23 Out, 2017

Locals or not- A questão do respeito no mar

Palex FerreiraAbril 15, 20177min0

Locals or not- A questão do respeito no mar

Palex FerreiraAbril 15, 20177min0

O desporto é em geral, feito em determinada zona geográfica, e devido à repetição das rotinas, muitos adquirem pensamentos de pertença, a uma zona que não tem dono. No caso o mar é de todos, e de todos se deve manter, porque todos temos direitos a estar livremente em todo o lado (daí falarmos em democracia e liberdade).

Todos os que surfam tendem a ter ou a tentar ter tendências territoriais com as zonas onde praticam a sua atividade, com que fundamento?

O Localismo é palavra antiga, mas o problema maior por vezes, a meu ver, é a falta de respeito por quem não conhece e chega de forma intrusiva e desrespeita quem por lá anda.

Se no Golfe não é permitido ir para os greens, enquanto não se sabe os mínimos, porque razão no mar é a selva, entre inexperientes e experientes (assim por dizer)?

Não há nada que informe as regras do bom senso na praia e nos mares, apenas existe o bom senso, tal como nas estradas, nos passeios, existe ou deve existir.

O Crowd. Foto: SurfScience.com

Os Havaianos são locais agressivos, porquê? Porque o território não dá as ondas grandes e boas todo o ano, e quando dá, aparecem milhões de turistas ou como eles denominam de “haoles” a invadir o paraíso.

Na Caparica, onde surfo diariamente, vejo grupos em praticamente todas as praias, vejo imensa gente na água, mas no fundo não costumam existir assim tantos problemas, o que é sinónimo de evolução dos surfistas (englobando todos os que deslizam nas ondas).  Claro que como ironizei com a estrada, de vez em quando existem problemas, que costumam ficar sarados logo aí, de forma a não recorrer às autoridades, os problemas são resolvidos na hora. E porque se trata de uma zona à semelhança da Linha de Cascais, de zonas metropolitanas, onde vivem milhões de pessoas.

Crowd area. Foto: Surfer.com

A questão da massificação de gente a surfar ou a deslizar nas ondas.

Cada vez há mais gente no mundo, e já existem poucos recantos sem ninguém, não podemos ser ermitas e viver numa bolha sem ninguém por perto. A meu ver a “moda” do surf veio para ficar, de forma forte e claro, que com muito mais gente do que era, quando era considerado um desporto um pouco alternativo, marginal, faz parte da evolução de uma modalidade que sabe bem fazer.

O mercado que depende dessa gente toda, ganha-se muito dinheiro, as escolas de surf, as marcas de surf, as lojas de surf, as marcas de pranchas, de fatos, de tudo que se relaciona com o surf. Mas é preciso ser ponderado, porque há espaço para todos.

Os horários fora das 09h00-18h00 mete mais gente disponível para desportos, logo durante a semana e fim de semana a praia está cheia, ou com muita gente, mas vivendo nós num país com quase 1000 quilómetros de comprimento e plantado à beira mar, existe ainda espaço para encontrar locais com menos gente.

O Localismo é no fundo uma questão de defender a terra, a região, o país, existem grupos de surfistas mais aqui do que ali, é de notar que por vezes se acham locais por estarem no mesmo local durante algum tempo.Depois nem conhecem a história e os pioneiros da zona e por vezes tentam removê-los da zona que também é deles, então quem é o local, é o puto groom que surfa há 5/6 anos todos os dias, ou o veterano que surfa desde groom (décadas de surf)? Nem um nem outro, a praia é de todos, mas deve haver respeito, de ambos. E nesses casos por vezes fala-se de Localismo, sem se saber ao certo do que se fala.

O respeito deve acontecer sempre e quezílias vão sempre existir. O surf cresceu muito e de forma rápida, as pessoas que usam a praia, já respeitam a malta que se senta à espera de ondas, porque sabem que assim em caso de necessidade esses os salvarão.

Deveria e penso que existe e reina por cá algum bom senso entre o crowd, até porque dessa forma até corre melhor as ondas, a malta vai para se divertir e não se chatear. É normal que os melhores sejam mais energéticos e por isso se tornam “chatos” nas zonas, mas é assim, no mar não é como nas estradas, neste aspeto, mas também se buzina quando um acabado de tirar a carta ou um velhinho anda fora do regular movimento da estrada.

O territorialismo do humano é em tudo o que faz, no seu país, na sua casa, em todo o lado, existe a máxima “A minha liberdade acaba onde começa a dos outros” e deve ser respeitada assim mesmo.

O Localismo é no fundo a defesa da zona onde se pratica, de forma a proteger a zona, o bom senso, e não apenas visto pelo lado negativo, o da violência (até porque isso para além de não resolver nada, ainda dá chatices com autoridades, e outras chatices chatas…) por isso devemos ter em consideração tudo e todos, sejam surfistas, longboarders, Bodyboarders, Sup’ers, banhistas, todos os indivíduos que procuram ir até à praia para relaxar e divertir.

Um dos mais temidos grupos de Locais, DA HUI Made in Hawaii. Foto: SurferToday.com

Não à violência

Não à violência é um trunfo numa sociedade inteligente, que sofre atentados “terroristas” dos Daesh, Hooligans, Grupos racistas, etc., já chega de cenas violentas, stresses, guerras, entre outros factores negativos, queremos é paz e bem-estar em todo o lado, principalmente onde nos sentimos bem, no mar.

A findar, os que mais viajam são os que mais entendem que o Localismo não resolve nada, porque só quem não sai do seu canto é que pode pensar nisso, mas neste país (Portugal) com tantas ondas, porque haverá necessidade disso, o que acorda esses sintomas de pertença, é como já foi referido, a falta de respeito de alguns que se acham melhores, os mais espertos (chico-espertos) que os restantes, mas se todos se respeitarem tudo correrá bem. O Crowd hoje em dia é uma realidade que não existia há 40 anos, e então, temos que nos adaptar, ceder por vezes, tal como o fazemos quando decidimos que vamos viver com outra pessoa, não pode ser tudo como era.

Como autor deste artigo sei que vou ouvir algumas bocas, porque sou Local do Mundo, e respeito tudo e todos, desde que me respeitem (risos). Mas também já me habituei a isso.

Espero que se divirtam no mar, em terra, no ar e em todo o lado sem problemas, porque não vale a pena.

Agora quem compete e se habituou a surfar em todo o lado, por vezes dá para rir, algumas atitudes de pessoas que apareceram muito depois, mas que falam de localismo, e quando estão em locais onde isso existe nem reagem. Por isso deixem-se de cenas e sejam felizes e evoluam na forma de surfar (incluo todas as formas de deslize nas ondas).

Nota:  por Portugal o crowd ainda é relativo, comparando com países como a Austrália, onde chegam a ser mais de 300/400 por praia, por isso Crowd em Portugal ainda está bem longe da realidade (e ainda bem) americana e australiana e brasil. A título particular lembro-me de em 1999 na Austrália com os meus amigos Lufi e Necas, em Manly Beach onde eram mais que as mães e conseguimos surfar umas belas ondas, por isso deixem-se de cenas e sejam respeitadores e felizes.

#Aloha a todos


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