21 Ago, 2017

Mundial Snooker 2017 de A-Z

Xavier OliveiraMaio 2, 201713min0

Mundial Snooker 2017 de A-Z

Xavier OliveiraMaio 2, 201713min0

Com o término do mundial, importa fazer um balanço não só daquilo tudo o que se passou em Sheffield, destacando o melhor e o pior, mas também antever e prognosticar um pouco do que se irá passar já na próxima época. A nova temporada começa já no final do próximo mês de junho e por isso não há tempo a perder no que toca a preparar os torneios que se avizinham.

Anthony McGill: O escocês marcou presença pelo terceiro ano consecutivo no mundial em Sheffield. Mas a competição acabou por não correr bem, já que ficou pela primeira ronda onde perdeu frente a um soberbo Stephen Maguire, num ano que tinha pontos a defender relativos aos quartos-de-final alcançados em 2015. Com este resultado cai para fora do top-16, não começando da melhor maneira a nova época que aí se avizinha.

Barry Hearn: O homem forte da World Snooker merece o destaque neste mundial, não só por mais uma vez ter organizado um mundial de excelência mas também pelo facto de ter oferecido um ‘tour card’ válido por 2 anos a dois dos grandes nomes do passado da modalidade, Jimmy White e Ken Doherty. Ambos tinham perdido o direito de competir na próxima época mas tal não vai acontecer, e bem, com Barry Hearn e a World Snooker a lembrarem-se destes dois veteranos dos panos verdes.

Centenárias: Foram 72 centenárias, ou entradas superiores a 100 pontos, feitas este mundial. Encabeçadas por um dos maiores nomes do snooker, Ronnie “The Rocket” O’Sullivan que só não fez uma tacada máxima por achar as 17 mil libras oferecidas por tal feito um valor muito baixo, tendo por isso feito “apenas” uma entrada de 146 pontos.

Decepções: Mais do que decepções acabaram por ser a confirmação de épocas longe do seu melhor. São os casos de Shaun Murphy e Neil Robertson, dois ex-campeões do mundo que não foram além da segunda ronda, tendo perdido para Marco Fu e O’Sullivan, respectivamente. Quem acabou por falhar, mas aqui de forma mais escandalosa, foram Mark Williams e Joe Perry que nem sequer se conseguiram apurar para este mundial.

Eurosport: Uma palavra de apreço para esta estação televisiva que mais uma vez nos brindou de forma espantosa com as transmissões deste mundial, onde os comentários de Nuno Miguel Santos e Miguel Sancho foram uma vez mais a cereja no topo do bolo. De destacar ainda as “aulas” de O’Sullivan que através do Eurosport Player explicou como mais ninguém algumas jogadas que houveram no Crucible.

Marco Fu: Era apontado por vários especialistas da modalidade, inclusive o vice-campeão nacional de snooker Tiago Silva, que em entrevista ao Fair Play, confidenciou que achava que o asiático iria ser a surpresa deste mundial e o apontava como candidato à vitória. A verdade é que tal não aconteceu, sendo que Fu deu bem conta de si e teve o azar de apanhar um Mark Selby intransponível nos quartos-de-final, onde acabou por perder por 13-3 e ficar arredado da vitória.

Marco Fu no encontro frente a Luca Brecel (Foto: Facebook World Snooker)

Gary Wilson: Qualificou-se para o mundial como poucos provavelmente esperariam, mas mais do que isso conseguiu a proeza de fazer uma entrada de 147 pontos nas qualificações. No mundial acabou por cair aos pés de O’Sullivan, tendo ainda dado algum trabalho ao compatriota, já que perdeu por 10-7.

Barry Hawkins: Tal como o Fair Play já tinha dito na sua antevisão a este mundial, é sempre difícil saber o que esperar de Hawkins e a verdade é que este tornou a não ser o ano da “águia” do circuito. Conseguiu uma excelente prestação ao atingir as meias-finais, mas acabou por vacilar frente a John Higgins, perdendo por 17-8, num encontro que esteve longe de ser bem jogado de parte a parte.

Império do Snooker: O império do snooker é inevitavelmente dependente do dinheiro. Um jogador por conseguir estar presente no mundial, mesmo que oriundo das qualificações, arrecada qualquer coisa como 16.000 libras, algo que para muitos jogadores que jogam as qualificações é mais do que conseguem ganhar em toda uma época. Quem consegue o feito de alcançar a final recebe a “módica quantia” de 160.000 libras, sendo que o vencedor recebe “apenas” 375.000 libras!

