23 Ago, 2017

Tiago Silva. “Senti-me um Jimmy White português”

Xavier OliveiraAbril 16, 20179min0

Tiago Silva. “Senti-me um Jimmy White português”

Xavier OliveiraAbril 16, 20179min0

Tiago Silva, vice-campeão nacional e da Taça de Portugal de snooker em título. O Fair Play esteve à conversa com aquele que é indiscutivelmente um dos maiores talentos dos panos verdes em Portugal. É ainda co-proprietário de um espaço excelente em São João da Madeira, onde é possível jogar snooker ao mais alto nível e com uma qualidade digna de profissionais. Não perca por isso mais uma excelente entrevista do Fair Play. 

fp. Quando estive à conversa consigo há cerca de um ano, era atleta da Sanjoanense. Esta época alinha por um dos clubes mais acarinhados em Portugal, a Académica de Coimbra, conte um pouco como se deu essa mudança.

TS. O convite da AAC surgiu após ter sido vice-campeão nacional. A Académica como clube todos os anos tenta criar equipas competitivas nas diversas modalidades que incorporam o clube e foi essa ideia para esta época na secção de bilhar, daí ter surgido a minha contratação.

fp. Atendendo à maior dimensão da Académica, sente uma pressão maior quando vai jogar os torneios?

TS. Os objectivos são os mesmos de sempre, que é ganhar os open’s em que participo. Sinto sim uma maior pressão na hora de jogar pelo facto de terem acreditado no meu valor e me terem contratado. Essa pressão é criada por mim próprio, já que a equipa em si é muito competitiva, existindo um grande espírito de camaradagem entre todos. Eu pessoalmente quero obter sempre os melhores resultados possíveis para ter sempre o nome da Académica associado a bons resultados.

Tiago Silva com o seu companheiro de equipa Pedro Neves (Fonte: Facebook Pedro Neves)

fp. Como é que está a correr a aventura por terras conimbricenses, quer em termos de equipas quer em termos individuais?

TS. Por equipas não poderíamos estar melhor, sendo que todos os jogos que eu disputei ganhamos todos, contabilizando apenas uma derrota na primeira jornada frente à equipa B, na qual eu não participei. Tive oportunidade de jogar com o Pedro Neves e um dos melhores jogadores do pool nacional, o Bruno Sousa, fazendo sempre uma excelente parelha com qualquer um dos dois e excelentes breaks nos jogos disputados em pares. Em termos individuais, tive um excelente arranque de época onde venci 3 open’s consecutivamente e um quarto onde fui finalista. Quase coloquei a presença na fase final nacional em causa com um boicote que fiz ao quinto open, como forma de protesto devido a algumas falhas existentes no sistema. Mas no fundo o mais importante foi conseguido, que é o meu apuramento para a fase final individual.

fp. Em Junho do ano passado perdeu duas finais em apenas um fim-de-semana, foi difícil digerir essas derrotas? Olhando agora para trás, o que é que faltou naquela altura para o desfecho ter sido diferente?

TS. Na altura não me abri com muita gente sobre o assunto, mas penso que os moldes de competição não contemplaram o cenário de que um jogador se poderia apurar nas duas frentes (Campeonato Nacional e Taça de Portugal). Devido a isso houve uma má gestão dos horários por parte da federação, onde dei por mim a jogar várias horas de forma ininterrupta, inclusive as duas finais, com várias rondas a serem disputadas durante a tarde e a final do campeonato a ser apenas concluída na madrugada de domingo para segunda. Esse foi para mim o principal factor para ter falhado a vitória na final do campeonato nacional. Na Taça de Portugal joguei com um Nuno Santos muito forte, sendo que não esperava chegar a essa final e principalmente disputá-la apenas na tarde de domingo, onde joguei outras rondas do campeonato, o que também não ajudou nada para vencer esse encontro da taça.

fp. E para esta época quais são os objectivos para a fase final tanto a nível individual como por equipas?

