20 Set, 2017

Arquivo de Lobos - Fair Play

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Francisco IsaacJulho 16, 201716min0

O Diário do Atleta regressa com Francisco G. Vieira, ou “Mini” como é conhecido em terras da Invicta! O formação português, ex-CDUP, conta os seus primeiros tempos em Inglaterra e a experiência total ao jogar num dos países do Rugby ao serviço dos Titans. O episódio I

Depois de ter finalizado contrato com o Gran Sasso Rugby, o meu futuro estava ainda por definir. A dúvida sobre o meu futuro pairava, apesar de ter bem claro aquilo que queria para a mim neste momento: ser jogador profissional de Rugby. Contudo, ainda sem nenhuma proposta em cima da mesa, como se iria desenrolar esse objectivo? Voltar para Itália? Para o Gran Sasso? Para outro clube? Conseguir um contrato profissional em Inglaterra? França? Ou adiar o sonho por mais uns tempos e continuar o meu desenvolvimento no CDUP ? 

Tinha uma proposta para a National One (3a divisão) mas decidi adiar a minha resposta, e em boa hora, porque uma semana depois recebi um telefonema do meu agente enquanto aproveitava um dia de sol numa das praias do Porto.

“Tenho um clube do Championship interessado em saber da tua disponibilidade para os representares na próxima época estás interessado?”

Respondi que sim e que podia avançar com o processo. Rotherham Titans RUFC, seria a minha nova casa. Um clube histórico no Championship e um dos clubes com mais sucesso nesta divisão.

Depois das sempre difíceis despedidas de família, namorada e amigos, estava a aterrar em Manchester por volta das 23:30 de dia 11 de Junho, onde à minha espera com um cartaz com o meu nome, estava um dos Vice-Presidentes do clube, Matt Cockton, para me levar até Rotherham. Como ainda não tinha encontrado casa, fiquei 2 dias num hotel que tem uma parceria com o clube e onde cheguei por volta da 1 da manhã.

O Matt (VP) ao me deixar no hotel perguntou-me a que horas queria que me viesse buscar ao que respondi, já ciente do horário dos treinos, 8/8:30 da manhã uma vez que não queria chegar atrasado ao meu primeiro treino. Disse-me que ninguém esperava que fosse treinar de manhã tendo eu chegado tão tarde contudo insisti que queria começar a horas o meu primeiro dia.

Assim foi e combinámos que me viria buscar às 9 da manhã. Já pronto e de pequeno-almoço tomado decidi subir rapidamente ao meu quarto e nisto tive o primeiro cheirinho da pontualidade britânica, às 9:01 estava a receber uma chamada para o quarto dizendo que estavam no lobby à minha espera para me levarem para o clube.

Depois de conhecer alguns elementos do staff e as pessoas que fazem o clube funcionar, o treinador adjunto Nick Rouse, que jogou contra os Lusitanos XV na Amlin Cup, levou-me a conhecer o ginásio e o preparador fisico, Muaz Buaben(“Mu”).

Depois de um treino leve de ginásio, eram horas de almoçar e voltar para o clube, altura em que conheci mais jogadores, mais pessoas do staff e o treinador principal, Andy Key (“Kiwi”).

O treino da tarde, mais direccionado para o condicionamento físico e por isso muita corrida, consistiu em 4 séries de 6 minutos, onde durante esses 6 minutos era suposto correr de uma linha de ensaio à outra o máximo número de vezes. Apesar de ter estado com os Sevens há pouco tempo, este treino custou bastante e ainda mais quando nos primeiros minutos, não conseguia “fugir” de um dos pilares e de um talonador que me acompanhavam no grupo da frente.

Depois de 3 séries feitas, com 1 minuto e meio de descanso entre elas, o Preparador Físico informou-me que para mim já chegava e que podia descansar, ao que imediatamente perguntei porquê! Disse-me que era por ser a minha primeira semana (os treinos tinham começado na semana anterior mas eu só me juntei ao grupo uma semana mais tarde) e que todos tiveram direito ao mesmo benefício.

Por muito desejado que fosse esse descanso, rejeitei e insisti que não queria tratamento especial e que iria acabar o treino com o resto da equipa.

Estou num campeonato 100% profissional e isso exige mais de mim”

Surpreendi-me a mim próprio ao ter este pensamento numa altura em que o racional não costuma aparecer e fiquei bastante contente por ter feito a quarta série com o resto da equipa. 

Segundo dia e primeiro feedback por parte do treinador! Disse me que gostou dos meus “boxkicks” e que era um “futebolista”, no bom sentido da palavra, ou seja, que tinha um bom contacto com do pé na bola e sabia onde acertar mas que apenas precisava de trabalhar a consistência do movimento e consequentemente o ponto de queda da bola. Gostei bastante da minuciosidade com que olhou para este “skill” fulcral num médio-formação, ao invés de apenas olhar para o resultado final.

No mesmo dia tive um primeiro cheirinho daquilo que é um treino numa “Wattbike”. Novamente no treino da tarde, o tema foi condicionamento mas desta vez um pouco mais complexo, o que implicava o uso da mão, e estando ainda de gesso na mão esquerda não poderia participar, contudo há sempre alguma coisa que podemos fazer e no meu caso foi a “Wattbike“.

Depois de recebermos as instruções sobre o nosso treino, eu e o meu novo amigo Fijiano Ifereimi Boladau (que partiu o rádio do antebraço direito há pouco tempo) marchámos até ao Ginásio. Quando acabámos os respectivos treinos, estava em tão mau estado das pernas que não consegui descer uma pequena rampa de acesso ao campo de treinos , para o divertimento do “Mu” que parecia estar a adorar o meu estado de sofrimento. 

Foto: Francisco G. Vieira

Uma vez que o Hotel estava cheio a partir de quarta-feira, precisava de arranjar um sitio para ficar até encontrar a minha própria casa. Amavelmente, o Allan McHale, Director-Geral do clube, ofereceu-me um quarto na sua casa pelo tempo que fosse preciso e sendo assim, terminado o dia de treinos levou-me para sua casa onde me apresentou à sua mulher, filho e neto.

Mais uma vez a tradição britânica apanhou-me de surpresa, e eram seis da tarde quando começámos a jantar! Nem correu mal até porque depois de um exaustivo dia de treinos e especialmente uma tarde dura, um lanche reforçado era mesmo o que precisava! 

Já jantado, o Allan convidou-me para o acompanhar novamente ao clube mas desta vez para assistir a uma das famosas “Titans Tuesday“. Explicou-me que o principal objectivo desta rubrica era passar o jogo do fim de semana na tela grande e assim dar oportunidade aos adeptos, que não puderam viajar com a equipa, de ver o jogo do fim de semana, podendo, ou não, a visualização ser acompanhada por alguém da equipa técnica a falar do jogo.

Foto: Francisco G. Vieira

Contudo, estando na pré-época e ainda sem jogos, aproveita-se para se darem palestras e para os jogadores terem a oportunidade de se apresentarem e se darem a conhecer ao público. Neste dia a estrela da noite era o nosso chefe do departamento de Fisioterapia, David Swift, que ia dar uma palestra sobre os testes que são feitos aos jogadores na pré-época e em que sentido se podem evitar certas lesões mediante os resultados obtidos nestes testes.

