e fez com que o seu 5 da frente estivesse sempre disponível para o jogo.

No final do jogo uma vitória difícil. Estávamos a perder ao intervalo por 10 ponto para depois conseguirmos virar o resultado nos últimos 20 minutos de jogo. Duas penalidades transformadas e o meu primeiro ensaio (convertido) em França. Era um dos meus objetivos pessoais. O ensaio é resultado de um excelente trabalho de todos os avançados após um alinhamento a 10 metros da linha de ensaio, o que nos permitiu passar para a frente do marcador.

Muita coisa a melhorar mas houve um ponto muito positivo: a reviravolta do resultado. Nem todas as equipas têm esta frieza e maturidade de em 15/20 minutos marcar os pontos suficientes que dão a volta ao resultado final.

Acabámos assim a primeira volta do campeonato com o título de campeãs de outono, 7 jogos, 7 vitórias. O objectivo da época estava a ser cumprido… só vitórias, foi o nosso compromisso feito no estágio de pré-época.

Para atacarmos a segunda fase do campeonato recebemos o Romagnat em casa. Um dia fresco mas com o céu limpo, levou bastante público até ao nosso campo. Mais um jogo a pilar titular que, infelizmente, acabou numa pequena lesão muscular na coxa aos 55 minutos de jogo, o que me obrigou a sair do campo por me impossibilitar de correr. Para além disso, passei metade da semana adoentada… esses dias foram complicados.

Na primeira linha (Foto: Eric Photos)

Este jogo era uma boa oportunidade para irmos em busca de um ponto bónus ofensivo. E além do objetivo principal, manter a invencibilidade no campeonato esse era um objetivo obrigatório.

Com muitas dificuldades na melle, defrontando uma das pilares da seleção francesa, conseguimos impor-nos no resto do jogo marcando 8 ensaios e acabando por sofrer um ensaio penalidade por faltas repetidas na melle no final do jogo. Neste jogo voltei a marcar um ensaio o que me deu algum gozo porque nunca tinha tido a oportunidade de marcar desde que comecei a jogar no campeonato francês, tirando nestes últimos dois jogos.

Depois do jogo tivemos, novamente, uma pausa no campeonato porque a seleção francesa de XV teve três jogos de preparação para o campeonato do mundo (a realizar em Agosto de 2017 na Irlanda) contra a seleção dos Estados Unidos da América.

Invadir o Stade Toulousain…

Duas semanas que se previam muito exigentes… o final do semestre na faculdade, o inicio das avaliações práticas, o início dos exames teóricos (em francês) e uma deslocação a Toulouse durante um fim-de-semana inteiro.

E como aproveitar as horas e horas de comboio? Cerca de 17h em dois dias… Com umas explicações de fisiologia do exercício. Quando partimos em deslocações de género, saímos de Lille sábado por volta das 8h e só voltamos domingo por volta da meia-noite e, como segunda-feira de manhã, tinha o exame, precisava mesmo de estudar. Com a ajuda de uma colega de equipa preparei-me para enfrentar o primeiro «grande exame» escrito em francês.

Depois de muito estudo, uma sesta e alguma análise de vídeo (aproveitamos também as horas de comboio para estudarmos um pouco a equipa que vamos enfrentar) chegamos a Toulouse. Instalámo-nos no hotel e fui até ao centro da cidade com duas colegas de equipa para passear um pouco.

Antes do jantar tivemos o briefing com os treinadores para rever os últimos pormenores antes do jogo. Após o jantar, o momento de fisioterapia, de roll out e cama. No domingo acordámos cedo, tomámos o pequeno-almoço no hotel e após algum descanso nos quartos seguimos para o jogo.

