21 Ago, 2017

O “capitão” comandou as operações na China

Xavier OliveiraAgosto 2, 20167min0

O “capitão” comandou as operações na China

Xavier OliveiraAgosto 2, 20167min0

O regresso do circuito profissional de snooker a terras chinesas aconteceu no final de julho, com o World Open a realizar-se na cidade de Yushan. Na final estiveram presentes dois “velhos” jogadores conhecidos da segunda linha do circuito. Foram eles, Carter e Perry, sendo que a vitória acabou por sorrir ao primeiro, numa final onde o “capitão” foi mais eficaz contra um “gentleman” que sabe o que é praticar bom snooker.

As qualificações para este torneio foram jogadas no início do mês de junho no Preston Guild Hall, onde dos favoritos que lá estiveram presentes nenhum vacilou, tendo todos garantido presença no quadro final. O elenco que esteve presente na China era muito forte com nomes como Shaun Murphy, Mark Williams, John Higgins, Stuart Bingham, Barry Hawkins, Mark Selby, Judd Trump e Neil Robertson. Qualquer um destes era favorito à vitória final, mas todas as cautelas eram poucas já que haviam jogadores de segunda linha que são sempre adversários perigosos. Dos jogos que se disputaram relativos à fase de qualificação já em solo chinês e também à primeira ronda do quadro final, não houveram quaisquer surpresas, com todos os grandes favoritos à vitória final a seguirem em frente. Não sendo jogadores de primeira linha, foi sempre com algum espanto que se viu a queda prematura de Luca Brecel, Stephen Maguire e Marco Fu logo na primeira ronda.

Fonte: Facebook World Snooker
Fonte: Facebook World Snooker

Já em relação à segunda ronda onde só já restavam 32 dos 64 jogadores que alinharam à partida para este torneio, houve lugar a algumas surpresas. Barry Hawkins foi uma das vítimas desse dia. O inglês acabou por ser afastado pelo galês Ryan Day, perdendo por 5-4. Seguiram-se Stuart Bingham, que depois de ser campeão mundial em 2015 entrou numa maré péssima de resultados, onde acabou por perder para o “capitão” Ali Carter, sendo que com esta derrota Bingham soma o oitavo desaire consecutivo frente ao compatriota. A maior das surpresas desta ronda estava reservada para o campeão do mundo em título, Mark Selby. O inglês deixou-se surpreender pelo tailandês Thepchaiya Un-Nooh, acabando por sair derrotado por 5-3. Também foi por pouco que John Higgins não foi afastado por o inglês Michael Holt, já que teve de suar bastante para levar de vencida o inglês por 5-4, depois de ter estado a perder por 4-3. A sessão da tarde também trouxe surpresas no que toca aos favoritos. Judd Trump cometeu demasiados erros frente a Zhang Anda que não desperdiçou a oportunidade e deixou pelo caminho o inglês, selando a vitória por 5-2. Zhang Anda que foi o único chinês a garantir presença na terceira ronda do torneio, já que o maior favorito do público da casa acabou por desiludir muito ao acabar afastado desde logo nesta segunda ronda. Ding Junhui era realmente o jogador em quem os chineses depositavam mais esperanças mas este perdeu por uns esclarecedores 5-1 frente a Ben Woollaston.

A terceira ronda que já contava com apenas 16 jogadores, destacavam-se dois encontros bem interessantes. Neil Robertson vs Ryan Day e John Higgins vs Mark Williams. No primeiro encontro, o australiano era favorito mas contudo o histórico de confronto entre ambos mostrava que Robertson tinha de ter muitas cautelas, já que em 8 encontros venceu metade, tendo perdido outros tantos. Já o segundo embate, opôs dois velhos conhecidos do circuito profissional, onde este foi o 47º encontro entre ambos, com o histórico a dar vantagem a Higgins que venceu 28 encontros e perdeu 18. Higgins confirmou o favoritismo frente a um dos seus eternos rivais e bateu o galês por 5-2. Quem também não deixou margem para dúvidas e venceu de forma clara, foi Thepchaiya Un-Nooh que despachou Alan McManus por 5-0.

