23 Nov, 2017

Arquivo de Kelly Slater - Fair Play

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Eduardo MenezesMarço 29, 20177min0

Vitória emocionante; rivalidades acirradas; rookie a despachar favoritos; tudo isso em apenas 1 etapa. O tour apenas começou, mas já demonstrou que não podemos perder nenhum minuto do surf da WSL. Agora, o que esperar no segundo evento? Muito mais…

O primeiro show, que deve continuar

Como prometido e previsto por nós, o ano da WSL começou em grande, já marcada pela emocionante conquista da primeira etapa pelo australiano Owen Wright. Após um ano de recuperação de uma grave lesão (concussão cerebral), que o impossibilitou de disputar o tour do ano passado, como também de simplesmente surfar.

Owen precisou “reaprender” a se por em pé numa prancha, dentro desse processo alguns duvidaram de sua volta, mas muitos fanáticos pela arte do surf e ouso dizer que 100% dos envolvidos no tour acreditavam e sabiam que o aussie voltaria a demonstrar seu talento ondas afora. Talvez uma vitória logo em sua volta, tenha sido inesperada, mas a emoção dessa vitória retratada pelo choro de Owen e de sua esposa ao abraçá-la juntamente com seu primogênito, é simplesmente impagável. Cenas que somente o desporto pode nos trazer.

A emoção que só o desporto proporciona [Foto: Corey Wilson]
 

A final em Gold Coast necessitava de um antagonista, este papel coube a Matt Wilkinson (AUS), que foi a surpresa do ano passado. Wilko iniciou 2017 de forma muito semelhante a 2016, com surf consistente em sua casa, vitórias a cada bateria e mais uma final. Promete novamente brigar pela coroa do surf e começar bem a perna australiana é fundamental.

Os australianos foram defrontados nas meias-finais, pelo atual campeão, John John Florence (HAW), e pelo sempre candidato ao bi campeonato, Gabriel Medina (BRA), – Wilkinson x Florence e Wright x Medina – . Demonstrando que os jovens campeões vieram, novamente, com sede de título e ser campeão pela 2ª vez é um objetivo, o qual podemos considerar plenamente atingível.

Se assim o podemos considerar, a velha guarda da elite foi representada por Kelly Slater (USA) e Joel Parkinson (AUS) nos quartos de final. Slater teve uma disputa épica, de novo, contra Medina decidindo a bateria na última onda, esperando a nota final e o vencedor do heat, já fora da água. O americano ainda questionou os juízes sobre uma possível interferência de Gabriel, o que não foi aceito pela comissão, mas essa atitude diz muito sobre o maior campeão de sempre, ele quer mais um título e vai brigar muito por isso. Já Parko foi parado pelo seu compatriota Matt Wilkinson numa bateria dominada pelo vice-campeão nas ondas de Snapper Rocks.

 

A juventude chegou e demonstrou para que veio. Connor O’Leary, rookie australiano, despachou ninguém menos que Julian Wilson (AUS) no round 3 e venceu o round 4, contra ninguém menos que Wright e Jordy Smith (ZAF), atual vice-campeão da WSL, indo diretamente para os quartos de final, onde encontrou novamente Wright que dessa vez não deu chances ao novato. (Nota: o round 4 não é eliminatório, o vencedor segue para os quartos de final, enquanto os outros 2 perdedores vão para uma repescagem – round 5).

Saiba quando e onde serão as 11 etapas do WCT 2017: Os 11 palcos do WCT 2017.

Frederico Morais, o representante português, iniciou muito bem seu primeiro ano de “prime time”, vencendo sua bateria na primeira ronda, desbancando Filipe Toledo (BRA) e Adrian Buchan (AUS), porém não conseguiu repetir seu feito e bater o mito Slater no round 3. Sendo eliminado, ficando em 13º colocado no evento e acumulando 1,750 pontos no ranking. Pode parecer ruim, mas avançar baterias, se acostumar com o tour e o nível de disputa é muito difícil, Kikas segue num bom rumo e ritmo para almejar melhores posições. A prestação do português é de se aplaudir, torcer e acreditar no seu power surf é um fato que os portugueses devem levar adiante.

#2 Drug Aware Margaret River Pro

Se emoção e altas disputas não faltaram na etapa de estréia, o segundo evento do ano promete seguir a mesma linha. Pois já se inicia com um heat alucinante, Kelly Slater x Mick Fanning (AUS) x Leonardo Fioravanti (ITA), com os primeiros 2 nomes somam-se 14 títulos mundiais, o que significa muito surf no pé, adicione a isso a participação do estreante Leo, italiano que em 2016 fez bonito em Margaret River, saindo de wildcard a 5º colocado.

Os principais nomes em Gold Coast devem avançar rounds e acirrar a disputa pelo t-shirt amarela. Owen já demonstrou que está totalmente recuperado, logo voltar a tirar 10 perfeitos aliados a vitórias em baterias e etapas não será tão difícil assim 2017, talento não falta a esse aussie que deseja ser igualmente campeão do mundo, como sua irmã Tyler Wright, detentora do título do WCT feminino.

 

Já seu compatriota, Matt Wilkinson repete seu bom início de ano, calando muitos que disseram que o ano passado seria uma doce exceção na carreira do irreverente surfista australiano. Briga novamente pelo título dessa etapa e pela liderança do ranking.

Conheça todos os rostos que disputarão o título de melhor surfista do mundo, na nossa galeria: Os 34 candidatos ao título da WSL 2017.

Medina, expoente do Brazilian Storm, parece ter aprendido a lição do anos anteriores e se quer ser campeão novamente, teria que arrancar o ano em melhor forma, e assim o fez em Snapper. Apesar de uma pequena lesão, Medina tem tudo, surf e estratégia, para chegar longe novamente na segunda etapa da perna australiana.

