17 Fev, 2018

Volta a Portugal 2017 – Hugo Sabido: “ainda sinto uma mistura de sentimentos relativos ao fim da minha carreira”

Davide NevesJulho 30, 20179min0

Volta a Portugal 2017 – Hugo Sabido: “ainda sinto uma mistura de sentimentos relativos ao fim da minha carreira”

Davide NevesJulho 30, 20179min0

Hugo Sabido é um nome bem conhecido dos adeptos do ciclismo nacional. O português, de 37 anos, correu grande parte da sua carreira em Portugal, tendo finalizado a sua carreira no fim do ano passado. Esta entrevista continua a mini-série de antevisão á Volta a Portugal 2017, depois da entrevista ao seu irmão, Nuno.

fpHugo, numa primeira instância gostaria de agradecer, em nome de toda a equipa do Fair Play, por ter aceitado o nosso convite com enorme prontidão e simpatia. A primeira pergunta passa por algo muito simples: ainda guarda mágoa por ter encerrado a carreira de forma tão abrupta?

HS: Eu é que agradeço a entrevista pois é, para mim, um prazer responder às questões que me colocam. Relativamente à questão, sim, ainda sinto uma mistura de sentimentos relativos ao fim da minha carreira desportiva. Mágoa, revolta e saudosismo são sentimentos em constante movimento na minha cabeça.

fpO FC Porto e o Sporting regressaram no ano passado ao ciclismo, depois de terem estado de fora durante vários anos. Existem rumores que o SL Benfica poderá regressar também. Acha que os seus regressos contribuíram para elevar a modalidade?

HS: Foi importante pelo impacto mediático que tem na comunicação social e consequentemente no público em geral. Desta forma e com a vinda para o ciclismo de clubes ligados ao futebol, adeptos que não seguiam o ciclismo, despertam para esse interesse. 

fpQual é a principal razão para o sucesso da W52-FC Porto?

HS: A principal razão é o facto de ter uma estrutura montada deste o tempo da equipa OFM-Quinta da Lixa. Portanto, é já uma estrutura com muita experiência e ao longo destes últimos anos, sem grandes mexidas no plantel. 

fp: Consegue escolher qual foi o seu melhor ano?

HS: No aspecto desportivo, destaco o ano de 2004, onde terminei em 2º lugar da geral individual na Volta à Polónia, com a conquista da etapa rainha; 2005, no qual venci a Volta ao Algarve e a etapa rainha com chegada ao Alto do Malhão; 2011, onde venci o prólogo da Volta a Portugal em Fafe e 2012, quando concluí a Volta a Portugal na 2ª posição da geral individual, atrás do recordista de vitórias na Volta. 

No aspecto de realização profissional, a minha passagem pela Team Barloworld, entre os anos de 2006 e 2008, foram muito enriquecedores, dos quais adquiri muita experiência internacional. 

Hugo Sabido de amarela, na Volta a Portugal 2012.
(Fonte: Temporada Caldas Novas)

 

fp: E qual foi a melhor vitória da carreira?

HS: A 1ª vitória como profissional, é sempre especial e a chegada a Águeda, no GP Abimota de 2002, foi especial, no entanto coloco-a em pé de igualdade com a vitória final da Volta ao Algarve de 2005 e do Prólogo da Volta a Portugal de 2011

fpAinda se sente em forma para um possível regresso ao ciclismo?

HS: Não, nada disso. O capitulo competitivo está encerrado. Gostava sim, um dia mais tarde, gerir uma equipa de ciclismo profissional e assim, voltar a sentir o “bichinho” da competição. 

fp: Qual foi o país onde mais gostou/gosta de correr?

HS: Destaco Austrália e África do Sul, pelas paisagens e cultura, mas Portugal não fica nada atrás e mesmo correndo numa equipa estrangeira, estava sempre desejoso de competir no meu país. 

fp: A Volta a Portugal é uma prova que, para nós, portugueses, tem grande importância, mas que, no entanto, não consegue atrair grandes equipas World Tour a participar. Qual é, na sua opinião, o grande problema?