Ding Junhui: O chinês que arrasta multidões no seu país natal e que vai coleccionando fãs por onde passa, esteve mais uma vez perto de fazer história. Não chegou à final como no ano passado, onde perdeu para Selby, mas ficou-se pelas meias-finais numa reedição dessa mesma. Ding perdeu por 17-15 para o inglês, mas deliciou todos os amantes da modalidade com um snooker de alto nível e a certeza que nos próximos será ele a erguer o tão desejado troféu.

Kyren Wilson: É apontado por O’Sullivan como uma das próximas estrelas do snooker mundial e a verdade é que tem tudo para o ser. Termina a época no top-16 e caiu apenas nos quartos-de-final do mundial para John Higgins. Vai cimentando a sua posição dentro do circuito e criando o estatuto para numa das edições futuras do mundial ser um dos candidatos maiores a brilhar mais alto em Sheffield.

Liang Wenbo: O “mais latino” de todos os chineses do circuito profissional ficou pela segunda ronda frente ao seu compatriota e amigo Ding Junhui. Foi na “negra” que tudo ficou decidido, num encontro em que as emoções estiveram à flor da pele, quer em Sheffield quer em qualquer outra parte do mundo, mas principalmente na China onde milhões de pessoas acompanharam esse encontro.

Liang Wenbo em acção no mundial (Foto: Facebook World Snooker)

Stephen Maguire: Ganhou o ‘boost’ que precisava nas qualificações e mostrou ao mundo o seu melhor snooker. “Atropelou” na primeira ronda McGill por 10-2, “passeou” frente a McLeod na segunda ronda e caiu apenas aos pés de Barry Hawkins nos quartos-de-final por 13-9, tendo dado muita luta ao inglês. Foi bom ver o escocês a brilhar novamente nos grandes palcos, numa fase da carreira onde os bons resultados não têm acontecido com frequência.

Noppon Saengkham: Esteve em Sheffield a representar todo um país com tradição no snooker, a Tailândia. Não foi muito feliz com o sorteio, já que logo na primeira ronda teve pela frente o australiano, campeão do mundo em 2010, Neil Robertson. Ainda assim merece uma nota destaque não só pela sua qualificação para o mundial, mas acima de tudo por ao conseguir tal feito ter garantido o passaporte para o circuito profissional na próxima época, ao terminar no top-64.

Ronnie O’Sullivan: Dispensa qualquer tipo de apresentação, não fosse ele um dos maiores embaixadores do snooker por todo o mundo. Este mundial falhou novamente o objectivo de alcançar o seu sexto título mundial, algo que já procura desde 2013. Protagonizou um dos momentos mais altos do torneio ao fazer uma tacada de 146 pontos, que só não foi de 147 por “birra”. Ficou pelo caminho frente a Ding Junhui, por 13-10, onde no final do encontro houve um cumprimento pleno de desportivismo e amizade, que tanto honra o snooker.

O’Sullivan e o sentido abraço a Ding Junhui (Foto: Facebook World Snooker)

Portugal: Novamente este cantinho à beira mar plantado mereceu honras de destaque em Sheffield, já que Portugal está numa ‘short list’ onde se incluem a Bélgica e Malta para a realização do European Masters de 2018, torneio que se realizou na Roménia a época passada. É preciso “mexer os cordelinhos” e angariar patrocínios necessários para trazer novamente os magos do taco a terras lusas, depois de estes terem cá estado em 2014, no Lisbon Open.

Quarenta: São quarenta anos de mundial no Crucible. Desde 1977 que lá se realiza o mundial e mais 10 anos virão com o contrato a ser assinado ao vivo e a cores entre Barry Hearn e a Senhota Denise Fox, a ‘mayor’ de Sheffield. Está por isso garantido a continuação desta prova no Crucible pelo menos até 2027.

Rory McLeod: O inglês, nascido na Jamaica, protagonizou a maior surpresa no mundial deste ano. Deixou pelo caminho um dos maiores favoritos à vitória do mundial deste ano, Judd Trump, por 10-8. Dificilmente haveria alguém no mundo do snooker que acreditasse ser possível tal façanha por parte deste, mas a verdade é que tal aconteceu. Jogasse sempre aquilo que mostrou frente a Trump e certamente estaria uns bons lugares acima no ‘ranking’.

