18 Nov, 2017

Fedal, a rivalidade do século

André Dias PereiraAbril 7, 20175min0

Fedal, a rivalidade do século

André Dias PereiraAbril 7, 20175min0

Os anos passam, os jogadores também, mas as finais entre Roger Federer e Rafael Nadal continuam a ser as mais esperadas. A rivalidade entre os dois tenistas tem apaixonado, ao longo da última década, não apenas os amantes do ténis, como do desporto no geral, elevando o patamar da modalidade a outro nível. No domingo, os dois jogadores disputaram o 37º jogo entre ambos e mostraram porque, mesmo trintões, estão na restrita galeria dos maiores tenistas e desportistas de todos os tempos.

Palmas, palmas, palmas! Roger Federer e Rafael Nadal voltaram a fazê-lo. Tem sido quase sempre assim ao longo dos últimos 12 anos. Sempre que o suíço e o espanhol se encontram, as bancadas dividem-se entre aficionados de um e de outro. O mundo pára em suspense. Adeptos de todos os desportos reúnem-se em volta da televisão. É a rivalidade Fedal! 

Tal como Muhammed Ali e Joe Frazier, Larry Bird e Magic Johnson, John McEnroe e Bjorn Borg ou Ayrton Senna e Alan Prost, a rivalidade entre o suíço Roger Federer e o espanhol Rafael Nadal há muito que ultrapassou a fronteira da modalidade.

Simplesmente, não é possível falar de um sem referir o outro. Os dois funcionam como Nêmesis um do outro e dificilmente poderiam atingir o nível que se lhes conhece se o outro não existisse ou não fosse seu contemporâneo. Ao longo dos últimos 12 anos, foram vários os jogos, jogadas e momentos inolvidáveis, que ajudaram a construir a lenda e a projectar ainda mais o ténis. Finais como a de Wimbledon, em 2008, em que o espanhol venceu pela primeira vez o mítico torneio britânico, colocando ponto final no reinado de Federer, ao fim de 4h48, ou as lágrimas derramadas por Federer após perder também para o espanhol, em 2009, a final do Australian Open, tornaram-se icónicas.

Mas, por esta altura, estávamos no final da década de 2000 e os dois jogadores digladiavam-se pela liderança do ranking mundial, com Novak Djokovic em crescendo e à espreita da sua oportunidade. Federer estava com 29 anos e 14 Grand Slam e Nadal jogava no seu auge, com 24 anos. Hoje, um com 36 anos e outro com 30, a rivalidade mantém-se como uma marca intacta no ténis e no desporto. E, mesmo com o passar dos anos e o surgimento de novos rivais – Djokovic, Murray ou Wawrinka – os dois continuam a mostrar porque estão para durar e entre os maiores da história.

Este ano os dois já disputaram nada menos do que duas finais, sendo que a do Australian Open bateu recordes de audiência pelo mundo fora. Só no canal Eurosport foram quase 21 milhões de espectadores, com o pico de mais de 15 simultaneamente, o maior da história do canal. “Não é surpresa que esta partida de ténis foi a mais assistida em nossas plataformas, pois a rivalidade entre Roger e Rafa é uma das maiores da história do desporto”, declarou Peter Hutton, presidente do Eurosport.

Quem é freguês de quem?

Uma coisa, contudo, parece estar a mudar: o sentido da vitória! Os números não mentem. Em 37 jogos entre ambos, Rafael Nadal continua a manter a sua supremacia sobre o suíço. São ao todo 23 triunfos para El Toro Miura e apenas 14 para o helvético. Contudo, em 2017 Roger Federer tem sido arrasador, jogando a um nível nunca visto para alguém da sua idade. Nos três jogos disputados entre ambos – Indian Wells, Australian Open e Miami – Federer venceu todos. “Estou feliz por estarmos aqui juntos. Foi aqui que a nossa rivalidade começou, quando eras um miúdo. Entretanto, tornaste-te um homem forte. Tivemos grandes batalhas ao longo dos anos. Nessa primeira vez (2005) disse-te que ias ganhar este torneio e ainda acredito que o vás fazer“, disse Federer a Nadal, no domingo, após vencer em Miami por 6-3 e 6-4.

O excelente desempenho dos dois jogadores nesta temporada devolveu-os ao top-5 mundial. O espanhol está no quinto posto e o suíço no terceiro, atrás de Murray e Djokovic.

Tendo em conta o nível que Roger Federer vem apresentando, podemos considerar a hipótese de regressar a número 1 do mundo? É certo, são só três meses de temporada, mas Rafael Nadal acredita que sim: “Se continuar a jogar assim vai ser número um mundial este ano”. No entanto, contra o suíço está o facto de esta temporada não jogar mais até Roland Garros, falhando os demais torneios de terra batida. “Só quero manter-me saudável. Quando estou saudável consigo produzir ténis como este”.

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Nadal jogou cinco finais de Miami, mas nunca venceu (Newdaily.com)

Que início de ano, Nadal…

É duro perder três finais em quatro meses, mas a última vez que o espanhol conseguiu atingir três finais antes do início de temporada na terra batida foi em 2009 quando era número um mundial. Mesmo em total de pontos é preciso recuar até 2014 (2390 pontos) para encontrar um período tão favorável. “Sou o segundo melhor tenista no momento (depois de Federer), preciso ganhar e consolidar esta boa fase”, comentou o espanhol, que quer recuperar, agora, o ceptro de Roland Garros, perdido para Wawrinka.

De resto, nunca antes Nadal tinha perdido quatro jogos seguidos para Federer – finais de Australian Open e Miami, oitavos de final de Indian Wells e final de Basileia, em 2015. O contra-ataque pode, até, dar-se em Paris, onde o espanhol já venceu por nove vezes e onde é recordista de títulos. Quis também o destino que a única vitória de Federer na terra batida de França fosse no ano de 2009, o ano em que Nadal dominava o mundo. Depois de o espanhol ter dobrado a tormenta das lesões e atravessado o seu período mais negro na carreira, será que o destino lhe reservou algum capricho? A resposta é dada entre 28 de Maio e 11 de Junho.


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