O jogo não correu da melhor forma, inicialmente… Numa primeira parte em que não conseguimos impor o nosso jogo, dominaram-nos ao longo do jogo todo nas melles e nas touches. Fomos para o intervalo a perder por 8-0 e sem conseguirmos encontrar as soluções para os nossos problemas. Sem garantirmos a nossa posse de bola, só tínhamos argumentos defensivos para enfrentar a grande equipa do Stade Toulousain, que tem estado em ascensão desde o princípio da época, ocupando nesta fase o segundo lugar do campeonato nacional. Aos 60 minutos de jogo conseguimos pela primeira vez chegar à área de ensaio das nossas adversárias pela nossa ponta, recentemente chamada para o grupo de preparação do campeonato do mundo, que acabava por fazer neste jogo um hat-trick (iria ser a “chave” para a nossa vitória). Em resposta ao nosso ensaio, é atribuído à equipa da casa um ensaio penalidade depois duas faltas na melle a 5 metros da nossa área. o resultado do jogo sorria às Toulousainnes 15-7. E nos 10 minutos finais de jogo conseguimos dar uma excelente reviravolta no resultado, marcando mais dois ensaios, não transformados que nos puseram à frente do marcador 15-17. Uma vitória difícil que mostrava ainda mais as nossas fragilidades e onde teríamos que melhorar para enfrentar os próximos desafios. Mas final feliz, nove jogos nove vitórias. Continuávamos a ser a equipa a abater por mais uma semana.

A Primeira Derrota…

Exames acabados, aulas acabadas, de férias no trabalho, um último jogo antes de voltar a casa e entrar numas boas férias. Mas…

A primeira derrota… o primeiro cartão amarelo…

Posso não escrever sobre este jogo??? Uma derrota pesada e um cartão amarelo (o primeiro em França e o segundo de toda a minha vida).

Mas, como tudo há que aceitar o bom e, neste caso, o mau: Domingo dia 18 recebemos o Montpellier em casa, num jogo transmitido em directo para a Eurosport. Foi no estádio do extinto clube LMR que jogámos. Com 1500 pessoas nas bancadas, muitas câmaras, um pontapé de saída dado por um ex jogador das escolas do clube que teve de parar por causa de um cancro e um jogador de rugby de cadeira de rodas que é o nosso fã nº1 e todos os patrocinadores presentes, era o dia perfeito para terminarmos o ano de 2016 só com vitórias. Infelizmente não foi esse o cenário e acabámos por perder o jogo. O Montpellier impôs-se e não fomos capazes de argumentar ao longo dos 80 minutos.

Os pontos fracos do último jogo (melle e touche) foram superados mas, desta vez, mesmo a garantir as nossas melles e as nossas touches não tivemos argumentos para fazer face à poderosa equipa vice campeã, que viu este momento como uma boa desforra da final do campeonato de 2015/2016.

Ultrapassar a primeira derrota (Foto: Eric Photos)

Desde cedo as Montpelliéraines se impuseram. Uma primeira parte equilibrada mas a tender para a equipa visitante. 5-0 ao intervalo era um resultado equilibrado que permitiria as duas equipas de atingir o objetivo, a vitória. Infelizmente, para nós na segunda parte o Montpellier continuou a dominar o jogo e chegou por mais três vezes à nossa área de ensaio. No último minuto de jogo ainda conseguimos marcar o ensaio de honra, com o resultado final a ficar em 5-24. Uma chapada de luva branca para a nossa equipa que tinha como objetivo manter a invencibilidade ao longo de todo o campeonato.

Com o natal e a passagem de ano à porta resta-nos agora duas semanas de férias para desligar um bocadinho para que em 2017 venhamos mais concentradas e mais fortes ainda para voltarmos ao trabalho.

Mensagem de Natal

Para 2017 desejo a todas as futuras jogadoras que tenham a sorte de disfrutar deste desporto como eu e que aprendam o verdadeiro significado das palavras: espírito de equipa, sacrifício e amizade

Maria Heitor com o fã nº1 do LMRCV (Foto: Eric Photos)

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Francisco IsaacNovembro 16, 201611min0

Com a primeira volta do Top8 prestes a terminar, Maria Heitor enfrentou novos adversários, jogou em outras posições e viajou por França fora. Este é o Diário do Atleta de Maria Heitor Episódio III, a Loba à conquista de Lille

O mês de Outubro chegou com três grandes desafios e um só objectivo. Subir ao primeiro lugar do campeonato que nos escapava por dois pontos bónus concedidos ao Saint Oraes.

Após dois fins-de-semana de repouso, atacámos três jogos seguidos. O primeiro contra uma equipa aparentemente mais acessível. Aparentemente! Mas que tinha feito uma dupla contratação de luxo. Duas jogadoras da selecção fijiana de sevens que tinham participado nos jogos olímpicos (terceira linha e ponta). O estilo fijiano bem entrosado no estilo de XV francês… bola viva, passes depois da defesa, trocas de pés do «outro mundo» … dando uma nova dinâmica ao Stade Rennais.

