20 Nov, 2017

The Untamed Lions – 3 pontos da 15ª ronda do Super Rugby parte. II

Francisco IsaacJulho 3, 20178min0

The Untamed Lions – 3 pontos da 15ª ronda do Super Rugby parte. II

Francisco IsaacJulho 3, 20178min0

O Super Rugby está de regresso com as equipas sul-africanas a lançarem o mote para a recta final da competição: Lions insaciáveis vão quase à centena de pontos, Bulls à lei de Gellant, Stormers e Cheetahs num empolgante embate e Kings obtêm vitória histórica. A 2ª parte da 15ª Ronda do Super Rugby

A HISTÓRIA: KINGS WEAR THE JAGUARES PELT

Os meses de Maio, Junho e início de Julho foram para o rugby argentino “complicados”, em termos de resultados e prestações defensivas. Após derrotas com a Western Force e Brumbies (em casa) e a queda nas Series frente à Inglaterra (duas derrotas) a recepção aos Kings teria que só dar em vitória, sem desculpas, sem tropeções mas e sem dúvidas.

Com algumas lesões importantes (Agustín Creevy não jogou por exemplo), os Jaguares sentiram algumas dificuldades em gerir a posse de bola ou manter os rucks “limpos”, com a luta no breakdown a ser ganha pelos Kings, com 10 turnovers.

Chris Cloete (com uns impressionantes seis turnovers) e Anidisa Ntsila (treze placagens, cinco delas feitas de forma a que disponibilizasse o adversário aos seus colegas para “roubarem” a oval no breakdown) foram dois agentes de destabilização ofensiva para os Jaguares.

Mesmo com uma vantagem de 25-17 aos 42′, os argentinos foram perdendo capacidade de se envolver na luta pela oval, sentindo enormes dificuldades para garantir uma boa saída para o ataque. Desapoio constante, erros acumulados na leitura de jogo (Nicolás Sanchez o médio de abertura elegante e formidável do Mundial de 2015, foi autor de um belo ensaio que concretizou aos 37′ e ainda providenciou um bonito grubber para Tuculet mas pecou na fase mais complicado do jogo) e falta de ganas (o impacto da ausência de Creevy é algo “assustador”) levaram a que dessem o “flanco” aos Kings.

Os sul-africanos agradeceram, pegaram na oval e viraram o resultado de 17-25 para um 34-21 aos 72′, colocando o José Amalfitani em estado de sitio. Com esse espírito por detrás, os Jaguares subiram na intensidade e voltaram a ir ao ensaio por Joaquin Tuculet aos 73-74′, após um espectacular crosskick de Bonilla que tinha substituído Sanchez no encontro.

Como se esperava os últimos 5 minutos foram uma “guerra” total, com um nervoso miudinho a despertar em ambas as formações… só que os Kings conseguiram ter mais “calma”, trabalharam bem as fases de jogo garantindo uma vitória épica em solo argentino… foi a primeira vitória dos Kings na Argentina, numa época em que já tinham somado vitórias na Austrália e Japão, ficando só a faltar uma na Nova Zelândia para “fechar” o bingo.

O MOMENTO: TOTAL RUGBY BETWEEN SHARKS AND BULLS

Nos últimos dois-três anos quantas vezes se criticou o facto das equipas sul-africanas (no geral) de não praticarem um rugby efusivo, com malabarismos, quebras de linha recheadas de offloads, entre outros pormenores que entram na “sopa” do rugby do Hemisfério Sul, mais virado para as ilhas do Índico.

Todavia, a subida ao poder dos Lions revolucionou uma boa parte da forma de jogar na África do Sul. Já existe um equilíbrio entre skills de ataque mais fantástico e o crash bash bash rugby puramente sul-africano.

Veja-se o que se passou entre os Sharks e Bulls durante os minutos 18 e 19. Os Bulls saíram a jogar do meio-campo e foram conquistando terreno, com uma série de acções bem trabalhadas, onde se notou o tal estilo do Bash Bash, com os centros a participar em acções de ataque curtas e junto ao ruck. Schoeman, médio de abertura que tinha entrado aos 18′ por Tony Jantjies, aposta num grubber que não sai bem.

