21 Nov, 2017

Arquivo de Barcelona - Fair Play

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Pedro NunesSetembro 23, 20174min0

Um Barcelona com muitas dúvidas existenciais e que viu sair dois dos seus grandes aliados dos últimos anos, uma Argentina com a possibilidade de falhar o Mundial, um Ronaldo prestes a igualar o número de bolas de Ouro. Aos 30 anos, esta é uma das épocas mais desafiadoras da carreira de Lionel Andrés Messi.

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Pedro NunesAgosto 22, 201712min0

Já começou, em Espanha, mais uma época de futebol onde se esperam muitas emoções fortes. Neymar saiu e deixou a liga sem uma das suas estrelas mais cintilantes. O Real parece estar a caminho de dominar a competição por mais um ano. O Barcelona está em queda enquanto que o Atlético se quer reerguer. A luta europeia está mais divertida que nunca. O Girona fará a sua estreia. Mas há mais e está tudo aqui.

Alavés

A fasquia está bem elevada no Mendizorroza. A equipa basca conseguiu um óptimo 9º lugar na época transacta a somar a uma chegada à final da Taça do Rei, que perdeu para o Barcelona, tornando-se assim numa das sensações da liga espanhola. Agora, muita coisa mudou e será bastante complicado repetir o feito. Houve mudanças no banco – Luís Zubeldia estará no lugar de Mauricio Pellegrino – e o plantel também apresentará muitas caras novas como Wakaso, Ely ou Enzo Zidane. Mesmo assim, a confiança está em alta e o Alavés não quer desiludir em 2017/2018.

 

Athletic de Bilbao

A diferença maior estará no banco de suplentes, onde os bascos apresentarão agora o antigo treinador dos B’s, Ziganda, para assumir o comando técnico da equipa principal, depois de Valverde rumar à Catalunha. Este facto mantém a formação com a sua identidade bem vincada, trazendo um conhecedor dos jogadores das equipas secundárias e jovens do clube, para os fazer chegar à equipa principal. Ziganda já tem algum trabalho desenvolvido neste papel visto que foi ele que chamou a atenção dos responsáveis para que estes fizessem subir à equipa A jogadores como o avançado Williams e o guarda-redes Kepa. Agora, poder-se-á pedir a Ziganda que também demonstre a mesma qualidade exibicional de Valverde, que será bem difícil de replicar, ou que apenas tenha uma época tranquila – mas estamos todos avisados que esta equipa é sempre capaz de surpreender.

 

Atlético de Madrid

Após algumas temporadas em que o Atlético se intrometeu entre Barcelona e Real, chegando mesmo a quebrar o duopólio espanhol com um título, a época passada ficou um pouco aquém do esperado. Esta época, os rojiblancos querem voltar a competir contra os maiores, pois sentem que é lá que pertencem. As dores de crescimento são muitas e a proibição de contratar jogadores até Janeiro complicou ainda mais as contas. Apesar disto, Vitolo foi contratado e chegará em Janeiro, por enquanto ficando emprestado ao Las Palmas. Continuar sólido na defesa – a principal chave da equipa – mas precisar de fazer mais golos é o desafio que se propõe a Simeone e aos seus pupilos para esta nova temporada.

 

Barcelona

Completamente entranhados numa crise existencial, há várias questões que se colocam à volta da equipa culé. A saída de Neymar deixou o trio da frente órfão da sua asa esquerda, que perderá qualidade obrigatoriamente, quer venha Coutinho ou Dembelé. No banco, é Ernesto Valverde quem tem a tarefa de não deixar o gigante cair. A contestação começa a ser muita e já chega mesmo ao presidente. Vivem-se tempos sem definição em Barcelona e o que acontecerá esta época é uma incógnita em toda a linha.

 

Bétis

Seguramente um dos projectos mais interessantes desta La Liga. Apesar de todas as novidades: desde o vice-presidente ao diretor desportivo, passando pelo treinador e por, pelo menos, nove caras novas no plantel, o trabalho parece ter sido bem planeado e Quique Sétien tem ao seu dispor um plantel com bastante qualidade, para por em prática o seu futebol atacante. Boudebouz é o nome mais sonante no que concerne às movimentações no mercado dos verdiblancos. Exige-se uma posição na tabela na primeira metade à equipa da Andaluzia.

