25 Set, 2017

The Super Last Minutes – 5 pontos da 11ª ronda do Super Rugby

Francisco IsaacMaio 8, 20179min0

The Super Last Minutes – 5 pontos da 11ª ronda do Super Rugby

Francisco IsaacMaio 8, 20179min0

Highlanders e Jaguares provam que os jogos têm 80 minutos, Hurricanes voltam sob o “timbre” das vitórias, Waratahs não conseguem abanar com os Blues e Richie Mo’unga a pedir para regressar aos All Blacks. Isto e muito mais nos 5 pontos da 11ª Ronda do Fair Play

O ESPECTÁCULO: Jaguares e Highlanders fazem do pouco muito

Dois factos: Highlanders perdiam por 22-41 aos 75 minutos de jogo frente aos Cheetahs (a jogar em terras sul-africanas) e os Jaguares estavam a consentir uma derrota impressionante por 34-29 ante os Sunwolves quando o relógio batia nos 71′.

Não é fácil dar volta a uma situação destas, especialmente no caso dos Highlanders que estavam completamente “asfixiados” pelo poder físico dos Cheetahs do Free State e por mais que fizessem, a cada saída com bola exista um turnover, uma penalidade contra ou uma perda de bola infantil.

Foi daqueles jogos que nem Malakai Fekitoa (o nº13 dos All Blacks) estava a ter grandes razões para “sorrir”… todavia, tanto na equipa de Otago como de Buenos Aires, o “ressuscitar” dos últimos minutos aconteceu.

Os Highlanders em 5 minutos passaram de 22-41 para 45-41, com um ensaio na bola de jogo por Waisake Naholo… após 13 fases sempre com a oval nas mãos, com uma confiança imensa e certeza que iam conseguir ir lá.

Os Cheetahs cometeram o erro grave de “apanharem” com um amarelo aos 72′ (Uzair Cassiem agarrado à oval no chão para evitar a sua saída rápida) e isso “ajudou”, de alguma forma, aos Highlanders saírem em direcção para a área de ensaio por três vezes (Tevita Li, Matt Faddes e Naholo).

Foi um sufoco imenso, uma festa em grande para os neozelandeses e uma tristeza incalculável para os sul-africanos.

Agora indo para a Argentina, os Jaguares estavam a ser surpreendidos pela equipa dos Sunwolves (em franco crescimento), tendo estado sempre a perder até aos últimos 8 minutos finais.

Valeu a capacidade de liderança de Creevy (dois ensaios e um jogo brutal de um dos melhores talonadores, senão o melhor do Super Rugby no momento), as fintas de Moyano e o brilhantismo de Landajo para desbloquearam uma situação que estava a ficar caótica.

Uma avalanche de três ensaios em dez minutos (66-75) “partiu” com a muralha dos Sunwolves e deu mais uma vitória aos Jaguares na sua busca incessante por um lugar no playoff de campeão do Super Rugby.

O acreditar é um instrumento fundamental para qualquer equipa e, para além disso, ter noção que há que trabalhar bem, gerir bem a oval e fazer todos os processos com eficácia para chegar ao ensaio.

O CANDIDATO: Blake Gibson… All Black a caminho?

Blake Gibson mais uma das novas coqueluches dos Blues atingiu um número significativo na “arte” da placagem: 94% das tentativas foram bem sucedidas, ou seja, em 100 placagens realizadas só 7 é que falharam o alvo. Isto são valores de topo, estando acima de Sam Cane, Matt Todd, Brad Shields, entre outros e ao nível de Ardie Savea (71 realizadas só 5 falhadas).

No jogo contra os Waratahs, Gibson voltou a ser fulcral para os Blues que arrancaram uma vitória por 40-33 na Austrália… que por pouco podia ter acabado em empate não fosse a “corneta” ter soado quando os australianos marcaram o ensaio do ponto de bónus defensivo.

Gibson foi o super tackler da noite, com 15 placagens (com uma falhada) e um turnover no total de 80 minutos. Melhor que tudo é que as placagens de Gibson são mesmo para magoar, com uma agressividade (legal e justa) tal que puseram Reece Robinson a andar para trás ou Bernard Foley a explorar outros canais que não o interior.

Fisicamente foi sempre uma “arma” importante na subida de pressão, na gestão de linha de defesa, na liderança na zona de contacto (Gibson assume um papel de “chefe” na 3ª linha, na ausência de Kaino) e no trabalho nas fases estáticas.

Não tem tido uma grande participação na parte ofensiva e isso explica-se pela forma como os Blues fazem uso da sua 3ª linha, que não serve tanto para surgir ao lado de um centro ou ponta após duas/três fases “pesadas”, mas sim para dar um apoio no breakdown (é a equipa que menos bolas perde no chão, para depois as perder no jogo ao largo) ou carregar o portador da bola.

Por isso, não é tão normal ver Kaino, Gibson ou Luatua (agora convertido a asa) realizarem este papel no ataque, enquanto que a posição de número 8 fica com os “louros” de comer terreno (Akira Ioane tem sido um “príncipe” nesses termos). Isto tudo para chegar à conclusão que: Gibson é um especialista na defesa e um “corpo sacrificial” no ataque, que não deixa de ganhar metros (127 metros em 53 carries) e até de quebrar linhas (quatro até este momento).