Para a sorte do “Swifty”, e meu azar, eu estava presente e automaticamente qualifiquei-me para ser a cobaia de serviço para realizar os testes a frente dos adeptos. Como se já não bastasse, ao meu segundo dia no clube já estar a expor as minhas eventuais fraquezas, pediu-me que tirasse a t-shirt para avaliar possíveis diferenças entre alturas dos ombros ou curvaturas excessivas na coluna.

Apesar do meu desconforto acabei por tirar a t-shirt e imediatamente alguém do publico disse “Arranjem-lhe um bife e umas batatas fritas rápido!!” Momento cómico, que me fez rir bastante e ajudou a quebrar o gelo e a deixar-me um pouco mais à vontade! No fim, e algumas gargalhadas depois, numa onda de simpatia, a grande maioria dos adeptos presentes fizeram questão de me vir cumprimentar e desejar o maior sucesso nos Titans!

Ao terceiro dia, fui ver uma casa que me agradou, mas ao saber que não tinha wifi instalado, impossibilitando por isso contactos com Portugal, risquei a casa da lista.

Porém, o Matt, que me foi buscar ao aeroporto, ofereceu-se para colocar o wi-fi em seu nome até eu estar acomodado (era necessário ter um cartão bancário inglês associado) e, também por não querer abusar da minha estadia em casa do Allan, acabei por aceitar esta proposta e, ao quarto dia, mudei-me para a minha nova casa.

Ainda sem internet e televisão as minhas viagens até ao clube eram regulares para abusar do wi-fi e ver uns jogos de rugby, ou pelo menos tentar! Sempre que entrava alguém na clubhouse, faziam questão de me cumprimentar e perguntar se estava bem, se precisava de alguma coisa, e que de certeza que ia adorar jogar pelos Titans! Até hoje ainda ninguém me deixou pagar seja o que for no bar do clube.

Na segunda semana, tivemos a primeira sessão de reuniões individuais com o staff técnico, pediram para falar um pouco sobre mim e sobre aquilo que poderia trazer à equipa

Finalizaram dizendo que estavam super agradados comigo e com os extras que trouxe e que não estavam à espera, e umas das coisas que me ficou é que claramente foi me dito que, como médio de formação esperavam que fosse um dos jogadores mais fit, nada que já não estivesse à espera! Contudo, o que me veio à cabeça foi que todos aqueles treinos de condicionamento doíam.. E muito! E ainda não me distanciava o suficiente para ser claramente o mais fit da equipa, ou seja, iria de ter de puxar ainda mais por mim se quisesse ser o indiscutível dono da camisola 9. 

Ao décimo dia recebi o n.29 no equipamento de treino (números entregues por ordem alfabética), fui o primeiro a chegar ao estádio e vi os treinadores todos no escritório a aplaudirem-me! Primeiro achei que fosse por ter chegado tão cedo, mas quando entrei percebi que era por ter vestida a camisola de Inglaterra!  “Eu sabia que o íamos converter” disse o Kiwi em tom de brincadeira, e a minha resposta foi óbvia “(risos) Não, não, nada disso! Sou português!! Só gosto é da camisola!!”.

O novo “kit”! (Foto: Francisco G. Vieira)

Depois de um treino extra antes do treino de recuperação que íamos ter no relvado do estádio, foram-nos entregues os Kits de treino da Scimitar Sports, uma marca nova onde um dos donos já jogou no GDD há muitos anos atrás e fez questão de me abordar e falar um bocadinho sobre o rugby nacional e queria saber como estava o campeonato português agora. 

Um ultimo episódio caricato acontece todas as sextas feiras quando temos um treino extra de boxe e devido à minha limitação da mão, só pude jogar com a minha mão direita. igualmente limitado está o meu grande amigo número 8 Fijiano de 1,90m e 115 kg . Uma visão algo cómica ver-me a aguentar os socos dele, que, felizmente, só pode usar a mão esquerda!!

 Do ponto de vista mais táctico, temos tido poucos treinos de rugby, mas o pouco  treino táctico que temos tido é sempre acompanhado de uma lição teórica antes com vídeo ou, no mínimo uma explicação calma e detalhada daquilo que é pretendido. Durante os treinos somos filmados por um drone e por câmaras frontais e/ou traseiras, onde os vídeos são colocados numa pasta privada para que possamos aceder e observar e eventualmente discutir coisas a melhorar! 

Uma semana tipo tem sido:

  • Segunda feira, treino de ginásio e de skills de manhã, almoço por volta do meio dia e meia no clube e treino da tarde a começar as 14:30h com exercícios de coordenação e manipulação da bola seguido de treino de condicionamento fisico até as 16h. Depois andar um bocadinho pelo centro da cidade e vir para casa ler, falar com Mãe e namorada e preparar o jantar.
  • Terça-feira, igual ao treino de segunda mas, normalmente, é o dia mais intenso da semana com os treinos de condicionamento a serem mais focados na intensidade e menos na duração.
  • Quarta-feira, treino de recuperação com exercícios de alongamento assistido, treino de equilíbrio e manipulação da bola com o dia a acabar no almoço. Todas as quartas, um grupo de jogadores (grupo diferente todas as semanas) vai dar uma aula de Rugby às escolas, tarefa que ainda não me calhou e por isso tenho aproveitado para tratar de coisas necessárias à minha estadia aqui, como conta bancária, compras, número de segurança social, entre muitos outros. 
  • Quinta-feira, semelhante ao ao dia de segunda e terça mas com um foco mais em treino de circuito, fazer muitas coisas diferentes e obrigar a cabeça a pensar em momentos de fadiga extrema, com exercícios de  skill no descanso entre as séries.
  • Sexta feira treino de ginásio de manhã seguido por aula de boxe de 1 hora e almoço, a tarde livre de sexta feira é geralmente usada para o Team Social, onde nos juntamos todos e vamos fazer coisas fora do rugby como por exemplo jogar bowling, ping pong ou simplesmente conviver no clube. 

Durante o fim de semana, ao sábado de manhã vou ver os Lions à clubhouse e ao Domingo faço um treino de recuperação para me preparar para mais uma semana de treinos de pré-época. 

O passado e presente dos Titans (Foto: Francisco G. Vieira)

Os primeiros jogos amigáveis começam em Agosto e jogamos contra o sheffield , os Newcastle Falcons e o Coventry. O campeonato começa dia 3 Setembro contra o Nottingham Rugby no Clifton Lane, nosso estádio e o primeiro jogo da fase de grupos da British and Irish Cup inicia-se a 13 de Outubro também em Clifton Lane contra o Connacht. 

Podem seguir alguns dos nossos treinos de ginásio através da conta de instagram @therugbygym

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Fair PlayJulho 14, 20175min0

O crescimento sustentado dos atletas do Rugby Nacional é o novo tema da coluna Total Rugby de Luís Supico. As questões perante o desenvolvimento metal e físico e as soluções para o presente e futuro 

Faz sensivelmente oito anos que a imagem de uma apresentação do então director técnico e treinador principal dos Séniores do Cascais, Philip Kellerman, mudou a minha maneira de pensar Rugby (e desporto, por inerência) – a relação da velocidade de Crescimento (Peak Height Velocity ou PHV) com o desenvolvimento individual dos jogadores:

Philip Kellerman (Foto: Philip Kellerman)

Aqui estava a base de tudo o que é desporto, uma explicação sucinta da relação dos crescimentos físicos dos miúdos com o foco individual do que se deve treinar ou, neste caso, optimizar e quando.