 

Celta de Vigo

No ano que passou, Berizzo colocou os adeptos do Celta a sonhar. Conseguiu alcançar as meias-finais da Liga Europa, assim como da Taça do Rei. Agora saiu do clube e há novidades no banco. O argentino viajou para Sul para treinar o Sevilha e agora é Unzué, antigo assistente de Luís Enrique no Barça, que está encarregue de comandar a formação da Galiza. Sem saídas de maior nomeada e ainda com as entradas de Maxi Gomez e a assinatura definitiva de Jozabed, o Celta tem tudo para lutar por uma nova qualificação europeia.

 

Deportivo da Corunha

Na Galiza, depois de uma época em que foi necessário lutar contra o sufoco da despromoção, espera-se uma temporada mais calma. O técnico que conseguiu salvar a equipa, Pepe Mel, vai ficar para a nova época e já viu chegarem alguns reforços importantes. Para a frente de ataque, o Depor conseguiu os empréstimos de Adrian Lopez e de Zakaria Bakkali e ainda continua a novela à volta do regresso de Lucas Peréz, vindo do Arsenal. Para além disto, Fabian Schar e Guilherme também chegaram, para uma equipa que não teve saídas muito significativas e que espera passar esta nova temporada com menos sobressalto.

 

Eibar

O objetivo neste clube basco é claro: dar continuidade ao que tem vindo a ser feito nas últimas temporadas. Conhecido pela excelente gestão financeira que faz, os armeros venderam Lejeune para o Newcastle, numa movimentação que lhes trouxe 10M€ aos cofres. Com esse valor, recrutaram Paulo Oliveira ao Sporting por 3.5M€ e compensaram a perda do central gaulês. Este minúsculo emblema, tentará de novo consolidar a sua posição no futebol espanhol, sendo que já vem fazendo parte da mobília nos últimos anos.

Foto: Mantos do Futebol

Espanhol

O maior desafio de Quiqué Sanchéz Flores será dar coesão a uma defesa que já na época transacta havia sofrido bastante. Apesar dos reforços pedidos, a direção não correspondeu, o que obrigará a um jogo de cintura maior por parte do técnico. Na época passada, o clube catalão surpreendeu toda a gente com o futebol jogado e o 8º lugar conquistado, mas esta temporada parece bem mais difícil repetir esse feito, embora perfeitamente possível, face àquilo que Quiqué conseguiu. Diego Lopez e Pablo Piatti assinaram contratos definitivos e serão duas das caras mais importantes nesta nova época.

 

Getafe

A formação dos arredores de Madrid está de volta à principal competição espanhola e de futebol e consigo traz a base que permitiu a subida. Apesar de muitos dos jogadores não terem experiências nestas andanças, a manutenção do núcleo duro da equipa pode ser um factor decisivo para o técnico Bordalás, que aponta à manutenção. Nos reforços, nota ainda para a chegada do português Antunes, que vem da Ucrânia trazer mais experiência à lateral esquerda azulón.

 

Girona

Quem espera sempre alcança. Depois de muito tentar nos anos anteriores, esta foi a época em que o objectivo ficou cumprido. Para trás ficaram quatro quatros lugares nas últimas cinco épocas, o primeiro que não dá direito à subida. Pela primeira vez nestas lides, o Girona não tem nada a perder nesta nova época. Agora, tudo o que vier é por acréscimo. Com o Manchester City por detrás a colocar alguns jogadores a rodar, o Girona conseguiu montar uma equipa competitiva e disposta a lutar olhos nos olhos com qualquer clube. Vindos do clube inglês, jogadores como Maffeo, Douglas Luis e Aleix Garcia ligam as luzes da esperança para o clube catalão.

Foto: Umbro

Las Palmas

Muito investimento no ataque mas a defesa pode ser um problema, devido à carência de soluções de qualidade. As previsões apontam para uma temporada bem complicada para a formação da Gran Canaria. Boateng e Roque Mesa saíram e para os substituir chegou Vitolo, que jogará até Janeiro e depois rumará ao Atlético, e o avançado Calleri. Fazer uma boa primeira metade da temporada é obrigatório para fugir depressa ao terror da despromoção.

