17 Fev, 2018

Uma questão de estilo sobre as ondas – O Estado puro

Palex FerreiraNovembro 29, 20178min0

Uma questão de estilo sobre as ondas – O Estado puro

Palex FerreiraNovembro 29, 20178min0
O Estado Puro do surf... sabem o que é? Bem o evento da Sliding Society 2017 é demonstrativo disso mesmo e o Fair Play explica alguns dos pormenores

O surf tem vindo a evoluir desde os anos 60, quando se tornou conhecido pela moda dos beack boys, e desde de então tem vindo sempre a evoluir, em termos de materiais, e em termos de números de praticantes.

Passados 50 anos, ganham força os que não competem e dedicam-se a um lado mais purista do surf, rendidos ao estilo logger, e que “imitam” as performances dos ancestrais californianos. Alguns surfam a meio da prancha, poucos dominam as pranchas réplicas das pranchas dos anos 60/70, apenas com uma quilha, sem cordinha (leash ou shop), e se possível sem fato, e pranchas bastante pesadas.

Pranchas pesadas, linhas clássicas, braços no ar e assim são felizes no mar, são estes e todos os que deslizam na água. Entre esses períodos (dos anos 50/60 até hoje) fica o de o surf progressivo e comercial, o longboard de linhas radicais misturadas com o clássico, hangten, hang five. bom como a própria evolução das pranchas, já foram pesadas, actualmente são de EPS (Epoxy) super leves e mais resistentes, permitindo a que algumas performances sejam mais radicais, e a evolução das pranchas não parou ainda, e promete nem parar.

 

A evolução das pranchas de surf. Fonte: SwellNet.com

As retros twinfin, single fin também voltaram a figurar nas ondas portuguesas, ser mais clássico, linhas clássicas, mas no fundo e na minha sincera opinião, temos poucos surfistas que surfem com essas pranchas de forma bonita de se ver, com estilo clássico.

Recordo-me da linha do Ricardo “Boi” Vieira, que nos anos 90 competia no Nacional de Longboard e era fixe vê-lo a desenhar nas ondas com um belo estilo. Depois temos os multifacetados de competição, o Luís “Lufi” Bento, o José LaFuente “Zezinho”, o Miguel Ruivo, o Necas todos ferozes competidores que infelizmente já não competem regularmente, dando espaço aos mais novos, como João Dantas, Diogo Gonçalves, João Gama, e um estiloso José Mestre (Filho do Necas) que se diverte mais em provas sem cariz de competição, e surfa em Faro regularmente com o pai e Luís Esteves “Orelhas”, vai postando nas redes sociais altas imagens de hangtens cheios de estilo.

Wave sharing no Gliding Barnacles 2017 Foto: GlidingBarnacles

Sliding na Figueira da FOz, durante o Gliding Barnacles 2017 Foto: GlidingBarnacles.

O surf seja com que tipo de prancha for, é diversão pura, e o estilo só é possível a alguns com essa postura natural que se torna bonita de se ver, o caso atual é o Zé Mestre, entre uma geração de novos talentos que aí vêm a chegar, uns mais competitivos que outros, mas o longboard está bem entregue.
Este verão tivemos em Portugal uma lenda do Longboard moderno, o CJ Nelson (Norte americano de Santa Cruz) que andou a surfar pela Costa de Caparica a convite da Surfers Store Caparica (Luís Simão) para fazer umas demonstrações com as “suas” ThunderBolt, com ele veio um bicampeão Mundial Harley Ingleby (australiano de Coffs Harbour-NSW). Foram uns dias bem passados com estes dois senhores do longboard clássico e progressivo, bem como a todos que apareceram para surfar e partilhar ideias.

O ambiente festivo no Gliding Barnacles 2017, na Figueira da Foz. Fonte: organização

Mas haverá em Portugal loggers suficientes para “competirem” em noseriding em provas tipo “Surf.RELIK” com os dois formatos (progressivo e clássico) incluídos em duas categorias diferente? Quem serão os loggers nacionais? O Tainha da BloodBrothers, o Nico da WaveGliders e o Dan Costa da Retro Movement, têm criado muitos loggers para o mercado, e do outro lado, o progressivo temos a LUFI Surf CO do penta campeão nacional LUFI, as Semente do Nick Urichio, as Board Culture do Picos, entre outras marcas de longboards. Se temos assim marcas também podemos sonhar com surf relik à portuguesa, e dessa forma termos eventos com todos os longboarders, os dos circuitos da FPS, e os que convivem no Gliding Barnacles (Figueira da FOZ) e o Sliding Society em Faro. É um bom pronúncio para a modalidade ter tantos simpatizantes, mas será que depois aparecem nos eventos? Para partilharmos em conjunto de experiências dentro de água, do género Estilo contra estilo.