Para mim, a estreia da época a titular. Super feliz de voltar à terceira linha titular, só me restava provar aos treinadores que merecia aquela titularidade.

Dia de jogo! Recebemos o Stade Rennais em nossa casa. Grande dia de rugby em Villeneuve D’Ascq. As quatro equipas seniores (duas femininas, duas masculinas, A e B) recebiam 4 equipas. A família do LMRCV estava lá toda!

Titular pela 1ª vez a Asa… para acabar a Pilar!

A minha camisola de jogo foi entregue por uma das minhas melhores amigas da equipa. Acho que nunca falei da entrega das camisolas… para mim é um dos momentos mais marcantes do jogo. Antes do aquecimento, a equipa reúne-se em roda no balneário. A capitã faz o discurso antes do jogo e as camisolas estão no meio da roda. No fim do discurso, uma jogadora toma a iniciativa de dar a primeira camisola. Pega numa camisola à sua escolha e vai dar à jogadora respectiva, diz-lhe duas ou três frases, dão um abraço, um beijinho e a jogadora que recebe a camisola pega na próxima e assim sucessivamente até ao fim. É um dos momentos mais emocionantes do jogo. Emoção, lágrimas e sorrisos estão sempre presentes.

Após a entrega das camisolas, seguimos para concentradas para o aquecimento. Uma primeira parte dada pelo preparador físico e uma ou outra revisão de saída de touche, formação ordenada ou pontapé de saída, orientada pelos nossos treinadores. Estávamos prontas para jogar. Um começo meio duvidoso, em que a bola esteve sempre do lado do nosso adversário. Uns primeiros dez minutos em que percebemos que o jogo não ia ser assim tão fácil e que se queríamos manter o nosso objectivo do ano tínhamos que ligar o «turbo». Assim o fizemos, dominámos o jogo durante os 30 minutos seguintes. Chegámos ao intervalo com um resultado de 13-6. No intervalo fazemos uma substituição e passo da terceira linha para pilar (nº1). Confesso que não é a minha posição preferida… adoro jogar a asa. Mas para mim o mais importante é ter a oportunidade de estar dentro de campo. Na segunda parte o Rennes cresceu e conseguiu marcar duas vezes. Ao mesmo tempo nós respondemos com dois grandes ensaios também. Resultado final 23-18. Vitória curta que permitiu ao nosso adversário acumular um ponto bónus defensivo.

Maria Heitor a partir barreira (Foto: Eric Photos)
Maria Heitor a partir barreira (Foto: Eric Photos)

Consegui, neste jogo, alcançar um dos meus objectivos pessoais. Pela primeira vez, desde que cheguei a França, fiz um jogo completo, 80 minutos. Fiquei super contente! No final do jogo, devido a uma situação atípica tivemos de dar a nossa camisola de jogo à equipa de reserva. Cada jogadora «ofereceu» a sua camisola à jogadora da equipa B que jogava na sua posição. Acabou por ser um momento emotivo para todo o clube que, ao mesmo tempo, mostrou que o desporto feminino está uns passos atrás do masculino. Infelizmente…

Com uma nova semana pela frente e uma responsabilidade acrescida… a procura do primeiro lugar do campeonato que continuava a fugir por dois pontos bónus. O jogo contra o líder do campeonato. O Saint Oraes recebia-nos em casa para a disputa da liderança. Uma semana para afinar os pormenores e adaptar o nosso projecto de jogo à equipa que íamos enfrentar. Evitar mauls e proteger bem as «portas» do ruck eram palavras de ordem. Esta equipa é conhecida por aniquilar todas as equipas na conquista de bola em pé, conquistam metros e metros graças ao seu poderoso pack avançado. De jogo bem estudado atacámos o fim-de-semana. No sábado, dez horas de comboio pela frente… Partida de Lille às 8h30 com uma chegada prevista as 18h30 a Toulouse. Uma viagem exaustiva antes de um grande jogo. Chegadas ao hotel só queríamos jantar e ir descansar. Depois do jantar temos um momento de recuperação muscular com o preparador físico e fisioterapeuta (roll out, alongamentos, massagens de recuperação) e a seguir duas a duas voltamos para os nossos quartos para finalmente podermos dormir.

