20 Ago, 2017

“The King of the North”

Xavier OliveiraNovembro 20, 20168min0

“The King of the North”

Xavier OliveiraNovembro 20, 20168min0

O regresso do circuito profissional de snooker a terras norte irlandesas deu-se este ano, sendo que tal já não acontecia desde 2008. Numa final onde estiveram presentes dois ingleses, Barry Hawkins e Mark King, sendo que essa final daria um excelente argumento para um episódio da série Guerra dos Tronos, tal como indica o título deste artigo. Confira também aqui os resultados dos dois primeiros opens de snooker que se disputaram para o campeonato nacional.

Foi no Titanic Exhibition Centre que se jogou este Northern Ireland Open. Com algumas ausências de peso como foram os nomes de Mark Sleby, Stuart Bingham, Neil Robertson e Judd Trump, todos por opção e com o objetivo de começarem a preparar o UK Championship que aí se aproxima. A primeira ronda contou com 128 jogadores à partida, sendo que as surpresas começaram logo aí com as eliminações de Stephen Maguire, Shaun Murphy e Ding Junhui, o que não deixa antever nada de bom para estes num dos maiores torneios da temporada que se joga este mês. Na segunda ronda onde só já restavam metade dos jogadores que alinharam à partida, de entre os favoritos destaca-se a queda prematura de Marco Fu e Liang Wenbo. Este último era o único que ainda tinha a esperança de conseguir arrecadar 1 milhão de libras, já que tinha vencido o English Open e para conseguir tal feito teria de vencer as provas da Irlanda do Norte, Escócia e País de Gales. Com o afastamento de mais dois candidatos ao título, sobravam assim poucos favoritos.

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Linang Wenbo @ Facebook World Snooker

A queda dos grandes favoritos

Na terceira ronda, mais dois jogadores de segunda linha ficaram-se pelo caminho, casos de Joe Perry e Ricky Walden. Na ronda seguinte, a quarta, homem da casa, e um dos grandes favoritos à vitória, Mark Allen lá foi conseguindo levar a melhor até então, mesmo não estando a jogar um snooker muito vistoso, tendo nesta ronda batido Gary Wilson por 4-3. Quem não teve a mesma sorte foi Ronnie O’Sullivan que frente a uma das grandes promessas do snooker mundial, claudicou, perdendo por 4-3 para Kyren Wilson. O jovem inglês esteve a vencer por 3-0, acabando por permitir que Ronnie empatasse a contenda a 3, mas na negra Kyren Wilson manteve nervos de aço e bateu o “The Rocket” por 4-3, carimbando assim a passagem para os quartos-de-final. Mas o grande encontro desta ronda teve como protagonistas John Higgins e Mark Williams. O escocês vinha com a moral em alta, já que tinha vencido os dois últimos torneios, o China Championship e o Champion of Champions, apesar de nenhum dos dois ser pontuável para o ranking. Como se isso não bastasse fez uma entrada de 147 pontos na ronda anterior, o que dizia bem da tarefa complicada que o galês ia ter pela frente. Mas a verdade que Higgins eclipsou-se totalmente e caiu aos pés de um dos seus grandes rivais, perdendo por 4-1.

Os quartos-de-final jogaram-se no antepenúltimo dia da prova e tiveram o seguinte alinhamento: Hossein Ayouri vs Mark King; Kyren Wilson vs Mark Williams; Michael White vs Barry Hawkins e Mark Allen vs Anthony Hamilton. No primeiro encontro, estavam duas das grandes surpresas no torneio, com o iraniano Hossein a fazer a sua estreia numa fase tão avançada de um torneio frente ao experiente Mark King, que também há muito tempo não alcançava uma fase tão adiantada da prova. O inglês impôs a sua experiência frente ao asiático e bateu este por 5-3. Num encontro que que era aguardado com alguma expetativa, Kyren Wilson e Mark Williams deram um bom espetáculo, com o primeiro a vencer na negra por 5-4. Barry Hawkins foi um daqueles jogadores que até aqui foi cumprindo o seu papel sem ninguém reparar muito nele. Também fez o que lhe competia nesta ronda e bateu o galês White por 5-2. O único norte irlandês ainda em prova, Mark Allen, acabou por claudicar frente ao veterano Anthony Hamilton que com um snooker muito bom levou de vencida um dos grandes favoritos por 5-2.