Florence parece não ter ficado sem foco ou com menos gana, após seu primeiro título. Pelo contrários, o havaiano chegou em 2017 ainda mais calmo e confiante em seu surf. Se em 2016 caiu no round 3, esse ano aparenta que vai chegar mais longe e quem sabe já começar a liderar o tour e ter de volta sua camisola (lycra) amarela.

A baixa do evento será o brasileiro Ítalo Ferreira, após se lesionar no free surf não poderá competir a segunda perna australiana. O rookie de 2015, iniciou muito bem 2017, mas essa lesão o tira de ação e esperamos que se recupere e volte logo.

Classificação 2017. [Imagem: WSL]
 

Se alguém precisa melhorar, leia-se ficar melhor colocado, para ganhar confiança e brigar pelo sonhado título, esse é Jordy Smith (ZAF), vice-campeão do WCT 2016, acumula 4,000 pontos, relativo ao 9º lugar em Gold Coast. E quem o conhece, tem a certeza que o gigante sul-africano chegará em Margaret River com muita gana para passar heats e subir na classificação.

Como sabemos, o surf sempre reserva o imprevisto a cada swell, os favoritos começaram bem e tem tudo para seguir assim. Mas nunca podemos declarar um vencedor por antecedência, por isso a única coisa de devemos fazer é não perder o segundo show do ano.

E que nesse espetáculo, tenhamos Kikas a demonstrar todo seu repertório da arte do surf. Para o português seria ideal avançar diretamente ao round 3, trazendo maior tranquilidade e confiança, dado que disputará uma vaga contra o atual rei da coroa do surf, John John Florence. Se ano passado, a vitória em cima do prodígio havaiano não veio, nem na última nota (faltou 0,01), que esse ano reserve uma melhor sorte a Frederico, pois surf, como já dissemos e gostamos de repetir, não lhe falta.

Não perca o CT #2 Drug Aware Margaret River Pro, com janela de disputas entre 29/03 e 09/04 e chamadas as 7:30 do horário local (00:30 de Portugal). Confira em direto no site da World Surf League ou pelo Facebook.

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Eduardo MenezesMarço 12, 20178min0

A bela onda de Snapper’s Rocks – Queensland, Austrália, já está pronta para receber os melhores surfistas do mundo, pela primeira etapa da World Surf League 2017. E tudo indica que será o melhor e mais disputado tour de muitos anos. Muita expectativa pela volta de Owen Wright (AUS) e Mick Fanning (AUS), e quem sabe, pela última época de Kelly Slater (USA).

A dificuldade em apostar quem será o campeão após os 11 eventos do WCT 2017 da World Surf League (WSL), é diretamente proporcional a elevada expectativa de disputas épicas heat a heat, na briga pelo título até a etapa final de Pipeline.

No tour haverá 6 campeões – Slater, Fanning, Parkinson, Medina, Adriano e Florence – , além de muitos potenciais surfistas, que quer por sua evolução quer por seu talento, são indicados aspirantes ao título inédito como Wilkinson, Julian Wilson, Bourez, Andino, Filipinho e Smith, este último vice-campeão em 2016.

Saiba quando e onde serão as 11 etapas do WCT 2017: Os 11 palcos do WCT 2017.

E não podemos descartar, que algum rookie ou atletas com menos mediatismo, com mais ou menos experiência, não possa fazer bonito e dar muito trabalho aos principais favoritos, surfistas como Caio Ibelli, Ítalo Ferreira, Nat Young, Josh Kerr, Adrian Buchan, Conner Coffin e Sebastian Zietz, por exemplo.

Tudo indica para um dos melhores e mais disputados tour da WSL nos últimos tempos. Ser regular e somar pontos em todas a etapas será necessário para chegar ao topo no final ano. 2017 promete e muito!

Alguns dos campeões

No ano em que se promete muita ação, o expoente do surf havaiano John John Florence buscará manter o troféu da liga em sua residência, tentando tornar-se bi-campeão, feito que muitos acreditam ser possível após um ano 2016 muito consistente e cheio de vitórias marcantes. John John superou-se e retirou o peso de levar o título para sua terra natal. Tudo indica, que sem esta pressão seu surf será ainda melhor e competitivo.

 

Talvez em sua última temporada no tour, Kelly Slater fará de tudo para conquistar seu 12º título, e nunca duvide do mito Slater. O qual não necessita de nenhuma explicação, para ser considerado como indicado ao título do WCT. O experiente norte americano vem forte para o tour deste ano e que seus concorrentes se preparem, pois um rei nunca perde sua coroa.

O regresso de Mick Fanning, após um ano meio sabático, já que disputou algumas etapas do WCT 2016, que o garantiram para a elite de 2017. Irá trazer de volta todo seu surf de borda, com manobras explosivas, além de toda sua estratégia e resistência de ser batido. Fanning voltará com suas energias renovadas e com muita vontade de vencer, com ele na elite, uma vaga de candidato ao título, sempre está preenchida.

Os que buscam seu sonho

Ótimas atuações e um final de época 2016 espetacular, credenciam ainda mais o gigante sul-africano Jordy Smith ao título de 2017. O vice-campeonato deixou um sabor amargo a ele, mas com certeza dará mais forças e vontade de experimentar o sabor da título mundial da WSL. Seu surf está cada vez melhor em diferentes tipos de ondas e um melhor arranque no início da época poderá ser determinante para levar o título ao continente africano.

Kolohe Andino (USA), Michel Bourez (PYF) e Julian Wilson (AUS) tentarão provar as expectativas que sempre tiveram neles, buscar o título de 2017 provará todo o talento deles. Andino se credencia pelo 4ª posição em 2016, Bourez por dominar tubos e vencer Pipeline na época passada, já Wilson um dos queridos e talentosos surfistas da Austrália precisa provar todo seu valor e ganhar a coroa da WSL.