8h da manhã, a equipa encontra-se na sala de pequeno-almoço do hotel. Após esse momento fazemos uma pequena reunião para tratar dos últimos pormenores, seguindo-se um acordar matinal do corpo com o preparador físico, que se baseia em corrida ligeira, movimentos calmos de todas as articulações, alguns passes, algumas revisões de touches ou jogadas de ¾, etc… Voltámos a reunir para comermos mais qualquer coisa antes do jogo e partimos para o estádio. No autocarro recebo uma pequena mensagem de incentivo de uma colega de equipa escrita num papel. Duas jogadoras da nossa equipa decidiram escrever uma mensagem pessoal a cada jogadora antes deste grande derby. Afinal era um dos jogos mais importantes que tínhamos pela frente e tudo o que nos pudesse motivar era bem-vindo. Além da liderança a disputar.

A forma de atiçar do Blagnac

Ao chegarmos a Blagnac, juntamo-nos no centro do campo em roda, os treinadores dizem as últimas palavras antes do jogo. Voltamos para o balneário e começamos a equipar. Antes da passagem do árbitro no balneário temos a entrega das camisolas e seguimos para o aquecimento. Depois do aquecimento volto para o balneário um pouco depois da equipa e deparo-me com uma situação esquisita… a minha equipa estava toda com as camisolas do clube que íamos enfrentar… olhei para a minha capitã que baixou a cabeça e me disse: pois vamos ter de jogar com elas. Não estava a perceber bem o que se estava a passar, até que me explicaram: tínhamos trazido uma camisola de jogo branca, tal como a equipa da casa. A solução mais prática seria o Blagnac jogar com o alternativo, uma vez que não tínhamos as nossas… mas recusaram tal ideia (o Blagnac) a trocar por causa dos patrocínios estampados, então a solução foi darem-nos a camisola alternativa.15058731_10154552856316368_1430483457_n

A minha equipa estava revoltada com toda a situação… primeiro porque tínhamos pedido um adiamento do jogo por causa dos horários de comboios (podem imaginar que Toulouse-lille é uma viagem com uma logística complicada em comboio) que não nos foi concedido, depois porque nos privaram de jogar com o nosso símbolo ao peito… esta frustração foi transformada em motivação por toda a equipa e entrámos mais focadas que nunca. Dominámos o jogo, touches, formação ordenada eram todas nossas, anulámos a sua supremacia nos mauls e rucks. Levámos apenas 3 faltas durante o jogo (o sonho de qualquer treinador). Tivemos quase sempre a bola na nossa mão. Infelizmente nem sempre conseguimos concretizar. Mas fizemos o suficiente para sair de Blagnac com a liderança do campeonato.

Eu fiz a minha estreia deste ano a pilar titular… não sou uma pilar experiente e mesmo as minhas colegas de equipa «gozam» a dizer que não tenho «gabarito» para jogar na primeira linha….  Estava assustada com as formação ordenada… mas sabia que tinha comigo mais 7 jogadoras. E dominámos! Pela primeira vez desde que o campeonato começou, dominámos as formação ordenada! Segundo as nossas suplentes, os olhos do nosso treinador dos avançados brilhavam em cada formação ordenada. Um dos nossos ensaios é resultado de uma formação ordenada que avança até à área de ensaio. No final do jogo, e mais uma vez 80 minutos feitos, estava como costumamos dizer aqui, «au bout de ma vie», ou seja, morta… imaginem que mesmo depois do banho, as minhas pernas e braços ainda tremiam.

Au Bout de Ma Vie… ou um anúncio de Missão Cumprida!

Os treinadores vieram pessoalmente dar-me os parabéns pelo jogo que tinha feito. Mais uma vez fiquei super feliz. Não é todos os dias que eles dizem estas coisas…

Jogo acabado, ainda nos faltavam 10 horas de viagem pela frente. Enquanto os treinadores faziam as estatísticas do jogo, nós festejávamos no bar do comboio.