 

Leganés

Depois de garantida a permanência a estreia na Primera, o segundo ano tem tradição de ser bem complicado para estes emblemas. A permanência do técnico Asier Garitano é o a melhor notícia que podiam ter. Os pepineros, viram chegar alguns reforços como Ezequiel Muñoz e estão fazer valer a boa relação com a Juve, que já havia emprestado Gabriel Pires. A rivalidade com o Getafe será também um condimento para esta temporada, visto que é a primeira vez que ambos as formações jogam o principal escalão do futebol espanhol.

 

Levante

O campeão da Adelante da época passada quererá fugir rapidamente à zona dos lanternas vermelhas para fazer uma época descansada neste regresso aos escalão principal. No entanto, as más notícias não tardaram a chegar. Ainda na pré-temporada souberam que o seu goleador, Roger Matri, teria que parar 6 meses devido a uma lesão séria no joelho. Posto isto, arranjar forma de colmatar esta perda será o grande desafio que se coloca a Juan Muniz, técnico do emblema valenciano.

 

Málaga

Pode ser um ano com alguma turbulência no Sul de Espanha. Muitas saídas de grande nome podem causar dificuldades ao clube. Ignacio Camacho, Carlos Kameni, Sandro Ramirez, Pablo Fornals, entre outros, serão jogadores muito difíceis de substituir e adivinha-se uma tarefa bem complicada para Michel no La Rosaleda. É em Borja Baston e em Paul Baysse, antigo capitão do Nice, que os adeptos do clube depositam as esperanças numa época que, pelo menos, repita os níveis da anterior.

 

Real Sociedad

Já depois de ter conseguido a qualificação para a Liga Europa na época passada, a Real Sociedade aponta ainda para algo de maior esta temporada. As soluções de ataque já eram bastante boas e ainda melhoraram com as adições de Janujaz e Diego Llorente, necessárias já que a equipa vai entrar em três frentes. A saída de Yuri Berchiche para o PSG será colmatada com o regresso de lesão de Agirretxe. Há ainda a noticiar as permanências de Inigo Martinez, que vinha sendo muito cobiçado pelo Barcelona e do guarda-redes Geronimo Rulli, que esteve com um pé no Nápoles. Os muitos produtos da formação tentarão também ajudar o emblema a lutar por uma época bem conseguida.

 

Real Madrid

Por esta altura é difícil encontrar quem não considere que este Real é a melhor equipa da liga e que se sagrará vencedor da competição. Com uma equipa completa em praticamente todos os pontos, tentará continuar a hegemonia a que se tem proposto. Neste seguimento, virou-se para a renovação com reforços jovens carregados de potencial de futuro, para encaixar nas posições mais necessitadas. Vallejo, Ceballos e Theo Hérnandez darão ainda mais profundidade e qualidade a um plantel que se propõe a vencer tudo o que joga.

 

Sevilha

Na Andaluzia, as mudanças no corpo técnico não devem reflectir alterações muito significativas no jogo jogado. Sampaoli saiu para tomar conta da seleção argentina e Eduardo Berizzo foi uma solução quase natural para o substituir no cargo. O legado deixado por Monchi a nível de contratações parece ter feito boa escola e, apesar da saída do histórico diretor desportivo para a Roma, os andaluzes conseguiram reforçar-se com muita qualidade. Nomes como Nolito, Jesus Navas, Luís Muriel e Ever Banega vão estar ao serviço de Berizzo e adivinha-se uma nova época a lutar pelo altos voos.

 

Valência

Adivinha-se mais um ano como os últimos – na corda bamba entre voar alto ou cair em queda livre. Depois de muitos anos de gastos desmesurados, esta temporada o Valência tentou virar-se para os bons negócios, apesar das muitas saídas a registar. O acordo permanente com Zaza, a chegada por empréstimo de Gonçalo Guedes dão o mote para esta época, em que os ché querem quebrar o enguiço de terem ficado em 12º. A equipa, que conta com a média de idades mais baixa da liga, viu sair uma das figuras: João Cancelo está a caminho do Inter. No banco, estará Marcelino Garcia Toral, que já conseguiu devolver o Villarreal aos altos voos e tentará agora replicar o feito, mas com maior exigência que estão num nível diferente e já com um historial de treinadores falhados bem longo. A paciência começa a esgotar-se para os adeptos mas é improvável ver um Valência a terminar na parte superior da tabela.