Menção especial a Owen Wright (AUS), que volta as disputas após um ano, devido a recuperação de uma lesão ocorrida no aquecimento da etapa de Pipeline 2015, quando ainda brigava pelo título mundial. A concussão cerebral que teve, acarretou problemas em seus movimentos, tendo necessidade de reaprender a surfar. Esperamos que o título e a homenagem feita por sua irmã Tyler Wright, inspire um dos mais talentosos aussies, em sua volta as competições.

Brazilian Storm

Brazilian Storm [Foto: WSL – Kelly Cestari]
 

Na turma dos campeões, Gabriel Medina sabe que precisa iniciar o ano com mais força e melhores resultados, pois seus inícios de época demonstram-se irregulares como 2015 e 2016, apesar do último ano ter sido melhor, o mau arranque tem lhe custado estar mais próximo da briga pelo bi-campeonato, em 2014 Gabriel começou com o título em Snapper e o final já conhecemos. Adriano de Souza, por incrível que pareça sofreu do mesmo mal que Medina, após ser campeão em 2015, teve um 2016 irregular e não fez nenhuma final de etapa, porém tudo indica que o capitão virá para 2017 com toda força e foco, suas características marcantes.

Já Filipe Toledo, um dos brasileiros mais talentosos, principalmente na “arte” de mandar aéreos, apesar de ainda  não ter conquistado nenhum título da WSL,  é sempre muito bem cotado para ser um novo campeão. Na etapa de Gold Coast, onde se sagrou campeão em 2015, pode iniciar a frente na briga pela coroa de melhor surfista do ano.

Podemos assim dizer, que estes são os “zucas” favoritos a iniciar o ano com uma vitória na perna Australiana e concorrerem ao título de 2017. Mas não se esquecer dos “outros” Brasileiros na elite, Caio Ibelli, o rookie de 2016 que poderá consolidar seu surf em sua segunda época,  Ítalo Ferreira um dos brasileiros que já deu muito trabalho a grandes surfistas e do guerreiro Jadson Andre. Mesmo não sendo candidatos ao título, poderão ser uma pedra no caminhos de muitos favoritos ou mais renomados surfistas.

A Europa e o retorno de um Português a elite da WSL

Bom, Frederico Morais, dispensa apresentações ao público português. O cascalense, que detonou tudo e todos nas etapas da Tríplice Coroa Havaiana, chega ao seu ano de estréia com boas perspectivas de sucesso, dado seu ótimo final de época e por já ter disputado heats e finais contra alguns dos “monstros” como Kelly Slater e John John Florence, por exemplo. Por mais jovem que seja, Frederico apresenta certa experiência e vivência em etapas do tour principal da WSL.

Um português de volta a elite. [Foto: WSL – Poullenot]
 

Mas Kikas deve ter a consciência que o tour de elite é muito mais disputado, com ondas diferentes a cada etapa e terá que demonstrar desde a primeira etapa do ano, todo seu surf. Avançar rounds e somar pontos logo em Queensland o dará confiança e tranquilidade para os próximos desafios. As previsões para o jovem lusitano são boas, pois seu power e rail surf se encaixam com as direitas de Snapper. É torcer e esperar que suas performances do final de 2016 continuem e a sorte esteja ao seu lado.

Conheça os outros europeus e os todos os rostos que disputarão o título de melhor surfista do mundo, na nossa galeria: Os 34 candidatos ao título da WSL 2017.

A Europa conta com mais 5 surfistas, tendo maior destaque o Italiano Leonardo Fioravantti, que em 2016 ficou em 3º lugar em Margaret River – AUS e em 13º em mais 2 outras etapas, todas elas participou com wildcard. Essas boas atuações o credenciam a ser uma ótima aposta a rookie do ano de 2017.

Quiksilver Pro Gold Coast

A primeira etapa do ano. [Imagem: WSL]
 

O evento inicial em ondas Australianas, num  banco de direitas que continua mágico e com ondas bastante compridas, propícia para regular surfers, em manobras velozes e fortes. Segue na mesma linha de imprevisibilidade, sem um favorito disparado. Se Matt Wilkinson (AUS) surpreendeu ao vencer a etapa de Gold Coast em 2016, por que não teremos surpresas nessa época?

A aposta de Palex Ferreira, surfista da Costa da Caparica e autor no Fairplay, “Esta etapa inaugural do circuito, em 2016 foi vencida pelo Matt Wilkinson, que teve um início de temporada genial. Torna-se difícil de prever o que vai acontecer, porque o nível está cada vez mais alto, e os surfistas melhores preparados, logo não se consegue afirmar quem será o favorito a vencer o primeiro evento do ano. Atreveria a meter um Mick Fanning que teve um ano sabático, ou o regresso do Owen, depois de uma longa recuperação… Não é fácil prever como vai ser, apenas enquanto portugueses, queremos que o Frederico “Kikas” Morais se dê bem, por Snapper”.

O Quiksilver Pro Gold Coast tem janela de competições entre 14 e 25 de Março.

Esperemos que as previsões de ondulação sejam perfeitas, com altas disputas e muito surf a todos.

Artigo com co-autoria de Palex Ferreira.

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Eduardo MenezesMarço 5, 20171min0

A World Surf League (WSL) tem início em Março e o FairPlay apresenta os 34 surfistas que disputarão a coroa de melhor do mundo.  John John Florence(HAW) defenderá seu título e Portugal está de volta a briga, com Frederico Morais.

Cada vez mais abrangente, o tour de 2017 contará com atletas de várias partes do globo. A Europa será bem representada por 4 atletas, enquanto o Brazillian Storm não perde sua força, com 9. Já os 3 Havaianos lutarão para manter o título em seu arquipélago; porém os 12 Aussies querem por novamente seu país no topo do pódio, do mesmo modo que Kelly Slater (USA), em sua possível última temporada, contará com a ajuda de 3 compatriotas e tentará levantar seu 12º para os Estados Unidos. Um Sul-africano e um nativo da Polinésia Francesa completam o mapa de candidatos ao título de 2017 da WSL.

