21 Nov, 2017

Arquivo de balanços - Fair Play

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Ao constatar que o número de rondas da Ledman LigaPro equivale ao número de quilómetros de uma maratona, percebemos de imediato que estamos perante uma analogia perfeita. A meta foi cortada este fim-de-semana, e está na hora de contar o que aconteceu ao longo deste percurso espinhoso.

PORTIMONENSE E DESP. AVES: NÃO DEIXES PARA A SEGUNDA VOLTA O QUE PODES FAZER NA PRIMEIRA

A partir do momento em que Vítor Oliveira foi anunciado oficialmente em Portimão, a probabilidade de voltarmos a ter um emblema algarvio no escalão principal do futebol português aumentou drasticamente. Aqui inclusive, chegámos a escrever o prólogo desta bela narrativa. A possibilidade acabou por se confirmar, e Vítor Oliveira garantiu o título e a sua nona subida ao primeiro escalão. Em 2016/17, conseguiu a promoção mais folgada de sempre do currículo, com quatro partidas por disputar, batendo a anterior marca alcançada no Paços de Ferreira (três jornadas), em 1990/91.

Tudo começou a ficar bastante encaminhado por via de um outro recorde, o de mais pontos somados na primeira metade da competição (52 em 63 possíveis), feito que deixou os perseguidores a 17. Esta vantagem confortável foi importante para manter os adversários à distância no decurso de uma segunda volta menos extasiante. Lumor Agbenyenu e Amilton Silva, dois dos melhores jogadores da competição, mudaram-se para o 1860 Munich no Mercado de Inverno, ao mesmo tempo que as lesões se alastraram pelo plantel, sobretudo no quarteto defensivo. Os resultados da segunda volta espelharam um pouco estes obstáculos inesperados, enfatizados pela dureza do calendário, com oito derrotas em 21 encontros. Ainda assim mantiveram-se no topo até final, e puderam celebrar a conquista do campeonato. Entre os protagonistas da subida, é imperioso destacar Paulinho, médio criativo cujo talento surge cada vez mais como um dado adquirido, e Pires, o homem com mais golos da história da prova, que voltou a sagrar-se melhor marcador da época.

Também o Desp. Aves se esmerou na primeira metade, só que a quantidade de tropeções que seguiu, colocou os corações dos adeptos avenses em estado de sítio, e motivou a saída de Ivo Vieira do comando técnico, substituído por José Mota. Tudo parecia estar a correr pelo melhor, e o veterano guarda-redes Quim até bateu o seu recorde pessoal de minutos sem sofrer golos (568), mas o período entre a 24ª e a 31ª jornada ameaçou seriamente uma queda ao terceiro posto. Foram cinco derrotas em oito jogos, responsáveis por esbater a vantagem de 15 pontos para 4 num ápice. Felizmente para os avenses, José Mota revelou engenho suficiente para recuperar animicamente o grupo, e devolvê-lo à Primeira Liga, dez anos mais tarde.

UM PELOTÃO RECHEADO MAS DEMASIADO DISTANTE

Apesar das vicissitudes acima referidas que afectaram os conjuntos promovidos, tanto o Portimonense como o Desp. Aves acabaram por ser demasiado fortes para os restantes competidores. Os perseguidores formaram na tabela classificativa um pelotão bastante alargado que se estendeu ao décimo lugar, mas cuja distância pontual era impeditiva. O União da Madeira, que arrebatou discretamente o terceiro posto, fixou-se a 17 (!) pontos do Desp. Aves.

Durante a temporada, houve alguns elementos deste grupo que conseguiram colocar os agora primodivisionários em alerta. O Santa Clara (10º), por exemplo, protagonizou um excelente arranque, sendo posteriormente vítima da instabilidade no comando técnico que se verificou após a saída de Daniel Ramos. Já na segunda volta, Académica (6º) e Varzim (9º) pareciam capazes de aproveitar os deslizes inesperados do Desp. Aves, só que isso não passou de uma miragem. Penafiel (5º) e Sp. Covilhã (8º), as boas surpresas deste campeonato, completaram o grupo do pelotão, juntamente com algumas equipas B.