 

Villarreal

O Submarino amarelo foi uma das defesas menos batidas e será novamente esse o mote que Fran Escribá quererá usar para esta nova temporada. A campanha da época passada foi impressionante, terminando em 5º, e esta temporada os adeptos voltam a colocar a fasquia a esse nível. Ainda chegou Carlos Bacca, que se juntará a Bakambu na frente e Semedo entrou para suplantar a saída de Musacchio. Tudo somado, mais uma vez pode lutar por um lugar na Liga dos Campeões.

Foto: Goal

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Pedro NunesJulho 23, 20174min0

Há uns meses, o Presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, apresentou um Livro Branco aos eurodeputados em que delineava os possíveis cenários da União Europeia. Resumidamente, Juncker previa que a União podia evoluir de cinco formas: recuando muito, recuando pouco, ficando na mesma, avançando pouco ou avançando muito.

Talvez pareça que o primeiro parágrafo não tenha nada a ver com o tema que se vai tratar em seguida, por isso é melhor contextualizar. Ora, não há dúvidas que Juncker usou uma excelente forma de prever o futuro – até porque dificilmente poderá falhar. E já que as boas ideias são para ser aproveitadas, o momento do Barça pode ser pensado da mesma forma, tentando imaginar as possibilidades futuras da equipa blaugrana.

Segundo a Lei de Murphy, tudo o que puder correr mal, correrá. Se assim é, combater Murphy será o desafio de Ernesto Valverde. O técnico que chegou de Bilbau tem agora de recuperar um império em queda, onde não há espaço para margem de erro. Outras mudanças, talvez mais profundas, vão sendo noticiadas na comunicação social. A mais impactante é que Neymar pode estar de saída numa transferência astronómica. Entra muito dinheiro, sai muito talento. Qual valerá mais neste momento para o Barcelona? Com a hegemonia europeia a voltar-se para a capital espanhola a grande velocidade, Camp Nou começa a ver o seu império desmoronar-se aos pouquinhos.

Neste momento, as principais decisões estão centradas naquilo que o mercado pode, ou não, oferecer. A direção sabe o que quer mas não sabe como fazer para ter. O buraco deixado por Dani Alves na ala direita tem sido bem difícil de colmatar. Sergi Roberto remendou, mas não chega para cumprir toda uma época ao nível Champions, tal como é requisito obrigatório em Camp Nou. Semedo chegou para o lugar. Para complicar, o interior daquele lado tem sido o lugar mais rotativo do plantel, pois não há quem o assuma totalmente. Rakitic caiu de forma, Denis não vingou e André Gomes apanhou-se num contexto em que não consegue fazer valer as suas capacidades. Agora, é falado Paulinho para o lugar, visto que a escolha inicial, Verratti, parece não ter modo de sair de Paris.

A previsão mais conservadora aponta para que tudo fique na mesma em Barcelona. Imagine-se este cenário hipotético. Se este ano Valverde vencer a Taça do Rei e cair na Champions e no campeonato, isso será uma boa ou má época? A resposta não é clara. Uns dirão que ficou aquém, outros que já foi um bom trabalho. Objectivamente falando, ganhar o mesmo é ficar na mesma – e não é assim tão descabido que tal volte a acontecer.

As melhores recordações da temporada passada para os adeptos culés foram a vitória para a Taça do Rei, a remontada épica contra o PSG e a partida no Santiago Barnabéu. Após estes dois últimos momentos, o Barça cedeu e deu passos em falso, que os fizeram cair dessas mesmas competições. São experiências como as de Turim e Málaga que os dirigentes não querem que volte a acontecer. Costuma-se dizer que as grandes organizações mudam antes de ser obrigadas a mudar. Numa visão progressista, para os fãs culés estas mudanças eram necessárias e foram efectuadas no momento certo, de maneira a não perder totalmente a hegemonia para a capital.

Num cenário de revolução como o que se vive em Camp Nou, a perspectiva mais positivista – que assume que este envolvimento tem sido o melhor para todas as partes – é praticamente inexistente. Mudanças na direcção, treinador novo, tácticas novas e novos reforços. É o primeiro ano de uma nova era e a reconstrução de um Barcelona que, em tempos, já foi totalmente dominador. A melhor notícia já chegou – a renovação de Leo Messi. A partir daí, é aguardar por mais desenvolvimentos.

Foto: Mantos do Futebol

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Victor AbussafiJulho 21, 20176min0

Partimos do princípio que esta especulação não é apenas mais um joguete dos agentes do Neymar para aumentar seu salário no Barcelona e que o jogador está mesmo em dúvida quanto ao seu futuro e não é apenas especulação da imprensa. Os sinais confirmam isso, mas não podemos descartar nenhum dos cenários acima ao falar de Neymar e seu staff.