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Eduardo MenezesFevereiro 25, 20178min0

“Ondas artificiais”, um modelo muitas vezes defendido como futuro e evolução do surf; igualmente criticado por sua falta de essência, daquilo que é o surf e a relação com a natureza. Então, por que imitar a natureza instiga tanto o ser humano? Se há tanto mar e ótimas ondas, por que razão “inventar” ondas?

Em muito para a atenuar necessidades geográficas e climatéricas necessárias para esse desporto, possibilitando a prática dessa modalidade ao longo do todo o ano, 24 horas por dia e em qualquer ponto do mundo. Aumentando a inclusão e disseminação dessa modalidade desportiva.

E se partimos para um foco comercial, essas tais piscinas seriam atrações turísticas em parques aquáticos para aqueles que gostariam de experimentar essa modalidade sem o risco do mar e acompanhada por profissionais. Como até mesmo levar a locais “sem ondas” campeonatos de surf ou acabar com imprevisibilidade dos dias de competição, podendo ser um produto mais fácil de vender aos medias e a organizadores de eventos desportivos. Competições com horário e ondas agendadas vão ao encontro da tendência de venda de broadcasting e patrocínios, dado a certeza de um evento com ondas boas, com horário fechado para transmissão, sendo um produto sem grandes margens de imprevistos.

Wadi Adventures – Abu Dhabi- [Imagem: amatraveller.com]
Já em âmbito profissional e de formação, as ondas artificiais poderiam ser o complemento do treino, para aperfeiçoamento de detalhes, com uma constância maior e sem o desgaste das longas viagens além do já falado “surf no ano todo”. Construções de centros especializados em diferentes regiões – mesmo que afastadas do mar – e métodos-padrão de treino poderiam ser replicados. Com isso, muito provavelmente o mundo profissional se desenvolveria de outra forma e mais talentos poderiam surgir.

Motivações diversas sempre incitaram o desenvolvimento da indústria de ondas artificiais e sempre trazem à tona alguma polémica ao universo do surf.

Então nesses casos, a piscinas seriam uma solução? Talvez, o surf em locais artificiais apresenta uma maior segurança, inclusão e disseminação do desporto, organização na “ordem de prioridade”, menor esforço para chegar ao pico, além de ondas praticamente iguais – apesar da elevada velocidade e de algumas variações -. Acrescente a isso, um ano completo de surf e água mais quentinha. Em competições teríamos provas com horários marcados sem necessidade de dias de espera, chamadas, day off e em locais de mais fácil acesso. Parece o mundo perfeito, tanto para profissionais como para amadores.

Ondas artificiais pelo mundo

Há muitas ondas artificiais ao redor do mundo, algumas melhores que outras, em semelhança às naturais. Como no deserto da cidade Al Ain, em Abu Dhabi, o Wadi Adventure, um gigantesco parque aquático que compreende diversas piscinas e rios, com atividades como surf, rafting e kayak por exemplo. A Europa não fica de fora, com “ondas” no Reino Unido e Espanha, Surf Snowdonia Adventure Park e Wave Garden, respetivamente, atraindo surfistas a tais regiões na busca por ondas e diversão.

Mesmo que piscinas com ondas já existissem, nunca foram algo que trouxesse muitas atenções ao mundo do surf, porém muitíssimo se falou quando o mito Kelly Slater lançou ao mundo vídeos em ondas longas e tubulares, numa piscina de ondas artificiais localizada na Califórnia. Estava aí, um paradigma quebrado, ondas que satisfaziam atletas de elite, com ótima formação, velocidade e constância.

A Kelly Slater Wave Company (KSWC), já adquirida pela World Surf League (WSL), demonstrou que o surf artificial é mais que uma realidade. Muitos atletas da elite fizeram testes a convite de Slater e patrocinadores, produzindo otimos vídeos, drops e tubos. Podendo ser verificado nos vídoes e declarações, que surfar uma onda artificial aplica um grau, até certo ponto, elevado de dificuldade, dada a velocidade da onda. Estaria aí o produto perfeito para o surf ou aperfeiçoamento do surf profissional?

A tendência de ondas artificiais em campeonatos profissionais seria uma mais valia para candidaturas a jogos e outros eventos de desporto radical, como ocorreu em propostas e possibilidades de viabilizar a inclusão do surf no Jogos Olímpicos.

O mar e suas nuances

Apesar da massificação da prática e, de certo modo, da cultura do surf, surfar consiste em muitos detalhes, para além de dropar uma onda, encaixar um aéreo ou sair no spray de um tubo. A arte de surfar, desde um begginer (just like me), é conseguir “ler” e interpretar o movimento do mar, as marés, a formação das ondas, o sentido delas, encontrar e chegar ao pico correto e muitos outros desafios que Netuno te impõe numa surfada. Para além do vento e suas alterações (que já é uma outra história) e Deus.

O surf no mar consiste em muitos desafios que são tão grandes quanto ficar em pé e deslizar onda abaixo, e um novato sempre sofre mais, ainda mais para aqueles que começaram tardiamente nesse desporto. A técnica pode ser aprendida em escolas, com dicas de internet ou amigos, mas a leitura e sabedoria do mar…bom isso só com feeling, muitas horas de surf e ondas na cabeça para aprender.

Riscos e desafios. [Imagem: surfexperience.blogspot.com]
Além disso, quem nunca sentiu aquela dificuldade em chegar ao outside ou se arriscar mais do que deveria? Tomar ondas na cabeça, remar, remar, remar e ir para trás, fazer bico de pato, cair e rolar ondas abaixo, ir contra as rochas, pisar em pedras, mariscos e por aí vai…Fora o facto de que quando chegam ao pico, tem que estar no local certo, na hora certa e digamos assim na sua “prioridade” de onda. Surfar é muito mais do que se colocar em cima da prancha!