O CASO PREOCUPANTE DO OLHANENSE

Os rubro-negros afundaram-se rapidamente na classificação, enquanto direcção e SAD continuaram a trocar publicamente acusações de ingerência. Isidoro Sousa, presidente do clube, começou por escrever uma carta aberta aos sócios, onde denunciava a dimensão do passivo criado pela SAD em apenas 36 meses. Em resposta, o presidente da SAD Luigi Agnolin assumiu alguns dos erros ‘na escolha da estratégia desportiva’, sem deixar de atacar a direcção, acusando-a de populismo e de incitamento dos sócios contra a SAD. Anunciou também um investimento de 300 mil euros já para a próxima época, com o objectivo de regressar ao segundo escalão de imediato. Será o Olhanense capaz de o conseguir, tendo como pano de fundo esta guerra aberta entre clube e SAD?

AS JOVENS ESPERANÇAS DAS EQUIPAS ‘BÊS’

Pese embora alguns sustos passageiros, a generalidade das equipas B denotou qualidade no decurso da temporada, e várias individualidades estão prontas para dar o salto. Os casos mais evidentes são os de Dénis Duarte (V. Guimarães B), central possante com auspiciosa margem de progressão, e de Diogo Gonçalves (Benfica B), extremo que se encontra a representar a selecção nacional Sub-20 no Campeonato do Mundo. Outra figura do conjunto encarnado que também está presente na competição, e que deverá ficar às ordens de Rui Vitória é o centrocampista Pedro Rodrigues. Mais a Norte, o lateral belga Anthony D’Alberto (Sp. Braga B) liderou o campeonato das assistências (9), e merece igualmente um olhar atento. Ficam a faltar as reservas de Porto e Sporting, onde o eixo defensivo despertou curiosidade. O já conhecido Chidozie reclama por uma segunda oportunidade, ao passo que nos ‘leões’, o central Ivanildo Fernandes chama pela equipa principal.

Ac. Viseu e Leixões (15º e 16º) ainda não têm o seu destino decidido, e vão lutar pela permanência na Ledman LigaPro no Playoff, frente aos pretendentes do Campeonato Nacional, Merelinense e Praiense. Os encontros estão agendados para os próximos dias 27 de Maio (1ª Mão) e 3 de Junho (2ª Mão).

A EQUIPA IDEAL

CLASSIFICAÇÃO

Fonte: Soccerway

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Luís PereiraDezembro 27, 20167min0

Mais um ano, mais uma época de Fórmula 1, um novo Campeão do Mundo de F1. A época de F1 de 2016 teve suspense até ao final e muitas surpresas.

Foi mais um ano de sucesso para os agora tricampeões do mundo. A equipa germânica voltou a dominar a seu belo prazer esta época de F1 e conseguiu ganhar 19 de 21 corridas. Nunca houve dúvidas de que o título de construtores iria para os germânicos.

Tal como nos últimos anos, também não havia dúvidas de que o campeão do mundo seria um dos pilotos da Mercedes. A dúvida seria qual deles.

Um novo Campeão do Mundo

Apesar de Hamilton ter dominado Rosberg nos dois anos anteriores, este ano começou a verificar-se que seria possível haver uma mudança.

A época arrancou com Rosberg a ganhar 4 corridas seguidas, enquanto Hamilton enfrentava problemas. Hamilton voltou a recuperar a confiança e forma no Mónaco e a partir daí parecia que nada iria parar o inglês de chegar ao 4º título da carreira.

Quando parecia que tudo ia correr bem para o britânico, o grande vilão da F1 decidiu bater às portas do campeão do mundo, a fiabilidade.

(Foto: F1 Fanatic XBI Images)

Hamilton estava a voltar a dominar o seu colega de equipa, mas a fiabilidade do seu lado da garagem, mais uma subida de forma do alemão, tornaram a missão quase impossível.