Uma mudança para Paris não é o cenário óbvio para a carreira de um jogador como Neymar, mas não é um passo que não possa fazer sentido. O craque brasileiro, aos 25 anos, se aproxima do seu auge técnico e físico (normalmente os picos dos atacantes acontecem aos 27 anos) e seria titular em qualquer grande clube mundial, como o é no Barcelona.

Entretanto, são vários os motivos que podem justificar a decisão de se unir ao projeto multi-milionário de Paris. Vamos avaliar os prós e contras que podem estar na lista que Neymar faz, neste momento, no seu quarto de hotel na digressão blaugrana aos Estados Unidos.

Prós

Neymar nunca escondeu seu desejo de vencer o prêmio de melhor do mundo e sabe que não o fará enquanto estiver na sombra de Lionel Messi. Por mais que faça grandes jogos e seja muito importante para o Barcelona, será sempre coadjuvante no trio MSN.

A única possibilidade de vencer o prêmio, enquanto jogar ao lado do argentino, é vencer a Copa do Mundo de 2018 com o Brasil e acumular bons jogos e títulos no clube catalão. O título pela Seleção poderia justificar a escolha do craque brasileiro como vencedor do prêmio pela FIFA.

Entretanto, a busca por ser o protragonista pode levar o jogador à Paris, onde seria o grande destaque do plantel e teria uma equipa inteira a jogar por si, aumentado suas hipóteses. Apesar disso, precisaria vencer a Champions League com o PSG para compensar o fato da Liga Francesa não ser tão concorrida.

Dani Alves é o novo reforço do PSG (Foto: Reuters)

Ainda, jogaria ao lado de uma legião de brasileiros, incluindo seu grande amigo Daniel Alves, recém contratado pelo clube parisiense. Marquinhos, Tiago Silva, Lucas Leiva, Thiago Motta (naturalizado italiano) são jogadores com quem Neymar tem boa relação e facilitariam o entrosamento com os demais jogadores.

Não menos relevante é o fator financeiro. Apesar de receber cerca de €15 Milhões anuais após a última renovação contratual, estima-se que o PSG ofereceria um salário entre 30 e 40 milhões de euros ao novo contratado, tornando-o no maior salário do futebol mundial (Tevez recebe €38M anuais na China).  E é óbvio que Paris é uma bela cidade para ser milionário.

Contras

O PSG tem investido muito dinheiro nos últimos anos, mas todos esta fortuna do mundo árabe não compra um lugar no Monte Olimpo do futebol europeu. O clube não está entre os maiores, não é a maior torcida francesa e pode ser classificado mais como um grande negócio do que um clube de futebol.

Será que a busca por ser protagonista justifica abandonar um dos maiores clubes do mundo e desfazer a parceria com um dos maiores da história? Neymar é o substituto lógico para Messi nos planos do Barcelona e na Catalunha briga por todos os títulos anualmente.

A Liga Francesa está degraus abaixo da La Liga e até o crescimento do Monaco, na última temporada, o PSG reinava sozinho devido à diferença de investimento. Neymar jogaria 80% dos jogos num nível competitivo inferior ao atual.

Teria ao seu lado outros grandes talentos, como Verrati, Cavani e Di Maria, mas deixaria de jogar com craques da estirpe de Luiz Suárez, Iniesta e o grande Messi. No papel, o onze do PSG pode até se equivaler, posição por posição, com o blaugrana, mas, na prática, o trio MSN, o entrosamento e a camisa desiquilibram a favor dos catalães.

Neymar e Messi se dão bem dentro e fora de campo (Foto: Marca)

Apesar de suas sugestões de contratações para a época não terem sido atendidas (Coutinho, Paulinho e Lucas Lima), o brasileiro tem bom relacionamento com o elenco e com a diretoria. Não é essa uma motivação de saída e nunca se sabe como será a relação com os franceses, por isso, deixar um ambiente no qual se sente confortável pode ser um risco.

Qual caminho escolher?