Mas fique calmo, essas dificuldades do surf e a sabedoria de ler o mar, não é um “privilégio” de surfistas não profissionais ou de fim-de-semana, pois no circuito mundial é muito fácil presenciarmos situações arriscadas e de acidentes seguidos de lesões, as vezes graves. E casos de leitura perfeita e espera pela onda certa para um nota perfect 10, ou um erro de interpretação, uma ansiedade de pegar uma onda, mesmo com a prioridade, ocasionando uma derrota num heat ou numa etapa na onda a seguir, que teu oponente pegou.

O mar e suas mudanças, muitas vezes em questões de minutos, são um dos factores principais do surf profissional, distinguindo um ótimo de um bom surfista. Por que acham que Kelly Slater domina as etapas de Pipeline (HAW) ou os Wildcards locais acabam por muitas vezes surpreender nas etapas em seus quintais?

Numa piscina ou tanque, a leitura do mar não é mais precisa, as ondas são basicamente iguais, o ponto para dropar é sempre o mesmo, o cansaço é menor, já que não há repuxo, nem onda na cabeça para chegar ao outside. A radicalidade se perde, como também a emoção, o medo do fundo de corais, aquela onda única e, claro, muito do espectáculo.

Então qual a graça?

Quase nenhuma, pois apenas dropar um onda nunca é o suficiente.

A paz do outside. [Imagem: Liquidsaltmag.com]
Por mais que uma onda artificial possa ser perfeita, tanto para profissionais como para amadores, nada irá chegar perto daquilo que o surf traz de melhor e como muitos dizem, não é água com açúcar que acalma, é água com sal.

O surf, por si só, é um estilo de vida, sendo muito mais que um simples desporto. É a paz do outside, é ver um amigo surfar a melhor onda da tua vida, é se assustar com teus wipeouts, é verificar o swell e torcer por condições épicas para seu surf, é ter contacto com a natureza. E com certeza é sonhar em viajar o mundo com uma prancha, por locais paradisíacos e radicais; que te traz paz e adrenalina. É ir atrás de sua onda (natural) perfeita.

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Eduardo MenezesDezembro 11, 20164min0

Chegou a hora da etapa mais esperada do ano, o Billabong Pipe Masters. Na mítica praia de Banzai Pipeline – Havaí, local onde costuma-se separar os grandes protagonistas da multidão do surf mundial.

A prova de Pipeline não perde sua importância no cenário do surf, mesmo com o campeão da World Surf League 2016 já definido. John John Florence (HAW) sagrou-se campeão mundial na etapa Portuguesa de Peniche, fazendo o título do WCT retornar ao Havaí, após 12 anos da vitória de Andy Irons em 2004.

Pipeline tem em seus tubos, tanto para direita como para esquerda, o poder de coroar apenas os grandes surfistas. Sendo assim, conquistar uma vitória nessas ondas Havaianas significa muito mais que 10,000 pontos no ranking, mas o respeito de dominar um dos maiores, mais perfeitos e temidos tubos do mundo.

Se, por um lado a briga pelo título 2016 está terminada, a guerra por uma das 22 vagas no WCT 2017 está mais que viva. Muitos surfistas, como Keanu Asing (HAW), Nat Young (USA), Wiggolly Dantas (BRA) e Miguel Pupo (BRA), por exemplo, entrarão para sua última batalha, sendo essa de vida ou morte. Estar até a 22º colocação significa ter o privilégio de surfar as 11 etapas de 2017, enquanto, estar para além dessa posição fará cada um desses atletas disputar o QS do ano que vem e tentar sua volta à elite.

Para além da emoção e importância na corrida por uma vaga do WCT 2017, o Billabong Pipe Master é o último evento do Vans Triple Crown, a Tríplice Coroa Havaiana. Competição composta por 3 etapas disputadas no Havaí, sendo elas dois eventos QS10,000, o Hawaiian Pro e o Vans World Cup.

Essa competição, paralela ao tour mundial, determinará o rei das ondas Havaianas, sendo o Português Frederico Morais o atual líder, com a soma de 16,000, após 2 segundas colocações nas etapas do QS. Kikas é seguido de perto por Florence e Jordy Smith (ZAF), vencedores do Hawaiian Pro e do Vans World Cup, respectivamente.

Confira a classificação da Tríplice Coroa Havaiana 2016.

Tendo em conta a importância da última etapa do tour, para a cena do surf mundial, além do que está em disputa. O Fairplay separou 11 fatos a saber sobre o Billabong Pipe Masters:

1 – Adriano de Souza (BRA) é o atual campeão de Pipe Masters, além de ser o campeão mundial de 2015;

2 – Andy Irons foi o último local a vencer essa etapa, no ano de 2006;

3 – Nenhum goofy footer ganhou em Pipeline nos últimos 15 anos, última vitória foi de Rob Machado (USA);

4 – São os possíveis nomes das meias-finais e favoritos ao título do Pipe Masters 2016 : John John Florence (HAW), Kelly Slater (USA), Jordy Smith (ZAF) e Gabriel Medina (BRA);

Backdoor e Pipeline [Imagem: WSL]
5 – A onda tubular que quebra para a direita chama-se Backdoor, enquanto a que vai para a esquerda é nomeada de Pipeline;

6 – É o número de nacionalidades que venceram em Pipeline, sendo vitórias do Havaí (16), da Austrália (16), Estados Unidos (10), África do Sul (1), França (1) e Brasil (1);

7 – Kelly Slater é o maior vencedor, sendo campeão 7x nos tubos Havaianos (1992, 1994, 1995, 1996, 1999, 2008 e 2013);

8 – Frederico Morais será o representante Português na etapa de 2016 e briga pelo título da Tríplice Coroa Havaiana;

9 – É a última prova do ano e definirá os 22 surfistas que terão acesso ao WCT 2017;

10 – Apesar de mágica, é a mais temida, sendo umas das mais mortíferas do mundo, senão há mais;

11 – É a 11ª do tour e tem janela de competição entre 08/12 e 20/12, com chamadas diárias as 7:30 do horário local, 17:30 no horário de Portugal.

