20 Set, 2017

Um “chocolate belga” a triunfar na China

Xavier OliveiraAgosto 22, 20177min0

Um “chocolate belga” a triunfar na China

Xavier OliveiraAgosto 22, 20177min0

Luca Brecel venceu e convenceu no China Championship, numa final onde frente ao “The Magician” Shaun Murphy, mostrou-se com muita maturidade para servir ele próprio um “chocolate belga” bem amargo ao inglês. Foi a primeira vez que o China Championship se jogou como um torneio a contar para o ranking. Este ‘major’ foi jogado na cidade de Guangzhou, no sul da China. Fica aqui um resumo de tudo o que se passou por terras asiáticas.

O vendaval do terceiro dia

O terceiro dia do China Championship foi produtivo no que toca a surpresas. Se nos dias anteriores, nomes como Stuart Bingham, Liang Wenbo, Anthony McGill, Neil Robertson e Mark Allen já tinham caído perante adversários teoricamente mais fracos, este dia foi aquele onde praticamente caíram todos os favoritos.

O campeão do mundo em título, Mark Selby deixou-se surpreender pelo jovem da casa, Zhou Yuelong, perdendo na negra por 5-4. A este seguiu-se a queda de Barry Hawkins que frente ao compatriota Mark Davis, perdeu por 5-3. Quem entre os ingleses não fez melhor foi Judd Trump, que vacilou frente ao ex-campeão do mundo Graeme Dott onde saiu derrotado por 5-3. Continuando a falar de nomes de terras britânicas, o sempre favorito John Higgins, não se mostrou ao melhor nível frente a Tom Ford, perdendo por 5-2. Mas os jogadores do continente da casa não fizeram melhor, já que Marco Fu perdeu frente ao belga Luca Brecel por 5-2 e a maior de todas as surpresas, no que toca ao público da casa, foi a derrota de Ding Junhui que foi “atropelado” pelo escocês Alan McManus por 5-0.

Feitas as contas e no que toca aos favoritos apontados no início do torneio, sobravam os nomes de Ronnie O’Sullivan, que vinha até então a fazer um percurso mais ou menos imaculado, e Shaun Murphy. A estes juntavam-se nomes de segunda linha como os casos de Mark Williams, Ali Carter e Stephen Maguire.

O’Sullivan pensativo no seu encontro frente a David Gilbert (Fonte: Getty Images)

A confirmação do favoritismo

A terceira ronda trouxe à tona o favoritismo natural dos jogadores mais fortes. Ronnie O’Sullivan venceu e convenceu o escocês Graeme Dott por 5-0, num encontro onde este último embolsou apenas 5 (!) bolas. Mark Williams bateu Mathew Stevens por 5-3 e Ali Carter o compatriota Mark Davis por 5-1. Shaun Murphy mostrava que estava em boa forma e deixou pelo caminho o escocês Stephen Maguire por uns arrebatadores 5-0.

O alinhamento dos quartos-de-final foi então o seguinte: Zhou Yuelong vs Shaun Murphy, Ali Carter vs Fergal O’Brien, Ronnie O’Sullivan vs Luca Brecel e Li Hang vs Mark Williams. No primeiro destes encontros, Murphy não se deixou surpreender pelo jovem da casa que vinha a mostrar todo o seu grande valor nas rondas anteriores. O inglês, campeão do mundo em 2005, usou toda a sua experiência para bater o chinês por 5-2. Ali Carter carimbou também a sua passagem às meias-finais deixando pelo caminho o irlandês O’Brien, também por 5-2, marcando encontro com Murphy, onde viriam a decidir a passagem à final. A surpresa do dia estava reservada para o encontro entre o “Rocket” e Luca Brecel. O belga conseguiu deixar pelo caminho o enorme Ronnie O’Sullivan, num encontro em que esteve a perder por 4-1, ou seja a apenas um ‘frame’ de ver Ronnie se apurar para a meia-final. Mas tal não aconteceu e com duas entradas centenárias pelo meio, Brecel venceu 5-4, protagonizando a surpresa do dia. Apesar de não ter sido uma surpresa tão grande como a derrota de O’Sullivan, Li Hang deixou pelo caminho um grande nome do snooker mundial, Mark Williams, por 5-3.