Existem diversos desafios mais interessantes do que o PSG para o próximo passo na carreira, até aqui bem sucedida, de Neymar. Ajudar o United a reencontrar o caminho das glórias ou unir-se a Guardiola na construção de um novo City, em Manchester. Resgatar o poderoso Milan, recheado de dinheiro chinês. Quebrar a seca europeia da gigante Juventus. Até mesmo suceder Messi, no próprio Barcelona, é um desafio interessante. Neymar, certamente, teria espaço em todos.

Contudo, apenas o PSG tem bala na agulha e é louco o suficiente para despejar os €220 Milhões referentes a multa recisória do atacante. O dobro da maior transferência de sempre, Paul Pogba no United.

Neymar em dúvida? (Foto: FCB)

Mas, se pensarmos bem, o projeto de transformar Paris num centro do futebol mundial e o PSG numa grife combinam com a personalidade do jogador e o seu potencial de marketing extra-campo. E, pode não parecer agora, mas se este projeto funcionar e culminar com um título europeu para o clube, o PSG muda de patamar e pode ser um bom símbolo do novo futebol da Europa, onde o negócio é superior à história e Neymar nasceu com estrela. Costuma se dar bem nas decisões e consegue fazer seu talento valer nas horas certas. Se tem alguém que pode ajudar o PSG a dar o salto é ele.

Se Neymar contempla estes cenários e pensa no seu futuro, neste momento, ninguém sabe. Os próximos dias darão novas informações sobre o desenrolar dessa novela de verão, que pode marcar uma das maiores transferências da história ou terminar, mais uma vez, em pizza.

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Victor AbussafiMarço 30, 20178min0

A imprensa brasileira repete insistentemente e se derrete em elogios ao jogador. O torcedor mais apaixonado não tem dúvidas. A promoção de Neymar ao título de melhor jogador do mundo ganha força com as recentes ótimas exibições e os resultados alcançados no Barcelona e na Seleção Brasileira. Será que chegou a hora do craque tupiniquim?

Nos últimos jogos de Dunga, na Copa América, e nos primeiros das Olímpiadas (dois empates do Brasil), a pressão da imprensa nacional sobre Neymar foi intensa. Criticado por estar nervoso em campo e tentar decidir os jogos sozinho, Neymar não conseguia jogar nem fazer jogar. Como resultado, o jogador se fechou e deixou de dar entrevistas coletivas nas convocações da Seleção.

O silêncio foi quebrado 244 dias depois, com Neymar em alta, num time que joga por música e já classificado para a Copa da Rússia. Até Galvão Bueno, maior narrador do país, e crítico da fase que viveu Neymar sob o comando de Dunga, já se rendeu:

O melhor Neymar da história

Uma coisa é fato. O avançado brasileiro tem jogado à um nível cada vez superior e vive, pelo menos até agora, seu auge e, com muitos anos úteis pela frente, certamente ainda evoluirá mais.

Neymar amadureceu. Isto é mais evidente na Seleção, onde é o principal destaque em campo e passou a desempenhar um papel ainda mais efetivo como líder técnico da equipe. Com Tite, que conduziu o escrete canarinho à 8 vitórias em 8 jogos pelas eliminatórias, o jogador mostra nova postura em campo e parece que tudo o que faz, dá certo.

Se com Dunga, Neymar parecia irritadiço em campo e mais caia e brigava do que resolvia jogos, com Tite, apesar de pegar menos na bola, a cada vez que aparece no jogo desespera dos defensores adversários. As últimas vítimas foram Uruguai e Paraguai pelas eliminatórias (Coates, zagueiro uruguaio do Sporting, deve ter pesadelos com ele até hoje).

Com os dois gols marcados, nos últimos jogos, faltam apenas quatro para igualar Romário, quarto maior artilheiro da história da Seleção Brasileira. À sua frente, ficam Zico, Ronaldo e Pelé. Depois da conquista do Ouro Olímpico, a conquista da Copa do Mundo em 2018 colocaria Neymar num patamar dos Deuses do Futebol no Brasil, com apenas 25 anos.

Esse jogador, mais maduro e confiante, se mostra também na Catalunha, com Neymar a chamar para si o papel de decidir jogos e buscar o jogo. Isso ficou evidente no histórico jogo contra o Paris Saint-Germain:

O que dizem os números

Uma forma de tentar comparar Neymar aos mitos Messi e Cristiano Ronaldo é avaliar as estatísticas da atual temporada. Se juntarmos os jogos por clube e seleção neste ano, Neymar esteve envolvido em 16 gols (10 gols e 6 assistências).