Os loggers vieram em peso, agora é esperar que os eventos apareçam e que sejam abertos a todos, porque todos têm a ganhar com isso, e ainda mais os mais novos.

Gliding Barnacles 2017

No início do Verão aconteceu com muitos convidados o Gliding Barnacles na Figueira da Foz, organizado pelo clássico local da zona Eurico Gonçalves, que juntou dezenas de loggers de todos os cantos do planeta. Entre os convidados estavam Kathleen Barrigão, Inês Ambrósio, Inês Ambrósio, José Pedro Esteves Marcos, Xico Zé, Pepe Birra, Israel Preciado, Riccardo Pietra, Ze Mestre, Javi Taladrid, Dani Alvite, Eurico Gonçalves, Matteo Fabbri, Mathieu Marechal, Nathan Sadoun, Eurico Romaguera, Hudson Ritchie e Jordan Spee. Ao que se juntou a lenda australiana Beau Young, ex-competidor WSL e músico atualmente, filho de Nat Young um dos maiores nomes do surf australiano dos anos 70 e várias vezes campeão.

Na Figueira da Foz por essa altura, a diversão é enorme e a harmonia entre todos, típico de génese de estilos atual e num convívio a durar 24 horas por dia.

No fim de semana de 11 e 12 de novembro, ocorreu um evento em Faro o Sliding Society 2017, pela mão do Clube de Surf de Faro e o carismático presidente, Manuel “Necas” Mestre, aproveitando este tempo de sol e ondas pequenas que ainda permanece por cá em Portugal.

Sliding Society Faro 2017

As ondas estavam minúsculas, mas o nível dos longboarders que estiveram presentes neste evento tornou-o excelente.

Só para nomear alguns para ficarem com a noção da qualidade dos participantes:
Augusto Olinto (competidor do LQS-Longboard Qualifying Series da World Surf League-WSL), Diogo Gonçalves (atual campeão nacional), João Dantas (bi-campeão nacional e campeão Europeu), Alberto Fernandes (atual campeão Espanhol), Luís Esteves e José Mestre.

Duas das categorias passaram a uma só e os longboarders ponderam usar qualquer prancha com mais de nove pés e foram julgados mais para o clássico, mas onde uma boa manobra progressiva não passava despercebida aos juízes de prova.

Raquel Bento/Sliding Society Foto: João Bracourt

As meninas também marcaram presença com uma final direta mas onde a atual campeã nacional Raquel Bento não faltou a chamada.

A prova terminou por volta das 16 horas onde os atletas aproveitaram para retemperar forças para a grande noite que se aproximava no Bar Madalena a partir das 19 horas.

A chegada ao Madalena todos os participantes tinham a sua espera uma exposição de fotos do nosso fotografo André Nogueira e uma exposição de pranchas antigas retros da coleção privada do Manuel Mestre podiam se ver pranchas Mark Richards originais do inicio dos anos oitenta e uma prancha single fin que pertenceu ao Wayne “Rabbit” Bartholomew nos anos setenta.

O Shaper da LUFI SURF CO, o Luís Filiep Bento, conhecido por LUFI. Foto: João Bracourt

Foram visionados também filmes de longboard e shortboard e o filme do evento todo filmado com drone.

Seguiu-se o jantar convencionado onde foram servidos dois pratos um de peixe e outro vegetariano acompanhado por um vinho tinto ou branco tornando este evento ainda mais especial, depois de toda a gente estar de barriga cheia passou-se a entrega dos prémios.

Zé Mestre H10 Foto: Sliding Society 2017

O melhor cruiser foi entregue ao Gonçalo Castro, o prémio El Capitan para o Madi, a melhor onda partilhada ao Madi e João Dantas, o estilo mais bonito a Mazari e ao terceiro lugar com a pontuação mais alta ao João Ventura. Ficaram com campeões entre todos o Augusto Olinto e a Maria do Rosário.

A noite acabou com um grande concerto do Daniel Kemish que durou até à uma da manha.

O atleta patrocinado da LUFI SURF CO – Augusto Olinto que venceu o Sliding Society 2017 Foto: João Bracourt

Concluindo, e aceitando o estilo será sempre importante para a modalidade, quer sejam progressivos ou clássicos, fica estético nas fotos, e que o futuro nos desportos de ondas passa por Portugal como uma potencia a crescer cada vez mais e com mais qualidade em todas as modalidades.


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