Depois de uma categórica vitória no Japão, Rosberg sabia que o título não lhe iria fugir. Apesar de Hamilton ter vencido as 4 últimas corridas, Rosberg ficou sempre em 2º e garantiu o título de campeão do mundo.

Mas se para muitos a surpresa era Rosberg ter conseguido bater Hamilton, o verdadeiro choque ainda estava para vir. Rosberg, no dia em que foi coroado e premiado com a taça de campeão do mundo de F1 anuncia ao mundo que se ia retirar.

A notícia foi um choque para todos e a explicação bastante plausível. Rosberg explicou que durante toda a sua carreira lutou contra Hamilton, a quem definiu como “um dos melhores de sempre”, e sempre perdeu. Rosberg sabia que para finalmente conseguir bater Hamilton tinha de atingir o próximo nível, algo que conseguiu com “muito custo”.

Depois de atingir o seu sonho de criança, o de ser campeão mundial, Rosberg achou que já não tinha resistência mental para o fazer de novo. Uma vez que já cumpriu o seu sonho e não tinha capacidade de voltar a fazer os mesmos sacrifícios, o alemão decidiu terminar a carreira em grande.

(Foto: F1 Fanatic XBI Images)

A grande questão agora é: quem vai para ocupar o lugar do campeão do mundo e enfrentar Lewis Hamilton? Uma coisa é certa, candidatos não faltam!

Red Bull: quase lá, mas não chega

Não se pode falar da época de F1 de 2016 sem também se falar da Red Bull. Depois da desilusão que foi 2015 a Red Bull tornou-se na única equipa capaz de ameaçar a Mercedes.

A equipa austríaca ainda venceu 2 corridas, uma com Ricciardo, que fez uma época excelente, e com Max Verstappen, a nova estrela da F1. Ricciardo terminou o ano em 3º lugar, merecido, por toda a época que fez, com o destaque a ser o seu regresso às vitórias, no GP da Malásia.

Já Max Verstappen teve a sua ascensão meteórica, passando da Toro Rosso para a Red Bull no GP de Espanha, com resultado imediato: vitória de Verstappen! A aposta ganha de Helmut Marko foi uma enorme bofetada para quem criticou a ida de Kvyat para a Toro Rosso, despromovido em detrimento de Verstappen.

Verstappen ainda precisa de amadurecer e ganhar uma cabeça mais fria, mas a verdade é que o jovem piloto é dos talentos mais emocionantes da F1 e já bateu o recorde de ultrapassagens feitas numa única época.

(Foto: F1 Fanatic XBI Images)

Acabou a lua de mel de Vettel com a Ferrari

A desilusão da época foi a Ferrari. A Scuderia nunca foi capaz de lutar verdadeiramente com a Mercedes e viu-se ultrapassada pela Red Bull.

Vettel fez um excelente trabalho em manter a Ferrari competitiva, mas nunca conseguiu estar perto o suficiente para chegar ao 1º lugar do pódio. os problemas de fiabilidade foram alguns, mas o pior foi mesmo a falta de competitividade.

Espera-se mais um inverno de reflexão e muita pressão para os lados de Maranello.

(Foto: F1 Fanatic XBI Images)

McLaren Honda recupera, Alonso brilha

Depois de um desastroso ano de 2015 a McLaren melhorou imenso este ano, muito por causa das melhorias a olhos vistos da Honda. Os nipónicos conseguiram apresentar uma unidade motriz mais competitiva, que foi capaz de ajudar a McLaren a lutar por pontos.

Muitos desses pontos não vieram só da melhor prestação da McLaren-Honda, mas também das excelentes prestações de Fernando Alonso. O espanhol ainda persegue o sonho de chegar ao 3º título de campeão do mundo, mas enquanto não tem carro para tal, vai mostrando ao paddock o porquê de ele ser considerado por muitos o maior talento desta geração.