Apesar de ter marcado menos gols do que em temporadas anteriores, sua média subiu de 0,3 gols por partida na primeira metade da época para 0,44 gols por partida em 2017. Entretanto, o novo Neymar é o novo recordista de assistências em uma edição da Liga dos Campeões, com 8, e fez em 2016 o seu recorde pessoal de assistências num mesmo ano 32 em 54 jogos.

Bons números, mas insuficientes contra os sempre eficientes craques que dominam a o prémio de Melhor do Mundo da Fifa. Os 22 gols com participação de Messi (18 gols e 4 assistências) e 19 de Cristiano Ronaldo (15 gols e 4 assistências) ainda colocam os jogadores mais experientes acima do jovem brasileiro.

Outro dado interessante é que o brasileiro é o jogador que mais sofre faltas entre as principais ligas europeias. Segundo o site “Who Scored?”, Neymar sofreu uma média 4,4 faltas por jogo na La Liga, contra 2,1 de Messi e 17 de CR7. Essa média de faltas tem aumentado todos os anos, o que mostra que o camisa 11 é cada vez mais visado pelos sistemas defensivos adversários e mais difícil de ser parado.

O que dizem os especialistas

O primeiro a rasgar elogios ao jogador é o comandante Tite: “O Neymar não pode falar, mas eu posso. Ele vai ser o melhor do mundo. Ele fez 25 anos agora e Cristiano e Messi estão nos 30 para lá. Nessa geração vejo Neymar, nesse processo de maturidade.”

Ronaldo, Ronaldinho, Belletti, Kaká e muitos outros ídolos do futebol brasileiro têm dito o mesmo e esse movimento parece ter superado os limites geográficos do Brasil.

O italiano Costacurta afirmou à Sky: “Acredito que, neste momento, Neymar seja melhor que Ronaldo ou Messi. É o melhor jogador agora, em 2017“. Para o italiano, o brasileiro tem sido mais consistente ao produzir sua melhor forma em todos os jogos. Além dele, são muitos os astros internacionais e jornais internacionais que afirmam que Neymar deve ser o próximo na linha sucessória dos Reis do futebol.

What a night for this man ✌ Future world No1? #Neymar #Barcelona #UCL

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Até o jornal argentino Olé já reconheceu o talento do jogador, após o jogo contra o Paraguai, e brincou com a ausência de Messi, suspenso na Seleção Argentina: “Como o melhor do mundo está suspenso e num momento delicado, o outro melhor do mundo fez reluzir o 10 do Brasil”.

Entre os grandes

Se a análise fria dos números ainda mostra uma certa distância para o panteão onde vivem Messi e CR7, é inegável para quem assiste os jogos dos três por clube e seleção que o brasileiro vive um momento mágico.

Neymar tem sido decisivo e cada vez mais importante para os times onde joga. Se no Barcelona ainda manda Messi, no campo o brasileiro é o responsável pela dinâmica ofensiva da equipa e foi fundamental para manter o clube vivo nas competições que disputa e nas quais pode, em 16 jogos, terminar com mais uma tríplice coroa.

Neymar comemora na vitória contra o PSG. Jogador liderou a remontada. (Foto: Reuters)

É muito cedo para cogitar um prêmio de melhor do mundo ao final do ano, até por que Messi pode ser decisivo num possível título europeu do Barcelona ou Cristiano Ronaldo pode faturar mais uma Champions League e tornar toda essa conversa irrelevante. Mas é evidente que Neymar hoje chegou a um nível em que está acima dos demais mortais, apesar de não ser um Deus Imortal como os dois rivais.

Neste ano ou no próximo, o semi-Deus Neymar completará suas missões e alcançará o Olimpo do Futebol. A Bola de Ouro o aguarda com a expectativa de quem, desde 2007, não é cogitada para nenhum outro jogador que não Messi ou Ronaldo. Só isso já faz com que Neymar mereça aplausos.

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Victor AbussafiFevereiro 28, 20174min0

Que jogador brasileiro gosta de Carnaval todo mundo sabe. Mas há uma história, já distorcida em lenda, que envolve dois dos maiores gênios do futebol e a maior festa do mundo, o Carnaval do Rio de Janeiro.

