17 Ago, 2017

Bodyboarders e a sua atitude no mar – Parte I

Palex FerreiraMarço 16, 20176min2

Bodyboarders e a sua atitude no mar – Parte I

Palex FerreiraMarço 16, 20176min2

Desde há algumas décadas, que o bodyboard e seus atletas têm vindo a ganhar reconhecimento nacional e internacional, com inúmeros títulos (individuais e colectivos) para Portugal. Não lhe faltam atitude e gostam de ondas com rampas (wedges), além de dominar a arte de entubar, com vocês a arte do Bodyboard.

O que é o Bodyboard?

O Bodyboard surge, em meados de 1971 (segundo o site surftoday.com), pelo norte-americano Tom Morey, que desenvolveu uma prancha de Boogie. Segundo a história, Morey partiu a sua prancha, numa surfada no Havaí, e desceu (dropou) uma onda com o tronco do que restava da sua prancha de surf, esse terá sido o início do desenvolvimento e evolução do boogieboarding, ou bodyboarding. A partir daí surge uma marca, a Morey Boogie, na qual o Tom Morey foi fundador.

Mas muito antes disso, já o Capitão Cook, Séc XVIII (dezoito para quem não se lembra da numeração romana), chegou às ilhas do Havaí numa das suas incursões oceânicas, visualizou nativos que utilizavam tipos de “embarcações” mediante seu poder económico, uns teriam canoas, outros pranchas de SUP (StandUp Paddle) ou os paipos. Estes últimos tinham as características que conhecemos como sendo um shape de bodyboard, sendo mais fácil que surfar, porque não necessitava realizar o takeoff.

Para mais informação sobre este tipo de “embarcação pessoal” consultar: http://mypaipoboards.org/)

Tom Morey e a primeira prancha de Bodyboard – Morey Boogie (Fonte: surftoday.com)

De volta a  Morey Boogie, esta veio dinamizar outras formas de abordar as ondas, logo a evolução e as marcas não tardaram em desenvolver materiais para a prática dessa modalidade. O prazer de deslizar ondas é igual, mas as ondas mutantes ficam mais acessíveis para alguns atletas de bodyboard. E é disso que este artigo vai falar, o bodyboard em ondas mutantes e ocas.

Bodyboarders: atitude e rivalidade

Como o bodyboard não tem a necessidade de se colocar em pé (takeoff) na prancha, arrancando logo deitado ou com um pé e um joelho (dropknee)o que dá azo a “bocas” que o surf seria mais “difícil” do que bodyboard, muito devido a não necessidade do takeoff, arrancando logo em frente Isso criou alguma interferência num meio ambiente de praia, que era dominado por grupos de surfistas.

A evolução é sempre demorada e nessa modalidade veio comprovar que as performances dos bodyboarders se evidenciam mais em ondas fortes e ocas, sendo excelentes em condições pesadas, apenas munidos de a prancha, par de barbatanas e muita atitude para surfarem ondas mutantes, slabs, wedges, entre outros nomes dados pela comunidade surfística a ondas pesadas e buracosas

Os bodyboarders tendem a ser mais “atirados” e se arriscam em ondas e condições mais pesadas. Quando o mar sobe e quando se juntam duas ondas (wedges), conseguem criar momentos de adrenalina pura, através de manobras aéreas de elevada altitude e velocidade.

A destreza dos bodyboarders em surfarem ondas mutantes em todo o mundo é lindo de ser ver e por tal merecem o respeito de toda a comunidade.

 

Hoje, podemos testemunhar o surf de ondas gigantes através da onda da Praia do Norte (Nazaré) mediatizada por um havaiano (Garret McNamara), que conta com portugueses nas grandes surfadas, Hugo Vau, João de Macedo, António Silva entre outros tantos. Mas é importante informar e relembrar que anteriormente a isso, já havia testemunhos de grandes performances de bodyboarders portugueses, testemunhado pelo filme onde ficou gravada uma surfada na Praia do Norte, do Ricardo Faustino e do Luís Pereira “Porkito”, em Novembro de 2009, quando ainda pouco se falava deste spot de ondas grandes e pesadas.

