18 Ago, 2017

O estado atual do Surf em Portugal

Palex FerreiraFevereiro 20, 20175min0

O estado atual do Surf em Portugal

Palex FerreiraFevereiro 20, 20175min0

Do desporto marginal para a modalidade com alto poder de atração do público; de praias para “locais” ao conhecimento e reconhecimento mundial; do amadorismo às superestruturas e profissionalização. O surf português em destaque.

Dos primórdios à atualidade

Na década de 70 eram poucos os aventureiros que se lançavam às ondas em Portugal, provavelmente pouco mais que uma centena de surfistas, que deveriam ser a população de surf em Portugal, de então.

Hoje em contrapartida, milhares de surfistas, de todos os níveis, aproveitam essa modalidade em conjunto, desporto que tem vindo a ganhar notoriedade numa sociedade que se tornou fisicamente mais ativa.

Cresceram as escolas de surf, aumentou o número de atletas, praticantes e profissionais, podendo afirmar-se que o surf já é uma realidade em Portugal. Onde já existem estruturas que permitem um ensino desde tenras idades, pelas escolas de surf, que espalhadas pela costa portuguesa se dedicam umas melhores que outras, ao ensino do surf para todos que assim o pretendam.

Junto a isso temos a FPS (Federação Portuguesa de Surf), gerida pelo surfista da velha guarda, João Aranha, que tem vindo a desenvolver um excelente trabalho para que jovens se tornem os futuros surfistas da elite mundial, através dos centros de alto rendimento e de treinadores credenciados, com planos já bem definidos do ponto de vista técnico e físico, permitindo assim, uma rápida evolução.

O surf passou da marginalidade ao mainstream, em 2017 já é difícil encontrar alguém que não saiba o que é o surf, devido em grande parte ao mediatismo da onda da Nazaré, das performances em ondas mutantes dos bodyboarders, das linhas clássicas dos longboarders, entre muitas outras formas de se divertirem no mar, partilhadas pelas redes sociais.

De Portugal para a elite do mundo

Vasco Ribeiro, Tiago Saca Pires, Fredrerico Morais [Foto: José Sena Goulão]
 

Nos anos 2000, Portugal teve o caso de sucesso do percurso competitivo do surfista da Ericeira, Tiago Pires o “Prince of Portugal – como o comentador e ex-campeão mundial de 1989, Martin Potter o chamou – que com muita garra partiu rumo à entrada da elite mundial, o top 32 WSL (World Surf League), cuja presença se manteve por uns anos, com algumas críticas por parte de portugueses mais céticos face ao estilo do seu power surf.

Em 2017 Tiago Pires assume outro papel, o de ser mentor de um talento português, Vasco Ribeiro, surfista com inúmeros títulos nacionais e que irá atacar os circuitos de qualificação (WQS – World Qualifying Series) para tentar fazer companhia ao já seguro Frederico Morais, que em 2016 ganhou um lugar nos 32 melhores surfistas do mundo. Podemos concluir que para chegar à elite, deve ser considerado o power surf, domínio de tubos, e surf em ondas pesadas, que esta nova geração surfa sem receios. E falamos de surfistas, bodyboarders, e presumindo que brevemente longboarders se juntem à elite da categoria.

De desporto raiz à potencial de mercado

É o preço da evolução que estamos a atravessar. Os surfistas da década de 70 até com apenas um fato, que por vezes já estava roto de tanto uso e uma prancha para todas as condições conseguiam divertir-se o surf era mais puro, não havia a obrigação da competição e de obter resultados para o patrocinador. Hoje um groom (atleta novo) sub 12 já pode ter 3 ou 4 pranchas para cada tipo de ondas, fatos para inverno e verão entre outros artigos. Isto é mais um retrato da evolução de uma modalidade de nicho para abranger todos os seus simpatizantes, sendo agora mainstream de fácil acesso a todos.

O estado do surf é hoje um espaço de potencial enorme para marcas ganharem mais engagement (numa linguagem de puro marketing), de se aproximarem dos seus clientes numa versão mais cool, e claro que é muito mais rentável economicamente.

De facto, o Surf cresceu muito nos últimos anos, as empresas associadas ao surf multiplicaram-se – marcas de roupa, pranchas, fatos, lojas, e até tecnológicas (previsões de tempo, relógios com informação GPS, entre outras) – e usaram esse arranque da modalidade para se desenvolverem.

O progresso

A evolução foi lenta, demorou 30 anos ou mais, mas valeu a pena todo o esforço de todos os envolvidos (organizadores, surfistas, público, marcas etc), pois atualmente Portugal apresenta uma superestrutura que organiza vários eventos, nacionais, internacionais e uma etapa do circuito mundial em Peniche.

Portugal no centro das atenções do surf mundial. [Foto: Pedro Mestre]
 

Esse crescente número de provas internacionais, nacionais e regionais, junto com as características climatéricas que Portugal tem em relação à Europa, permitem concluir que este mercado pode representar um forte valor ao país, porque trabalha desporto, turismo, praia e uma modalidade da moda. Logo as previsões são bastante sorridentes, para todos os intervenientes.


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