14 Dez, 2017

Mola salta para a liderança

João BastosMaio 14, 20176min0

Mola salta para a liderança

João BastosMaio 14, 20176min0

A terceira etapa do Mundial de Triatlo disputou-se no Japão, na cidade de Yokohama e viu o espanhol Mario Mola ascender ao comando do campeonato, liderando um pódio 100% espanhol

Yokohama foi a cidade sede da terceira etapa do Mundial de Triatlo. Depois das etapas de Abu Dhabi e de Gold Coast, Andrea Hewitt chegava ao Japão com uma liderança confortável, motivada pelas duas vitórias nas duas etapas anteriores. Javier Gomez partia como líder masculino, mas menos folgado que Hewitt.

A etapa nipónica viu estrear-se no circuito deste ano dois fortes candidatos à vitória final: a actual campeã do mundo Flora Duffy e o actual vice-campeão do mundo Jonathan Brownlee. A triatleta das Bermudas e o britânico tiveram sortes diferentes.

As cores portuguesas foram defendidas por João Silva e Miguel Arraiolos.

Foto: Delly Carr

Duffy demolidora

Regressada de lesão, Flora Duffy não podia ter um melhor regresso no início da defesa do seu título. Numa prova decorrida à chuva, a sua maior capacidade no segmento de ciclismo foi decisiva.

Um duo de britânicas (Jessica Learmonth e Lucy Hall) abriu as hostilidades desde o início, liderando todo o segmento de natação, imprimindo um ritmo forte, como prova o facto da habitual líder deste segmento, a espanhola Carolina Routier, apenas ter saído no 13º lugar da água.

Flora Duffy posicionou-se muito bem, ao contrário de Hewitt que perdeu logo 1 minuto só na natação. Katie Zaferes (EUA) não perdeu tanto tempo como Hewitt, mas os 40 segundos de desvantagem para as da frente poderiam ser preponderantes, tendo em conta o que previsivelmente iria acontecer no ciclismo.

E assim aconteceu. Flora Duffy não perdeu tempo e partiu o pequeno pelotão que se tinha formado no início do segundo segmento. Apenas uma terceira britânica, Sophie Coldwell, conseguiu seguir com a campeã.

Atrás seguia um grupo de 10 triatletas, onde estava Zaferes, Hall e Learmonth, mas não estava Hewitt.

Quando Duffy e Coldwell começaram a correr, já tinham 1:21 minuto sobre Zaferes, mas nem por isso a bermuda facilitou. Coldwell – que no passado dia 1 de Abril venceu a Taça da Europa, em Quarteira – cumpria a sua primeira prova no mundial no escalão de elite e na distância olímpica e pagou pela inexperiência, deixando logo Flora Duffy isolada na dianteira da prova.

Duffy impressionou também na corrida e acabou a prova com uma vantagem de quase dois minutos sobre a segunda classificada, que acabou por ser mesmo Katie Zaferes. A fechar o pódio ficou outra americana, Kirsten Kasper, que mesmo sofrendo uma queda na entrada da área de transição para a corrida, conseguiu chegar ao pódio.

Foto: Facebook Flora Duffy

Sophie Coldwell acabou por ficar com o amargo 4º lugar, mas foi a rookie, de apenas 22 anos, que fez a melhor classificação da equipa britânica que trazia nomes consagrados como Vicky Holland (5ª), Non Stanford (7ª) e Lucy Hall (11ª).

Hewitt foi apenas 23ª classificada, o que fez com que perdesse a liderança do mundial. Zaferes passou para o primeiro lugar do circuito, resultado da sua consistência ao longo das etapas – 7ª em Abu Dhabi, 4ª em Gold Coast e 2ª em Yokohama.

Kasper, para além do pódio na etapa, também ascendeu ao pódio na classificação geral do circuito.

Fonte: Triathlon.org

2ª seguida para Mario Mola

Depois de um mau arranque em Abu Dhabi, onde foi apenas 8º classificado, o espanhol Mario Mola está definitivamente de volta à forma que evidenciou no ano passado, nesta fase do circuito, e que se revelou decisiva para o seu título.

A etapa de Yokohama trazia para o circuito mais um forte candidato ao título mundial, o britânico vice-campeão mundial e olímpico, Jonathan Brownlee, que se tinha lesionado pouco tempo antes da primeira etapa do mundial.

O mais novo dos irmãos Brownlee não tem sido bafejado pela sorte e nesta sua primeira etapa da época ficou arredado da luta devido a uma queda de um triatleta que seguia à sua frente no ciclismo e que também levou Brownlee ao chão.

Jonathan até pareceu vir com vontade de afrontar a invencível (este ano) armada espanhola e saiu da natação no primeiro lugar. Não cravou grandes diferenças mas permitiu-lhe fazer uma transição menos atribulada para o ciclismo, já antevendo os problemas que a chuva iria causar no início do segmento.

O grupo seguiu compacto, com cerca de 30 triatletas onde seguiam todos os favoritos – Mola, Gomez, Alarza, Brownlee e Schoeman – e não houve grande história até à queda de Jonny, mesmo antes da 2ª transição. O britânico não desistiu e correu com a bicicleta até ao parque de transição, mas já estava completamente fora da discussão da prova.

No segmento de corrida, foi o sul-africano Henri Schoeman que assumiu as despesas do ataque aos espanhóis, liderando o pelotão. Conseguiu vitimar Javier Gomez, mas Mola não estava pelos ajustes e foi embora, cortando a meta no primeiro lugar com 8 segundos de vantagem para o segundo lugar, discutido entre Alarza, Blummenfelt e Schoeman. A ordem na chegada foi precisamente essa, penalizando o sul africano que ficou fora do pódio, depois de ter sido o que mais fez por deixar para trás os espanhóis.

No ranking mundial, Mario Mola tirou o compatriota Javier Gomez do primeiro lugar, baixando este para terceiro e subindo Fernando Alarza para o segundo posto, num top-3 exclusivamente espanhol.

Fonte: Triathlon.org

Relativamente aos portugueses, Miguel Arraiolos fez os primeiros pontos para o ranking mundial, terminando no 36º lugar, conseguido depois de um segmento de corrida de bom nível. João Silva não se qualificou por ter sido dobrado no ciclismo.

A próxima etapa disputar-se-á em Leeds, a 10 e 11 de Junho e está a gerar muitas expectativas aos adeptos portugueses por poder ser a prova de regresso de Vanessa Fernandes, que simbolicamente pode regressar aos palcos internacionais no dia de Portugal.


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