17 Ago, 2017

WCT – O fim da perna australiana e seus destaques

Eduardo MenezesAbril 28, 20178min0

WCT – O fim da perna australiana e seus destaques

Eduardo MenezesAbril 28, 20178min0

Um país, três etapas, diferentes vencedores e um antigo líder. A perna australiana do WCT, da World Surf League, começou agitada e mostrando que, realmente, o campeonato de 2017 tende a ser o mais disputado dos últimos anos. Mas o domínio dos melhores, entre os melhores, tende a continuar.

Se em Gold Coast, pudemos ver a coroação da superação e do talento nato, com a vitória de Owen Wright (AUS). Em Margaret River, ficamos com exibições quase perfeitas do último campeão, John John Florence (HAW), confirmando aquilo que todos já sabiam, o Havaiano tem muito surf e está cada vez mais competitivo. Porém faltava alguém tocar o sino na última etapa da perna australiana – Bells Beach, uma das mais antigas e icónicas etapas do tour -, coube ao sul-africano, Jordy Smith, essa honraria, demonstrando que o seu vice-campeonato de 2016 não foi por acaso e que 2017 poderá ser diferente.

Os 3 primeiros e Andino

John John Florence, figura mais que carimbada em todos artigos e conversas de surf, como o surfista com mais potencial de dominar a cena mundial, começou o ano como ou melhor do que terminou  2016, surfando muito, tirando manobras improváveis, mas não impossíveis para ele. Consistente e cada vez mais estratégico, assegurou duas 3º posições e uma vitória, somando 23,000 pontos e a lycra amarela. Se assim continuar, poderá assegurar o Bi-campeonato antes da derradeira prova em sua casa, Pipeline.

Jordy Smith, o vice-campeão de 2016 parece estar cada vez mais decidido em se sagrar o novo rei do surf. Iniciou com uma 9ª colocação e pareceu estar apenas a aquecer, para a última etapa australiana em Bells Beach, onde detonou e levou o sino para casa. Já soma 19,200 pontos e está na cola do havaiano.

Owen Wright, como num enredo de cinema, o australiano iniciou o ano da melhor forma possível. Vencendo em sua casa, após um ano fora da elite, devido a uma grave lesão que o obrigou a reaprender a surfar. Nas etapas seguintes, continuou consistente, ficando com uma 5ª e 9ª colocação, empatado com Smith na 2ª posição do ranking.

Saiba quando e onde serão as 11 etapas do WCT 2017: Os 11 palcos do WCT 2017.

O surfista norte-americano, Kolohe Andino, merece sim um destaque nesse início do tour, o 4º colocado do ano passado, começou o ano tão bem quanto terminou a última época. Se conquistar alguma vitória nos próximo eventos, poderá chegar às últimas etapas do ano ou Pipeline com changes de título, e assim ser o underdog do ano. Andino está atualmente com 13,750 pontos e em 5º lugar.

Brazilian Storm

4 entre 12 dos melhores posicionados no ranking da WSL, são brasileiros. Com destaque a Adriano de Souza, o conhecido Mineirinho, com seu surf constante e competitivo, entretando muito potente e vistoso, chegou a dois quartos-de-final e uma 9ª posição, o que lhe garantem 14,400 pontos e a quarta posição na tabela de classificação, nada mal para quem tenciona ser campeão novamente.

Filipe Toledo em sua especialidade. [Foto: Henrique Pinguim]
 

Filipe Toledo se redimiu da péssima desclassificação logo no round 2 em Gold Coast, chegando a uma meia-final  e um 5º lugar nas etapas seguintes, dominando ondas pesadas, algo não muito comum no surf do brasileiro, caracterizado pelos seus aéreos. Sua melhora, o credencia para novamente ganhar a próxima etapa no Rio de Janeiro e lutar pela coroa ao final do ano.

O rookie de 2016, Caio Ibelli, surpreendeu em Bells Beach ao chegar a sua primeira final, após eliminar Frederico Morais (PT) nos quartos-de-final e ninguém menos que John John Florence, na meia-final. Junto com a dupla 13º colocações nas etapas iniciais, o zuca faz ótima figura em 2017, tendo o próximo evento em casa para consolidar entre os 10 primeiros, antes da ondas tubulares, que podem causar algum estrago as pretensoes do jovem surfista.

O grande expoente da geração brasileira, Gabriel Medina, aparece na 11ª colocação, muito aquém, daquilo que o surfista tupiniquim pode alcançar e da posição que costuma estar. Porém, todos já conhecem o grande potencial de Medina no tubos e na onda brasileira da próxima etapa, o que nos faz crer, que irá galgar posições no ranking nas próximas etapas.