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Eduardo MenezesOutubro 4, 20165min0

A WSL desembarca em Hossegor, França, para a disputa do CT #9 do ano. Local que poderá sagrar a nova campeã mundial do circuito feminino e acirrar ainda mais a disputa no masculino. Uma etapa decisiva e que reserva altas emoções para o mundo do surf.

Roxy Pro France

Após o Women’s Cascais Pro, em Portugal, vencido por Courtney Conlogue (USA), a corrida pela coroa de melhor surfista do ano continua em aberto e mais disputada do que nunca. A final da etapa Portuguesa colocou frente-a-frente as duas melhores surfistas do ano, numa bateria bem disputada e emocionante a Americana, 2º colocada, venceu Tyler Wright (AUS), líder, por 13,00 a 12,26. E se aproximou ainda mais da aussie na corrida pela liderança.

A briga pelo titulo [Imagem: WSL]
A briga pelo titulo [Imagem: WSL]
 

Com a briga pelo título do tour 2016 restrita a Tyler Wright e Courtney Conlogue. A penúltima etapa do ano pode já definir uma nova campeã mundial, caso a líder do ranking, Tyler Wright, vença o Roxy Pro France. Lembrando que a surfista detentora da t-shirt amarela, vai a França para defender seu título conquistado em 2015.

Já a Americana precisa de um ótimo resultado, para se manter viva na disputa do título mundial, ou  uma combinação de resultados, caso não seja bem sucedida na etapa européia, para deixar a decisão em as águas Hawaianas, na última do tour de 2016.

Confira a classificação do WCT feminino.

Quiksilver Pro France

Quiksilver Pro France 2016 [Imagem: WSL]
Quiksilver Pro France 2016 [Imagem: WSL]
 

No masculino as atenções retornam a elite do surf mundial, depois da etapa do Qualifying Series 10,000 de Portugal, que teve o brasileiro Jesse Mendes como campeão. O Quiksilver Pro France inicia mais um capítulo do acirrado ranking de 2016, no qual ainda restam 5 competidores na briga para ser coroado como o melhor surfista do ano.

Apesar da eliminação precoce na Califórnia, no round 3, John John Florence (HAW), se manteve como atual líder do tour (41,650). Em Hassegor terá que apresentar o melhor de seu surf para manter a t-shirt amarela e chegar a meia-final, no mínimo, para garantir a manutenção do topo, independente do resultados dos seus principais adversários. Um novo vacilo poderá custar o posto de número 1 e deixar  o título do mundial de surf  com riscos de voltar a sua terra natal.

Gabriel Medina, 37,450 pontos, defende seu título em águas francesas. O vice-líder do ranking da WSL pode assumir a primeira posição caso seja bi-campeão e seu oponente Havaiano caia até os quartos-de-final.  Medina chega a França para mostrar que é um dos principais concorrentes ao título do tour 2016 e apagar a imagem contrariada da etapa Americana, onde foi eliminado no Round 3 e contestou fortemente a decisão dos juízes e as notas dadas em sua bateria contra Tanner Gudauskas (USA).

Outro atleta que também contestou as decisões dos juízes em Trestles, o Australiano Matt Wilkinson, agora o 3º colocado (36,500), tentará apagar as últimas más prestações, caiu no round 3 nas etapas de J-Bay e Teahupo’o e no round 2 em Trestles, para seguir como candidato a coroa de 2016. Com uma combinação de resultados, o aussie pode voltar a ostentar a t-shirt amarela, caso chegue no mínimo a meia-final, Florence caia ainda no round 2 e Gabriel não chegue a meia-final.

O Sul-africano Jordy Smith, vencedor da etapa em Trestles, galgou 1 posição no ranking e se consolidou como 4º (35,200) e na disputa pelo título do tour. Podendo conquistar a t-shirt amarela já neste evento, Smith precisa vencer em Hassegor e torcer para que Florence não passe do round 3 e Medina não chegue a final. Mais que assumir a liderança, é imprescindível ter um bom resultado nesta etapa e se afirmar como um concorrente a disputa do tour 2016.

Depois de ressurgir, vencendo a etapa de Fiji, Kelly Slater, 5º colocado (29,650) ainda se mantém vivo na briga por mais um título mundial daWSL e pode assumir a vice-liderança do campeonato, caso vença a etapa Francesa e Gabriel Medina não passe do round 3. Uma ótima combinação de resultados o colocará na briga direta e assim faltarão apenas duas etapas para o fim do campeonato, sendo uma delas Pipeline, onde o Americano é o rei dos tubos. Nunca é bom duvidar do 11x campeão mundial.

Confira a classificação do Men’s Championship Tour Jeep Leaderborder.

A etapa Francesa também é decisiva para quem ainda não se garantiu no WCT de 2017, apenas os 22 primeiros colocados de 2016 estarão presentes no tour do ano seguinte – 10 vindos do QS e 2 wildcards completam a elite da WSL.

Velhos conhecidos das etapas do WCT, como o aussie Kai Otton e o atleta local Jeremy Flores, correm grandes perigos de não se classificarem pelo WCT e precisam ir muito bem em Hossegor, somando importantíssimos pontos na classificação geral. Para que continuem vivos na disputa nos dois últimos eventos do ano, Peniche – Portugal e Pipeline – Hawai, e assim se mantenham na elite do surf mundial.

Confira toda a emoção do Roxy Pro France e do Quiksilver Pro France. As chamadas ocorrem as 7:30 do horário local e a janela de competições será de 04/10 a 15/10, com transmissão em direto pelo site da WSL.

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Eduardo MenezesAgosto 24, 20166min1

Paisagem paradisíaca, ondas tubulares e potentes, heat do ano, notas 10 perfeitas, atuações espetaculares, quedas arrepiantes, pranchas quebradas, retorno de uma lenda a vitória e um novo líder. Tudo numa mesma etapa do ano, Billabong Pro Thaiti 2016.