Poderá ser ele um All Black no futuro próximo?

O ALERTA: Aussie teams downfall?

Verdade, as equipas australianas estão com um registo terrível em 2017, muito diferente do que foi em 2016 (que já tinha sido um alerta de qualquer das formas) e isto pode ser um ponto a rever muito rapidamente.

Se o Super Rugby estivesse em modo tabela conjunta (não esquecer que são dois grupos de cinco e dois de quatro), as equipas australianas ocupariam quase todos os últimos lugares da tabela: Rebels (18º), Force (16º), Reds (15º), Waratahs (13º) e Brumbies (10º).

Ora isto é uma situação grave, muito grave, especialmente num país onde o rugby tem tentado se impor perante os seus outros “adversários” locais como o Rugby League, o Australian Football ou o Cricket.

Neste fim-de-semana a situação australiana continuou a desapontar os seus fãs com derrotas dos Reds (frente aos cruéis Chiefs), Force (desempenho valoroso contra os Sharks), Rebels (“comidos” pelos Lions em casa) ou Waratahs (a primeira parte oferecida dos Blues tirou qualquer hipótese de reviravolta apesar do 33-40 final).

Nem os desempenhos de Haylett-Petty, Israel Folau (dois ensaios mas ainda longe daquele estilo vibrante que tanto nos marcou no passado), Bernard Foley, George Smith (a idade é um posto) conseguiram salvar a honra das suas equipas que foram novamente “destruídas” ou derrotadas pelos seus adversários.

O que fazer? O que reformular? Como reconquistar o mercado? É dar tempo ao tempo e esperar que os francos desenvolvimentos na formação e captação de novos valores ganhem “forma” e assumam a liderança dentro dos clubes, ou é necessário destituir uma franquia para beneficiar outra? Próximos episódios são aguardados com expectativa.

O JOGADOR: Courtnall Skosan, o “papa-léguas” dos Lions

Os Lions foram até à Austrália visitar os Rebels e conseguiram nova vitória com ponto de bónus, algo que dá ainda mais força à equipa de Ruan Ackermann para lutar por um bom lugar na fase final.

47-10, com um jogo tremendo ofensivo da equipa de Joanesburgo, permitiu os Lions continuarem no 2º lugar da classificação geral, no topo do seu grupo e assim, a 7 jornadas do fim, assegurarem uma meia-final em casa.

E quem mais uma vez bateu o registo de quebras de linha, criando “caos” na defesa dos supostos “rebeldes” de Melbourne? Courtnall Skosan! O ponta conquistou mais de 120 metros com a oval na mão, marcou um ensaio (já vai em 7 esta temporada) e tomou o lugar de Laumape como o melhor especialista em quebras-de-linha do Super Rugby com 25.

Verdade, Skosan é um “mestre” na arte de encontrar um espaço pequeno e transformá-lo numa situação de ensaio iminente. É uma autêntica chave-mestra para abrir qualquer “cadeado” de uma equipa… mais uma vez ajudou os Lions a ir na direcção da vitória.

A velocidade com que entra na bola, a forma como se dispõe a receber (tem sido um ponta diferente do que se costuma ver na África do Sul, menos clássico como a nova estrela dos Sharks, Van Wyk, ou o intermitente Mvovo) e a capacidade de se envolver na linha de ataque sempre que possível.

Skosan pode ser outro jogador útil para a fase actual dos Springboks, já que tem todas as “ferramentas” para dinamizar o ataque da África do Sul. Tem feito um grande Super Rugby e merece o destaque da semana.

A DERROTA: The end of the Bulls?

São momentos “tristes” quando assistimos à queda de um gigante, especialmente um que já conquistou por três vezes o Super Rugby/SuperXV, da forma como foi contra os Crusaders.

Uma autêntica humilhação, não só pelos números redondos (24-62) mas também pela fraca imagem dada dentro de campo com uma série de falhas de placagem (40 em 108 tentativas) ou pela fraca qualidade no jogo à mão.

Os Crusaders entraram com tudo e os Bulls não…foi tão simples como isto, com os de Christchurch a montarem um ataque acelerado, com uma intensidade ao nível da exigência da prova, enquanto que os sul-africanos de Pretória nunca se entregaram ao jogo.

Os Bulls tiveram uma péssima postura na placagem, com pouca capacidade de choque, sem rapidez para esticar na linha e sem uma execução de jogo interessante, o que permitiu aos cruzados fazerem ensaios para todos os gostos.

Exibição monumental de Jack Goodhue (dois ensaios e duas assistências do jovem de 21 anos, outra coqueluche das escolas da NZRU), Scott Barrett, David Havili (já está com 760 metros conquistados) e, principalmente, de Richie Mo’unga, o médio de abertura dos Crusaders.

Os Bulls só tiveram “paz” no final do jogo, com dois ensaios mas já nada podiam fazer perante tamanha “destruição” em casa… os Kings têm mais pontos, os Cheetahs talvez o consigam também… será que vão ser a pior equipa sul-africana em 2017?


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