23 Out, 2017

Total Rugby, a visão de Jim Greenwood – Coluna de Opinião de Luís Supico

Francisco IsaacMaio 3, 20174min0

Total Rugby, a visão de Jim Greenwood – Coluna de Opinião de Luís Supico

Francisco IsaacMaio 3, 20174min0

O Rugby no Fair Play estreia a sua nova (ou novas) crónicas mensais, com “colunas” de opinião de treinadores, jogadores, dirigentes e apaixonados pelo rugby. Luís Supico, treinador em AIS Agronomia, é o primeiro com a sua rubrica “Total Rugby”.

As modalidades no Fair Play continuam num ritmo de crescimento acelerado e, dessa forma, decidimos iniciar colunas de opinião com outros apaixonados pelos diferentes desportos que completam o Universo do Fair Play.

Posto isto, o Rugby abre as suas “colunas” rugbísitcas com Luís Supico, treinador dos sub-16 de AIS Agronomia e que está envolvido com formação e rugby desde há muitos anos. Um eterno apaixonado pelo Planeta da Oval e um “gladiador” do Total Rugby (nome da sua crónica mensal). Alguns dados sobre Luís Supico:

de 2008 a 2015 no Cascais:

Treinador principal em todos os escalões de Formação (dos sub-8 aos sub-14 de forma seguida) e com o feminino pelo meio;

Criador do “Manual do Treinador” para os escalões de Formação (apoio técnico dos sub-8 aos sub-14);

Divulgação nas escolas do concelho durante 2 anos (uma como responsável);

Um dos responsáveis técnicos do “Oh Gui” em Cascais (rugby adaptado para pessoas com deficiências profundas).

de 2015 até agora em Agronomia:

Treinador principal dos sub16;

Colabora com a ARS desde Novembro.

Fiquem com a sua primeira palavra de ordem no Fair Play

Em 1959, com trinta e um anos de idade e a braçadeira de capitão de uma das mais importantes nações de rugby bem como presenças em dois tours dos British and Irish Lions o escocês Jim Greenwood, lesionado num ombro num jogo com a Irlanda, decide-se retirar.

Numa época de 3ª Linhas de embate, especialistas na arte de defender e destruir jogo contrário, Greenwood destacava-se pelo trabalho de pés e boa leitura de jogo, procurando o espaço em vez do contacto; a antítese do que se esperava de um jogador de 1m88 (bastante alto para a altura considerando que se estima, por geração, um crescimento médio de 2,5 cm – três ou quatro gerações atrás, portanto).

Nem dez anos depois, em 1968, Greenwood publica a primeira versão de um livro/manual anos luz à frente de tudo o que se pensava: “Total Rugby”, uma visão de Greenwood do que o rugby deveria ser e como lá chegar. Reeditado em 1978 para o grande público pela A&C Black (já vai na 6ª versão do mesmo), “Total Rugby” fala de uma visão de jogadores e jogo fluido, onde todos aprendem as mesmas armas para se desenvolverem com um fim: a excelência individual e, por inerência, da equipa e do próprio rugby.

Vem isto a propósito do título do artigo.

Tive a sorte de ser convidado pelo Francisco Isaac (sorte também por ter aceite a minha ideia!) em escrever uma crónica aqui no Fairplay e quando me perguntou o nome da mesma não tive dúvidas: Total Rugby. Porque foi enorme a influência do livro na minha maneira de pensar, porque concordo com a ideia base do mesmo (“Total Rugby” está para o rugby de hoje em dia como o “futebol total” dos anos 70 da “laranja mecânica” holandesa e Ajax está para o futebol moderno), porque acredito que o rugby não é só um desporto; é uma junção de conhecimentos de outras áreas, pontos de vista diferentes, lições, aprendizagens, ensino, de relações pessoais e procura incessante em melhorarmos pessoal e desportivamente tudo o que fazemos. “Total Rugby” não é só sobre rugby, não é só sobre desporto – é uma maneira de ser.

Há genialidade na visão de Greenwood, onde jogar em “Total Rugby” não é só uma maneira global de jogar, onde todos podem e sabem fazer de tudo, mas acima de tudo a simplicidade da sua ideia – e é isso que o distingue de todos os outros: ao ir buscar a base e desenvolvendo-a, Jim Greenwood é intemporal na sua influência.

Sejamos todos como ele.

Jim Greenwood (Foto: World Rugby)


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