18 Nov, 2017

‘La décima’ do mosqueteiro de Paris

André Dias PereiraJunho 14, 20175min0

‘La décima’ do mosqueteiro de Paris

André Dias PereiraJunho 14, 20175min0

Rafael Nadal repetiu, pela décima vez, a vitória no torneio dos Mosqueteiros. Mais do que um triunfo, foi uma demonstração de força do agora número dois mundial. Uma história de superação, quando todos o davam morto para o ténis, que só os grandes campeões podem proporcionar. Tal como Jelena Ostapenko, a improvável campeã no quadro feminino. A letã, 20 anos de idade, está a começar a escrever a sua história. Mas tal como Nadal, Roland Garros foi um capítulo de um livro ainda por terminar.

Somos felizardos. Vivemos numa era em que o desporto nos proporciona ícones tão grandes que serão recordados não apenas pelas referências e recordes quebrados – tão vincados na cultura do século XXI – ou rivalidades, mas porque atingem uma dimensão que vão além, muito além, do seu próprio tempo. Dentro de 50, 70 anos, quando já estivermos num lar, os nossos netos terão no imaginário lendas como Lionel Messi, Cristiano Ronaldo, Usain Bolt, Michael Phelps, Rogerer Federer e Rafael Nadal. Nós poderemos dizer os vimos jogar, correr, nadar, o que for em que modalidade for. Nós presenciámos história. Como no passado domingo, em Paris.

Rafael Nadal conquistou pela décima vez o torneio de Roland Garros, aumentando a sua lenda na terra batida, e tornou-se, com 15 títulos de Grand Slam, o segundo maior vencedor de torneios Major, apenas superado por outra lenda contemporânea: Roger Federer. E pensar que em 2002, há apenas 15 anos, Pete Sampras dizia adeus aos courts como o maior campeão da história, com 14 Grand Slam. Quem poderia imaginar que na geração seguinte surgiriam Roger Federer e Rafael Nadal?

Os dois tenistas estão umbilicalmente ligados ao ténis e ao crescimento qualitativo e de popularidade na última década e meia. Mas o que faz os dois serem recordados como os maiores e uma das grandes rivalidades da história, é a matéria com a qual os campeões se constroem: trabalho, esforço, sacrifício e capacidade de superação.

O regresso do Toro Miúra

Rafael Nadal foi dado como morto para o ténis e o próprio chegou mesmo a dizer, com humildade, que muito dificilmente poderia voltar aos tempos de outrora. O ano de 2017 e este torneio de Roland Garros provaram o contrário.

Com 47 vitórias e sete derrotas em 2017, o Toro Miura ascendeu ao segundo lugar do ranking ATP. E para isso muito contribuíram os triunfos em Monte Carlo, Barcelona, Paris e, agora, Roland Garros, que lhe valeram ainda o apuramento directo para o ATP Finals.

A final deste domingo colocava frente a frente os dois melhores do mundo da actualidade na terra batida. Nadal, pois claro, diante o suíço Stanislas Wawrinka, vencedor em 2015. O espanhol, que renasceu para o ténis como uma fénix, atropelou o rival por 6-2, 6-3 e 6-1, numa clara demonstração de força, classe e capacidade de superação. Tal como em 2008 e 2010, Rafa venceu o torneio sem perder qualquer set. Roland Garros, conhecido como o torneio dos Mosqueteiros, tem em Rafael Nadal o cavaleiro maior dos valores que perpetua.

Wawrinka, finalista vencido e que na meia-final tinha deixado para trás o número um mundial, Andy Murray (6-7, 6-3, 7-5, 6-7 e 1-6) não tem dúvidas em apontar que perdeu para o melhor Nadal de sempre. “Ele está a jogar melhor que nunca desde o início do ano. Mais agressivo e mais perto da rede”, disse o suíço, número três mundial, que voltou a disputar mais uma final de Grand Slam.

Thiem repete meias-finais e Djokovic desilude

Roland Garros não serviu apenas para consagrar o regresso de Rafael Nadal ao mais alto nível. O torneio francês confirmou ainda o crescimento de Dominic Thiem, agora número oito na hierarquia mundial, que repetiu a semi-final alcançada também em 2016. O austríaco, que este ano já venceu no Rio de Janeiro e foi finalista vencido em Madrid e Barcelona, voltou a cair perante o melhor ténis de Rafael Nadal (6-3, 6-4 e 6-0).

Apesar da derrota pesada, o austríaco mostrou-se a um bom plano e revelou que está ao nível que o seu talento sempre prometeu. A prova mais cabal foi a forma como despachou, nos quartos-de-final, o sérvio Novak Djokovic, a grande desilusão do torneio e que tem vindo a ter um 2017 de altos e baixos: 7-6, 6-3 e 6-0. O triunfo do austríaco serviu como ‘troco’ pela eliminação de Roland Garros no ano passado. Desde 2005 que Djokovic não ‘zerava’ um set num Grand Slam. Esta foi ainda a primeira derrota em três sets desde 2013 por parte do sérvio, que agora é quarto no ranking ATP, o seu pior ranking desde 2009.

Jelena Ostapenko, da Letónia para o mundo

Jelena Ostapenko, a improvável campeã letã. Foto: Indian Express

Tem 20 anos, vem da Letónia e saltou para o estrelato em Paris. Jelena Ostapenko conquistou Roland Garros contra todas as expectativas, alcançando o triunfo mais relevante da história do seu país. Ostapenko venceu a favorita Simona Halep na final e logo de reviravolta: 4-6, 6-4 e 6-3.

“Não posso acreditar, estou muito feliz“, disse a letã, que deixou para trás tenistas como Caroline Wozniacki ou Samantha Stosur. Nas meias-finais, a letã deixou para trás Timea Bacsinszky (7-6, 3-6 e 6-3) numa partida em que, ditou o destino, se jogasse no dia de aniversário de ambas e logo na primeira vez que as duas chegavam a esta fase da competição.

É também destas pequenas histórias, destas vitórias inesperadas e destas histórias de superação que o ténis constrói a sua própria história. Este ano, Roland Garros, teve muitas para contar e a certeza que as de Nadal e Ostapenko estão ainda inacabadas.


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