Um adeus a dois influentes pilotos da última década

Destaque ainda para a retirada dos veteranos Felipe Massa e Jenson Button. Ambos vão deixar a F1, depois de carreiras de sucesso, especialmente para o britânico, campeão do mundo em 2009 pela Brawn.

(Foto: F1 Fanatic XBI Images)

Mudanças à vista. O que esperar de 2017?

Não se pode fazer uma análise a 2016 sem falar das enormes mudanças que vêm em 2017. A F1 vai ter a maior mudança de regras desde 2009, com os carros a mudarem drasticamente.

A maior mudança vai ser a nível aerodinâmico, com carros mais agressivos, rápidos e apelativos. Uma das maiores mudanças é a nível dos pneus, que vão ser mais largos e proporcionar mais aderência e velocidade.

Também vai deixar de haver o sistema por tokens para mudanças nas unidades motriz. Esta mudança é para permitir que os construtores mais atrasados, Honda e Renault, consigam aproximar-se do nível competitivo das unidades motriz da Mercedes e da Ferrari.

Com a saída do campeão em título e mudanças radicais a níveis de aerodinâmica e pneus, espera-se uma época bastante emocionante em 2017.

Será que a Red Bull vai lutar de igual para igual com a Mercedes? Será que a Ferrari e a McLaren vão conseguir um salto suficiente para se intrometer na luta?

Muitas questões que apenas terão resposta quando a borracha voltar a queimar nas pistas mais rápidas do mundo.

Esperemos que o pelotão fique mais próximo e que estas mudanças tragam mais do que mais uma época de domínio absoluto da Mercedes, uma época com emoção e suspense até ao fim!

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António Pereira RibeiroDezembro 14, 201615min0

Os Seattle Sounders sagraram-se campeões pela primeira vez na sua história em mais uma edição da Major League Soccer que chegou ao fim. 2016 ficou também marcado pelo salto qualitativo protagonizado por grande parte dos emblemas canadianos, que chegaram a ter um representante na final. Sebastian Giovinco voltou a brilhar ao mais alto nível, os Whitecaps estrearam um jovem de 15 anos, e Landon Donovan regressou aos relvados norte-americanos, ainda que por tempo limitado. Seguem-se as principais narrativas da Major League Soccer em 2016.

LODEIRO E SCHMETZER, MILAGREIROS DE SEATTLE

No dia 24 de Julho, uma derrota por 3-0 frente ao Sporting KC colocava os Sounders no nono e penúltimo lugar da Conferência Oeste, a dez pontos e três adversários de um lugar de acesso aos Playoffs. Face a este infeliz cenário, a direcção do clube optou por dispensar o técnico ‘Sigi’ Schmid, a meio da sua oitava temporada consecutiva em Seattle. Um longo reinado pontuado por qualificações ininterruptas para os Playoffs, e ao mesmo tempo, por constantes desilusões na fase a eliminar. O treinador interino assumiu provisoriamente o cargo, e dias depois chegava o internacional uruguaio Nicolás Lodeiro. Os Sounders nunca mais foram os mesmos.

XI dos Sounders na final

Dos 14 jogos que restavam, venceram oito e apenas perderam dois, terminando a Fase Regular na quarta posição. A influência de Lodeiro tornou-se inequívoca, com quatro golos marcados e oito assistências realizadas. Pelo meio, Clint Dempsey abandonou os relvados indefinidamente devido a problemas cardíacos, e o novo técnico teve o mérito de encaixar de forma perfeita as peças que tinha à sua disposição através de um engenhoso 4x2x3x1. Já nos Playoffs, eliminaram Sporting KC, FC Dallas e Rapids no caminho rumo à final, beneficiando novamente do papel de Lodeiro, que apontou mais quatro tentos na fase decisiva na época. Disputaram o título no terreno do adversário, em Toronto, onde conseguiram levantar o troféu sem fazer nenhum remate enquadrado com a baliza. Levaram a decisão para as grandes penalidades, e aí levaram a melhor. O central panamiano Róman Torres foi o responsável por converter o derradeiro penalti.