Por forma a poder provar se o que me parecia lógico funcionava, comecei por treinar o que era mais importante para o escalão onde me encontrava na altura (os sub10) e, seguindo esta ideia, por desenvolver a parte física e técnica dos jogadores em três vertentes – a velocidade em distâncias curtas, a flexibilidade e os skills individuais (neste caso atacantes mas com algum enfoque também na placagem). Com bons resultados. Tanto que, quando passei para os sub12 (e consequentemente sub14) fui seguindo esta imagem à risca, com a sorte de subir sempre com os mesmos miúdos, ou seja, sabendo já que o que estava para trás funcionava e o que faltava desenvolver para a frente. Sempre com os resultados esperados (e às vezes, melhores do que esperava…).

Com o passar dos anos e chegado aos sub16, cinco épocas de evolução e confirmação destas ideias, pareceu-me óbvio o próximo passo: adicionar a vertente psicológica ao treino.

E o que é a vertente psicológica?

Para se perceber o porquê e o que é, há que desconstruir um pouco as divisões dos escalões já que a Federação, os clubes, treinadores, dirigentes, todos pensamos em três grupos de desenvolvimento: Formação (dos sub8 aos sub14), Pré-Competição (sub16 e sub18) e Competição (Challenge e Séniores), o que é natural e acertado. Afinal de contas há que hierarquizar as coisas para as podermos trabalhar; mas esta divisão, às vezes, pode-nos enganar. Senão vejamos: sub8 e sub10 são importantes para o desenvolvimento das aptidões individuais e para se divertirem; sub12 já é um escalão importantíssimo no que toca a juntar individualismo com trabalho de equipa; sub14 é o primeiro escalão onde o trabalho táctico começa a sério (campo inteiro menos 5 metros, XIII em campo, etc.) e sub16 onde tudo se conjuga e se joga rugby de XV já quase como nos Séniores.

Considerando ainda outra divisão, podemos dizer que há três vertentes para os jogadores: a parte física, a parte técnica e a parte táctica, que os acompanha em todos os escalões.

Ou seja (e resumindo):

No treino físico e como comprovado pela imagem inicial da relação da velocidade de Crescimento (PHV), há um crescimento natural do corpo até sensivelmente aos 14 anos, com especial declive aquando do seu zénite o que nos diz que, a haver treino físico, deverá ser feito com o próprio peso do corpo até aos sub16 e, a partir daí, começar o treino técnico de levantamento de pesos, com consequente aumento de carga;

Na incidência geral individual, o plano técnico cinge-se ao desenvolvimento do indivíduo como jogador, seguido do plano táctico a partir dos sub14 (aumento de campo, jogadores, etc.);

Já a incidência prioritária diz-nos que a parte técnica individual deve ser a preferência nos primeiros escalões, com o desenvolvimento da área táctica nos sub14 e psicológica nos sub16.

Mas como nada é estanque e tudo tem de ser trabalhado, acredito que será sensivelmente nestes termos que se deverá desenvolver os jogadores:

Sendo assim e voltando ao início: o que é mesmo a vertente psicológica do treino?

Se aceitarmos o que foi dito atrás como certo podemos deduzir que os sub16 são, então, um ponto de confluências de tudo o que foi trabalhado para trás com um acrescento importante: nos sub18 já há jogadores com capacidade para jogar nos Séniores que, podendo, o irão fazer… Sem contar com as cartas de condução, namoradas, faculdades para entrar, saídas à noite (também merecem ter vida, como é óbvio!), viagens, estudos noutros sítios, muitos condicionantes que entram rapidamente na vida dos jogadores e podem, muito facilmente, destruir uma equipa com anos de trabalho. E aí é que entra a parte psicológica dos sub16: se tudo fôr bem feito, eles irão estar preparados para o que lhes aparece à frente.

A conciliação dos estudos, do rugby e da vida pessoal, a iniciação a regras específicas e punições subjacentes se quebradas, a iniciação ao trabalho de desenvolvimento individual da parte do jogador sobre si próprio (visionamento de vídeos, treinos específicos, etc.) e o aprimorar de posições específicas, o início de trabalho de ginásio bem como a iniciação à disciplina individual e pessoal fora de campo (alimentação, saídas à noite, etc.), aliado ao facto dos pais começarem a dar liberdades até à altura inexistentes ou mínimas aos jogadores, fazem deste escalão O escalão de preparação para os Séniores.

Foto: Pai Conde Fotografia

Numa altura em que tanto se fala de problemas e desânimo pelos resultados da Selecção Nacional Sénior, penso que é indo à base e trabalhando lá que se vão ver melhorias nos escalões de cima… Dentro de uns anos, sim, mas com consistência.

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Francisco IsaacJunho 27, 201716min0

Internacional de XV e 7’s, prata da casa do CF “Os Belenenses”, jogou no Chile, viveu as emoções de Hong Kong e agora chega ao Fair Play: Bernardo Seara Cardoso, ponta dos azuis, explica o dia-a-dia de um jogador de rugby, as dificuldades, os estudos, a paixão e a importância da família. Uma entrevista em exclusivo do Fair Play

fpBernardo, como foi voltar ao CF “Os Belenenses” nesta época e conseguir nove jogos seguidos sem parar? Foste o segredo?

BSC. Antes de começar, gostava de agradecer à equipa do Fairplay e ao Francisco Isaac pelo convite.

Estive de Erasmus na primeira metade da época, sem jogar rugby, portanto foi bastante bom poder voltar não só ao rugby mas também ao Belenenses. Regressei numa fase crescente da equipa onde se notava um clima positivo de trabalho e a prova foram os tais nove jogos sem perder. Segredo claro que não! O Belenenses é uma equipa de topo em Portugal e como tal, sabíamos que tínhamos que fazer os possíveis para não aceitar uma posição que fosse fora da final six.

fp. O Belenenses está em fase de reestruturação… vamos ter uma equipa mais forte me 2017/2018? É possível lutarem pelo campeonato?

BSC. Como disse atrás, o Belenenses tem uma história firmada no rugby português e deve estar entre as melhores equipas de Portugal. Desde há uns 4, 5 anos, temos perdido bastantes jogadores o que não tem ajudado muito na luta pelos campeonatos. Há, e tem havido, uma escassez de jogadores da geração entre a do Diogo Miranda, Salvador Cunha ou Duarte Moreira e a minha mas esta falta de maturidade tem vindo a ser compensada pela garra dos jogadores mais jovens que vão ganhando terreno e lugar na equipa sénior. Ano após ano, cada vez mais sentimos que estes tais jogadores jovens vão amadurecendo o que nos aumenta as aspirações. Lembro-me por exemplo dos últimos dois anos em que perdemos nos quartos de final com o Cascais, em que senti que nos faltou alguma maturidade para saber gerir melhor o jogo. Mas tudo isso se ganha e sinto que estamos no bom caminho.

