19 Fev, 2018

O ténis já não satisfaz Tomic

André Dias PereiraJulho 6, 20174min0

O ténis já não satisfaz Tomic

André Dias PereiraJulho 6, 20174min0

Foi o mais jovem campeão a vencer o torneio de juniores do Australian Open. Alcançou, em 2011, os quartos de final de Wimbledon e era visto como o grande sucessor de Lleyton Hewitt. Só que aos 24 anos e com três títulos ATP no bolso, Bernard Tomic não encontra outra motivação para o ténis para além de acumular dinheiro. Caiu com estrondo na primeira ronda no All England Club e a sua frontalidade no discurso está a valer-lhe um rol de críticas mundo fora.

Tomic não está feliz. O tenista australiano foi eliminado precocemente do torneio de Wimbledon na primeira ronda pelo alemão Mischa Zverev e surpreendeu na conferência de imprensa ao revelar a sua relação difícil com o ténis. “O ténis já não me satisfaz. Para vencer um torneio ou jogar bem são coisas que não me dão mais prazer algum. É algo que senti várias vezes na minha carreira. Para mim é a mesma coisa se eu atingir os oitavos-de-final ou for eliminado na primeira ronda”.

Se há característica que sempre distinguiu Tomic é a sua frontalidade. Em Wimbledon, Tomic voltou a ser fiel a esse traço de personalidade, surpreendendo toda a gente. Mas não só. O australiano, 24 anos de idade, sempre foi visto como um grande talento – foi o mais jovem do seu país a vencer o torneio de juniores do Australian Open – mas que nem sempre se esforçou para maximizar todo o seu potencial. “Sou consciente que deveria trabalhar mais alguns aspectos, mas não o faço”, acrescentou, afastando, contudo, a hipótese de se retirar. “Sei que jogarei por mais 10 anos e quando o fizer não precisarei de trabalhar”.

Com oito anos de circuito profissional e três torneios ATP conquistados (dois em Bogotá, em 2014 e 2015, e um Sydnei, em 2013), tem sentido problemas em elevar o seu patamar competitivo. Actualmente no 55º lugar do ranking, o australiano já figurou no top 20 e em 2011 atingiu os quartos-de-final de Wimbledon – foi o mais jovem a fazê-lo desde Boris Becker.

As suas declarações, após a derrota com Zverev têm causado impacto um pouco por todo o mundo. A compatriota Rennae Stubb, antiga número 1 mundial em duplas não poupou nas críticas “Dizer o que ele disse na conferência de imprensa é não apenas uma desgraça para o ténis no geral mas sobretudo para o ténis australiano. Sejamos sinceros: se ele está aborrecido, se não está apto fisicamente porque não treina, nem disposto a jogar cinco sets, então não jogue. Temos um longa e bonita tradição neste torneio e jogadores que se esforçam tanto, com metade do talento de Tomic, que dariam muito para estar ali, naquele dia, a jogar”. A mesma ideia é partilhada pela lendária Martina Nevarliova, que considera “uma falta de respeito” pelo desporto e pelos fãs que pagaram muito dinheiro para assistir ao jogo. “Se não se motiva em Wimbledon é tempo de encontrar outro trabalho”.

Talento que desperta amor e ódio

A 20 de Janeiro de 2008, Bernard Tomic tornou-se o mais jovem campeão de sempre do torneio de Juniores do Australian Open, vencendo também no ano seguinte o US Open. O seu talento era inquestionável. E a verdade é que, já em seniores, acumulou alguns resultados interessantes. Para além dos títulos em Bogotá e Sidney alcançou os oitavos-de-final no Australian Open e os quartos de final em Wimbledon. Em 2009, com 16 anos, tornou-se o mais jovem tenista a vencer uma partida do Australian Open. Apesar de ter figurado no top 20 mundial (foi 17º em Janeiro de 2016), a verdade é que sempre conviveu com as críticas que o seu ténis é entediante e de não se esforçar o suficiente nos treinos.

Um episódio que fica também na sua história foi quando, em 2010, então com 17 anos, perdeu perdeu para Marin Cilic no Australian Open numa partida de quatro horas de duração que terminou depois das duas horas da madrugada locais. Tomic criticou então a organização por permitirem jogos tão tarde para jogadores da sua idade. Ao longo dos anos de profissionalismo acumulou ainda outros episódios que o tornaram menos popular como desentendimentos com Lleyton Hewitt ou quando o seu pai, John Tomic, foi suspenso após uma altercação com o colega de treinos do filho, Thomas Drouet.

Certo é que Bernard segue o seu caminho. À procura da motivação para continuar a praticar ténis ao mais alto nível, mas certo que o seu talento ainda lhe vai proporcionando algumas vitórias importantes. A pergunta que fica é, até quando?


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