18 Ago, 2017

À sombra dos campeões

André Dias PereiraJunho 5, 20173min0

À sombra dos campeões

André Dias PereiraJunho 5, 20173min0

Durante seis anos Tomas Berdych foi figura permanente no top-10 mundial. O tenista checo, que começou a jogar aos 5 anos de idade, tornou-se profissional em 2003 e desde então tem-se cotado como um dos mais consistentes jogadores do circuito. Mas apesar de ter sido semi-finalista em todos os Grand Slam, Berdych parece claudicar nos momentos-chave. Dos seus 13 títulos ATP, nenhum é Major.

Tomas Berdych é um caso muito especial, quase único no ténis. O checo, de 31 anos de idade, actualmente no 14º lugar do ranking ATP, é um dos mais experientes e consistentes jogadores do circuito, que se manteve durante anos a fio no top-10 mundial, sem nunca, contudo, conseguir conquistar um Grand Slam.

Sobre ele disse um dia Andre Agassi que é um dos tenistas que melhor atacava a bola. No entanto, Berdych também conhecido por ser o homem do quase.

E também não foi em Roland Garros, que se joga até ao próximo domingo, que o checo conseguiu a glória. Antes pelo contrário. Berdych foi afastado precocemente pelo russo Karen Khachnov – que cumpre o terceiro Grand Slam e ocupa o 53º lugar na hierarquia mundial – pelos parciais de 7-5, 6-4 e 6-4.

O jogador checo, num bom dia, pode vencer qualquer um. Já venceu seis vezes Roger Federer e Andy Murray, quatro a Rafael Nadal e duas vezes a Novak Djokovic, só para citar alguns exemplos. Passou grande parte da sua carreira no top-10 mundial e integra o restrito lote de jogadores que alcançou as meias-finais de todos os Major, incluindo o Master Final. No entanto nunca conseguiu vencer nenhum, ganhando a fama de sempre morrer na praia, precisamente pelo facto de falhar sempre nos momentos decisivos.  O momento mais alto foi em 2010, quando atingiu a final de Wimbledon, após deixar para trás Roger Federer e Novak Djokovic, perdendo, todavia, para Rafael Nadal.

Desde que se estreou no circuito ATP, em 2003, o checo jogou 18 finais, tendo vencido 13 torneios, o último dos quais em Shenzhen, o ano passado.

Filho de um engenheiro e de uma médica, Tomas Berdych começou a jogar ténis aos 5 anos de idade. Aos 12 venceu o seu primeiro torneio nacional, para a sua categoria de idade, que o estimulou a continuar a investir neste desporto. Mudou de cidade, para Prostejov, na Republica Checa, tendo chegado a número seis do mundo em juniores.

A sua chegada ao profissionalismo deu-se em 2003 e no ano seguinte conquistou o primeiro troféu, em Palermo, Itália. O ano de 2010 terá sido, porventura, o seu melhor ano, atingindo as meias-finais de Roland Garros, para além da final de Wimbledon. Foi nesse ano que atingiu o top-10 mundial, de onde só saiu em 2016. Em 2012 e 2013 liderou ainda o seu país a duas vitórias consecutivas na Taça Davis.

Pode dizer-se que está a construir uma carreira bonita, sólida, mas à sombra das estrelas de Roger Federer, Rafael Nadal, Novak Djokovic, Andy Murray ou Stanislas Wawrinka.

Vencer um Grand Slam será, já, muito pouco provável. E até as estatísticas dizem isso. Não apenas porque sempre claudicou nas fases mais avançadas, mas também porque, depois do 30 anos, muito poucos foram os que conseguiram atingir esse feito. Federer é, como sempre, a única excepção ainda em actividade. Mas esse, é de outro planeta.


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