Este ano, teremos o incentivo extra do campo novo que irá ajudar muito o Belenenses não só no escalão sénior mas também em todas as camadas jovens. A direcção do clube e muitos outros “amigos do Belém” têm feito um trabalho fenomenal que nos irá permitir ter o nosso espaço, um espaço para crescermos e pormos o Belém no topo do rugby nacional.

Este ano sentiu-se um aumento na competitividade do campeonato e a umas semanas do fim pensava-se que havia umas 3 ou 4 equipas podiam levantar o troféu. Penso que é muito bom para o rugby nacional que isso aconteça, pois a hegemonia de duas equipas além de baixar a espetacularidade da corrida pelo título, resulta também em que se disputem jogos menos competitivos ao longo do ano. Quando isso acontece, os jogadores que integram as seleções nacionais sentem, quando confrontam equipas com jogadores habituados a outras andanças, que o ritmo de jogo dos adversários é superior o que nos dificulta a tarefa de aspirar a mais altos voos.

Posto isto, a minha resposta é sim, o Belém é sempre um candidato ao título! As provas que demos este ano, após vencer todas as equipas (excepto o Direito), a crescente competitividade no campeonato e a crescente maturidade que temos ganho, essencial para vencer os jogos mais disputados, dão aso a que possamos sonhar com uma luta real pelo campeonato.

fp. Como chegaste ao rugby d’ “Os Belenenses”? E foi logo uma ligação imediata com o rugby ou demorou?

BSC. A minha caminhada no rugby começa uns anos antes de entrar para o Belenenses. Eu era (e ainda sou um pouco!) hiperactivo e os meus pais procuravam todas as actividades possíveis para me entreter/cansar. A minha irmã mais velha tinha amigos que jogavam rugby então sugeriu aos meus pais que me inscrevessem no rugby. O meu pai, apesar de hoje em dia ser fanático pela modalidade e ser o fotógrafo com maior rácio de fotografias por jogo, nunca jogou rugby portanto não foi uma coisa hereditária.

Na altura eu vivia no Porto e o CDUP foi o clube onde joguei os meus primeiros 5 anos e onde aprendi os básicos do rugby. Desde cedo conectei com o rugby e sempre adorava quando chegavam os dias de treino. Mais tarde, com 11 anos, mudei-me para Lisboa e não queria deixar o rugby por nada. Além de sugerirem o Belenenses ao meu pai, o facto de viver no Restelo também contribuiu para que eu fosse para os Belenenses.

fp. O rugby ajudou-te a crescer como estudante e pessoa?

BSC. Sem dúvida! Há um clichê de que o rugby é uma escola de vida e que muitas entidades empregadoras gostam de jogadores de rugby pelos seus valores. Sobre os clichês, se existem, é porque alguma verdade contêm. Sei que o facto de ter um horário mais carregado me obrigou a desenvolver um maior sentido de organização e sinto que me é bastante natural trabalhar em equipa também porque estou habituado a isso pelo rugby. O espírito de companheirismo que se vive no rugby é inigualável e eu sempre o  senti tanto quando jogava no CDUP como no Belenenses.

Não posso deixar de falar sobre o espírito de sacrifício e o que isso também ajuda para a vida diária. Dado o carácter físico do rugby, é extremamente importante que os atletas se protejam com idas ao ginásio, é importante treinar os skills para se salientar dos demais e sobretudo é importante não faltar à equipa. Isto significa abdicar de muitos jantares e saídas à noite, implica deixar de passar fins de semana fora e significa ir treinar mesmo quando chove torrencialmente e está frio.

fp. Atleta da Selecção de XV e 7’s… qual foi o momento mais especial que tiveste nas duas? Recordas-te de algum episódio engraçado em alguma das digressões?

BSC. Há um momento que sem qualquer dúvida sobressai na minha carreira. Estávamos em Hong Kong, clima muito abafado, mas sobretudo muito quente nas bancadas do estádio com mais de 40 mil pessoas a gritar por Portugal. O público tende a puxar pelos “underdogs”, mas neste caso, penso que poucos eram os que pensavam que o Nuno Sousa Guedes ia marcar um ensaio à Nova Zelândia na bola de jogo que iria igualar o marcador. A sensação de ouvir a bancada a explodir com o ensaio e de eu, dentro de campo, a pensar que tinha acabado de empatar com os all mighty All Blacks ficará para sempre na minha memória.

A batalha dos sevens (Foto: Luís Seara Cardoso Fotografia)

fp. Gostas dessa pressão?

BSC. Sinceramente, gosto! Quer jogue pelo Belenenses, quer jogue por Portugal, quando entro em campo tenho sempre a noção do que represento e das gerações que já usaram e suaram aquela camisola. Não é, nem pode ser indiferente, falhar um passe ou uma placagem e penso que é importante que quem joga rugby, perceba que existe pressão para ser melhor e essa pressão tem que contribuir para a própria melhoria do atleta.

A pressão dos jogos, a pressão de ter que jogar bem e saber que há pessoas em casa a ver, pessoas a acordar de madrugada para ligar o streaming para ver os sevens é uma pressão que nos faz sentir vivos. É sinal que estamos a fazer algo com significado e que as nossas acções não são indiferentes.

fp. Conseguiste combinar a vida académica com a desportiva? Achas que há algo a mudar nesse sentido entre a Federação e as Universidades e mesmo com futuros empregadores?

BSC. Eu tive a sorte de conseguir gerir bem as duas vertentes e de ter uma família e namorada que sempre me apoiaram em tudo. Tomei a opção de me dedicar exclusivamente ao rugby durante um tempo e não me arrependo nada disso. Penso que o preconceito de ter que fazer uma vida académica imaculada com as mais altas notas e exactamente no tempo estipulado se está a perder e isto deve-se ao crescente reconhecimento que as actividades extracurriculares têm. Os futuros empregadores já estão a fazer isso. Hoje em dia, uma pessoa que não pratique desporto, não faça voluntariado ou não viaje já tem um “handicap” em relação a outros. As notas já não são o único factor avaliado nos CVs e isso é bom para ajudar os atletas. Um jogador de rugby que perca exames para disputar um campeonato mundial de rugby, é mais valorizado hoje em dia do que era antes.

Do lado das Universidades sim, penso que poderia haver algo a mudar. Há casos e casos, mas no geral, são sempre os professores da cadeiras em causa, que decidem se um aluno pode ou não faltar a um exame para representar o seu país. Como tal, há professores que toleram e ajudam os alunos mas outros que não. E isso é injusto para quem tem que tomar decisões do género: vou ao campeonato da Europa sub 20 e fico um semestre para trás a repetir uma cadeira ou não vou jogar?

Penso que deveria haver um processo mais estandardizado que promovesse a equidade entre os atletas e não um processo onde os professores têm a faca e o queijo na mão. Eu tive a sorte de ir a um mundial no Chile e fazer os exames no mês seguinte (ainda que mais difíceis que os da primeira fase) mas tenho colegas que não tiveram a mesma sorte.

Do lado da federação, não tenho quaisquer queixas e sempre me arranjaram as declarações que precisei, trataram dos processos de estatuto de alta competição, etc.

Sacrifício acima de tudo (Foto: Luís Seara Cardoso Fotografia)

fp. Quem foi importante neste teu processo de crescimento? Achas que os pais têm um papel fundamental no desenvolvimento como jogador?