Penso que nunca falei das estatísticas. Os treinadores fazem sempre a análise dos jogos: Tempo de jogo, número de placagens tentadas, número de placagens conseguidas/falhadas, formação ordenada contra ganhas, formação ordenada contra perdidas, formação ordenada nossas ganhas, formações ordenadas nossas perdidas, touches contra ganhas, touches contra perdidas, touches nossas ganhas, touches nossas perdidas, bolas perdidas e como, bolas ganhas e como, número de vezes que vamos ao contacto (bem sucedido, mal sucedido mas que não perdemos a posse de bola, mal sucedido e que perdemos a posse de bola), número de vezes que somos o primeiro apoio ao portador da bola no contacto (bem feito, mal feito mas que não perdemos a posse de bola, mal feito e que perdemos a posse de bola). As estatísticas do jogo são divulgadas a toda a equipa durante a reunião e a preparação do jogo seguinte.

Vitórias e mais vitórias (Foto: LMRCV)
Vitórias e mais vitórias (Foto: LMRCV)

Acabada a semana como líder do campeonato, os treinadores deram-nos a segunda-feira de descanso para recuperarmos da viagem e do jogo. Com apenas dois treinos de preparação ainda nos faltava um jogo para acabar o mês. Este com um sabor especial… a visita da minha mãe. Era a primeira vez que ela me ia ver jogar aqui em França, confesso que estava um pouco nervosa mas ao mesmo tempo com um sentimento reconfortante pela sua visita. Depois de dois treinos a acertar os pormenores para enfrentarmos da melhor maneira o jogo, encontrámos-nos no domingo bem cedo. 5 horas antes do jogo. Os treinadores fazem uma última análise do nosso projecto de jogo e partimos para o campo para fazer uma movimentação colectiva muito ligeira de 30 minutos. Partimos para o restaurante onde almoçamos todas juntas antes do jogo e voltamos para o clube. 50 minutos antes do jogo o árbitro vai ao balneário falar com os primeiras linhas e formação e verificar chuteiras e protecções, 45 minutos antes fazemos a entrega de camisolas e 40 minutos antes saímos para o aquecimento.

Só vitórias e mais vitórias!

Infelizmente, no inicio do aquecimento sinto uma picada na coxa o que me limitou durante o jogo e não me permitiu jogar como queria.

Depois de um grande teste na semana anterior, 80 minutos a pilar, tinha outro enorme pela frente… enfrentar cara a cara a pilar principal da selecção francesa de XV. Uma pilar «do outro mundo» que me deu muito trabalho e que me mostrou que em França a formação ordenada não é brincadeira… é incrível como os franceses apostam tanto na formação de pilares no alto nível. Resumidamente, levei um “banho” de técnica de formação ordenada dela! Apesar disso, objectivo cumprido! 34-5! Vitória com ponto bónus o que nos permitiu destacarmos-nos bem no primeiro lugar.

Assim acabou mais um mês do nosso campeonato. Para terminar a primeira fase de apuramento ainda nos falta um jogo contra o Bobigny que será disputado fora, domingo dia 13 de Novembro.

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Francisco IsaacOutubro 18, 20166min0

Um mês passou desde do Episódio I e muito se passou na vida de Maria Heitor, a loba em terras gaulesas; O reencontro com os maiores rivais da competição, a ida à Selecção de 7’s e o reingresso na vida Académica. Acompanhe o Episódio II

Após o primeiro grande impacto competitivo, passámos os três treinos da semana a afinar os pormenores menos positivos do jogo que fizemos contra o Clermont, para recebermos o Stade de Toulousain em casa. Combate e defesa foram os pontos mais trabalhados. Ao mesmo tempo, lancei-me numa nova aventura. Faculdade! Em francês! O clube fez-me uma proposta para integrar a Universidade de Lille. O curso… Educação e Motricidade, o equivalente a Educação Física no ensino português, para ter mais uma ferramenta na minha mão no fim desta aventura.

Além da faculdade e dos treinos diários, completo o meu dia com o trabalho. Gerir tudo não é pêra doce mas acaba por ser um desafio super interessante e permite-me de aprender o bom francês, escrito e falado. Nos primeiros dias de faculdade, parecia uma barata tonta… entre andar perdida pelos corredores, estar atenta às aulas (em francês!!!), tirar os apontamentos, orientar os primeiros trabalhos, voltar a fazer actividades desportivas como o atletismo, a ginástica e corrida de orientação… a idade já não é a mesma e o corpo já se queixa!!!

