24 Nov, 2017

Como se ensina o surf pela Caparica

Palex FerreiraMarço 28, 20179min0

Como se ensina o surf pela Caparica

Palex FerreiraMarço 28, 20179min0

Nos últimos anos temos vindo a reparar, enquanto surfistas livres, que cada praia e cada spot tem por norma uma ou mais escolas de surf a funcionar. É o preço da massificação da melhor experiência do mundo, o de deslizar numa onda. Sensação única, que, actualmente, muitos procuram numa escola de surf perto de si.

A alta no ensino de surf, bem como o aumento de provas, são sinónimos de que a modalidade do deslize está a crescer e bem. Há alguns anos, esta modalidade era só para a malta mais autodidacta, que tentava se equilibrar em cima das pranchas, sem ter ninguém para dar dicas, tendo que aprender tudo à custa de muitas horas de surf.

Com o tempo muita coisa mudou, actualmente o acesso à pratica desse desporto está tão massificado, que é super fácil encontrar alguma “coisa” perto da zona de residência ou de férias para praticar. Na Costa de Caparica existem dezenas de escolas, bem como na Linha de Cascais e um pouco por todo o País.

Mas o Mercado do Surf é um activo que cresce anualmente de forma controlada ou descontrolada? Não sei, apenas visualizo que praticamente todas as praias têm escolas de surf, isso é bom para o mercado e para quem trabalha nele. Pois cria mais emprego, traz mais visitantes ao nosso país, consequentemente gera receitas ao turismo português.

Aulas de surf em ação. [Foto: Dario Rodrigues]
 

Porém, como será o futuro deste negócio, que cresce de ano para ano, em todo o lado? Os professores são certificados? Como confiar e escolher uma escola de surf? Há treino/ensino há todos ou é necessário alguma experiência na modalidade?

Apesar do crescimento ser ótimo a economia e ao desporto, muitas questões ficam em aberto e geram dúvidas a todos. Por isso, para perceber melhor forma de como é ou são dadas as aulas, as quais variam de escola para escola, de professor para professor, e como o mercado de escolas de surf tem-se comportado, nesse novo cenário da modalidade em Portugal.

Conversei com uns companheiros de ondas, Dário Rodrigues e Leonor Bento, Nokas para os amigos, que dirigem a Lufi Surf School.  Dário é surfista há mais de 30 anos e Nokas foi campeã de longboard em 1998 e é irmã de um dos maiores nomes de Longboard nacional e mundial, detentor de 5 títulos nacionais, conhecido nas praias por Lufi, que orgulhosamente viu a sua filha, Raquel Bento sagrar-se campeã nacional de Longboard, em 2016.

A escola abriu as suas portas na Costa de Caparica em 2009, é uma escola certificada pela Federação Portuguesa de Surf e inscrita no Turismo de Portugal. Eles nos explicam um pouco mais sobre a dinâmica desse mercado.

fp. Actualmente existem muitas escolas, o que a vossa escola tem como vantagem competitiva que a difere de outras?

LSS. A grande diferença está na qualidade das nossas aulas e a atenção que damos a todos os nossos alunos. Para tal apostamos em bons treinadores certificados, métodos de ensino correctos e na segurança, quer através de rácios correctos alunos/treinador. quer através de número máximo de alunos na água por sessão.

fp. O ensino de surf actualmente está organizado de melhor forma, devido ao boom dos últimos anos, o que terá catapultado essa procura, para se iniciarem neste desporto?

LSS. O aumento da procura, e de número de praticantes efectivos, é, precisamente, pela facilidade com que agora qualquer pessoa se pode dirigir a uma escola e sentir-se em segurança e com companhia para se iniciar neste desporto. Aproveitamos para aconselhar a quem procure uma escola que se informe bem se esta é legal, que treinadores têm, como funciona, se tem instalações, seguros, etc.

fp. Em termos competitivos como preparam os vossos atletas para as provas, psicologicamente e fisicamente? Que tipo de treino é destinado ao aspirantes a carreira competitiva?

LSS. Temos vários níveis na nossa escola:

Iniciados: para todos aqueles que estão a começar com aulas simples com os princípios e métodos básicos.