BSC. A família é extremamente importante. Tanto a minha mãe que lava equipamentos com lama (hoje em dia bolas de borracha do sintético) quase todos os dias, que antigamente preparava os lanches para torneios, que organizava as boleias para os treinos e que me dava sempre apoio, como o meu pai que desenvolveu uma paixão pelo rugby e que sempre tira milhares de fotografias nos jogos além de sempre insistir para que eu treine mais e me torne melhor. Sem o apoio da família, torna-se difícil aguentar a pressão da gestão dos estudos e lesões e torna-se difícil ter sempre motivação para continuar. Fundamental é a palavra certa!

fp. Recordações… melhor ensaio pelo Belenenses? E pela Selecção?

BSC. Melhor é difícil pensar/lembrar… Lembro-me que marquei um ensaio ao Técnico na minha estreia pelos séniores e isso foi especial. Também foi especial marcar pela seleção de XV, ainda que o ensaio tenha sido de intersecção, portanto não dos melhores…

fp. Há algum colega teu que jogue contigo desde os sub16? Quem e foi/é fácil jogar com ele?

BSC. Joguei com o Carlos Sottomayor desde os Bambis e gostava muito de jogar com ele, até porque era dos meus melhores amigos. Passados uns anos tornámo-nos adversários e confesso que não é fácil jogar contra ele, até porque parece que joga sempre melhor contra o Belenenses. Da minha geração de sub 16, muitos foram os que já deixaram… Hoje ainda jogam nos séniores o Manel Bonneville, Zé Fino e o Vasco Poppe.

fp. Na tua opinião existe desportivismo, fairplay e companheirismo no rugby Nacional ou são valores “vazios” por cá? Recordas-te de algum momento de fairplay de uma equipa adversária

BSC. Penso que existe, sim. Algumas das muitas coisas que admiro no desporto em que pratico são exactamente esses valores. Recordo por exemplo o CDUL a ir em massa ajudar o banco alimentar e de promover a iniciativa junto de outras equipas.

fp. Chegaste a jogar fora de Portugal correcto? Como foi a tua experiência no Chile e fala-nos de uma memória que guardes com força.

BSC. Vivi um semestre em Santiago do Chile e fui muito bem acolhido por uma equipa chamada Old Reds. Mudei-me para lá dois meses depois de ter disputado o mundial sub 20 em Temuco, Chile e aproveitei para conhecer alguns jogadores chilenos e fazer contactos para quando me mudasse para lá.

O rugby lá é parecido ao de cá. O futebol domina, mas o rugby tem se vindo a desenvolver. O espírito é muito bom e eles levam a terceira parte mais a sério. Há sempre churrascadas no fim dos jogos e, no meu clube, no fim de todos os treinos de quinta, também havia sempre a “parrillada”.  Toda a experiência foi espetacular e o rugby contribuiu muito para a minha integração no país e no espírito chileno. Guardo com força a imensa receptividade com que fui recebido. Lembro-me de dormir em casa de metade da equipa, de passar férias em família com um jogador na sua casa de férias e até de visitar a campa de um antigo jogador que é regularmente visitado pela equipa, uma coisa que achei espetacular.

fp. Vais continuar a jogar rugby durante muito tempo? Até onde gostavas de ir?

BSC. Se respondesse a esta pergunta há um ano, a resposta seria completamente diferente. Sempre tive a ambição de jogar rugby até aos trintas. Contudo, pelo menos por agora, irei deixar os relvados porque vou trabalhar para o Reino Unido durante uns anos e parece-me, pelo menos para já, impossível conciliar o horário que vou ter com os treinos.

Quando voltar, espero ter a porta do Belenenses aberta para poder regressar!

fp. O CF “Os Belenenses” é um clube grande na tua opinião? Achas que a secção de rugby ganhará outras dimensões com o novo campo?

BSC. O Belenenses é um grande clube, sem dúvida alguma! Volto a dizer, o Belenenses tem uma história firmada no rugby português e deve estar entre as melhores equipas de Portugal. Acho que o novo campo será fulcral para catapultar as ambições do clube, e que ter o nosso espaço, onde miúdos possam estudar, passar tempo, treinar skills e treinar livremente, será uma grande mais valia para nós.

A grande família azul de Bernardo Seara Cardoso (Foto: Luís Seara Cardoso Fotografia)

fp. Perguntas rápidas: quem critica mais o teu jogo, o teu pai ou treinador?

BSC. Pai, claramente.

fp. Nova Zelândia, Inglaterra ou Austrália? E se não for nenhuma das três qual é e porquê?

BSC. África do Sul e depois Argentina. Apesar de adorar ver a classe com que jogam os All Blacks, sempre tive uma admiração especial pelos Springbocks.

fp. Shane Williams, Santiago Cordero ou Julian Savea?

BSC. Bryan Habana

fp. País que gostavas de ter jogador rugby?

BSC. Argentina

fp. Um offload por trás das costas ou um gruber?

BSC. Dados os meus skills, é mais provável uma boa placagem try saver

fp. Rugby de XV ou 7’s? E porquê?

BSC. Apesar de adorar as duas, tenho uma certa preferência pelos 7s. Há mais bola na mão e estamos sempre em jogo. Gosto da intensidade do jogo e da sensação de cansaço extremo.

fp. Melhor jogador dos últimos anos do Belenenses?

BSC. Para mim, Sebastião Cunha.

fp. Adversário que mais gostaste de jogar contra?

BSC. É sempre especial jogar contra o CDUP por ter sido o clube onde me formei, gosto sempre dos jogos!

fp. Deixa uma mensagem especial aos teus colegas, pais, comunidade de rugby.

BSC. Obrigado a todos os que contribuem para o rugby em Portugal, desde os pais dos jogadores, público, managers, trabalhadores no back office e aos jogadores.

No Chile (Foto: Rugbiers)

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Francisco IsaacJunho 9, 20177min0

Victor Ramalho, um dos editores do Portal do Rugby, fala sobre o que se passou nos últimos dois meses no Brasil e do pré-jogo entre Tupis e Lobos na sua coluna “Rugby no Brasil”. O 10 de Junho com significado especial

O rugby brasileiro vive uma sequência de eventos importantes e novos desafios. O mês de maio reservava ao rugby brasileiro grandes expectativas, por conta do Campeonato Sul-Americano, competição que valia também como apuração para o Mundial de 2019. Brasil, Uruguai, Chile e Paraguai se encontraram, com uruguaios e chilenos tendo a vantagem de enfrentarem em casa os brasileiros.

Quem acabasse em primeiro lugar o torneio avançaria à fase decisiva do Qualificatório, para duelar com o perdedor da partida entre Estados Unidos e Canadá, valendo a vaga “Américas 2” em 2019. A Argentina, já classificada ao Mundial, não participa mais do Sul-Americano.

O resultado foi que o sonho de ir a um Mundial acabou adiado.

O caminho começou tortuoso com derrota para o Chile, em Santiago, por 15-10, em partida apertada e aberta até o fim. Os Tupis depositavam grandes esperanças de que finalmente, pela primeira vez na história, derrotariam Los Cóndores em solo chileno, o que não ocorreu desta vez, com o Chile apresentando evolução desde o Americas Rugby Championship e contando com dois atletas do Bayonne, Huete e Ayarza, que tornaram o pack andino mais forte e capaz de neutralizar as jogadas de maior criatividade dos brasileiros.