Regresso à Faculdade para novos “sonhos”

Após a primeira semana de aulas e depois de uma corrida de orientação matinal, recebemos o Toulouse. Um jogo muito duro! A equipa do Stade Toulousain pode não ser o campeão em título (recordar que somos nós, o Lille) mas é uma das formação mais antigas e lendárias do rugby francês. Sei que o exemplo pode ser algo “infeliz”, mas a equipa feminina do Toulouse tem cerca de 5 mil likes no Facebook enquanto nós só temos 3 mil. Por isso a História contra a Actualidade… O Toulouse vinha com um objectivo, bater as campeãs em título na sua própria casa.

Conseguiram impor o seu jogo nos primeiros 30 minutos, até que acordámos e finalmente impusemos o nosso e conseguimos esclarecer o jogo. Foi complicado entrarmos no nível de combate que o Toulouse exigia. Já vinham com uma boa bagagem de jogos de preparação (tiveram a oportunidade de fazer 5 jogos amigáveis antes de começarem o campeonato). Ao longo do jogo o Toulouse impôs a sua supremacia, especialmente a nível dos avançados, dominando a maioria das formações ordenadas, pondo-nos a correr atrás do prejuízo.

O resultado podia ter sido melhor mas saímos com o objectivo cumprido, a vitória! Individualmente senti que podia ter feito mais, joguei só a 2ª parte e acabei por não estar tão bem como tenho a certeza que devo estar. Errei em algumas situações, perdi a concentração noutras, tenho de gerir melhor a minha intensidade quando saiu do banco de suplentes ou quando começo a titular. Mas como disse, o que interessa é a vitória!

Ao serviço de Portugal (Foto: Neil Kennedy)
Ao serviço de Portugal (Foto: Neil Kennedy)

Não estivemos ao nosso nível no Europeu…

Em 3 semanas 3 jogos afilada. Seguia-se o Montpellier. Não pude estar presente neste jogo porque foi no mesmo fim-de-semana que a 2ª etapa do campeonato europeu de 7s. O Europeu não correu como gostaríamos em termos de resultados desportivos, por outro lado, percebeu-se que há futuro na selecção feminina. Várias sub-18 integraram a selecção sénior de mostraram que têm muito para dar ao rugby feminino.

A equipa chegou na véspera do torneio. A meio da tarde eu parti directamente de Lille e encontrei-me com o grupo nessa tarde. Fizemos um treino ligeiro de movimentação colectiva e descansámos com a cabeça no torneio.

Primeiro jogo, tínhamos um adversário duro, a Grã-Bretanha. Esperava-nos Um jogo físico e agressivo, já que elas fazem parte do Circuito Mundial de 7’s (divididas por Inglaterra, Irlanda e País de Gales). A nossa selecção tem sempre um pequeno problema a nível de acordar para o primeiro jogo… curiosamente, não foi o caso já que não entrámos nada mal e até tivemos uma boa postura. Perdemos 19 a 0 e senti que era um jogo ao nosso alcance, fomos infelizes em certos momentos não conseguindo colocar em “marcha” o nosso sistema de jogo. Segundo jogo Rússia. Depois de ter sido afastada dos Jogos Olímpicos na final de Dublin, as jogadoras russas parece que passaram o Verão todo a treinar e a preparar para este torneio com um objectivo, o título de campeãs europeias. Cilindradas por 59 a zero… não conseguimos aproximar-nos do ritmo de jogo que elas nos impuseram.

No terceiro jogo frente à Ucrânia tivemos pontos positivos: o levantar a cabeça após uma derrota como a da Rússia, uma derrota infeliz contra a Grã-Bretanha e após um primeiro minuto de jogo em que sofremos um ensaio após uma intercepção… mas depois da tempestade lá veio a bonança e ganhámos esse jogo. Segundo dia começámos com um adversário falsamente fácil… Finlândia! Que nos custa uma nova derrota, com uma falha de Placagem… acabou por ditar o nosso destino. A Finlândia aproveitou e impôs-se. Jogámos o último jogo frente à Ucrânia e voltámos a ganhar.