Mark Selby: Tinha pela frente a difícil tarefa de revalidar o título de campeão mundial, para juntar-se ao restrito lote de três jogadores (Steve Davis, Stephen Hendry e Ronnie O’Sullivan) de vencer dois anos consecutivos no Crucible. Um a um, foi “tombando” os seus adversários ronda após ronda neste mundial, para na final bater um dos seus maiores adversários da modalidade, John Higgins. Na final chegou a estar a perder por 10-4, mas reergueu-se como só os grandes campeões o fazem, acabando por vencer por 18-15. Foi uma final com todos os ingredientes à mistura com Selby a subir ao lugar mais alto do pódio, pela terceira vez em quatro anos consecutivos.

Judd Trump: Foi provavelmente a maior desilusão deste mundial, já que foi eliminado logo na primeira ronda frente ao ‘underdog’ Rory McLeod. Era apontado por muitos como o maior candidato a vencer o mundial juntamente com Selby. No entanto o inglês falhou e a entrevista dada em exclusivo ao Fair Play, em Sheffield, dava conta de um Trump com o ego muito em cima e a “atacar” sem razão jogadores como Mark Williams e Ronnie O’Sullivan. Passa assim mais um ano sem que Trump consiga vencer o mundial e tal não irá se suceder até que Trump tenha a maturidade suficiente para conseguir tal feito.

Alexander Ursenbacher: O jovem luso-descendente não conseguiu a qualificação para o mundial, por pouco, já que perdeu apenas na última ronda da qualificação frente ao jovem chinês Yan Bingtao. Mas do que mostrou nas qualificações, importa salientar o facto deste suíço ter sido campeão europeu sub-21 este ano e com isso garantir um lugar no circuito profissional nas próximas duas épocas.

Hossein Vafaei Ayouri: O iraniano caiu apenas aos pés do experiente Tom Ford, na última ronda das qualificações. Este excelente resultado, que lhe permitiu amealhar algum ‘prize money’ interessante para o ‘ranking’, aliado à excelente época que protagonizou permitiu que o asiático garantisse um lugar no top-64 e a consequente permanência no circuito profissional na próxima época.

John “Wizard of Wishaw” Higgins: Só perdeu frente aquele que é o homem do momento, e que tem dominado a modalidade nos últimos anos, Mark Selby. Na maioria dos encontros jogou sempre um snooker de alto nível, tendo estado com uma vantagem de 10-4 na final, onde acabou por perder por 18-15. Ainda assim merece uma enorme salva de palmas porque no alto dos seus 41 anos ainda tem qualidade de sobra para vencer o mundial, algo que já fez por quatro vezes. Higgins está como o “Vinho do Porto”, quanto mais velho melhor!

Foto da praxe antes do inicio da grande final (Foto: Facebook World Snooker)

Xiao Guodong: Outro dos chineses em prova que fez boa figura, já que na primeira ronda deixou um dos cabeças de série pelo caminho, Ryan Day neste caso. Já na segunda ronda foi outro dos jogadores que caiu aos pés de Selby, num encontro em que as hipóteses de Xiao Guodong eram algo diminutas.

Yan Bingtao: Mais do que uma surpresa, uma confirmação. Este “jovem do milénio” como foi apelidado pelo ‘speaker’ do Crucible, Rob Walker, mostra que tem tudo para vir a ser um grande nome do snooker num futuro próximo e quem sabe chegar ao nível do seu compatriota, Ding Junhui. Não conseguiu ir além da primeira ronda, tendo sido eliminado por Shaun Murphy, sendo que ainda deu uma excelente réplica ao inglês.

Zhou Yuelong: Mais um jovem oriundo do país da “muralha”, a China. Com apenas 19 anos conseguiu fazer a sua estreia no mundial este ano e já ocupa o 32º lugar do ‘ranking’ neste momento. Na primeira ronda calhou-lhe em sorte o seu compatriota Ding Junhui, com a vitória a cair para o lado do mais experiente dos chineses por 10-5. É juntamente com Yan Bingtao, a maior promessa do snooker da China, dando assim garantias para um futuro risonho daquele país.


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