Depois, em Montevidéu, Los Teros uruguaios se provaram ainda um degrau acima dos Tupis, vencendo por 41-27. O Brasil teve seus momentos e chegou a flertar com uma virada, mas não se consumou.

O último jogo da competição, no dia 26 de maio, opôs Brasil e Paraguai, com o Estádio do Pacaembu (o tradicional estádio municipal de futebol que desde a Copa do Mundo de 2014 não tem mais um clube de futebol mandante e que vem abraçando o rugby desde 2015), em São Paulo, recebendo pouco mais de 3 mil adeptos, em uma noite de sexta-feira.

Desde a estreia do Brasil no estádio, em 2015 contra a Alemanha, os Tupis não são derrotados nesse novo palco e a escrita se manteve. Já consideravelmente atrás de seus rivais sul-americanos, o Paraguai lutou bravamente no primeiro tempo, mantendo a disputa parelho, mas não aguentou fisicamente após o intervalo. O Brasil se impôs e conseguiu sua maior vitória na história sobre os Yakarés paraguaios, 57-06.

A partida foi emocionante pela despedida de Daniel “Nativo” Danielewicz, hooker da equipa, que se aposentou da seleção após mais de 60 internacionalizações.

O final de semana seguinte no Brasil foi de folga para os Tupis, mas de retorno no rugby de clubes, com decisões.

No Brasil, de março a junho os clubes disputam os campeonatos estaduais, enquanto de julho a outubro é disputado o Campeonato Brasileiro, com o mês de férias sendo dezembro. Os dois campeonatos estaduais mais fortes são o Paulista (São Paulo) e o Gaúcho (Rio Grande do Sul) e ambos viveram no dia 3 suas semifinais.

No Rio Grande do Sul, todos se perguntam quem será capaz de vencer o Farrapos, de Bento Gonçalves, que não perde uma partida na competição desde 2009 e aplicou agora 114-03 sobre o SC Rugby, de Caxias do Sul, na primeira semifinal. Do outro lado, Porto Alegre teve seu dérbi, com o San Diego derrotando o Charrua por 21-14. A final ocorrerá no dia 17 entre Farrapos e San Diego, as duas agremiações de camisolas verdes.

Já São Paulo vive o campeonato mais equilibrado dos últimos tempos. Na fase de apuração, a diferença entre o primeiro colocado, a Poli, e o quinto, o Band Saracens, foi de somente 7 pontos. Poli e Jacareí foram as sensações. No ano passado, a Poli (clube nascido da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo) havia acabado o Campeonato Paulista em 7º lugar, mas cresceu no segundo semestre e se sagrou vice campeã da Taça Tupi, a segunda divisão do Campeonato Brasileiro, sendo derrotada na final justamente pelo Jacareí, clube da cidade homônima, a 100 km da cidade de São Paulo.

Ambos conquistaram promoção à primeira divisão nacional e a Poli investiu em sua preparação para o Paulista de 2017. Com os clubes favoritos – São José, SPAC, Pasteur – sofrendo no início de temporada com remodelações e perdendo atletas para os Tupis – a Poli cresceu e fez uma brilhante campanha, vencendo 6 jogos e perdendo somente 1, justamente para o Jacareí, um dos clubes com mais forte categoria juvenil no país.

Recheado de bons valores, o Jacareí acabou em segundo lugar, com apenas uma derrota também, para o SPAC, e um empate, diante do vizinho e rival São José.

Nas semifinais, o São José – que foi campeão paulista em 10 dos últimos 12 anos – caiu contra a sensação Poli por 21-13, ao passo que o Jacareí vingou sua derrota diante do SPAC vencendo desta vez por 37-06. Nesse sábado, dia 10, logo após Brasil contra Portugal, Poli e Jacareí jogarão pelo título de São Paulo, às 15h30 (horário local, 19h30, horário de Lisboa).

De volta a Tupis contra Lobos, o Brasil irá a campo contra Portugal nesse sábado esperando bom público e com força máxima.

O elenco que o técnico do Brasil, o argentino Rodolfo Ambrosio, convocou é basicamente o mesmo que disputou o Sul-Americano e para os Tupis é o Ranking do World Rugby que está em jogo, pois uma vitória sobre os Lobos poderá render ao Brasil subida até o 28º lugar no Ranking. Destaques para o veterano asa João Luiz “Ige” da Ros, o mais experiente do elenco, o hooker Yan Rosetti, radicado o rugby argentino e eleito o melhor do país em 2016, os irmãos Sancery, nascidos no Brasil, mas criados na França e ex jogadores do Albi, e para os irmãos Duque, Lucas “Tanque” e Moisés, que está prestes a se tornar o maior pontuador da história da seleção brasileira.

Brasil e Portugal terá transmissão ao vivo (aberta a Portugal) por https://ww2.brasilrugby.com.br/pages/ao-vivo

Poli e Jacareí também será exibido ao vivo, pelo Facebook da Federação Paulista de Rugby (também chamado da FPR): https://www.facebook.com/fprugby/

Test Match – Convocados

Dia 10 de junho – Brasil vs Portugal, em São Paulo – 13h00 (horário local), 17h00 (horário português);

Árbitro: Damian Schneider (Argentina)

Brasil: André Felipe Arruda “Buda” (Desterro), Arthur Bonfim Bergo (SPAC), Caique Silva Segura (São José), Cleber Dias da Silva Júnior “Gelado” (Poli), Daniel Henri Sancery (São José), Diego Lopez (Pasteur), Douglas Thiago Rauth (Curitiba), Endy Willian de Jesus Pinheiro (Curitiba), Felipe Henri Sancery (São José), Frederico Candido Costa (Jacareí), Gabriel Torres Paganini (Bandeirantes), Jacobus De Wet VanNiekerk (Poli), João Luiz da Ros “Ige” (Desterro), Johannes Andries Beukes Cremer (Poli), Jonatas Santos Paulo “Chabal” (Bandeirantes), Joshua Brian Reeves (Jacareí), Laurent Bourda-Couhet (Bandeirantes), Lucas Piero de Moraes “Bruxinho” (Desterro), Lucas Rainho Tranquez “Zé” (SPAC), Lucas Rodrigues Duque “Tanque” (São José), Matheus da Cruz Daniel “Matias” (Jacareí), Matheus Rodrigues Rocha “Blade” (Jacareí), Michel Gomes de Oliveira (São José), Moisés Rodrigues Duque (São José), Nicholas Malcolm Smith (SPAC), Pedro Luiz Menezes Bengalo (Desterro), Robert Tenorio (Pasteur), Stefano Giantorno (São José) e Yan Mota Rosetti (CUBA/ARG).