TS. Eu gostava de este ano terminar o que deixei por fazer o ano passado, ou seja vencer o Campeonato Nacional individual pela primeira vez. Após perder duas finais num fim-de-semana quase acabei por me sentir um “Jimmy White português”, algo que eu apelidei a mim próprio. Nunca disputei uma fase final por equipas, e por isso quero muito ajudar a AAC a ser campeã nacional, fazendo valer o valor que depositaram em mim. Somos claramente uma das equipas favoritas a vencer a fase final, a par de outros conjuntos fortes que lá vão estar presentes.

fp. Explique aos nossos leitores como é que alguém como o Tiago, conseguiu atingir o nível técnico a que está no snooker sem nunca ter sido treinado por alguém.

TS. Eu penso que seja o facto de ser perseverante e ser um autodidacta, sendo que o sou desde que me conheço em várias áreas da minha vida. Desde uma leitura exaustiva de livros à visualização de muitos vídeos e também o facto de ter uma boa capacidade e facilidade em treinar sozinho, algo que para a maioria dos jogadores é extremamente difícil, são para mim os principais factores que determinaram a minha escalada no snooker, fazendo com que a minha evolução seja constante.

Tiago Silva a festejar a vitória do 3º Open individual (Fonte: Tiago Silva)

fp. Em Fevereiro passado, no decorrer do 5º Open individual de snooker, recorreu à rede social Facebook para tecer duras críticas à forma como alguns atletas não estavam a lidar da forma mais profissional com a modalidade. O que é que se passou efectivamente para que tal tenha acontecido?

TS. Na minha opinião quando as pessoas se inscrevem num campeonato federado, os atletas têm de encarar a competição com compromisso e profissionalismo. Esses jogadores têm de entender que existem casas que investiram muito dinheiro para poder ter mesas de snooker disponíveis ao púbico e à competição, em vez de usarem esse dinheiro para outro tipo de entretenimento que poderiam ocupar nesse mesmo espaço. Daí a minha revolta aquando dessa publicação no Facebook, muito por culpa da falta de responsabilidade desses jogadores.

fp. O mundial está aí ao virar da esquina, e como todos os amantes do snooker, tem de certeza um favorito à vitória. Quem para si está na “pole position” para erguer o troféu no final?

TS. Eu arrisco em dizer o Marco Fu. Atendendo à consistência que mostrou durante a época e pela calma que demonstra em competição, é ele a minha aposta para vencer o mundial deste ano. Mesmo não tendo vencido vários torneios em que participou, penso que por aquilo que fez esta temporada é um espelho daquilo que pode fazer em Sheffield.

fp. Já lá vai mais de um ano desde a abertura da British Avenue, qual é o balanço que faz desde a abertura do espaço?

TS. Como qualquer projecto, é algo evolutivo, vai conquistando clientes mês a mês. O snooker continua em grande destaque desde a abertura da casa, sendo que temos alguns projectos em mente para fomentar a modalidade. O próprio espaço físico já sofreu remodelações, menos de um ano depois da sua inauguração, tendo agora também um espaço de bar.

British Avenue em São João da Madeira (Fonte: Facebook British Avenue)

fp. Em jeito de finalização faça um apelo para as pessoas se deslocarem à British Avenue durante o mundial, e não só, para conhecer mais de perto a realidade de uma mesa de snooker e experimentarem todas as outras actividades disponíveis no espaço.

TS. Como um dos gestores da casa, faço o apelo às pessoas para virem cá acompanhar o mundial de snooker. Estando aqui presentes podem inclusive esclarecer algumas dúvidas que possam surgir ao ver alguma jogada na televisão e com isso ter a oportunidade de eu próprio explicar como se sucedeu essa tacada, exemplificando na mesa que cá dispomos. Ao mesmo tempo e aproveitando a vinda desses clientes aqui, podem também experimentar os nossos simuladores automóveis de última geração.

O Fair Play agradece ao Tiago Silva, pela disponibilidade e simpatia demonstrada em todo o processo de pré e pós entrevista. Desejando as maiores felicidades e o maior sucesso à British Avenue, e ao Tiago Silva como um dos responsáveis do espaço, e também como atleta de snooker.


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