Não demorou muito para a ação começar, com apenas um dia de lay day que ocorreu no primeiro dia da janela de competições, as ondas apareceram e com elas um surf do mais alto nível, porém num mar muito inconstante, as séries de ondas muito espaçadas dificultaram a ação dos surfistas e raras notas excelentes ocorreram. As condições melhoraram gradualmente nos 2º e 3º dias, mas a inconstância das séries influenciava a estratégia dos surfistas. Pegar ondas menores e pontuar ou esperar uma “bomba” e tirar uma nota excelente, foi a tónica de muitas baterias disputadas. Os rounds 2 e 3 ocorreram com poucas notas na casa do excelente mas algumas surpresas, como a eliminação de Adriano de Souza e Matt Wilkinson.

A queda do até então t-shirt amarela, Matt Wilkinson, no round 3 para o Brasileiro Bruno dos Santos, era um prenúncio de um novo líder. O que pode ser considerado por muitos uma zebra, acaba por ser explicado pelo histórico e especialidade desse wildcard nas ondas de Teahupo’o, Bruno dos Santos já foi campeão nessas ondas em 2008, além de ser um exímio tube rider. Isso aliado a diferente estratégia adotada na bateria, Wilko esperou as melhores e maiores ondas que não vieram, com isso surfou apenas 2 ondas (1.93 e 4.90), contra 9 ondas de Bruninho que somou 12.33 pontos com suas maiores notas (5.50 e 6.83). Wilko caiu muito cedo, mostrou um semblante chateado e preocupado, mas nada que não possa ser superado pelo experiente Australiano que ainda segue em 2º na corrida pelo Samsung Galaxy Championship Tour.

Talvez Netuno tenha reservado o melhor para as finais, as condições que melhoraram dia a dia, ficaram praticamente perfeitas a partir do Round 5, daí não faltaram notas 10, tubos alucinantes, algumas quedas assustadoras e um show particular do mestre ou extraterrestre, o maior campeão de todos os tempos Kelly Slater.

Kelly simplesmente tirou o 10 perfeito por 2 vezes na mesma bateria, contra o Havaiano Keanu Asing e assegurou sua vaga nos quartos-de-final. O show começava ali e só cabia aos pobres mortais apreciar e esperar por mais, no épico Billabong Pro Thaiti 2016. Medina e John John Florence também avançaram para os quartos-de-final em baterias muito disputadas contra Jadson André e Joel Parkinson, respectivamente.

Os quartos-de-final iniciaram com Adrian Buchan a derrotar Kolohe Andino, com um somatório de 18.16. O próximo adversário de Slater estava definido, era então vencer Bruninho do Santos e disputar mais uma meia-final em sua carreira. Kelly fez o simples, pelo menos para ele pareceu, tirou um 9.27, mais um 10 e avançou. Bruno lutou mas não conseguiu bater a lenda, como antes fizera no round 4 (não eliminatório) e encerrou sua honrosa participação em águas Tahitianas. Gabriel Medina passou por Josh Kerr com certa facilidade, deixando o Australiano em combinação.

Kelly Slater e seu tubo - Meias Finais - WSL / [Foto: Kelly Cestari]
Kelly Slater e seu tubo – Meias Finais – WSL / [Foto: Kelly Cestari]
 

A última disputa para chegar a meia-final foi emocionante e dramática, sendo definida na última onda. John John Florence, que já era o líder do campeonato a essa altura, iniciou a bateria mostrando suas credenciais, com uma onda muito boa (8.17), deixou a pressão para Julian Wilson, que sofreu novamente uma queda grave durante esse heat, foi contra os corais, na praia que “quebra crânios”, Julian já havia se magoado em J-Bay quando caiu e bateu com o rosto contra uma barreira de mariscos, característica da praia sul-africana. Mesmo um corte profundo em seu queixo e outras pequenas lesões, o aussie não se abateu e de forma espectacular tirou um 10 perfeito e fez com que o crowd que estava no canal vibrasse muito. Porém quando a virada parecia iminente para o guerreiro australiano, o jovem expoente do surf Havaiano deu o troco e com 9.17 em sua última onda nos minutos finais da bateria, pôs fim a disputa e assegurou seu lugar mas meias-finais contra o brasileiro Medina.

Heat do ano, John John Florence e Gabriel Medina fizeram o que pode ser considerada a melhor bateria do ano, com somatórios de 19.66 contra 19.23, o novo t-shirt amarela chegava a mais uma final. Medina campeão da etapa em 2014 e vice em 2015 não poderia se despedir sem um 10, e foi o que fez. Forçou o melhor de John John e, igualmente ao adversário, teve uma nota superior a 9 como descarte, somou 19.23 mas ainda assim precisava um 9.66 para avançar. Florence garantiu sua vitória nas duas últimas ondas (9.93 e 9.73) e assim descartou seus excelentes 9.17 e 9.27, para encontrar o mito Kelly Slater na final.

Slater foi seletivo e preciso na meia-final, surfou 4 ondas e somou 18.40 com suas duas melhores notas, eliminando assim seu algoz de 2013, Adrian Buchan.  Australiano que lutou dignamente contra um “Deus” do surf, pegou diversas ondas, somou 16.10 pontos mas mesmo assim terminou a bateria em combinação. O experiente americano, com ondas potentes e impressionantes, seguiria com seu show rumo a mais uma final nas ondas do pacífico sul.

Após ter se emocionado, com a receção do Andy Irons Award, prêmio que leva o nome de seu maior rival, morto em 2010, e destinado ao surfista mais destemido da bancada de corais de Teahupo’o. Era hora de entrar na água para mais uma final, algo que não disputava há 2 anos, quando perdeu para Gabriel Medina na etapa de Teahupo’o 2014, e assim garantir o segundo troféu do dia para sua extensa galeria.