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Mark Allen no Northern Ireland Open (Foto: livesnooker.com)

As meias-finais como se pode perceber pelo seu alinhamento, Kyren Wilson vs Mark King e Barry Hawkins vs Anthony Hamilton, tinha dois claros favoritos a atingir a final, mas será que os dois conseguiram confirmar o seu favoritismo? Wilson e King já se tinham defrontado duas vezes anteriormente, com cada um dos dois a vencer um dos encontros. Na Irlanda do Norte, Mark King entrou “a matar” e ao cabo de cinco frames já vencia por 5-0! Kyren Wilson ainda esboçou uma reação vencendo os dois frames seguintes, mas acabou por sair derrotado por 6-2. Ao fim de 12 anos Mark King conseguiu assim regressar a uma final de um “major”. Hawkins e Hamilton só se tinham defrontado por uma vez anteriormente, com o mais cotado dos dois a ter levado de vencida na altura esse encontro que data de 2011 no campeonato do mundo. Hawkins até entrou melhor no encontro e esteve a vencer pelos parciais de 4-2 e 5-3. Mas Hamilton puxou dos galões e empatou o encontro a cinco frames, levando a decisão para a “negra”. Aí um erro clamoroso e amador de Hamilton ditou a vitória de Hawkins. Com certeza que Hamilton irá recordar para todo sempre esse erro que o afastou da tão desejada final.

O coroar do “rei” Mark

A tão aguardada final foi o 11º encontro entre ambos, com um “head-to-head” muito equilibrado, de cinco vitórias para cada lado. É certo que Mark King já tinha feito muito mais do que era expetável à partida mas tinha aqui uma oportunidade de ouro frente a um jogador como Hawkins, que apesar de ser favorito frente ao compatriota, tinha contra o si o fator psicológico que tantas vezes o atraiçoa. Na primeira sessão da final, Hawkins entrou mais concentrado que o seu compatriota, aproveitando os erros de Mark King para se colocar a vencer por 5-1. King acabou por recompor-se e venceu os dois frames seguintes, minimizando estragos, tendo saído a perder para o intervalo do encontro por 5-3. A segunda sessão trouxe um Mark King totalmente diferente e muito menos perdulário na hora de embolsar as bolas. Venceu os quatro frames da primeira parte dessa sessão, saindo para o intervalo a liderar por 7-5. Na segunda parte da última sessão, Hawkins recuperou da desvantagem sobrevivendo a um verdadeiro ‘thriller’ no 16º frame, conseguindo levar o encontro a ser decidido na “negra”. E nesse decisivo 17º frame, Mark King manteve uma calma impressionante para garantir a vitória deste Northern Ireland Open, o primeiro torneio que ganhou na sua carreira, que já começou em 1991.

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Foto da praxe antes do encontro (Foto: Twitter World Snooker)

O snooker em terras lusas

Nota de destaque ainda para os resultados dos dois primeiros opens já disputados em solo nacional. Na zona Porto/Aveiro/Braga, o agora jogador Académica de Coimbra e ex-Sanjoanense, Tiago Silva venceu ambos os opens, batendo na duas finais o atleta do Free Ball, Luís Alves. Já na zona de Coimbra, no primeiro open Guilherme Santos bateu Rui Santos na final e no segundo open foi a vez de Rui Santos vencer o encontro frente ao jovem Guilherme Lemos. Na zona Lisboa/Setúbal, João Grilo, jogador do Sporting CP, venceu ambos os opens tendo batido na primeira final o campeão nacional em título, Diogo Badalo e na segunda das finais, Henrique Correia. Na zona de Évora, Alexandre Almeida venceu o primeiro open, tendo Rui Florindo arrecadado a vitória no segundo open. O terceiro open disputa-se por todo o país entre os dias 9 e 11 de dezembro.

CALENDÁRIO DOS PRÓXIMOS TORNEIOS:

22/11 – 04/12: UK Championship (PR*)

12/12 – 18/12: Scottish Open (PR*)

*PR – Prova pontuável para o ranking

 

RANKING

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Ranking após o International Championship (Foto: World Snooker)


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