Brian Schmetzer, ex-interino, conseguiu recuperar animicamente uma equipa perdida na classificação, e soube utilizar o talismã Lodeiro a favor do colectivo. Entre os jogadores campeões, para além do médio uruguaio, destaque obrigatório para Jordan Morris e Osvaldo Alonso. O jovem norte-americano esteve à altura das expectativas, quer na ala, quer na frente de ataque, e mereceu o reconhecimento de Rookie do Ano, ao passo que o trinco Alonso protagonizou uma das suas melhores épocas na MLS, e por isso integra o Onze do Ano do Fair Play. Nota final para a média de espectadores dos Sounders, superior a 42 mil adeptos por encontro.

A AFIRMAÇÃO DO FUTEBOL CANADIANO

Já tínhamos assistido a alguns sinais. A final da Liga dos Campeões alcançada pelo Montreal Impact em 2014/15, algo que os clubes norte-americanos não conseguem desde 2010/11, ou então os dois jogadores canadianos que foram eleitos de forma consecutiva Rookies do Ano da MLS (Tesho Akindele em 2014 e Cyle Larin em 2015). Até que chegámos a 2016 com dois semifinalistas canadianos, realidade demonstrativa da evolução qualitativa dos emblemas deste país.

Comecemos pelo Toronto FC, finalista vencido da prova. Os comandados de Greg Vanney viraram desde logo favoritos a partir do momento em que decidiram finalmente investir racionalmente no seu plantel. Reforçaram o sector mais recuado com Drew Moor e Steven Beitashour, e contrataram o guarda-redes Clint Irwin. Três movimentações determinantes para a saúde da manobra defensiva, tão sofrível nas épocas anteriores. Trouxeram Tosaint Ricketts como alternativa à dupla atacante Giovinco-Altidore, e em Agosto ainda chegou Armando Cooper, médio panamiano de valores firmados. Um plantel equilibrado que tinha tudo para ser bem-sucedido.

Assim foi. Toronto FC sagrou-se a quinta melhor equipa da Fase Regular, e obteve os primeiros triunfos da sua história em Playoffs. Derrubou Union, New York City FC (7-0 no agregado) e Impact. Contudo, após 17 golos marcados em cinco jogos a eliminar, o emblema canadiano viu-se incapaz de colocar a bola no fundo das redes durante os 120 minutos da grande final. A nível individual, temos de salientar mais uma temporada extraordinária de Sebastian Giovinco, incompreensivelmente ignorada, tanto pelo seleccionador italiano, como pelos especialistas norte-americanos que decidiram ignorá-lo na atribuição do prémio de Jogador Mais Valioso da temporada. Ao que parece, 21 golos e 19 assistências não são sequer suficientes para figurar no pódio individual oficial. Ora aqui no Fair Play, Giovinco foi o melhor de 2016.

Outro jogador que esteve entre os melhores foi o argentino Ignacio Piatti, dos Montreal Impact. Carregou às costas o peso de uma equipa irregular nas exibições e nos resultados (21 golos e 8 assistências), mas sobretudo indecisa quanto ao papel de Didier Drogba. O ano goleador de 2015 terá sido o “canto do cisne” para o avançado de 38 anos, cujo contributo se desvaneceu nos relvados na presente época. Esta transição de titular indiscutível para suplente revelou-se problemática para Drogba, que chegou inclusive a recusar viajar com os colegas quando soube que iria sentar-se no banco. De forma involuntária, abriu as portas ao italiano Matteo Mancosu, cujos golos se revestiram de um carácter determinante na recta final da época.