Kelly entrou para a disputa muito calmo e relaxado, surfou seu melhor, não deu hipóteses a Florence. O 10 não veio, mas o showman estava lá com seus tubos perfeitos e indescritíveis, finalizou um dia perfeito com 19.67, contra os 15.23 do Havaiano que terminou em combinação, e assim escreveu mais uma linha em sua impressionante história, consquistando o Billabong Pro Thaiti 2016.

Kelly Slater Campeao Teahupoo 2016 [WSL]
Kelly Slater Campeão Teahupoo 2016 [WSL]
 

Mais um título para a lenda, o maior, o rei, o extraterrestre, o mestre ou qualquer outro adjectivo que possa descrever Kelly Slater, 4 notas 10, 5x campeão em Teahupoo, 11x Campeão Mundial e recordista de vitórias no tour, 55.

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Eduardo MenezesAgosto 19, 20165min0

O Surf volta a ser o centro das atenções dos desportos radicais, com a mítica, deslumbrante e temida etapa do Billabong Pro Tahiti, na Polinésia Francesa, terminando assim mais de um longo mês de espera dos fãs do surf.

Fãs e admiradores do surf puderam acompanhar, na última etapa realizada na África do Sul, o retorno triunfal e emocionante do Australiano Mick Fanning a J-Bay. Local em que a cerca de um ano atrás, o Tri-Campeão Mundial foi atacado, surpreendentemente, por um tubarão durante a disputa da final, contra seu compatriota Julian Wilson. Por sorte ou força do destino, nada de grave lhe aconteceu e ele pode voltar ao mesmo mar que quase pôs fim a sua carreira e ainda conquistar a etapa sul-africana.

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Corais no Tahiti (Foto: Kirstin Scholtz)

Com janela de competições aberta entre 19/08 a 30/08, a próxima etapa realizada em Teahupo’o, com suas ondas tubulares e poderosas num local paradisíaco, poderá alterar a liderança do tour, com a troca da t-shirt amarela de Wilkinson para Florence ou Medina.

Altamente focado e competitivo, o antes irreverente Australiano Matt Wilkinson (34.250 pontos) mantém-se na liderança do Samsung Galaxy Championship Tour 2016 desde o início do campeonato. Quando, de forma surpreendente, venceu as 2 primeiras etapas do WCT em ondas australianas. Apesar de manter uma incrível regularidade no ano, sua posição no ranking nunca correu tanto perigo quanto agora e pode ser tomada por um de seus rivais.

Matt Wilkinson e seu troféu de Bells Beach - (Foto: WSL / Ed Sloane)
Matt Wilkinson e seu troféu de Bells Beach
– (Foto: WSL / Ed Sloane)

John John Florence, 2º colocado com 31.900 pontos, conquistou sua primeira etapa na carreira, o Oi Rio Pro, na cidade do Rio de Janeiro. Seguido de um 5º Lugar nas ondas tubulares de Fiji e um vice-campeonato na última etapa na África do Sul, se credenciou definitivamente a disputa do título de melhor surfista no ano de 2016. Com apenas 2.350 pontos atrás do atual líder, o jovem e talentoso Havaiano parece estar agora preparado física e psicologicamente para que o tão sonhado e aguardado título mundial volte a pertencer ao Hawai.

O líder enfrenta, talvez, o mais forte e habilidoso integrante do intitulado Brazillian Storm, com poder em manobras clássicas de borda e com habilidades de um tube rider, sem mencionar seus aéreos inacreditáveis. Gabriel Medina (29.200) já teve a glória de vencer numa final, nesse local em 2014, ninguém menos que Kelly Slater. Além de ser o atual vice-campeão das ondas de Teahupo’o, volta com tudo a corrida da Jeep Leader para tentar sagrar-se Bi-Campeão Mundial da elite do surf, feito alcançado em 2014.

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Gabriel Medina mergulha após uma nota 10 perfeita. (Foto: WSL / Kelly Cestari)

Para além dos 3 líderes, não podemos excluir praticamente ninguém desta insana busca por tubo e notas altas, com atenção ao Brasileiro Adriano de Sousa, último campeão da WSL e cada vez melhor em ondas tubulares; Jeremy Flores, actual detentor do título da etapa; os promissores surfistas do Brazillian Storm como Ítalo Ferreira e Filipinho; Michel Bourez, surfista da casa; os experientes e sempre competitivos Jordy Smith, Kay Otton, Sebastian Zietz, Nat Young, Josh Kerr e Joel Parkinson e por fim o Australiano Julian Wilson que apesar de um ano irregular apresenta talento e disposição para voltar a corrida do título de melhor surfista do ano, como fez ano passado até a derradeira prova de Pipeline.

E claro, nunca podemos de nos esquecer da maior lenda e mais vitorioso surfista do tour: Kelly Slater, o americano detentor de 11 títulos mundiais, número que leva em sua lycra, por todo seu talento e precisão em suas manobras e leitura das ondas, o maior campeão da história do surf profissional é sempre candidato a aumentar sua estatística de vitórias, podendo chegar a incrível marca de 4 títulos na temida bancada de Tehupo’o.

O que se espera é muita adrenalina num mar com ondas fortes, tenebrosas e de arrepiar qualquer um.

Notas rápidas:

1- O Tri-Campeão, Mick Fanning, não disputará a clássica prova do Tahiti. Após um ano de 2015 muito intenso e exaustivo – ataque de tubarão e a perda do irmão na noite anterior ao dia de disputa que poderia dar-lhe 4º título Mundial nas ondas mágicas do Hawai. O Australiano resolveu tirar um ano quase sabático e correr apenas algumas etapas em 2016 como aconteceu na perna Australiana, Fiji e J-Bay. Agora esperar que ele volte para mais algumas etapas…e por que não em Peniche?

2- Todas as etapas do WCT são transmitidas em directo, com narração em Inglês e Português, e podem ser vistas no site da WSL – World Surf League (www.worldsurfleague.com).

3- Atente-se ao horário e as chamadas para as provas: atualmente Portugal Continental e Madeira estão 11 horas  a frente, enquanto Açores está a 10 horas.


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