Se por um lado os resultados desportivos não foram os mais agradáveis, foi interessante ver como uma equipa tão heterógena e com falta de rotinas conseguiu levantar a cabeça depois de duas derrotas, especialmente a pesada derrota contra a poderosa Rússia, e ir ganhar o jogo contra a Ucrânia no final do primeiro dia. Infelizmente, no segundo dia não aproveitámos a lufada de vento e caímos frente a uma surpreendente Finlândia. Retiro daqui mais um ponto positivo, a vermos a nossa vida a andar para trás, levantámos de novo a cabeça e terminámos o dia com uma vitória.

Talvez uma característica do povo português, quando tudo parece perdido lá vem uma alegria que nos mostra que somos capazes de mais e melhor.

Há grande futuro nas Lobas 

Quanto ao jogo contra o Monteplier, as vice campeãs, que tinham um nó na garganta desde Maio e que desejavam uma vingança pela final perdida, infelizmente, para elas, não conseguiram levar a melhor. E mesmo com a equipa Villeneuvoise desfalcada (sem todas as suas internacionais septistes e mais duas lesões graves), o Montpellier não conseguiu impor o seu jogo em casa e acabou por perder.

Terminámos assim o primeiro mês. 3 jogos, 3 vitórias. Um segundo lugar no campeonato porque o St Oraes leva dois pontos bónus de vantagem. Em Outubro temos dois fins-de-semana de repouso e depois atacamos três jogos decisivos para o apuramento para a fase final!

Victoire (Foto: Eric Morelle)
Victoire (Foto: Eric Morelle)

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Francisco IsaacSetembro 19, 20166min0

O Diário do Atleta do Fair Play com Maria Heitor, atleta de rugby do Lille, falará da sua experiência em França todos os meses, com uma rubrica dedicada ao seu quotidiano. Os jogos do TOP8, a vida em França e os desafios diários.

Entre a chegada a Lille, o recomeço dos treinos, a entrada para o Campeonato francês, Maria Heitor volta assim a “embarcar” na vida de emigrante. Com mais condições, com outra experiência e com uma vontade redobrada, a atleta da Selecção Nacional revela alguns traços e ideias do seu dia-a-dia em Lille ao Fair Play. Este foi o mês de Agosto-Setembro de Maria Heitor:

Sexta-feira à tarde, a equipa vai chegando a pingos à estação de comboio. Antes da hora marcada, a comitiva está completa e pronta a embarcar. Depois de uma longa semana de trabalho e treinos ainda temos pela nossa frente um comboio até Paris, duas trocas de metro num final de semana, no caótico centro da capital e um comboio que nos levará até Clermont. Um azar a meio ficamos retidos 1h30 por um acidente numa das linhas de comboio. Saímos para alongar um bocado… ao fim de oito horas de viagem, já não temos maneira de estar.

Ao fim de oito horas de viagem, já não temos maneira de estar.

Chegamos a Clermont e um autocarro espera por nós para nos levar até ao hotel. Finalmente! O merecido descanso do guerreiro! Duas a duas, instalamo-nos nos quartos. Já é tarde (1h00 da manhã) não há tempo para conversas, dormir é a palavra de ordem. Amanhã temos um grande jogo!

De manhã encontramo-nos no pequeno-almoço, a parte onde todas nos regalamos cuidadosamente porque sabemos a importância que esta refeição terá no nosso desempenho.

O preparador físico e o fisioterapeuta esperam por nós para alguns retoques finais… entre tratamentos de última hora, ligaduras, foam roller, alongamentos, etc.

Saímos do hotel para um pequeno réveil musculaire. Andamos uns minutos, paramos num parque e fazemos alguns exercícios de mobilização artiular. Os ¾ para um lado e os avançados para o outro. Num ambiente muito tranquilo mas totalmente focado na grande tarefa do dia revemos as intermináveis jogadas de cada sector. No final juntamo-nos e os treinadores dão os últimos retoques. A equipa técnica sai e ficamos as 22. O grupo está confiante e concentrado. Apesar de não termos feito jogos treinos antes do primeiro grande teste acredito que hoje vamos sair bem do campo.

O dia é longo! Acordamos cedo e só jogamos ao final da tarde… a tensão vai subindo e os nervos e as borboletas começam a aparecer. Chegamos ao estádio duas horas antes do jogo. Vamos até ao meio do campo, revemos os nossos objectivos do dia e da época. Queremos manter o título! Começa agora!