Contrariamente aos restantes, o terceiro clube canadiano em prova apresentou-se como uma das grandes desilusões do campeonato. Os Whitecaps pareciam, à entrada para o novo ano, candidatos a replicar ou mesmo a superar a boa prestação obtida em 2015. No entanto, a habitual consistência defensiva desapareceu, e a demanda por um verdadeiro homem-golo ficou por solucionar. Masato Kudo e Blas Pérez seriam as grandes esperanças na frente de ataque, mas os problemas físicos sucederam-se ao longo do ano. Até o jovem promissor Kekuta Manneh sofreu com as lesões, condicionando fortemente as opções ofensivas dos Whitecaps. Insucessos à parte, 2016 fica marcado pela estreia de uma versão canadiana de Freddy Adu. Chama-se Alphonso Davies, e estreou-se na MLS com 15 anos, tornando-se no segundo jogador mais jovem a pisar os relvados norte-americanos. Para que não restem dúvidas relativamente ao seu potencial, Davies totalizou oito partidas na MLS, e já marcou na Liga dos Campeões CONCACAF contra o Sporting KC, garantindo o apuramento dos Whitecaps para os quartos-de-final do torneio. Veremos o que fará com 16 anos.

RAPIDS: DE ANTEPENÚLTIMOS A SEMIFINALISTAS

Em Colorado assistimos a um dos saltos classificativos mais espectaculares da história da competição. Antepenúltimos em 2014 e 2015, os Rapids viraram a tabela do avesso, terminando a Fase Regular na segunda posição, com a mesmíssima equipa técnica. Pablo Mastroeni soube identificar as debilidades do seu conjunto, e construiu a partir daí. A contratação de figuras de peso internacional, tais como Tim Howard, Jermaine Jones e Shkelzen Gashi veio fortalecer substancialmente um grupo sem confiança.

Invencíveis no seu terreno até à segunda mão da meia-final dos Playoffs, os Rapids fecharam o ano com a defesa menos batida do campeonato (32 golos sofridos). O processo defensivo eficiente liderado no eixo pelo imperial Alex Sjöberg e acompanhado do robusto tridente de centro-campistas, revelavam-se sempre obstáculos difíceis para os adversários. Porém, a qualidade que sobejou atrás, faltou na frente. O registo obtido de 39 golos marcados foi o segundo pior da MLS. As lesões de Jones e de Marco Pappa trouxeram a lume a falta de segundas linhas para as posições mais adiantadas, e Gashi não pôde, compreensivelmente, apagar todos os fogos. Aliás, a caminhada dos Playoffs esbarrou precisamente nessa falta de dinâmica ofensiva.

ÓSCAR PAREJA E OUTROS BONS EXEMPLOS

A eleger o melhor treinador do ano, a escolha recairia no colombiano que orienta o FC Dallas, Óscar Pareja. No clube desde 2014, o técnico tem vindo a superar progressivamente a sua classificação na Fase Regular, sinal demonstrativo do crescente poderio dos texanos (sexto em 2014, segundo em 2015 e primeiro em 2016). Esta evolução deve-se sobretudo ao constante aperfeiçoamento do plantel que tem à sua disposição. Pareja reuniu em 2016 um dos plantéis mais fortes, senão o mais forte de todos os concorrentes. Foi por isso que conseguiu triunfar na Fase Regular, vencer a Taça dos EUA, apurar-se para os quartos-de-final da Liga dos Campeões CONCACAF, e manter um nível competitivo elevado durante os Playoffs, mesmo quando já não podia contar com os seus dois melhores jogadores: Fabian Castillo, emprestado em Agosto ao Trabzonspor, e Mauro Díaz, vítima de uma lesão que o afastou da fase decisiva da temporada. Também fez emergir o talento do jovem Walker Zimmerman, Defesa do Ano para o Fair Play, que terá decerto a sua chance na selecção dos Estados Unidos.

Outro bom exemplo de liderança é Ben Olsen, técnico do DC United, que continua a fazer milagres com um plantel composto sobretudo por figuras subvalorizadas. Taylor Kemp, por exemplo, é um dos melhores laterais norte-americanos, completamente desprezado pelo ex-seleccionador Klinsmann. Patrick Mullins, o suplente com a melhor média de golos por minuto em todos os clubes por onde passou, recebeu finalmente a oportunidade de ser titular, e não desiludiu. Lamar Neagle, Patrick Nyarko, Luciano Acosta, são outros jogadores que muitos colocam numa categoria secundária. Olsen tem o condão de criar um colectivo forte, sem vedetas e com uma capacidade de sacrifício notável. Cumpriu pelo terceiro ano consecutivo o objectivo de alcançar os Playoffs, e fê-lo sem grande aparato.