Portugal: Adérito Esteves (Tarbes, França/3ª divisão), Bruno Medeiros (CDUL), Caetano Castelo Branco (Nottingham Academy, Inglaterra/aspirantes), Duarte Diniz (Direito), Francisco Appleton (CDUL), Francisco Bruno (Direito), Francisco Pinto Magalhães (CDUL), Georgie Mcsullea (CDUL), Gonçalo Foro (CDUL), Gonçalo Uva (Direito), João Corte-Real (CDUP), João Granate (Direito), João Lino (CDUL), Jorge Abecasis (CDUL), José Conde (Cascais), José Luís Cabral (Direito), José Rebelo de Andrade (Agronomia), Manuel Cardoso Pinto (Agronomia), Manuel Queirós (Académica de Coimbra), Nuno Mascarenhas (Cascais), Nuno Penha e Costa (CDUL), Sebastião Villax (CDUL) e Tomás Appleton (CDUL);

Enquanto não há XV dos Tupis, há o de Portugal (Foot: FPR)

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Francisco IsaacMaio 21, 201713min0

2016. Portugal diz adeus à divisão “B” das Seis Nações europeias e ao Circuito Mundial de 7’s, após uma performance desastrosa em ambos os cenários. Situamos o leitor nesse ano nefasto para o rugby português, que deu a sua maior queda no século XXI em termos competitivos.

Portugal é um país com uma comunidade algo “fechada” e reduzida quando comparada com o andebol, hóquei e, sem comparação possível, futebol. A variedade imensa de clubes em Lisboa (incluindo Cascais, são mais de seis equipas no principal escalão nacional em dez formações ao todo), não tem sido acompanhada nas regiões quer do Algarve, Centro ou Norte, o que criou sempre alguns problemas tanto em termos de relacionamento como de exequibilidade da modalidade e dos planos estratégicos que falharam ano após ano.

Se o leitor nunca acompanhou ou não tem noção do número de atletas que compõem o panorama geral do rugby nacional, será um exagero dizer que existem cerca de 4000 jogadores envolvidos nos diferentes escalões, desde a formação mais básica até ao nível veterano. Há que somar a isto os treinadores, dirigentes, consultores técnicos e, mais importante de todos, os simpatizantes que tentam agraciar os seus clubes com a presença quer nas bancadas ou treinos.

Foto: Luís Cabelo Fotografia

O rugby é uma modalidade amadora em Portugal, com alguns atletas a gozarem de um estatuto semi-profissional ou profissional (normalmente atletas sul-africanos, australianos ou neozelandeses). Por isso, 99,5% são atletas portugueses que prescindem de seis horas de treino de campo mais 5-8 horas de ginásio por semana, sem contar com os dias de jogo.

Todavia, os números diminutos nunca impediram o rugby português de sonhar alto e tentar atingir patamares inesquecíveis como foi o apuramento para o Mundial de rugby em 2007, o único da nossa história.

Ninguém se esquece, de forma alguma, da forma como os Lobos (alcunha dada aos jogadores seniores da Selecção Nacional, a alcateia do rugby) cantaram e sentiram o hino em terras gaulesas… ainda hoje são imagens que subsistem quer no adepto familiarizado com a modalidade, quer no que pouco a conhece mas apanhou o pormenor no telejornal ou em outro espaço noticioso.

Esse momento foi há dez anos, muito aconteceu desde lá para cá, vários seleccionadores e dirigentes passaram pela Federação Portuguesa de Rugby, os clubes perderam capacidade financeira e manobra estratégica, os problemas agudizaram e o desinvestimento nas estruturas da modalidade foi “assustador”.

Foi a maior placagem que o rugby português levou, e ainda estamos para ver uma reacção total da comunidade a essa mossa física e psicológica.

Foto: Filipe Monte Fotografia

2017 marcou o ano de “ressurreição” do Rugby Nacional, com a selecção de XV a manter uma invencibilidade invejável (não perde desde Maio de 2016), tendo conseguido o GrandSlam na divisão “C” da Europa sob a batuta de Martim Aguiar. Muitos poderão dizer que foi o “mínimo exigível a uma selecção que já andou a lutar pelo título na divisão acima contra a Geórgia e Roménia”, esquecendo-se dos problemas financeiros e económicos que retiraram poder de “fogo” à federação e aos clubes. Para além disso, foi necessário reerguer o espírito e a moral dos jogadores que de todos foram os menos culpados pela descida de divisão em 2016, mas não deixaram de ser os que sofreram mais com essa situação.

Com pouco investimento, financiamento e sem grande possibilidade de convencer novos sponsors, o rugby nacional teve de ir ao seu âmago e reconstruir todo um projecto que permitisse a Portugal voltar a lutar pela subida de divisão e, mais importante, que apresentasse uma equipa competitiva.

Para quem desconhece por completo a realidade do rugby europeu, tem de saber que existe o nível máximo onde estão Inglaterra, País de Gales, Escócia, Irlanda, França e Itália (as tão famosas Seis Nações, um circuito fechado e que não aceita, para já, mudanças à sua estrutura), seguindo-se as várias outras Seis Nações mas secundárias, terciárias e consecutivamente. Geórgia, Roménia, Rússia e Espanha foram sempre os adversários de Portugal nos últimos 20 anos na luta pelo título das Seis Nações “B” (os Lobos conquistaram-no pela última vez em 2004 com Tomaz Morais ao leme) naquilo que é chamado de Tier2 do rugby mundial (exemplo dos AllBlacks serem Tier1).

Foto: Luís Cabelo Fotografia

Contudo, agora surgiram outras adversárias que poucos acreditavam que viriam a ter grande interesse pela modalidade: Alemanha, Bélgica ou Holanda. Os dois primeiros estão na divisão “B” e têm aumentado o investimento na modalidade ano após ano, com projectos estratégicos que vão tão longe como 2030, com ideias totais para transformar o rugby numa modalidade séria e atraente.

Pode ser algo estranho ou descabido avançar com esta frase, mas quando A Alemanha se mete em algo é porque sabe do potencial e rendimentos que pode retirar. O rugby é assim uma das novas bandeiras do desporto alemão, com o objectivo solene de chegar a um Mundial da especialidade, seja em 2019 ou 2023.

E como é que o vão conseguir?

Investindo por um lado na formação de jogadores, criando academias, escolas e clubes que potenciem os jovens atletas alemães, assim como recrutando atletas cujos pais ou avós são alemães, garantindo assim já um acrescento potencializado para a sua selecção. A explicação que damos é um resumo de um resumo de uma introdução de projecto, mas o necessário para perceber que a Alemanha está num frenesim com o rugby e, por exemplo, o CEO da Capri Sun (refrigerantes e sumos) investiu 30M€ como sponsor não só da Alemanha mas como do Heidelberg, um dos clubes principais da germânia.

Por isso, num país com dez milhões de pessoas, em que só 0,05% da população é que efectivamente joga rugby, o que se pode fazer ou esperar? Numa palavra só: juntar.

Foto: Miguel Rodrigues Fotografia

Juntarem-se os clubes nacionais e formalizar um plano estratégico sério, completo, e que não só defenda os interesses de cada um mas de todos. Juntarem-se os parceiros mais leais à Federação Portuguesa de Rugby e reestruturarem o que necessita de ser reestruturado, apostar numa viragem para o futuro (até este momento só a comunicação da FPR e alguns treinadores nacionais, incluindo alguns dos escalões de formação das selecções, estão virados para tal) desligando-se dos padrões doentios que continuam a ser transversais a qualquer direcção federativa (não tirando os méritos dos últimos três presidentes, houve males inerentes a cada uma das suas administrações que são muito complicados de justificar). Juntarem-se os jogadores que compõem todos os clubes e perceberem que dependerá sempre da sua boa vontade e trabalho o crescimento e aumento de rendimento, quer dos campeonatos nacionais como das selecções nacionais.