Fonte: Facebook World Snooker
Fonte: Facebook World Snooker

Os quartos-de-final do World Open tiveram o seguinte alinhamento: Anthony McGill vs Thepchaiya Un-Nooh; John Higgins vs Ali Carter; Shaun Murphy vs Joe Perry e Neil Robertson vs David Gilbert. Do primeiro encontro havia dois embates entre ambos no histórico, sendo que em ambas as ocasiões a vitória sorriu a McGill. Já entre Higgins e Carter, haviam 24 encontros previamente disputados, com cada o escocês a levar uma vantagem claríssima em termos de vitórias, 18 contra apenas seis do inglês. Shaun Muprhy e Joe Perry já se tinham cruzado por diversas ocasiões anteriormente, com Murphy a levar uma vantagem de sete encontros vencidos em onze disputados. Por último, Neil Robertson teve pela frente um dos jogadores jovens que há muito vem a dar nas vistas no circuito profissional, o inglês David Gilbert, com o favoritismo a cair para o lado do australiano. Foi um dos primeiros encontros que se jogou dos quartos-de-final e Robertson não se deixou surpreender por Gilbert, batendo-o por 5-2, garantindo assim um lugar na meia-final. Meia-final essa que viria a ter como adversário o seu amigo Joe Perry, que frente a um dos grandes candidatos à vitória, Shaun Muprhy, venceu por uns expressivos 5-2. McGill venceu o último torneio disputado no circuito e figurava por isso como um forte candidato à vitória. Mas a verdade é que frente ao tailandês Thepchaiya Un-Nooh foi surpreendido e saiu derrotado por 5-2. Por último e aproveitando o balanceamento positivo trazido das rondas prévias, Ali Carter superou-se e de que maneira para deixar pelo caminho Higgins, num encontro onde venceu por 5-0.

As meias-finais foram disputadas logo no dia seguinte e por isso importava recarregar baterias o mais rápido possível para o jogo decisivo que iria dar acesso à grande final. Joe Perry teve pela frente o seu grande amigo Neil Robertson. Este foi o 21º encontro entre ambos, com o australiano a liderar o histórico de embates com onze vitórias. Mas o australiano acabou por não se mostrar à altura do desafio e saiu de cena com uma derrota esclarecedora por 6-2. Na outra meia-final, essa teoricamente mais desequilibrada e onde Ali Carter apesar de tudo sabia que tinha de ter todas as cautelas frente a Thepchaiya Un-Nooh. O inglês não facilitou de forma alguma e levou de vencida aquele que tinha sido a maior surpresa do torneio por 6-1, marcando assim encontro na final com o seu compatriota Joe Perry.

A tão aguardada final foi o 19º encontro entre ambos, com Perry a ter uma vantagem de dez encontros vencidos contra oito do seu adversário. Apesar desta vantagem de Perry no confronto direto, esperava-se um encontro altamente equilibrado. A primeira sessão do encontro começou de forma equilibrada, com o parcial a registar um 5-4 favorável a Carter, ao cabo de 9 frames. A segunda sessão não foi menos equilibrado e teve o mesmo resultado em termos de parcial, tendo isso resultado numa vitória de Carter por 10-8 no final. Uma vitória merecida para um dos jogadores mais acarinhados pelos fãs da modalidade e que venceu na China o seu quarto ‘major’ como profissional. Quanto ao “gentleman” do circuito, Joe Perry, uma vez mais mostrou snooker de boa qualidade, deixando excelentes indicações neste início de época e um sério aviso para todos os seus adversários.

Fonte: Facebook World Snooker
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CALENDÁRIO DOS PRÓXIMOS TORNEIOS:

25/08 – 28/08 Paul Hunter Classic (PR*)

19/09 – 25/09 Shanghai Masters (PR*)

03/10 – 09/10 European Championship (PR*)

10/10 – 16/10 English Open (PR*)

*PR – Prova pontuável para o ranking

RANKING

Fonte: World Snooker
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