21 Fev, 2018

Javier Gomez relança Mundial

João BastosAgosto 7, 20177min0

Javier Gomez relança Mundial

João BastosAgosto 7, 20177min0
Javier Gomez conseguiu, com a sua vitória em Montreal, colocar alguma pressão sobre Mario Mola. Já no mundial feminino, ninguém segura Flora Duffy

O Mundial de Triatlo está na sua fase mais decisiva, agora que os principais candidatos já disputaram 5 ou mais provas. Do lado feminino já só uma hecatombe tirará do bi-campeonato a Flora Duffy, mas do lado masculino Mario Mola já esteve mais folgado.


A 5 e 6 de Agosto disputou-se a etapa de Montreal do Mundial de Triatlo, a antepenúltima antes da grande final em Roterdão. No sector masculino alguns atletas que tenham tido um mundial mais regular até agora, aproveitaram para fazer poupanças, uma vez que a etapa de Edmonton foi apenas há uma semana e ainda este mês haverá a etapa de Estocolmo. Daí que Mario Mola fosse um dos triatletas que não figurou nos primeiros lugares da tabela.

Gomez encurta distâncias

O percurso do segmento de natação de 1500 metros era composto por duas voltas a um circuito, o qual os triatletas tinham de sair e voltar a entrar na água, revelando-se por isso, e pelo ritmo imposto (como sempre) por Richard Varga, um percurso bastante selectivo que alongou bastante o pelotão de 52 atletas.

O ritmo da natação levou à formação de um grupo de quatro triatletas no ciclismo, onde seguiam Richard Varga, Jonathan Brownlee, Seth Rider e ainda o australiano Aaron Royle.

A persegui-los vinha um grupo de três unidades, composto por Javier Gomez, Ben Kanute e Kristian Blummenfelt, por sinal, três excelentes ciclistas.

Quem pagou a má colocação à saída da natação foram outros candidatos à vitória como Mario Mola, Richard Murray, João Pereira (que nem esteve mal na natação), Fernando Alarza e Jacob Birtwhistle (penúltimo a sair da água).

À excepção de Fernando Alarza, que passou completamente ao lado da prova, todos os outros conseguiram seguir num pelotão numeroso e acalentavam esperanças de alcançar os fugitivos e deixar as decisões para a corrida.

Mas nem a vantagem numérica, o ritmo elevado e a alternância da frente do grupo conseguiu reduzir diferenças para a frente. Antes pelo contrário. Cedo na prova houve a junção do grupo de Brownlee com o grupo de Gomez e a qualidade dos sete da frente em cima da bicicleta ainda permitiu cavar maiores distâncias para quem vinha atrás.

Johnny Brownlee assumiu as despesas nesse segmento, sabendo que levaria consigo um forte opositor para a corrida, o espanhol Javier Gomez que, depois da colagem aos quatro da frente, resguardou-se o mais que pôde e até à última volta onde foi o primeiro a transitar para a corrida.

Foto: Wagner Araújo

A partir daí já se previa uma disputa entre Gomez e o mais novo dos Brownlee mas tiveram uma companhia inesperada, o norueguês Blummenfelt.

Gomez apenas apreciou a companhia dos dois rivais durante uma volta e a partir daí impôs o seu ritmo que foi impossível de seguir para o britânico e para o norueguês. Mas mais uma vez, e de forma surpreendente, quem reagiu melhor ao ataque de Gomez foi Blummenfelt, que aproveitou para deixar um Jonathan Brownlee em quebra para trás.

A quebra do britânico foi de tal forma acentuada que perdeu o lugar que parecia já garantido no pódio. Como já é habitual, Richard Murray foi o triatleta mais rápido na corrida e ainda foi buscar o bronze. Javier Gomez foi o segundo mais rápido na corrida para conquistar a sua 14ª etapa de um mundial da carreira e os 800 pontos para o circuito, e o norueguês Kristian Blummenfelt aos 23 anos conseguiu o seu segundo pódio da temporada (e terceiro da carreira) numa etapa do mundial.