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No meio do rebuliço (Foto: LMRCV)

Entramos no balneário. As camarâs invadem-nos o balneário… não estamos habituadas a elas… na final do campeonato aconteceu o mesmo, mas a verdade é que não é muito habitual. A eurosport vai transmitir o jogo em direto. Começamos a equipar. Últimos retoques, os primeiras linhas apertam os pitons, as talonadoras, chutadoras e formação saem para o campo para afinar os últimos pormenores. Voltamos ao balneário e dá-se a entrega das camisolas. Para mim este é dos momentos mais importantes e mais fortes. A capitã fala, no final do seu discurso pega numa das camisolas e entrega a jogadora, diz-lhe algumas palavras, abraçam-se e a jogadora que recebeu faz o mesmo a outra jogadora, e assim sucessivamente.

As camarâs invadem-nos o balneário

Saímos para o aquecimento, 30 minutos intensos onde a concentração e a vontade de jogar é notável. A primeira parte é dada pelo nosso preparador físico, no final revemos a saída a partir de touche, melle e pontapé de saída, e estamos prontas. A 5 minutos do apito inicial dizem-nos que temos de sair e ir para o corredor. As equipas entram no campo e começa-se a ouvir uma multidão. Estão 2615 estão no estádio!!! Poucas torcem por nós, mas é tão bom sentir que o rugby feminino aqui é importante.

O pontapé de saída é dado por Alexandre Lapandry asa do clube francês ASM Clermont Auvergne.

Ao fim de poucos minutos marcamos o primeiro ensaio, rapidamente percebemos que era um jogo em que o soutien iria ser muito importante para manter a bola viva. Muitas faltas… resultado da falta de jogos de preparação e do inicio da época.

Oficialmente, tivemos 4 semanas para preparar o início do campeonato. Antes houve um trabalho físico desenvolvido pelo nosso preparador 3 vezes por semana. Os treinos colectivos iniciaram-se a meio de Agosto. Apesar de ser ainda um desporto amador, acabamos por treinar todos os dias, entre os 3 treinos de campo por semana e as duas sessões de ginásio.

Nesta fase inicial, é tradição do estágio inicial. Entre as duas equipas seniores femininas (equipa A que compete no top 8 do campeonato nacional francês e a equipa B que compete na Federal XV, o equivalente a uma terceira divisão que tem o seu campeonato numa fase inicial a nível regional e numa fase final a nível nacional para o apuramento do campeão), são seleccionadas 35 jogadoras. O clube procura sempre recrutar novas jogadoras e este estágio serve tanto para testar as mais velhas, como as recentes aquisições.

Penar é uma boa palavra para resumir o estágio

Penar é uma boa palavra para resumir o estágio… partimos ao final do dia de autocarro e só chegamos a Royan 9 horas depois. Depois de 4/5 horas mal dormidas num autocarro, ainda a queixarmo-nos do frio passado durante a noite e das dores de costas, sentamo-nos para tomar o pequeno almoço… pousamos as malas nos quartos, trocamos de roupa em 3 segundos e partimos para o primeiro treino… entramos em modo recruta, em modo sobrevivência. Mas uma sobrevivência colectiva. Temos pela frente um longo dia. Para começar, 6 km de run&bike até chegar ao campo de treino. Explico-vos! Os treinadores alugaram uma bicicleta para cada duas atletas. Metade correndo, metade pedalando, vamos gerindo o nosso cansaço com a nossa parceira. Ao chegarmos ao campo, 25 minutos mais tarde, com uma boa parte do aquecimento feito, temos duas horas para dedicar ao rugby. Os avançados separam-se dos ¾ e cada sector revê a sua lição. Passado algum tempo juntamo-nos e trabalhamos a movimentação colectiva. Primeiro treino acabado… Temos pela frente 6 km de run&bike, almoço e uma merecida sesta! Foi assim o primeiro de 5 treinos em três dias. Com ida e volta em run&bike.

Na manhã do último dia, uma pequena surpresa do nosso preparador físico, às 6h00, uma pequena corrida na praia. Com direito a burpees, abdominais no mar, flexões, sprints nas dunas, corridas e muitas outras coisas… estágio acabado e ainda 700 km pela nossa frente.

Penámos, sobrevivemos, adorámos!

Final do Estágio (Foto: LMRCV)
Final do Estágio (Foto: LMRCV)


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É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


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