Johann Cruyff, um dos maiores jogadores de todos os tempos e mente por trás do brilhante estilo de jogo do Barcelona, era treinador do clube blaugrana no início dos anos 90. Nesta época, conquistaram quatro Campeonatos Espanhóis consecutivos e a primeira Champions League da história do Barça, num grupo de jogadores que ficou conhecido como “Dream Team” e contava com craques como Laudrup, Stoichkov, Koeman e Guardiola.

Em 1993, o baixinho Romário juntou-se aos campeões europeus, advindo do PSV, da Holanda. Surpreendentemente, o estilo disciplinador de Cruyff casou bem com o despojado brasileiro, mesmo com os constantes conflitos. Romário recebia uma multa de 50 dólares por cada dez minutos de atraso nos treinos, o que acontecia com frequência, e deu a seguinte declaração à revista Veja, no Brasil, antes da Copa de 94: “Não tem problema. Vou ganhar a Copa e com o dinheiro pago essas multas”.

Mauro Silva, ex-jogador do La Coruña e da Seleção Brasileira, conta um desses atritos no livro “Os 11 maiores centroavantes do futebol brasileiro”, de Milton Leite. Segundo o meia, uma vez Cruyff pediu para o seu assistente chamar Romário à sua sala e o jogador respondeu assim: “Fala para ele que quando quiser falar comigo, sabe onde me encontrar”.

Apesar do potencial explosivo dessa relação, Cruyff considerava Romário o melhor jogador que já tinha treinado e admiração era mútua, como prova o post do atacante em suas redes sociais após a morte da lenda holandesa:

A folga para o Carnaval

É justamente dessa compreensão com a saudade de casa que nasce essa famosa história. Cruyff costumava dar dias a mais de descanso para que Romário pudesse viajar ao Brasil. Numa entrevista ao jornal francês L’Equipe, em 2012, o treinador contou uma passagem curiosa: “Uma vez, ele veio me perguntar se poderia faltar a dois dias de treinos para voltar ao Brasil. Deveria ser carnaval no Rio de Janeiro. Eu respondi: ‘se você fizer dois gols amanhã, te dou dois dias a mais de descanso que o restante da equipe’. No dia seguinte, ele marcou seu segundo gol com 20 minutos de jogo e imediatamente fez um gesto para mim pedindo para sair.Ele me disse: ‘Treinador, meu avião sai em menos de uma hora’.”

Apesar de ser uma história possível de acontecer para quem conhece Romário, Johan Cruyff exagerou em sua anedota para torná-la mais caricata. O jornalista Marcelo Bechler pesquisou e não encontrou nenhum jogo com esta característica durante a passagem do jogador por Barcelona.

Romário e Cruyff marcaram época com seu talento

Enquanto esteve com Cruyff na Catalunha, Romário marcou 32 gols em 47 partidas. Foi substituído cinco vezes. Nenhuma no primeiro tempo, quatro durante a segunda etapa e apenas uma vez no intervalo – contra o Sporting Gijon, uma partida que terminou 1-1 e o brasileiro não marcou.

Será essa a verdade?

Outra história similar, que pode estar mais próxima de ser verdade, conta que o pedido aconteceu em Janeiro de 1994, antes de um clássico contra o Real Madrid, um mês antes do Carnaval.

Cruyff teria dito a Romário que daria um dia de folga extra para cada gol marcado no clássico. O Barcelona goleou por 5-0, no Camp Nou, com 3 do Baixinho, que se sagraria artilheiro do Campeonato ganho pelo clube catalão. Os gols desse jogo podem ser vistos aqui, mas o primeiro merece destaque:

O Carnaval venceu

Em 1995, campeão do mundo e recém escolhido melhor jogador do mundo, Romário desistiu do futebol europeu e escolheu voltar ao Brasil, sendo contratado pelo Flamengo para formar o “ataque dos sonhos” com Sávio e Edmundo.

No Brasil, brilhou por Flamengo, Fluminense e Vasco, onde chegou a ser artilheiro do Brasileirão com 39 anos, em 2005. Alcançou seu milésimo gol em 2007 (numa contagem polêmica por envolver gols em amistosos e festivos) e encerrou a carreira como um dos maiores jogadores de todos os tempos, pelo futebol e por sua personalidade.

Lenda ou verdade, Cruyff pode ter exagerado. Mas o Futebol e Carnaval são o que são exatamente pelo exagero. E nós, espectadores, é que decidimos se queremos ou não acreditar na lenda de Romário e do Carnaval.


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É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


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