Intermédios: para aperfeiçoamento daqueles que já controlam e fazem o básico. Nesta classe já há também alguma introdução de exercícios específicos para surf

Avançados: para aqueles que querem evoluir mais em termos competitivos ou apenas como freesurf. Esta classe já possui um esquema mais completo de treino, com exercícios específicos, objectivos e analise de vídeos e fotos após o treino.

fp. Hoje o número de formadores é elevado, devido à existência de cursos para esse efeito, como escolhem os “professores”, para a vossa escola?

LSS. O perfil dos treinadores para a nossa escola é um ponto fundamental; a sua formação e certificação pela FPS e IPDJ são pontos que, aliados à educação e idoneidade do seu carácter, são determinantes na nossa escolha.

fp. As marcas do surf colaboram/patrocinam a atividade?

LSS. Somos uma escola powered by Deeply e com o apoio e parceria do Hotel Costa de Caparica.

fp. O facto de estarem associados a uma marca, permite mais credibilidade, ou isso não é importante para o sucesso do ensino?

LSS. O sucesso de uma escola estará sempre ligado à qualidade do seu ensino, nunca por causa da marca que representa ou a patrocina. O facto de estarmos associados a três marcas de renome como a LUFISURFCO, a Deeply e o hotel do Hotel Costa de Caparica (futuramente Tryp Lisboa Caparica Mar) é um orgulho e uma responsabilidade acrescida.

fp. Como interagem os atletas da LUFI SURF CO, com os alunos da vossa escola?

LSS. Temos por vezes a oportunidade, quando estão em Portugal, da sua ajuda nas nossas aulas e troca de ideias sobre os métodos de ensino praticados noutros países.

fp. Uma última palavra sobre vocês e o que, quem procura por uma determinada escola, deve ter em conta, por exemplo o que procura um aspirante a iniciar-se no surf, como comunicam?

LSS. Quem queira procurar uma escola para se iniciar deverá ter sempre em atenção a certificação da escola e dos treinadores pela Federação Portuguesa de Surf e Instituto Português de Desporto e Juventude, se tem as licenças da capitania e seguros em dia e que instalações possui ou se as tem. Para além disto tudo também se deve informar como e onde funcionam, os seus métodos, rácios alunos/treinador e o seu número máximo por aula.

O que não podemos nos esquecer

Após esta conversa com estes dois amigos meus, podemos perceber como uma escola de surf deve funcionar e o que os potenciais alunos devem procurar. Como professores certificados, escolas com bom rácio entre intrutores e alunos, licenças e outros critérios de segurança que farão a experiência em surfar uma onda ser única e inesquecível.

Fora esse exemplo, vejo que os processos de aprendizagem utilizados, são de uma forma geral, igualmente usados na grande parte das escolas. Acredito também, que não se dê aulas apenas pelo sentimento de ganhar dinheiro, mas mais pelo prazer de ensinar esta arte que é o deslizar nas ondas.
(Nota: que me desculpem os outros tantos amigos com escolas de surf, mas não dava para escrever sobre todas.)

Espero e acredito que a maioria destas escolas funcionem de forma legal, porque as multas não devem ser de fácil digestão. Sendo que dessa forma tornam-se num negócio ainda maior e mais protegido para todos, cuja dimensão crescerá muito mais.

Crowd caos [Foto: Facebook.com/xtremesurfers – Pedro Morais]
 

A praia e o surf como porta de entrada para turistas

O surf está de boa saúde actualmente, mas como será suportar este crescimento no futuro? A resposta está em cada vez mais em empregar força de trabalho especializada na área do lazer, e assim por dizer, no serviço do turismo. Porque as escolas de surf, no geral, prestam um serviço de turismo. Associado à esta actividade de ensino, temos cada vez mais locais de acolhimento, as chamadas surfhouses, que em sua maioria estão interligadas a escolas de surf, reforçando ainda mais a vertente turística.

Turismo em si muito bom e importante ao país, mas cabe a todas as escolas de surf assegurar e evitar problemas com a restante população que surfa.

Aos que querem fazer surf, vejam uma escola de surf perto de vocês e experimentem, não vão querer mais nada. Espero que todos sejam felizes, e que se dêem bem, mas não se esqueçam dos que já cá andavam, e que ainda procuram o surf como um estilo de vida.

#Aloha


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