HS: A Volta a Portugal, surge no calendário internacional, numa altura do ano, onde já existe muita carga competitiva para as melhores equipas do mundo e existindo competições mais próximas da base de operações, sem a necessidade de deslocar muita da estrutura que acompanha uma equipa de ciclismo do WorldTour, estas preferem estar mais próximo do centro europeu, sem se deslocarem para o país mais a Oeste da União Europeia. 

fp: Proponho um desafio, então. Gostaria de saber, para si, quem foram os cinco melhores ciclistas que viu a atuar em Portugal, na Volta. 

HS: Damiano Cunego, Alessandro Petachi, Cândido Barbosa, David Blanco e Luis Leon Sanchéz. 

fpQuem parte com favoritismo para esta edição?

HS: Prefiro destacar a equipa W52-FC Porto, como um todo e não individualizar. Valem-se pelo colectivo forte. 

fpPortugal apresenta um contingente elevado de ciclistas no escalão máximo do ciclismo, com o Rui Costa, o José Mendes, o Nélson Oliveira, o Tiago Machado, o José Gonçalves, o André Cardoso, o Rúben Guerreiro, entre outros. Acha que Portugal pode voltar a sonhar com nova vitória lusa numa prova World Tour?

HS: Claro que sim. Temos atletas de muita qualidade. Aliás, sempre tivemos, mas agora, felizmente e finalmente, já começamos a ter mais atletas no maior escalão do ciclismo internacional. 

fpA nível sub-23 também há enorme talento, com os irmãos Ivo e Rui Oliveira, o Rúben Guerreiro ou o João Almeida, que têm ganho algumas provas lá fora. Existe potencial para ambicionar, com a geração atual e com as próximas que começam a despontar, com novo campeão mundial, depois do Rui Costa?

HS: Podemos sempre sonhar e acreditar que será possível alcançar o feito do Rui Costa, no mundial de Florença, mas terão ainda de trabalhar e aprender muito. No entanto, não descarto tal feito, pois existe muita qualidade. 

fpComo viveu a vitória do Rui Costa em Florença, em 2013?

HS: Esse dia foi histórico para o desporto português, com a vitória também do tenista João Sousa num torneio ATP…

Estava a ver em directo na TV e estava a delirar com a aproximação à meta do Rui. Foi um momento fantástico e resultou de uma corrida muito táctica e inteligente por parte do Rui. 

fpEm jeito de curiosidade, qual é, para si, o melhor ciclista de sempre? E o melhor português?

HS: Embora não tenha sido do meu tempo, destaco o Eddy Merckx como o melhor de sempre, no entanto, para mim, Miguel Indurain e Lance Armstrong foram ídolos dos meus últimos anos de Sub-23 e primeiros como Profissional. 

Quanto ao melhor ciclista de sempre, Português, para mim, Rui Costa. 

fpQual é a sua opinião relativamente à ideia de incluir Portugal na Volta a Espanha, num futuro próximo? Não digo que seja completamente anexada, mas não daria maior visibilidade ao nosso país?

HS: Pode acontecer, tal como já aconteceu anteriormente. É uma questão financeira, pela qual a organização da Volta a Espanha possa optar por incluir uma ou mais etapas a passar por território nacional. 

fpNum nível mais pessoal, como é a vida de ciclista? Muitas viagens, muito treino, pouco tempo em casa. Acredito que seja duro…

HS: É um dos desportos mais difíceis, a nível físico e consequentemente, mais rigoroso em termos alimentares e de descanso. 

Para obter a melhor performance, o atleta tem de se focar no treino, no descanso e na nutrição.

fpPor fim, e fazendo jus ao nome do Website, acha que existe Fair Play no ciclismo?

HS: De um modo geral, sim, existe. É algo que está intrínseco ao atleta profissional, mas claro, existem exceções, pois em detrimento de alcançar resultados, alguns atletas esquecem esse Fair Play. 


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