14 Dez, 2017

Dimitrov, o playboy que colocou a Bulgária no mapa do ténis

André Dias PereiraMarço 9, 20175min0

Dimitrov, o playboy que colocou a Bulgária no mapa do ténis

André Dias PereiraMarço 9, 20175min0

O seu perfil e vida fora dos courts valeram-lhe a alcunha de “playboy” e “David Beckam búlgaro”, e o seu talento valeu-lhe o cognome de “novo Federer” ou “Show Man”. Assim é Grigor Dimitrov, o tenista que já é o maior nome do ténis do seu país mas que tem construído uma carreira intermitente, em que os seus relacionamos com Maria Sharapova e, alegadamente, Nicole Scherzinger, são quase sempre mais notícia que os seus feitos. Em 2017, contudo, e depois de mudar de treinador, o búlgaro renasceu e já venceu dois títulos, sendo ainda semi-finalista no Australian Open. Entre o playboy e o novo Federer, Dimitrov procura  afirmar definitivamente o seu espaço no circuito. Será este o seu ano?

Quando se pensa em ténis e na sua história, dificilmente a Bulgária será um país que surge como top of mind, ou seja, como uma das primeiras referências.  Sobretudo num país com lacunas sociais e de infra-estruturas, e numa era de domínio tripartido por Roger Federer, Rafael Nadal e Novak Djokovic na cena mundial, Grigor Dimitrov surge como um herói improvável no desporto búlgaro, em que o ténis está longe de ser o mais popular do país. 

Numa nação com falta de referências mundiais no desporto contemporâneo, Dimitrov sempre foi visto como um prodígio e um diamante por lapidar. Aos 25 anos parece, finalmente, estar a corresponder à grande expectativa sempre gerada em torno da sua carreira. Só este ano, já venceu dois dos seus seis títulos ATP – Sofia (Bulgária) e Brisbane (Austrália) – para além de ter sido semi-finalista no Australian Open. 

O arranque de ano fulgurante afasta os fantasmas que o assombraram nas últimas temporadas em que foi mais vezes notícia pelo seu relacionamento com Maria Sharapova do que pelos seus êxitos dentro do court. O seu estatuto de enfant terrible e de playboy, bem como o seu talento, valeram-lhe alcunhas como “baby Federer” ou “David Beckam búlgaro”. Mas desde que mudou de treinador, o ano passado, tudo parece ter mudado. Dani Vallverdu parece ter encaixado bem no perfil que Dimitrov procurava para se afirmar em nome próprio e elevar a Bulgária a um patamar nunca visto no ténis. “Nestes últimos anos vivi uma montanha russa, mas estou feliz pela forma como as coisas aconteceram”, admitiu o búlgaro quando atingiu as meias-finais do Australian Open, igualando o seu melhor registo  enquanto sénior, depois de ter também chegado à semi-final de Wimbledon em 2014, aquele que é ainda o seu melhor ano com três títulos: Queens, Bucareste e Acapulco.

grigor
Grigor-dimitrov.com

Prodígio precoce

Nascido em Haskovo, Bulgária, e filho de um treinador de ténis e de uma professora de educação física e ex-jogadora de voleibol, Dimitrov pegou pela primeira vez numa raquete de ténis com apenas 3 anos de idade e a partir dos 5 começou a jogar regularmente. Sem chances de evoluir o seu ténis no seu país, rumou para Paris onde viveu a sua adolescência, treinando na prestigiada Academia de Patrick Mouratoglou, onde passaram também Serena Williams e Anastasia Pavlyuchenkova.

O seu primeiro título chegou com 14 anos de idade no Europeu da categoria. Em 2016 venceu o Orange Bawl tendo, no ano seguinte, sido nomeado para estrela internacional em ascensão. O seu ténis valia-lhe também a alcunha de “Show Time”. Ainda como juvenil conseguiu chegar aos quartos de final de Roland Garros, mas o seu maior feito teve lugar em Wimbledon. Venceu o torneio sem perder qualquer set e jogando lesionado do ombro. 

Dimitrov decidiu depois elevar-se a outro patamar, passando para o profissionalismo onde acumula seis títulos. Actualmente em 13º do ranking mundial, o búlgaro é já o maior jogador da história do seu país e promete não ficar por aqui. Depois de alguns resultados vexatórios, perante adversários menor cotados e saídas precoces de torneios, o tenista reconhece que “houve momentos em que não dei tudo de mim. Não estava concentrado e não treinava da maneira correcta”. “Eu não queria só um treinador, mas alguém que me entendesse e pudesse confiar“, reconheceu o búlgaro, que regressou este ano a Sofia após sete anos de ausência.

Se há jogador no circuito com capacidade de jogar de igual para igual com qualquer um, é Grigor Dimitrov. No seu currículo conta com uma vitória sobre Novak Djokovic, outra sobre Rafael Nadal, três sobre Andy Murray e quatro diante de Stan Wawrinka. Aliás, Stan apenas conseguiu por duas vezes derrotar o búlgaro.

Até ao final da temporada, a expectativa é grande para ver o que pode fazer em Roland Garros, mas sobretudo em Wimbledon, onde já chegou às meias-finais. Aos 25 anos de idade, o ano de 2017 pode ser o momento-chave na carreira do búlgaro e funcionar como o primeiro dia do resto da sua vida. Entre o playboy e o novo Federer, Dimitrov procura  afirmar o seu espaço no circuito. Será este o seu ano?


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