Mais uma vez, para quem desconhece estes factores e soluções, e que poderá parecer algo tão transversal a qualquer modalidade, o rugby deveria ser um exemplo “líder” neste campo, uma vez que tem uma comunidade mais pequena mas mais “concentrada”, altamente interessada na modalidade.

Para já, os grandes passos dados têm sido nas formações nacionais, que nos últimos 5 anos têm conquistado bons lugares em diferentes torneios e competições, com destaque para a conquista do Campeonato da Europa de sub-20 (2017), o 3º lugar no Europeu de sub-18 (2016) e a vitória frente à Escócia (2015), entre outros pontos dignos de assinalar.

Existem definitivamente boas gerações a “explodir” ou a “crescer” no seio do rugby português, como é evidenciando pela constante domínio dos mais “novos” nas formações como AIS Agronomia, CDUL, CDUP, Académica de Coimbra, GDS Cascais, entre outros tantos. Se no futebol ficámos a conhecer atletas como José Gomes ou Diogo Dalot desde quase do berço, então fiquem a saber que no rugby também há atletas com potencial para conquistar as fronteiras fora de Portugal, casos de Vasco Ribeiro, David Wallis, Diogo Hasse Ferreira (o 1º jogador português a jogar na principal divisão de rugby inglesa, totalmente formado em Portugal, no GDS Cascais) ou Manuel Picão.

Portugal tem uma variedade de jogadores a prestar provas além-fronteiras, caso de José Lima (campeão da 2ª divisão de rugby francesa e promoção para uma das melhores ligas mundiais), Pedro Bettencourt, Francisco Vieira, Samuel Marques, Aurelien Beco ou João Lourenço (e muitos mais) que têm aguçado uma “fome” estrangeira pelo melhor que se faz por cá ou lá, já que alguns destes jogadores nasceram em França mas nunca renegaram o seu “amor” pela bandeira portuguesa.

Foto: Luís Cabelo Fotografia

No futebol houve um destes casos (de sucesso) muito recentemente… Raphael Guerreiro, um jogador de enorme calibre que facilmente se podia ter perdido para a selecção francesa, mas a tempo se “salvou” e vestiu a camisola de Portugal. O rugby português até começou primeiro com este tipo de “movimentos”, e em 2007 a inclusão de David Penalva ou André Silva (ambos nascidos ou criados em França) foi importante para a selecção atingir o Mundial na altura.

Por isso, conjugar estes elementos todos, recuperar a “amizade” e familiaridade que tínhamos com a comunidade luso-francesa (que ainda desconfia de Portugal após alguns incidentes nos últimos anos), dar lugar e explorar os novos “diamantes” portugueses (no sentido positivo), encontrar um ponto de convergência entre clubes e federação (algo nunca atingível muito por culpa de ambas as partes que só se interessaram nos seus próprios planos e em agradar aos lobbies que gerem as suas estruturas) e finalmente atacar com pés, troncos e cabeça os objectivos básicos, intermediários e avançados que se põem até 2030.

Se o leitor perguntasse aos mais dedicados e sérios técnicos/dirigentes do rugby Nacional “O que é preciso ser feito primeiro? Ou para onde temos de canalizar o investimento e possível reformulação?”, acreditamos que a resposta seria: “Para os escalões de formação, actividades de captação de jovens e construção de uma cultura de rugby sustentável.” Em suma, a primeira preocupação deverá ser estimular as escolas das regiões fora de Lisboa a se interessarem pelo rugby através do projecto Tag Rugby ou Get Into Rugby, aumentando assim o número de atletas quer das escolas (Portugal necessita de começar a rever competições intra-desportivas a nível nacional) quer dos clubes.

Com um aumento significativo dos números de praticantes, os clubes passam a ter mais “vida”, mais “correria” e mais peso nas cidades/vilas onde estão assentes. O que pode forçar um investimento (ou pelo menos agilizar certos processos de cedência de campos e infra-estruturas para a modalidade, ou até na ajuda a candidaturas a investimento desportivo) nesses clubes e no solidificar dos números de atletas. A partir daqui a evolução e crescimento competitivo dos campeonatos nacionais de sub-14, 16, 18 serão ainda maiores, e fornecerão mais jogadores às selecções nacionais.

Um seleccionador nacional que só consiga ter um grupo de 20 jogadores de boa qualidade e os restantes dez de médio/baixo nível, nunca conseguirá ter uma forte equipa que resista às competições internacionais. Porém, se o mesmo técnico tiver 50 atletas em excelente forma, competentes tecnicamente, com um desenvolvimento mental mais avançado que o “comum” praticante, já a realidade poderá ser muito diferente e mais ambiciosa.

Foto: José Vergueiro Fotografia

E para os atletas que ficarem de fora das selecções de formação? Seria interessante que se adicionasse uma competição extra, conjugando com o Campeonato Nacional e Taça de Portugal, mas algo diferente das duas, algo como seleções regionais que misturem os atletas de diferentes clubes e imprimam uma forma de estar tão colectiva e de integração que “parta” com barreiras de “inimigos” e os ponha em patamar (o espírito do rugby nacional por vezes cai nos exageros das clubites agudas, perpetuadas pela nossa cultura futebolística, que dita a nossa forma de estar).

Este é um plano tão normal e redutor para qualquer modalidade que pode parecer a quem está a ler este artigo, que o rugby português está num “ano zero”. Não está, mas continua a ter pormenores e “costelas” ainda da sua fase embrionária que nunca foi realmente desenvolvida, ou que não se deixou desenvolver por interesses privados ou disputas territoriais.

Mas é aqui que mora a grande questão, uma vez que as maiores preocupações das últimas duas direcções federativas foram a “revolução” total dos campeonatos nacionais de seniores, preocupando-se mais com a “copa da árvore do que ir directamente à raiz”. Portugal não pode cair no elitismo desportivo, de seleccionar um par de equipas para lutarem pelo campeonato Nacional e deixar as outras entregues a uma luta de simples manutenção ou descida de divisão.

Ao contrário do que se passa no futebol, o rugby em Portugal sempre teve dificuldades em ser aceite por todas as comunidades, muito pelo seu excessivo elitismo (algo que existe na maioria das equipas nacionais) e pela forma de estar tão anárquica que acarreta profundos problemas de coexistência com a realidade actual. O futebol nisso soube sempre ser um desporto de massas, de aceitar qualquer um (possuindo mesmo assim problemas raciais e xenófobos que têm a ver mais com a cultura comum de cada nação do que com a modalidade) e de todos poderem “chutar uma bola de futebol”.

Portugal jogará no dia 20 de Maio em Bruxelas frente à Bélgica, pela promoção à divisão “B” das Seis Nações europeias, um passo fundamental para o crescimento e renovação da imagem da selecção nacional. Não obstante a esta data, é fundamental que os clubes aproveitem as suas camadas de formação, para agora darem um salto qualitativo que ficou sempre muito aquém dos objectivos traçados pelas direcções, quer dessas mesmas instituições, quer da própria Federação.

O presente artigo foi realizado no âmbito da parceria que o Fair Play estabeleceu com o Sapo24, e a sua publicação original pode ser consultada aqui.


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