21 Ago, 2017

O ano maldito de Roger Federer

André Dias PereiraAgosto 2, 20165min0

O ano maldito de Roger Federer

André Dias PereiraAgosto 2, 20165min0

Pela primeira vez desde o ano 2000 o suíço termina a temporada sem títulos e há quinze anos que não acabava um ano fora do top-10, sem jogar o ATP Finals. As lesões foram o maior adversário do multicampeão suíço, que se recusa, aos 34 anos, a retirar-se. Não é um adeus. É um até já, promete a lenda.

Se há coisa que a carreira de Roger Federer nos ensina é que não há impossíveis. Foi assim quando, em 2009, ganhou Roland Garros e completou finalmente o carreer Grand Slam após ter perdido três finais para Rafael Nadal. E foi assim depois, quando continuou a contrariar o tempo e a manter-se, mesmo aos 34 anos, no top-3 três mundial a disputar finais.

Mas estará a lenda suíça no fim da linha? É cedo para dizer, mas uma coisa é certa. Pelo menos até ao início de 2016 não haverá mais aparições do multicampeão helvético em jogos oficiais.  É o ponto final numa época para esquecer, marcada por lesões, e a garantia que o suíço vai terminar o ano fora do top-10 mundial, o que acontece pela primeira vez nos últimos 14 anos.

E as coisas até nem começaram mal. Em Brisbane, na Autrália, Federer repetiu a final de 2015 mas perdeu para Milos Raonic. Apesar dos 34 anos de idade o helvético mantém-se fiél ao seu estilo e a um nível raramente visto num tenista da sua idade. É certo que não tem condições para discutir a liderança mundial com Novak Djokovic, no auge da sua capacidade física e de jogo, mas tem vindo a manter-se de forma consistente no top-3 a par de Andy Murray.

Desde 2009, quando Federer conseguiu, enfim, quebrar a maldição de Roland Garros e conquistar o 15º Grand Slam, que o suíço respirou fundo e passou a desfrutar mais do jogo. E isso deve-se, acima de tudo, a uma gestão física exemplar e a um planeamento de torneios criterioso.

E este ano, mais do que voltar a vencer mais um Grand Slam, Federer apostou as fichas nos Jogos Olímpicos. Depois de ter conquistado o ouro em Londres ao lado de Stan Wawrinka, o suíço preparava-se para disputar todas as categorias no Rio de Janeiro, incluindo pares mistos ao lado de Martina Hingis.

Mas a verdade é que Federer nunca conseguiu recuperar da intervenção cirúrgica a que foi submetido após ter sido afastado nas meias-finais no Australian Open. O helvético foi obrigado a parar vários meses, falhando os torneios de Roterdão, Dubai e Indian Wells. O regresso deu-se em Miami mas foi efémero. Um vírus no estômago obrigou Roger Federer a desistir após a primeira eliminatória, prolongando o seu calvário.

Depois do ouro por pares em 2012, Federer apostava época nos Jogos do Rio (Foto: Globo)
Depois do ouro por pares em 2012, Federer apostava época nos Jogos do Rio (Foto: Globo)

Lesões e desistências

E foi em França, em Monte Carlo, já no circuito da terra batida que regressou para vencer o primeiro jogo desde Australian Open, acabando por cair nos quartos-de-final perante Jo-Wilfred Tsonga. Seguiram-se mais duas desistências. O torneio de Madrid e o mais doloroso, Roland Garros, para recuperar de uma lesão nas costas.

Uma vez mais, o ex-número um mundial mostrou fibra de campeão e tentou reerguer-se, apontando baterias a Wimbledon. A caminhada começou em Estugarda, onde caiu nas meias-finais perante Dominic Thiem, um dos melhores do ano até ao momento. Depois, em Halle, onde ganhou por oito vezes, voltou a ser afastado às portas da final perante Alexandr Zverev.

O último capítulo teve lugar no All England Club. Em Wimbledon, a sua prova de eleição, conseguiu afastar Guido Pella, o surpreendente Marcus Willis, Daniel Evans e Steve Johnson, até cair, outra vez, na semi-final, para Milos Raonic.

Federer disse depois adeus à temporada, anunciando que vai recuperar até ao final do ano para tentar surgir na melhor forma no próximo Austrian Open. Pela primeira vez, desde 2000, que acaba uma época sem conquistar qualquer título. E será a primeira vez desde 2001 que terminará o ano fora do top-10 mundial e não jogará a ATP Finals.

As reações

O mundo do ténis e do desporto não demorou a reagir à ausência de Federer nos Jogos Olímpicos, US Open e ATP Finals. “Uma decisão triste, mas sábia”, disse Robin Soderling, tenista sueco que perdeu para o suíço, em 2009, a final de Roland Garros. “O ténis já sente a tua falta”, “É depressivo. Nem quero imaginar quando se retirar”, “É triste. Espero que venha ainda mais forte em 2017”. Kevin Anderson, John Isner, Rio Open, Wimbledon, Miami Open. As reações vieram de todos os lados e de todas as organizações

Que Roger Federer teremos em 2017 é a pergunta que está na cabeça de todos, sobretudo do próprio. Mas se há coisa que com que os grandes campeões são feitos é de fibra para renascerem das cinzas e se manterem no topo. Com Federer sempre foi assim e sê-lo-à até acabar a sua carreira, quando a lenda der lugar ao mito.


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