As surfadas épicas em dias de Cave, Supertubos (Peniche), Peralta, Nazaré, Shipsterns (austrália), Pipeline (Havaí), entre outros milhares de ondas ocas, é de respeito ao mais alto nível. As performances que o bodyboarders conseguem ter em ondas pesadas é de elevar e muito o desporto que praticam.

Ainda os tubos de Mike Stewart (54 anos) em Pipe, desde 1983 no Havai ou até do ex-campeão nacional de Bodyboard Rodrigo Bessone (46 anos), demonstram que os anos passam, mas a atitude é a mesma.

Mike Stewart – 9 x Campeão Mundial – (Fonte: http://sciencebodyboards.net)

Passado alguns anos e depois de alguns bons surfistas terem passado pelo bodyboard, como é o caso do ex-campeão europeu e nacional, Hugo Carvalho “Jamaica“, entre outros tantos que para além de serem bons bodyboarders, também são surfistas que mandam uns tubos e surfam acima da média. Por isso não adianta desprezar os outros desportos, porque todos são diferentes, mas que no final interessa é o divertimento.

Não comparemos o que não é comparável, porque isso não tem nada a ver. Cada um no seu lugar, e em ondas pesadas, com degraus ou sem eles, os bodyboarders são destemidos aventureiros.

Podemos, na verdade, comparar atletas de cada modalidade, e tantos uns como os outros são excelentes, Mike Stewart é uma lenda do Bodyboard, Kelly Slater do surf, Joel Tudor do Longboard, Travis Pastrana das Motos, e assim por diante.

Cada desporto tem as suas características próprias e o bodyboard dá-se melhor em ondas mutantes.

Rodrigo Bessone – in “Sal nas Nalgas” (Via: Perfil Pessoal – Facebook)

Boa vivência

O bodyboard, o surf, o longboard, o Standup Paddle são diferentes formas de deslizar ondas. O problema das intrigas e falta de harmonia entre todos, é em grande parte, pela a falta de respeito pelos outros. Mas esse tema que promete muita escrita e fica para outra “surfada” aqui no FairPlay.

As performances dos putos em ondas monstruosas é de se louvar, em todos os spots mundiais. Se tiver “aquela onda sinistra”, vai ter sempre bodyboarders por perto. E são atitudes destas que merecem ser descritas. Tudo serve para deixar alguém feliz, e isso é que interessa.

E o bodyboard português? Bom isso falaremos em breve na Parte II, não perca o próximo capítulo.

Respect all! Aloha.

Dedicado ao meu irmão – Nuno “Alemão” Ferreira (1971-1993).

E a todos os meus amigos bodyboarders!!! #RespectAllintheWater

(Nota: eu próprio fiz bodyboard até 1991 ou 92, preferi sempre o Dropknee, mas mudei para o Longboard por opção, ainda eram poucos os que andavam de pranchas de 9 pés. Um dia voltarei com o meu amigo Nuno Fontinha da Miramarbbshop, só para me divertir…como sempre)

 


2 comments

  • Palex Ferreira

    Abril 20, 2017 at 2:21 pm

    Obrigado Hélio Conde, tens razão por lapso o surf em ondas normais não foi contemplado, mas a ideia era dar ênfase onde vocês bodyboarders são melhores, tubos, aéreos. Aloha e até breve na água.

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  • Helio conde

    Abril 4, 2017 at 8:46 pm

    tudo o que aqui disseste tem a sua razão, mas estas errado quando dizes que o bodyboard é só mutantes, o bodyboard é mais que isso e uma onda mole ou pequena, cavada, com uma boa linha de onda, com boas rotações, com manobras power pelo meio, é mais que divertido e o seu grau de dificuldade é muito grande, tão grande como surfares ondas mutantes e voos, e não esta ao alcance de todos, como é muito bonito de se ver. a fluidez . só queria dizer isto porque estão a querer meter o bodyboard num mundo que não é bem certo.abraço hélio conde

    Reply

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