Curwin Bosch apanha a oval… poderia ter apostado num pontapé para fora aliviando, assim, a pressão. Contudo, o defesa de 20 anos arrisca num passe largo para Garth April, após ter olhado para a disposição defensiva – o que demonstra alguns sinais encorajadores para o futuro do 15/10. April aposta numa corrida, sai a jogar, bate retirada com uma troca de pés explosiva que chega até ao meio-campo… porém, uma placagem agressiva de Gellant, põe a oval à mercê dos Bulls.

Schoeman surge em velocidade, “arranca” a bola do chão, com os Sharks “partidos”… não consegue escapar de levar uma semi-placagem de Odwa Ndungane, entrando em trajectória descendente. Sem grandes possibilidades de dar volta a esta situação, Schoeman aposta num offload fantástico que é bem captado por Duncan Matthews, com o ponta a sair disparado para a quebra-de-linha… um belo dois para um, com apoio de Gellant (tinha placado April e obrigado ao abertura fazer um erro de controlo de bola antes, atenção) leva ao ponta entregar a oval ao defesa… ninguém o pára e os Bulls passam em definitivo para a frente do resultado.

O ensaio podem vê-lo no vídeo abaixo e ficar a perceber bem melhor do que a nossa descrição acima. Mas o que importa reter é que há uma mudança “enorme” na visão de como se quer jogar… Bosch e April arriscaram em sair a jogar dos seus últimos dez metros… o primeiro olha para o espaço disponível na ponta e confia em si e no seu colega para esboçar um passe longo bem captado por April. Este invés de arriscar num pontapé alto, sai a jogar… é o risco! Correu bem até chegar à linha do meio-campo.

Os Bulls pelo seu lado nunca perderam a calma, foram atrás do prejuízo, com Gellant a abordar o portador da bola com uma bela placagem percebendo que April só conduzia a oval numa mão e que ia arriscar um passe no contacto… bola “perdida”.

Depois é o mérito dos Bulls conseguirem rapidamente aproveitar os vários “buracos”, com Schoeman a arriscar num offload vertiginoso e demente. Isto só correu bem porque: 1- o offload é (99%) bem feito, com Schoeman a ter percepção que estava bem apoiado e a medir a força e distância certa; 2- Matthews entra bem e tem uma excelente reacção ao facto de a bola sair um pouco alta.

Depois é uma simples linha de corrida bem trabalhada, uma boa situação de 2 para 1 e um apoio veloz de Gellant. Isto é Total Rugby, isto poderá ser o futuro do rugby sul-africano.

O PODER: CAN ANYONE STOP THE ALL MIGHTY… LIONS?

Lions… de Joanesburgo voltaram a realizar uma super exibição em casa, continuando numa senda formidável de vitórias categóricas e “assustadoras”… neste regresso à competição, depois da pausa de um mês, os Lions “enfiaram” 14 ensaios na área de validação dos Sunwolves.

Combrinck com três (o ponta está a recandidatar-se ao lugar de Rhule ou Skosan nos Springboks) foi um dos jogadores em alta evidência no encontro. 160 metros conquistados, oito defesas batidos, seis quebras de linha, fazendo com Andries Coetzee e Courtnall Skosan um trio altamente fantástico com a oval nas mãos.

Sempre com o pé no acelerador, os Lions assumiram um protagonismo imenso, abrindo “fome” para os playoffs. É um rugby intenso, sempre dinâmico, em busca de criarem algo “diferente”, sendo neste momento a melhor equipa do rugby sul-africano.

É uma mistura de poder exacerbado pelos avançados (o primeiro ensaio provem de uma formação ordenada em que “varreram” os nipónicos) com Jaco Kriel a assumir uma “monstruosidade” com e sem a oval na mão e uma loucura sem precedentes em querer jogar em todo o lado, sem parar, procurando inventar as “cenas” mais  inacreditáveis possíveis, onde Faf de Klerk foi um autêntico demolish man.

De Klerk está de saída “anunciada” para a Premiership, o que não deixa de ser lamentável, já que realmente é um elemento que consegue catapultar o nível de jogo da sua equipa para algo altamente superior. Velocidade ímpar, um atleta puro e duro, com um nível de transmissão de bola apaixonante e uma capacidade para skills diferentes do que o rugby sul-africano está habituado.

Os Lions seguem, nas “calmas”, em direcção aos playoffs garantindo pelo menos um jogo em casa. Com Whiteley (lesionado nas próximas duas semanas), Kriel, Cronjé, Coetzee, Skosan, Combrinck, Marx, Jantjies, de Klerk, Mapoe entre outros, os Lions podem ser um perfeito campeão do Super Rugby.


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