17 Dez, 2017

Eternamente, Roger Federer!

André Dias PereiraJaneiro 31, 20176min0

Eternamente, Roger Federer!

André Dias PereiraJaneiro 31, 20176min0

Numa final épica entre, muito provavelmente, os dois maiores da história do ténis, Federer aumentou a sua lenda! O suíço e Rafael Nadal podem já não ser os melhores da actualidade, mas são ainda os maiores ícones do circuito! Tão grandes que conseguem ainda chamar audiência para além dos aficionados de ténis! Mas a edição deste ano do Australian Open foi muito mais que uma final entre o suíço e o espanhol! Foi um regresso ao passado recente, que nos lembra que não há idade para o talento e para cumprir sonhos!

Sublime! Histórico! Todos os adjectivos parecem poucos face ao que Roger Federer conseguiu este domingo. Sim, é possível a lenda crescer! Essa parece ser a primeira lição que não apenas o tenista suíço nos ensina, mas também o que a edição deste ano do Australian Open proporcionou aos amantes do ténis e do desporto no geral.

Aos 35 anos, Roger Federer tornou-se no primeiro jogador desde Ken Rosewall, em 1972, a vencer um Grand Slam na era Open. No seu 100º encontro disputado em Melbourne, o helvético ampliou para 18 o número de Majors, aumentando ainda mais o registo mais vitorioso da história do ténis. O triunfo deste domingo foi ainda o quinto do suíço (2004, 2006. 2007, 2010 e 2017)  em Austrália, tornando-se no primeiro tenista a conquistar, pelo menos, cinco títulos em três Grand Slam diferentes (Australian Open, Wimbledon e US Open).

Mais do que os resultados, impressiona o nível que Federer apresenta aos 35 anos de idade. Ainda assim, poucos apostariam numa reedição da final de 2009. Porque o suíço veio de uma lesão de oito meses e porque Nadal tem oscilado muito a sua consistência, sobretudo em pisos que não sejam de terra batida. Mas o mundo dá voltas. Se em 2009, era Federer quem chorava a parecia sucumbir à pressão de conquistar o 15º Major, agora foi a vez de Nadal ser vice-campeão e ficar também às portas de ultrapassar o registo de Pete Sampras.

Federer e Nadal proporcionaram uma final épica, à boa maneira antiga, quando os dois dividiam o domínio dos courts e os títulos de Grand Slam. Com pancadas de excelência técnica, incerteza no resultado e, claro, cinco sets:  6-4, 3-6, 6-1, 3-6 e 6-3. Anunciado como a final de sonho, o duelo entre os dois rivais rebentaram audiências em todo o mundo, provando que ainda hoje são os maiores ícones do ténis. Só na Austrália 4.4 milhões de telespectadores assistiram à final pela televisão.

O ressurgimento dos dois astros coincide também com a quebra de Andy Murray e Novak Djokovic, as duas grandes desilusões do torneio. O britânico, número um mundial, caiu nos oitavos-de-final diante do alemão Mischa Zverev (7-5, 5-7, 6-2 e 6-4), irmão do proeminente Alexandr Zverev. Mais impressionante ainda foi a eliminação de Novak Djokovic perante o uzbeque Denis Istomin (7-6, 5-7, 2-6, 7-6 e 6-4). Desde 2008,  em Wimbledon, que o sérvio perdia tão rapidamente num Grand Slam. Boris Becker, antigo treinador de Nolan, acredita que o ténis não é mais a prioridade do sérvio e que isso se reflecte no seu nível. De resto, é preciso recuar até 2004 para que os dois primeiros do ranking mundial não tenham chegado aos quartos de final de um Major (Roland Garros).

2017, o renascimento de Dimitrov

No sentido inverso, Grigor Dimitrov foi uma das boas notícias do torneio. O búlgaro, de 25 anos, é um dos bons valores da nova geração mas que tem sentido dificuldades em ser consistente. Em Melbourne conseguiu, contudo, repetir o feito de Wimbledon, em 2014, e chegar pela segunda vez às meias-finais de um Grand Slam. Só que Rafael Nadal acabou por ser o último a cair numa batalha de 4.56 horas:  6-3, 5-7, 7-6 (5) 6-7 (4) e 6-4. “É sempre duro perder assim, mas estou feliz com muita coisa”, reconheceu o búlgaro. E tem razões para isso. O início de 2017 tem sido promissor. Em Brisbane conquistou o seu quinto título ATP, o primeiro desde 2014. Os bons resultados não são alheios ao facto de contar com um novo treinador,  Dani Vallverdu, que tem feito uma autêntica revolução na forma como o búlgaro treina e prepara os seus jogos. Dimitrov tornou-se mais agressivo, obrigando, de resto, Nadal a jogar muito mais no fundo do court. A evolução do búlgaro, que nos últimos anos foi muito mais notícia pelo conturbado relacionamento com a ex-namorada Maria Sharapova do que pelo seu ténis, é um dos pontos a acompanhar no circuito durante este ano.

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Foto: ATP

Serena, a maior da Era Open

Se Roger Federer aumentou o seu legado nos masculinos e nos fez lembrar que, mesmo aos 35 anos, é possível alcançar ainda o Olímpo num desporto tão competitivo como o ténis, Serena Williams, aos 36 anos, tornou-se a maior campeã da Era Open, com 23 títulos, deixando para trás a alemã Steffi Graf (22). Mais importante ainda, a mais nova das irmãs Williams regressou ao topo da hierarquia mundial, depois de ter perdido a liderança o ano passado para a alemã Angelique Kerber, eliminada surpreendentemente nos oitavos de final perante a norte-americana Coco Vandeweghe em dois sets (6-2 e 6-3).

A final feminina foi, tal como a masculina, representou um regresso ao passado, com as duas manas Williams, Serena e Venus, a repetirem a final de 2003. Desta vez como então, a vencedora foi a do costume. Serena ganhou à irmã mais velha por duplo 6-4, vencendo o torneio pela sétima vez, igualando Margaret Court, a recordista absoluta de Grand Slam (24).

Roger Federer e Serena Williams. Dois dos maiores nomes da história do ténis voltaram a gravar os seus nomes entre os vencedores do Australian Open. Aos 35 e 36 anos voltam a reescrever a história do ténis provando que o talento não tem idade nem lugar. A prova da sua grandeza não está apenas nos títulos mas, acima de tudo, na grande capacidade de jogo que ainda apresentam. E basta os melhores da actualidade baixarem a guarda, que eles aí estão para desafiar o tempo e o lugar. Porque tal como diamantes, eles também são eternos.


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