Li Hang “tira as medidas” às bolas (Fonte: Getty Images)

Nem sempre é preciso jogar bem para ganhar

As meias-finais do China Championship, que colocaram num dos encontros frente a frente Ali Carter e Shaun Murphy e no outro Luca Brecel e Li Hang, não foram jogadas a um grande nível. Relativamente ao primeiro encontro, esperava-se um jogo a bom nível já que estavam dois jogadores do top-16 a defrontarem-se. Mas a verdade é que tal não aconteceu, sendo que no fim acabou por vencer Shaun Murphy por 6-4. Esperava-se mais e melhor de ambos, sendo que no final de contas o que contou foi a vitória do ex-campeão do mundo, que regressou assim à final de um major, algo que já não acontecia desde Março passado, quando venceu o Gibraltar Open.

Na outra meia-final estava de um lado, o 58º jogador do ‘ranking’ mundial e última esperança dos adeptos da casa, Li Hang. E do outro o único belga a jogar no circuito profissional e 27º da hierarquia, Luca Brecel. Nenhum dos dois era favorito a chegar à final antes do início do torneio, mas após chegarem a uma fase tão adiantada da prova, havia que dar tudo para chegar à tão desejada final, algo que seria inédito para o chinês. Com uma primeira parte de sessão favorável a Brecel, onde saiu a vencer por 3-1, este viu Li regressar mais forte depois do intervalo, para se colocar a vencer por 5-4. O belga não baixou os braços e saiu vencedor do encontro por 6-5, protagonizando mais uma reviravolta, qualificando-se assim para a sua segunda final da carreira.

Murphy pouco agradado com aquilo que via no encontro frente a Ali Carter (Fonte: Getty Images)

Uma final que mais parecia um ‘thriller’

A final entre Murphy e Brecel, foi o oitavo encontro entre ambos. Até então, o inglês tinha vencido em quatro ocasiões contra três do belga, sendo que o último confronto foi já esta temporada, na primeira ronda do Riga Masters. O campeão do mundo de 2005 era o favorito a vencer a final, mas do outro lado tinha um jovem muito forte, que já tinha deixado um aviso à navegação, com as reviravoltas protagonizadas nas rondas anteriores. Certo era que se Murphy jogasse ao seu melhor nível, Luca Brecel teria poucas hipóteses, mas por outro lado se o inglês jogasse ao nível que mostrou a época passada, poderia ter grandes dificuldades frente ao belga.

Apesar da diferença clara em termos de ‘ranking’, com Murphy a figurar no 8º lugar e Brecel no 27º, isso não se traduziu dessa forma na mesa, pelo menos na primeira sessão. Na primeira parte dessa sessão, Murphy entrou melhor e colocou-se na frente por 3-1. No entanto viu Luca Brecel voltar mais forte e dar uma cambalhota no marcador, para se colocar na frente por 5-3. E foi por muito pouco que o belga não saiu da sessão a vencer por 6-3, naquele que foi um ‘frame’ digna de um verdadeiro ‘thriller’. Após vários golpes de teatro, Murphy acabou por vencer e reduzir a desvantagem para 5-4.

No regresso à mesa para a segunda sessão, o belga continuou a mostrar muita maturidade e perdeu apenas um ‘frame’, conquistando os cinco que necessitava para fixar a vitória em 10-5. Este foi o primeiro ‘major’ vencido pelo próprio Luca Brecel, que para além disso torna-se o primeiro jogador da Europa continental, ou seja, toda a Europa excepto o Reino Unido, a vencer um ‘major’.

Foto da praxe antes do início da final (Fonte: Getty Images)


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