Peter Vermes, do Sporting KC, merece igualmente elogios. Sobreviveu à dura Conferência Oeste com uma verdadeira manta de retalhos, que encurtava constantemente ao longo do ano devido a sucessivas lesões e compromissos internacionais. No próximo ano, terá certamente o cuidado de aumentar substancialmente as opções, para que não seja surpreendido por novas infelicidades. Potenciou os jovens laterais Saad Abdul-Sallaam e Jimmy Medranda, numa época marcada pelas excelentes exibições de Benny Feilhaber e Dom Dwyer, avançado já analisado em detalhe pelo Fair Play.

O REGRESSO DE UMA LENDA NORTE-AMERICANA

Apesar dos habituais rumores incansáveis sobre possíveis reforços da MLS em alturas de mercado de transferências, a hipótese Landon Donovan nunca passou pela cabeça de ninguém. O melhor jogador norte-americano de todos os tempos havia anunciado a sua retirada no final de 2014, e tudo indicava que seria em definitivo. No entanto, ainda restava espaço para uma última aparição nos relvados. Corria o mês de Agosto quando Jelle van Damme, Steven Gerrard e Gyasi Zardes sofreram lesões graves quase em simultâneo. Para piorar a situação, Nigel de Jong rumou ao Galatasaray. O plantel dos Galaxy encontrava-se seriamente enfraquecido, com a presença nos Playoffs ainda por garantir. É aí que Donovan, aos 34 anos, decide voltar, numa missão pontual de salvar a equipa. 362 minutos, um golo, e muita mística à mistura. Os californianos acabaram eliminados nas grandes penalidades dos quartos-de-final, às mãos dos Rapids, mas o carácter épico deste regresso permanecerá para sempre na história da MLS.

AS PRINCIPAIS DESILUSÕES

Quando falamos de equipas que desapontaram este ano, torna-se inevitável referirmos os Timbers e os Crew SC. Os finalistas de 2015 falharam o acesso aos Playoffs, realidade esmiuçada previamente pelo Fair Play. Reconstrução deficitária do plantel, problemas no balneário ou a inexistência de segundas linhas fortes, foram alguns dos motivos apontados para justificar este fracasso competitivo dos dois emblemas.

Igualmente decepcionante revelou-se a prestação dos Revolution. Substituir Jermaine Jones por Xavier Kouassi à beira do arranque do campeonato foi um dos sinais do apocalipse. O médio costa-marfinense viu-se impedido de actuar durante toda a temporada devido a uma lesão grave. Do meio-campo para trás, o cenário era mais preocupante. À falta de um guarda-redes de categoria aliaram-se exibições comprometedoras de London Woodberry, e até mesmo do central português José Gonçalves. O que parecia ser um conjunto consistente, acabou por soar a acomodado, sem faísca para se reinventar.

A título individual, a desilusão do ano vai para Antonio Nocerino. Em queda livre desde a sua saída do Milan, a carreira do médio italiano bateu ainda mais fundo em 2016. Participou num total 21 partidas pelo Orlando City SC, com a sua influência a roçar o zero. O estatuto do jogador abrirá certamente espaço a uma nova oportunidade em 2017, que não se poderá dar ao luxo de desperdiçar.

AS ESTREIAS DISTINTAS DE VIEIRA E PAUNOVIC

A dupla de treinadores europeus que experimentou a MLS pela primeira vez terminou em extremos opostos na Conferência Este. Vieira fixou o New York City FC na segunda posição (quarta na classificação global), ao passo que Paunovic e os Fire ocuparam o último lugar da tabela.