Os novatos

Rookies 2017 – [Imagem: torcedores.uol.com.br]
 

Se assim podemos dizer, Leonardo Fioravanti (ITA) fica com o prémio de decepção nesse início de época, apesar dos resultados alcançados serem normais para um rookie, o jovem italiano e um dos primeiros classifcados pelo WQS de 2016 acostumou o mundo do surf com altas performances, quando assim competiu como wildcard no WCT 2016, por exemplo, sua 5ª colocação em Margaret River. Neste ano ainda não passou pelo round 2 e soma apenas 1,500 pontos.

Conheça todos os rostos que disputarão o título de melhor surfista do mundo, na nossa galeria: Os 34 candidatos ao título da WSL 2017.

Como destaques positivos temos o havaiano Ezekiel Lau, surfista que ficou com a úlitma vaga no WCT, graças a ajuda de Kanoa Igarashi (USA) que avançou a final em Pipeline e se garantiu também pelo WCT, deixando a vaga ao amigo pelo QS. Lau em Bells Beach alcançou sua primeira meia-final, perdendo apenas para Jordy Smith, campeão da etapa. O jovem já soma 8,750 e está em 11º, empatado com Medina e logo a frente de Kelly Slater.

Outro novato que iniciou o ano muito bem foi Connor O’Leary (AUS), o primeiro colocado do QS 2016, correu as três etapas em casa, uma grande vantagem nessa caminhada longa e dura que é o WCT. Logo na primeira prova do ano, chegou aos quartos-de-final, quando foi derrotado pelo campeão do evento e compatriota Owen Wright.

Não poderíamos deixar de falar dele, Frederico Morais (PT). O jovem português, caracterizado pelo seu power surf , continua muito estratégico e competitivo em todos seus heats. Alcançou um notável 5º lugar na última etapa da perna australiana, seu melhor resultado no ano, quando perdeu para o finalista do evento Caio Ibelli (BRA). O WCT é muito competitivo, mas Kikas já mostrou que tem força e mentalidade para se manter entre os melhores e se o campeonato acabasse hoje, Freferico estava na elite de 2018, uma vez que se encontra 19º lugar com 7,450 pontos.

Parece difícil e, realmente, é

Muitas vezes ao escrever um artigo sobre o WCT ou ao ler algo sobre a elite do surf, pareço estar sempre a ver os mesmos nomes. Os mesmo candidatos estão sempre lá, alternando apenas algumas peças e por assim dizer que dentro do dream tour, estar entre os melhores é uma tarefa muito difícil.

Se andarmos 2 anos atrás, quando o Capitão, Adriano de Souza (BRA) foi campeão e compararmos com a época passada, temos 5 atletas iguais nas 12 primeiras posições. E de notar que tanto Florence e Smith se lesionaram na época de 2015, Mick Fanning (AUS) não correu todas as etapas do tour de 2016 e Owen não participou da época passada, o que poderia significar 9 atletas iguais nas 12 primeiras posições.

Ao se comparar o ranking após os 3 eventos iniciais com o do final de 2016, 9 dos atletas classificados entre os 12 primeiros em 2017, estão na lista de 1 a 12 de 2016.

Ranking WCT 2016 e 2017. [Imagens: WSL]
 

Confira a classficação do WCT masculino aqui.

Podemos verificar algumas semelhanças e afirmar que estar na elite é muito difícil, mas estar entre os melhores da elite, requer muito mais. Demonstrando que no prime time, existe um domínio e para quebrá-lo, o atleta terá que dominar todos os tipos de ondas, desde de pequenas à enormes e tubulares.

Sem falar que apenas 6 surfistas, entre os 32 do WCT 2017, foram capazes de ficar no lugar mais alto do pódio.

Logo, podemos ver aqui que as prestações de Frederico Morais são muito boas e se notarem bem, ele tem os mesmos resultados que o tetra campeão, Mick Fanning. Ainda mais que pelo sistema da WSL, os heats cruzam os melhores classficados com os que vão mais abaixo da tabela, logo o Frederico está sempre a dividir ondas com àqueles acima citados. OBS.: com Fanning ocorre o mesmo nesse ano, uma vez que sua classificação em 2016 não foi a das melhores, ou alguém imaginaria um round 1 com Fanning e Slater? Ou round 2 contra Owen Wright?

Acreditar no power surf do português é uma realidade e que Kikas consiga se adaptar as mais diferentes ondas, como algumas menores que podem aparecer pelo tour e as usuais tubulares.

Ainda há muito a acontecer, 8 etapas com diferentes ondas e muitos candidatos ao posto mais alto, o WCT em seu melhor!


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