Foto: Wagner Araújo

Mola desligou completamente na corrida e ficou com o 14º lugar. João Pereira ainda correu mais desligado e terminou no 38º lugar. Miguel Arraiolos foi dobrado no ciclismo e não pôde concluir a prova.

Nas contas do circuito, Mario Mola continua com o primeiro lugar bem seguro, mas viu Javier Gomez aproximar-se. Fernando Alarza que seguia em segundo e completava um pódio 100% espanhol, perdeu duas posições e segue a 25 pontos de Richard Murray.

Mola ainda se deve preocupar com Jonathan que, apesar de estar apenas no 7º lugar, ainda pode somar as pontuações nas duas etapas que faltam (um máximo de 2000 pontos) enquanto Mola já só pode somar mais 736 pontos no máximo (que corresponde ao pleno de vitórias, por isso ainda o título está na sua mão).

Foto: Triathlon.org

Para Duffy só falta levantar a Taça

Na prova feminina foi a primeira vez que Flora Duffy não venceu, mas ainda assim poderá ter sido a etapa mais decisiva na caminhada para o seu segundo título consecutivo. Depois de ter assumido a liderança do mundial na etapa de Edmonton, Duffy conta agora com uma margem de mais de 600 pontos.

Em relação à prova, Duffy vinha tentar algo inédito: vencer 5 etapas consecutivas. Tinha como grande adversária a única triatleta que já venceu este ano, para além de si, Andrea Hewitt. As americanas Katie Zaferes e Kirsten Kasper também estavam presentes, assim como a segunda classificada na etapa de Edmonton, a jovem Taylor Knibb.

Zaferes vinha decidida a não deixar Duffy ganhar novamente e decidir irremediavelmente o mundial e desde o primeiro metro na natação foi para a frente, ganhando uma pequena vantagem. O problema para a americana é que a sua estratégia deveria passar por ser seguida por um grupo de 5/6 triatletas, onde não seguiria Duffy, para depois tentar sujeitar a atleta das Bermudas a um esforço adicional no seu território: o ciclismo.

A táctica não resultou e apesar de Zaferes seguir sozinha da água, as restantes 30 triatletas saíram quase todas em pelotão compacto, o que fez com que a americana tivesse de se resignar a seguir no grupo principal no ciclismo.

A situação não agradava a Zaferes, mas também não agradava a Duffy que num grupo tão compacto também não conseguiu atacar e seguir sozinha, sentenciando a prova no segmento da corrida, como ela tanto gosta.

A situação de resolver tudo nos 10 km finais começava a agradar a triatletas como Andrea Hewitt ou Ashleigh Gentle, as duas que vieram logo para a frente, aproveitando uma transição muito lenta de Flora Duffy.

Gentle não demorou a deixar a concorrência para trás, deferindo um ataque muito forte ainda antes de Duffy chegar ao grupo da frente.

A australiana acabou por ganhar com facilidade e subir ao segundo lugar do Mundial. Flora Duffy, mesmo numa prova que não lhe correu de feição, acabou por ficar no segundo lugar, relegando Andrea Hewitt para a terceira posição.

Foto: Wagner Araújo

Zaferes pagou o esforço inicial e terminou na nona posição. A portuguesa Melanie Santos alinhou à partida mas foi forçada a abandonar já no segmento de corrida.

Nas contas do Mundial, o título pode ficar já decidido na próxima etapa, dependendo de uma conjugação de resultados de Gentle, Hewitt e Zaferes (as únicas três que podem tirar o título a Duffy).

Ashleigh Gentle ultrapassou Katie Zaferes na segunda posição, mas a adversária mais perigosa para Duffy é Hewitt, uma vez que ainda pode “limpar” um 23º lugar.

Foto: Trathlon.org


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