No caso do treinador francês, é difícil fazer um balanço, tendo em conta os altos e baixos do ano, e a constante variância dos sistemas tácticos apresentados. Conseguiu apurar pela primeira vez os nova-iorquinos para os Playoffs, mas caíram com estrondo diante de Toronto FC, num resultado agregado de 0-7 (0-5) em casa. Marcaram mais golos do que qualquer outra equipa na Fase Regular (67), mas só três clubes sofreram mais do que os 57 golos consentidos. Venceram finalmente os Red Bulls em Julho, mas foram atropelados em Maio pelos rivais, no Yankee Stadium, por 0-7. Para desempatar a favor do Vieira, destacamos ano fantástico de David Villa, que chegou aos 23 golos.

Depois de ter conduzido a selecção sérvia à conquista do Campeonato do Mundo Sub-20, esperava-se que Veljko Paunovic pudesse inverter a onda negativa dos Fire. Começou logo mal, ao dispensar Harry Shipp, um dos jovens promissores do clube, e o mais adorado pelos adeptos. Ter-lhe-á feito falta, certamente. Ao longo do ano fomos percebendo que Paunovic utilizou 2016 para preparar 2017, como se de um grande torneio de pré-época se tratasse. Preocupou-se inicialmente em encontrar as unidades defensivas mais fiáveis, e no Verão, trouxe uma verdadeira armada ofensiva que aumentou substancialmente o poder de fogo dos Fire, passo a redundância. Michael de Leeuw, que marcou sete golos em pouco mais de meia época, David Arshakyan e Luis Solignac. Ficam a faltar as mexidas do mercado de Inverno e os acertos da pré-época, para que Paunovic tenha finalmente a equipa à sua imagem

DESTAQUES INDIVIDUAIS EM COLECTIVOS INSUFICIENTES

É mais inglório ser o herói de uma equipa derrotada, e por isso decidimos honrar algumas das figuras que fizeram tudo para contrariar o desfecho infeliz dos emblemas que representam, e que ao mesmo tempo não cabem nas estórias acima citadas. Em Orlando City SC, por exemplo, Cyle Larin e Kevin Molino lutaram sozinhos contra o mundo (e também contra Antonio Nocerino). É fácil eleger o avançado canadiano como o Jogador Jovem do Ano, após uma época de 14 golos apontados no meio de um grupo disfuncional. E o que dizer de Molino? O extremo tobaguenho foi inúmeras vezes responsável por devolver a esperança aos adeptos, mesmo nos jogos menos favoráveis. Onze golos e oito assistências mereciam outra sorte.

Nos Red Bulls, apesar da qualificação exemplar para os Playoffs, a eliminação precoce foi extremamente desapontante, tendo em conta o futebol positivo promovido pelo técnico Jesse Marsch. A história diz-nos que os Playoffs não querem nada com os Red Bulls, e 2016 foi mais um capítulo nesse sentido. Ficam as memórias das temporadas estupendas de Luis Robles (Guarda-redes do Ano para o Fair Play), Sacha Kljestan (melhor assistente) e de Bradley Wright-Phillips (melhor marcador). Kljestan fechou o ano com 20 (!) passes para golo, e o avançado inglês com 25 (!) remates certeiros.

DISTINÇÕES FAIR PLAY

XI do Ano para o Fair Play

Jogador do Ano – Sebastian Giovinco (Toronto FC)

Guarda-redes do Ano – Luis Robles (New York Red Bulls)

Defesa do Ano – Walker Zimmerman (FC Dallas)

Rookie do Ano – Jordan Morris (Seattle Sounders FC)

Treinador do Ano – Óscar Pareja (FC Dallas)

Jovem Jogador do Ano – Cyle Larin (Orlando City SC)

Jogador Confirmação – Alex Sjöberg (Colorado Rapids)

Jogador Revelação – Ola Kamara (Columbus Crew SC)

Jogador Desilusão – Antonio Nocerino (Orlando City SC)

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